sábado, 3 de outubro de 2026

Contos de Chanun Katan (10)

  

Amor próprio

 

Chanun Katan abriu e disse:

 

- Não tive amor próprio quando trabalhava de ceifador, aos seis anos de idade, em troca de um prato de arroz e feijão;

 

- Não tive amor próprio quando afundava as perninhas nas barreiras de um banhado para construir tijolos que não fizeram parte da construção da minha casa, mas que se transformaram em pão e café aguado;

 

- Não tive amor próprio quando fui armador de um boliche, levantando pinos até de madrugada, para dormir na aula de matemática no dia seguinte e ser acusado de preguiçoso e dorminhoco pelo professor e colegas;

 

- Não tive amor próprio quando passava sinteco em pisos de carvalho e era dispensado do emprego por crises de asma;

 

- Não tive amor próprio quando danifiquei vértebras da coluna por excesso de peso das sacas de arroz e feijão que carregava na cabeça;

 

- Não tive amor próprio em dezenas de outras atividades a que me submeti para sobreviver por que não nasci herdeiro de fazenda, filho de magnata, filho de investidor de bolsa;

 

- Na minha bolsa só carreguei humilhação, pai ausente e mãe maluca, e uma penca enorme de crueldades gratuitas;

 

- E como não tive amor próprio, fui me deixando morrer, já quem nem a dignidade para um suicídio eu tinha...

 

- Assim, que ninguém venha me falar em amor próprio. Eu morri. E retornei. E descobri que o amor próprio, tão citado e tão cantado, é o destilado mais sofisticado do Serpente.

 

- Um justo não tem amor próprio, tem amor incondicional, inclusive por aqueles que o acusam de não ter amor próprio.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Shamati (137)

  

137. Zelofeade estava coletando madeira

(Ouvi em Tav-Shin-Zayin, 1946-1947)

 

Zelofeade estava coletando madeira. O Zohar interpreta que ele estava medindo qual árvore era mais alta: A Árvore da vida ou a Árvore do conhecimento. Um justo é chamado “A Árvore da vida”, o qual trabalha inteiramente para doação. E, nisso, não há retenção para os externos. Contudo, a inteireza está na Árvore do Conhecimento, a extensão de Chochmá (Sabedoria) para baixo. Esse é o significado de “fazer o bem às Suas criações”. Elas não devem ser medidas. Ao contrário, elas devem ser “que possam se tornar uma na sua mão”.

 

Isso significa que uma sem a outra está incompleta. E Mordechai era da qualidade da Árvore da vida, ele não queria atrair nada para baixo já que não tinha nenhuma deficiência. Por isso, Ele precisou aumentar a qualidade de Haman, para que ele atraísse as Luzes para baixo. Depois, quando revelou sua deficiência, Mordechai as receberia na forma de recepção a fim de doar.

 

Agora podemos ver porque mais tarde, quando Mordechai diz coisas boas sobre o Rei, quando O salvou da morte, o Rei promoveu Haman, que era seu inimigo. É como os nossos sábios disseram: “De acordo com o desejo de cada homem”, de acordo com o desejo de Mordechai e de Haman, que se odiavam.

 

 

domingo, 14 de dezembro de 2025

Shamati (136)

 

 

 

136. A diferença entre as primeiras e as últimas cartas
(Ouvi em Purim, Tav-Shin-Zayin, 1946-1947)

 

A diferença entre as primeiras e as últimas cartas está apenas na sinopse escrita, ou seja, no conteúdo escrito que foi concedido pela casa do Rei. E os autores do Rei elaboram sobre o conteúdo para torná-lo compreensível a todos.

 

O conteúdo era simplesmente “que eles devem estar prontos para aquele dia”, e os autores o interpretaram como aplicável às nações, que elas estão destinadas a vingar os judeus. E essa força era para que Haman pensasse: “Quem poderia o Rei querer honrar mais do que eu?” Por isso, nas últimas cartas, eles escreveu especificamente, direto do Rei, “que os judeus devem estar prontos”. Por outro lado, nas primeiras cartas ele não escreveu especificamente “os judeus”. É por isso que eles tiveram a força para reclamar.

 

A questão é que essa força foi concedida porque o indivíduo não deveria justificar qualquer desejo pela recepção de luzes, pela atração das luzes superiores para baixo, pois todo o trabalho era para doar. Assim, quem quer especificamente as luzes maiores, como seu nome atesta: Haman, o Agagita, o Gag (teto) do nível, o qual é GAR.

