sexta-feira, 20 de abril de 2018

Sefer Ha Zohar (4)


7



Depois de o ponto e a câmara serem unificados como Um, Bereshit (que é Arik Anpin) inclui um elevado começo para a Luz de Chochmá. Mais tarde, a aparência da câmara mudou e foi chamada de Casa (hebraico: beit) e o ponto primordial foi chamado de Cabeça (hebraico: rosh). Eles foram incluídos um no outro por meio do Segredo do Começo, pois a combinação das palavras beit e rosh forma o termo Bereshit. Isso era assim enquanto beit e rosh eram Um, enquanto não havia maneira de habitar na Casa; enquanto Chochmá não estava vestida de Chassadim, o que revela as quatro cores da casa. Mas ele foi concebido para o propósito de habitação e, uma vez que foi habitado, chamou-se pelo nome Elokim, oculto e selado.





8



A luminescência permaneceu selada e escondida até que os filhos fossem capazes de procriar e a casa permanecesse expandida para conter o que foi estabelecido por meio da Semente Sagrada. Enquanto não concebesse, a expansão da Casa para torná-la habitável não ocorria, nem era chamada ainda pelo nome Elokim. Ao invés disso, ambos ainda faziam parte do Bereshit (“No princípio”). Portanto, tudo é considerado como se estivesse incluído em Arik Anpin; ou seja, o Começo. Depois de se tornar conhecido pelo nome Elokim, deu à luz as gerações que vieram da semente germinada no seu interior. Ele pergunta, O que é esta semente, e responde: São as letras entalhadas, as quais são o Segredo da Torá, referindo-se a Zeir Anpin, que emana daquele ponto e que é Arik Anpin. 





9



O ponto primordial, que é Arik Anpin, gerou dentro da câmara (que é Israel-Saba e Tevuná), o segredo das três vogais: Cholam, Shuruk e Chirik. Então elas são combinadas em um segredo, a Voz que emerge da união das três vogais. Quando a Voz se fez presente, sua parte feminina veio junto. Ela incluiu todas as letras, como está escrito: “os céus” (Bereshit 1:1); ou seja, a voz e seu Princípio Feminino. Essa voz, que é o segredo dos céus, é o último nome de Eheyeh, que é a luminosidade que contém, desse modo, todas as letras e cores.


quinta-feira, 19 de abril de 2018

Yichudim (1)


Yichud para Mikvê

O Mikvê, o banho ritual, é citado três vezes na Torah. Em Gênesis 1:10; Êxodo 7: 10 e em Levítico 11:36. O profeta Jeremias chama-se Deus de Mikvê três vezes, em Jeremias 14:8; 17:13 e 50:7.


Conforme Isaac Lúria, de Sagrada Memória, o Mikvê deve ser executado como um exercício cabalístico, da seguinte forma:

Ao entrar no Mikvê, medita-se no Nome KNA קנא (seu número é 151 e é o Nome Ehyeh expandido com letras Hey, da seguinte maneira):

ALP HH YOD HH (Aleph Lamed Pê Hey Hey Yud Vav Dalet Hey Hey)

Seu valor numérico é 151, o mesmo que o valor numérico de Mikvê. É importante saber que o Mikvê físico é, de fato, o Nome KNA, durante a seqüência de descenso espiritual.


É preciso submergir e enquanto se está sob a água é preciso meditar no nome KNA.


Em seguida, submerge-se outra vez e medita-se no Nome AGLA (Aleph Gimel Lamed Aleph). Este é o Nome relacionado com as Forças, que emana das letras iniciais da frase da Amidah: “Tu És forte para o mundo, Senhor” (Atah Gibor Le Olam Adonai).


Depois, submerge-se e medita-se em ALD (que é o décimo triplete do 72. O Nome pode ser lido como Eled, que significa “Darei a Luz”, indicando que se nasce de novo quando se emerge do Mikvê.


Na quarta submersão, meditar nos dois Nomes ALD e Ehyeh, entrelaçados da seguinte maneira:


ALP A HEY L YOD D HH (Aleph Lamed Pê Aleph Hey Hey Lamed Yud Vav Dalet Dalet Hey Hey)


Medita-se, agora, na intenção da oração. Imagina-se a si mesmo dentro do Nome e, conforme se é Elevado, se é atendido.


Enfim, submerge-se pela quinta vez e medita-se nos Nomes ALD e Ehyeh, entrelaçando-se as Letras da seguinte forma:


AAHLYDH (Aleph Aleph Hey Lamed Yud Dalet Hey)


Medita-se que se está Elevando a intenção da oração até o nível superior de Binah. Então, tudo se transforma em puro amor e misericórdia.