 

sábado, 13 de dezembro de 2025

Shamati (135)

 

 

135. O limpo e o justo, não mate

(Ouvi em 2 de Nissan, Tav-Shin-Zayin, 23 de março de 1947, Tel Aviv)

 

“O limpo e o justo, não mate.” Um justo é aquele que justifica o Criador: o que quer que ele sinta, bom ou mau, ele leva acima da razão. Isso é considerado “direita”. Limpo se refere à limpeza da questão, o estado como ele o vê. É assim porque “um juiz tem apenas o que seus olhos vêem”. E se o indivíduo não entende a questão, ou não consegue alcançar a questão, ele não deveria borrar as formas como parecem aos seus olhos. Isso é considerado “esquerda”, e ele deveria nutrir ambas.

 

 

 

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Shamati (134)

 

134. O vinho que causa embriaguez

(Ouvi emTav-Shin-Zayin, 1946-1947)

 

É impossível ser premiado com a Torá por inteiro. Ao se embriagar no vinho da Torá, quando o indivíduo sente que o mundo inteiro é seu, mesmo que ainda não tenha toda a Sabedoria, ele ainda vai pensar e sentir que tem tudo em perfeição.

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Os quatro níveis no relacionamento de um casal

 

 

ARIT

(Os 4 níveis no relacionamento de um casal)

 

Em Cântico dos Cânticos, de Salomão, (Shir Ha Shirim) 5:2 está escrito:

 

“Eu estava dormindo, mas o meu coração vigiava. Eis a voz do meu amado, que estava batendo: ´Abre-me, minha irmã, minha amiga, minha pomba, minha perfeita, porque a minha cabeça está cheia do orvalho, os meus cachos das gotas da noite´.

 

Esses são os 4 apodos com que o Noivo se dirige à Noiva, e que configuram o acróstico ARIT, do título:

 

Achoti (irmã)

Raiti (Querida)

Ionati (Pomba)

Tamati (Perfeita)

 

Esses são os 4 níveis da ascensão à Kedushá de um casamento, relacionamento afetivo.

 

1.    Achoti

Em primeiro lugar, o casal deve sentir-se como “Ach” e “Achot”, irmão e irmã.  Deve compartilhar um amor natural, de compaixão e solidariedade, um amor de proteção aos filhos, cumprindo a mitzvá de “Crescer e multiplicar”.

 

2.    Raiti:

Em segundo lugar, o casal deve sentir-se como “Dod” e “Rayá”, amado e amada. Ou seja, ambos devem ter uma grande conexão emocional. Se o amor de irmão e irmã é “água”, o amor do amado e da amada deve ser “fogo”. E precisa ser um “Fogo de Santidade”.

 

3.    Ionati:

Em terceiro lugar, o casal deve ter um “amor de pomba”, que é um amor de conexão mais íntima, mais profunda e que se expressa pelos olhos, que se comunica invisivelmente, para além das palavras. “Teus olhos são pombas”, diz Salomão. Ionati é o nível do “amor de almas”.

 

4.    Tamati:

Em quarto lugar, o casal deve ter um “amor perfeito”. Ou seja, um deve ser “completamente do outro”. Um amor de Echad, de unidade, de fusão. E o “Tamati” deve se transformar em “Teumati”, irmãos gêmeos. Um amor que “volta ao princípio”, que se renova sempre, que não perde o frescor, a alegria, a fraternidade e a sororidade. No princípio, esse casal é “Achoti” (irmãos) e no final serão “Teumati” (irmãos gêmeos). Nesse nível, o casal se torna uma “raiz única”.  Como diz o Gênesis: “E foram (Adão e Eva) uma só carne”. Então e sempre são Um e sempre permanecerão sendo Um.

 

Dessa forma, o casal que passa por esses quatro níveis é capaz de cumprir o “Avodat Hashem”.

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Shamati (133)

 

133. As luzes do Shabat


(Ouvi em Tav-Shin-Zayin, 1946-1947)

 

As Luzes do Shabat vêm para o discernimento do Guf (corpo). Portanto, dizemos no Shabat: “De David. Bendize o Eterno, ó minha alma, e seja Seu santo Nome bendito por todo o meu ser” (Salmos 103:1). Ou seja, o Guf. Uma nova cabeça, no entanto, é considerada uma Neshamá (alma), a qual vem apenas para o discernimento da Neshamá e não do Guf. É por isso que dizemos apenas “Bendize o Eterno, ó minha alma” e não “bendito por todo o meu ser”, pois eles não alcançam o Guf (ver o Zohar 1, 97).

 

Contos de Chanun Katan (10)

    Amor próprio   Chanun Katan abriu e disse:   - Não tive amor próprio quando trabalhava de ceifador, aos seis anos de idade, em...