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Hamashbir (2)


Mashiach (1)



Para os judeus, Mashiach ainda não veio;



Para os cristãos, Mashiach (Messias) já veio e vai retornar, numa segunda vinda;



Para os muçulmanos, Mashiach virá na figura do Mahdi, em árabe, “O Guiado”;



Você imagina que Mashiach é um conceito, uma idéia, o mito do Salvador e Redentor somente das três religiões monoteístas?


Mashiach é um mito universal.



Mito não significa mentira, ilusão ou falta de espírito científico. Mito é uma verdade profunda, vestida de alegorias e símbolos. Mito é a boa organização das partes de uma narrativa. Mito é uma narrativa coerente, necessária e verossímil.



O Mito permite que a gente levante de manhã e acredite que vai ser um “bom dia”. Sem essa perspectiva mitológica os nossos dias seriam verdadeiros infernos. Inferno que, aliás, também é um mito. A loucura é a falta de organização do mito. Sem mitologias não há sanidade. Os cientistas e os ateus acreditam na estrutura, autoritária e explicativa, de seus próprios mitos. No Deus em que tu não acreditas, eu também não acredito. A história da ciência é uma cadeia infindável de fé em mitologias. Sou do tempo em que ovo fazia mal para a saúde. No entanto, mesmo naquela época, eu comia ovo à vontade, porque acreditava nos profetas e nos cabalistas, que sempre afirmaram que “o problema não é o que entra na boca, mas o que sai da boca...”.



Mashiach tem 4 níveis: Pshat, Remmez, Dresh e Sod.



Começarei pelo Pshat, nível literal e histórico, e apresentarei aqui o Mito do Mashiach na cultura egípcia. Aguardem o próximo post nessa categoria de Hamashbir.

terça-feira, 17 de abril de 2018

Acherim Omerim (1)


Orientações para aprender Kabbalah

(Ione Slazay)



Vejamos, pois, alguns pontos que é preciso levar em conta para acercar-se da Kabbalah:



1.    Humildade



A virtude mais elevada do místico é a modéstia. A respeito disso se diz que “o saber que não é expresso com humildade deixa de ser aproveitável”.[1]


Deus proporciona o primeiro exemplo de modéstia: a Sua grandeza é ter descendido até o homem.


O orgulho é somente uma máscara dos próprios defeitos e a soberba é ignorância.[2]


A virtude da humildade na Árvore da Vida (Sefirot) se encontra em seu princípio, na esfera de Malchut, pois sem humildade é impossível entrar no Reino de Deus.





2.    Transparência


A kabbalah não é uma aprendizagem convencional. Para aprendê-la, é preciso despertar o desejo infinito de receber a Iluminação para compartilhá-la, isto é, ser um canal transparente. Os cabalistas que estudaram o Sefer Yetzirá, o Livro da Formação, advertiram-nos de que somente aquele que tivesse alcançado o grau de transparência poderia entrar no mistério de todas as coisas.



3.    Equilíbrio social e sentido de comunidade




Para estudar kabbalah é necessário um equilíbrio na vida social do aluno, tendo este já passado por certas aprendizagens de maturação e responsabilidade. Vínculos estáveis permitem dedicar-se aos estudos sem cair em confusões. Uma sexualidade regular e um trabalho digno também são muito importantes para não utilizar a kabbalah com finalidades não transcendentais.


Se o aprendiz busca encontrar-se a si mesmo, tudo deve desenrolar-se num marco de harmonia e sentido de comunidade.





4.    Aprender com um mestre




A tradição oral é passada de boca a ouvido, isto é, de coração a coração. Esta é justamente a magia da transmissão do intransmissível. Somente o conhecimento dado com amor e com humildade constrói e edifica a Sabedoria sobre cimento sólido, mas cada um deve conectar-se com seus mestres adequados ao seu próprio processo interior de aprendizagem. É fundamental aprender com um guia, que, embora não se interporá entre nós e nosso destino, servirá de orientação, pela sua própria experiência, facilitando nosso próprio encontro.





5.    Chabrut (Companheiros místicos)



Não somente é necessário aprender com um mestre, senão que também são importantes os companheiros de grupo, que de seus próprios níveis de aprendizagem servem-nos de espelho e eco.



6.    Disciplina e amor


Embora o trabalho do cabalista seja integrar os pólos opostos e complementares, sua formação deverá ser de amor e de disciplina. Sem esses dois pratos, a balança não se equilibra.



7.    Aprovação Divina




Por último, o requisito fundamental é que o aprendiz conte com a aprovação divina. “Quem bebe das águas da Kabbalah nunca deixará de bebê-las”, pois antes também já bebeu. Diz-se que os Iniciados têm um sinal na testa, na aura do seu terceiro olho (Shlishi Ayn). Este sinal, entre outros, é o que o mestre lê para aceitar discípulos.








As três condições para ser cabalista



O mestre Abraão Abuláfia, no século XIII, explicava que para se ser cabalista é necessário cumprir três condições:



1.    A primeira é aprender com alguém iluminado por Deus.


2.    A segunda condição é a pessoa receber, ela mesma, e de forma direta, a Iluminação.


3.    E a última condição é o sinal divino.





[1] Safran, Alexandre. La Cábala. Barcelona: Martinez Roca, 1976.
[2] Ditado do Talmud.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Kisse Shel Eliahu (3)


Torah Shebe´al Pê



Durante 40 gerações a Torah Oral foi transmitida de mestre para aluno:



Moisés recebeu no Sinai e transmitiu para Josué;

Josué para Pinchás;

Pichas para Eli;

Eli para Samuel;

Samuel para David;

David para Ahia;

Ahia para Elias;

Elias para Eliseu;

Eliseu para Jeoiada;

Jeoiada para Zacarias;

Zacarias para Oséias;

Oséias para Amós;

Amós para Isaías;

Isaías para Miquéias;

Miquéias para Joel;

Joel para Naum;

Naum para Habacuque;

Habacuque para Zefanias;

Zefanias para Jeremias;

Jeremias para Baruch;

Baruch para Esdras;

Esdras para Shimon, o Justo;

Simon, o Justo, para Antígonas;

Antígonas para Yosse Ben Yo´ezer e Yosef ben Yochanan;

Yosse Ben Yo´ezer e Yosef ben Yochanan para Yeoshua ben Perachiach e Nittai de Arbel;

Yeoshua ben Perachiach e Nittai de Arbel para Yehudah e Shimon bem Shatach;

Yehudah e Shimon ben Shatach para Shemayah e Avtalion;

Shemayah e Avtalion para Hillel e Shammai;

Hillel e Shammai para Raban Shimon, filho de Hillel;

Raban Shimon, filho de Hillel, para Raban Gamaliel, o Ancião;

Raban Gamaliel, o Ancião, para Raban Shimon, filho de Gamaliel;

Raban Shimon, filho de Gamaliel, para Raban Gamaliel II;

Raban Gamaliel II para Rabi Shimon ben Gamaliel;

Rabi Shimon ben Gamaliel para Rabennu Hakadosh;

Rabennu Hakadosh para Rabi Yochanan, Rav e Schmuel;

Rabi Yochanan, Rav e Schmuel para Rav Huna;

Rav Huna para Rabá;

Rabá para Rava;

Rava para Rav Aschi, que foi o compilador do Talmude Babilônico.






domingo, 15 de abril de 2018

Glossário de Termos Cabalísticos (3)


Chazeh (חזה): peito – o fim do Tzimtzum Bet. Consequentemente, existem os Kelim de Panim, o Galgalta Eynaim, que constituem a face acima do Chazeh. O Tzimtzum Bet não tem poder sobre os Kelim de Panim.

sábado, 14 de abril de 2018

Otiot (2)


O significado da Letra Aleph



O alef, a primeira letra do alfabeto hebraico, é formado por dois yuds (a décima letra) — um no alto, à direita, e outro embaixo, à esquerda — unidos por um vav (a sexta letra) em diagonal. Ele representa as águas superiores e inferiores e o firmamento entre elas, conforme ensinado pelo Arizal (Rabi Itschac Luria, que recebeu e revelou novas percepções dentro da milenar sabedoria da Kablalah).



A água é mencionada pela primeira vez na Torá no relato sobre o primeiro dia da Criação: “E o espírito de D’us pairou sobre a superfície das águas”. Naquele momento as águas superiores e inferiores eram indistinguíveis. Seu estado é referido como “água dentro de água”. No segundo dia da Criação, D’us separou as duas águas “estendendo” o firmamento entre elas.



No serviço da alma, a água superior é a água do júbilo, da experiência de estar próximo a D’us, enquanto a água inferior é a água da amargura, da experiência de estar distante de D’us.



Na filosofia judaica, as duas propriedades intrínsecas da água são “molhada” e “fria”. A água superior é “molhada” com o sentimento de unidade com a “exaltação de D’us”, enquanto que a água inferior é “fria” com o sentimento de separação, de frustração por vivenciar a inerente “baixeza do homem”. O serviço Divino enfatiza que, realmente, a consciência primordial de ambas as águas é o senso do Divino – cada uma a partir de sua própria perspectiva: sob a perspectiva da água superior, quanto maior a “exaltação de D’us”, maior a união de todos em Seu Ser Absoluto. Já sob a perspectiva da água inferior, quanto maior a “exaltação de D’us”, maior o vácuo existencial entre a realidade de D’us e a do homem, e daí a inerente “baixeza do homem”.



O Talmud relata sobre quatro sábios que entraram no Pardês, o pomar místico de elevação espiritual que é alcançado somente por meio de intensa meditação e contemplações cabalísticas. O mais notável dos quatro, Rabi Akiva, disse aos outros antes de entrar: “Quando vocês chegarem ao local da rocha de puro mármore, não digam ‘água-água’, pois consta que ‘aquele que fala mentiras não ficará diante de Meus olhos’”. O Arizal explica que o lugar da “rocha de puro mármore” é onde a águas superiores e inferiores se unem. Aqui não se pode evocar “água-água” como que estabelecendo uma divisão entre a água superior e a inferior. “O local da rocha de puro mármore” é o local da verdade – o poder Divino de sustentar simultaneamente dois opostos. Nas palavras de Rabi Shalom ben Adret: “o paradoxo dos paradoxos”. Aqui a “exaltação de D’us” e Sua proximidade com o homem se unem com a “baixeza do homem” e sua “distância” de D’us.



A Torá começa com a letra beit (a segunda letra do alfabeto hebraico): “Bereishit (No início) D’us criou os céus e a terra”. Os Dez Mandamentos, a revelação Divina no Monte Sinai, começa com a letra alef: “Anochi [Eu] sou D’us, seu D’us, que tirou vocês da terra do Egito, da casa da escravidão”. O Midrash afirma que a “realidade superior” foi separada da “realidade inferior”, pois D’us decretou que a realidade superior não descende, nem tampouco a realidade inferior ascende. Na entrega da Torá, D’us anulou Seu decreto, sendo Ele Próprio o primeiro a descer, como está escrito: “E D’us desceu sobre o Monte Sinai”. A realidade inferior, por sua vez, ascendeu: “E Moshe se aproximou da nuvem…”. A união da “realidade superior”, o yud superior, com a “realidade inferior”, o yud inferior, através do vav conectivo da Torá, é o segredo fundamental da letra alef.



Forma



Um yud em cima e um yud embaixo com um vav separando-os e unindo-os simultaneamente. O segredo da imagem na qual o homem foi criado.



Mundos



A água superior e a água inferior com o firmamento entre elas.



No mundo:



1. A atmosfera superior, a atmosfera inferior, o oceano e o lençol de água.



2. Ondas de energia, a atmosfera, o ciclo hidrológico.



No corpo humano:



1. O sistema respiratório, o diafragma, o sistema digestivo.



2. O líquido da cabeça, a membrana, a umidade do cérebro.





Almas



Sentir-se próximo de D’us e distante d’Ele, com o comprometimento com Torá e Mitzvot equilibrando estas emoções.



“O choro está enraizado em um lado do meu coração, enquanto a alegria está enraizada no outro lado do meu coração”.



Divindade



Luz Transcendente e Luz Imanente, com a contração (tzimtzum) e a impressão (reshimo) entre elas.



O homem em perfeita união com a Vontade Infinita de D’us.



NOME



Bois, milhar, ensinamento, mestre.



Mundos



Bois – realidade física bruta, a alma animal inferior.



Milhar – multiplicidade na Criação, “as milhares de montanhas pastejadas pelo boi”.



O jugo do boi sendo aquiescido milhares de vezes e retornando à unificação.



Almas



“Eu ensinarei sabedoria a você” – a raiz da alma deriva da sabedoria de D’us.



Percepção direta da verdade Divina, ser nada.



Divindade



“Mestre do Universo”.



O “Um” Divino revelando-Se através da pluralidade da Criação.



NÚMERO



Um



Mundos



O primeiro dos números contáveis.



O começo do verdadeiro processo e a sequência dos eventos mundanos.

Conta-se “algo a partir de algo”.



Almas



“Uma nação na terra”.



A união orgânica de todas as almas.



Conta-se “algo a partir do nada”.



Divindade



“D’us é Um”: a unidade absoluta de D’us.



“Não há ninguém além d’Ele: Um, Único e Ímpar”.



Conta-se “nada a partir de algo”.


Shamati (137)

    137. Zelofeade estava coletando madeira (Ouvi em Tav - Shin - Zayin , 1946-1947)   Zelofeade estava coletando madeira. O Zohar i...