terça-feira, 22 de maio de 2018

Sefer Ha Zohar (7)




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Bereshit é formado pelos segmentos Bará Shit (criou seis), pois de um extremo a outro dos céus há seis ramos que se estendem do segredo do sublime com a expansão de Bará (criou). Bará se expande do primeiro ponto, que é Arik Anpin. E aqui, desse primeiro ponto, o segredo do nome de 42 letras foi gravado.



Entonações, vogais e letras



O relacionamento entre as letras hebraicas, as vogais e as entonações é explicado em termos de seu significado espiritual. O Zohar nos diz que as letras, as vogais e as entonações não são meros blocos de construção da linguagem. Eles são os blocos de construção de todo o Universo. Eles são os sons da criação, as forças através das quais as estrelas e os planetas são construídos e através dos quais os mundos físico e metafísico são erigidos. Assim como a voz humana cantando pode estilhaçar vidros e evocar lágrimas, o alfabeto hebraico afeta tanto a realidade física quanto a espiritual. Podemos acionar essas forças ao escanear meditativamente as mesmas letras que falam dos segredos das próprias letras. Ao fazer isso, podemos atrair o sustento espiritual e a Luz para dentro de nossas vidas.



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 “E aqueles que são sábios brilharão” (Daniel 12:3) como as marcas de entonação que seguem as letras e as vogais. Elas se movem como soldados seguindo seu rei. As letras são o corpo e as vogais são o aspecto do seu espírito. E elas todas seguem suas entonações e delas recebem a sua existência. Quando a melodia das marcas de entonação se propaga, as letras e as vogais marcham no mesmo compasso. Quando a melodia para, elas também param.





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As palavras “E aqueles que são sábios brilharão” aludem às letras a às vogais que brilham, e “a luminescência” alude ao tom das marcas de entonação. “O firmamento” alude à expansão do tom, nomeadamente, todas aquelas entonações que fluem e se expandem à medida em que o tom flui. “E aqueles que transformam muitos em justos” alude à música das marcas de entonação que pausam o andamento e permitem que o significado das palavras seja ouvido claramente. A palavra “brilharão” alude às letras e às vogais que brilham unidas ao longo das jornadas por caminhos ocultos. Tudo se expande a partir disso. “E aqueles que são sábios (maskilim) brilharão como a luminescência do firmamento” sobre os pilares e suportes daquele andor. “E aqueles que são sábios” são eles próprios os pilares e suportes supremos, os quais cumprem conscientemente a obrigação de doar àquele andor e aos seus suportes tudo o que é necessário para seu sustento. Os pilares são Chesed, Guevurá e Tiferet; os suportes são Netzach, Hod e Yesod. Esse segredo está velado, como se diz: “Abençoado aquele que leva o pobre em consideração (maskil)” (Tefilim 41:2); Maskil é Zeir Anpin, e o pobre é o seu princípio feminino. E ele recebe a luminescência para o bem do pobre que dela necessita. As seis extremidades supremas de Zeir Anpin brilharão, pois se elas não brilharem ou iluminarem, não serão capazes de estabelecer o andor e determinar o que é necessário para sua restauração. Não fosse pela necessidade de estabelecer esse andor, elas não receberiam nada daquela luz de luminescência.








Tiul (13)


Na segunda de manhã, dia 21, fomos ao Museu de Israel, para vermos os Manuscritos do Mar Mort


Em seguida, fomos ao Monte das Oliveiras. Dali, se pode ver o Portão do Mashiach. Um invasor poderoso de alguma época passada mandou fechar essa entrada da cidade velha e transformou a ladeira do Vale de Kidron em uma lixeira, para impedir a entrada do Redentor. No cemitério que fica no Monte das Oliveiras estão todos enterrados com os pés voltados para o Monte do Templo. Quando os mortos ressurgirem, diz o mito, já se levantarão de frente para o Santo dos Santos (a Rocha do Monte Moriá). Esses mortos serão os primeiros a ressuscitar.


Um velho árabe inteligente puxa um burro por ali, pedindo esmolas.



(Estou escrevendo esse texto na companhia do Gerson Mainardi. Estamos sentados na sacada do Hotel Prima Kings, na Rua Ramban (não confundir com Rambam), tomando uma cerveja. Terminamos o nosso trabalho espiritual aqui na Terra Santa e sairemos de Israel amanhã).



Levei o Rabino Saltoun e alguns membros do Kadosh (éramos 17 pessoas) para visitarmos o Instituto do Templo, na Cidade Velha. Há três anos estive no Instituto, e a minha impressão sobre esse assunto da construção do III Templo se aprofundou, mas não mudou em essência. Defini o que senti, depois da visita, com a frase: “O noivo está pronto, mas a noiva não veio para o casamento”. Em outro momento, vou elaborar melhor o que eu quero dizer com isso.



E, à noite, vivemos uma experiência muito impactante. Depois da janta, retornamos à Cidade Velha e entramos nos Túneis do Rei Salomão. Quase um quilômetro costeando o Muro Externo do Monte do Templo, metros abaixo do chão, cercados pela história dos romanos, dos cruzados, dos bizantinos, do império otomano. No final do percurso, encontramos a Rocha, a Rocha que está embaixo do Domo da Roca. Uma pedra diferente. O Yesod da Terra. A Fundação do Mundo. A pedra em que Adão e Eva fizeram o primeiro altar de adoração a Elohim. A pedra onde Abraão amarrou Isaac. A Pedra onde Jacob sonhou com os Anjos subindo e descendo a Sulam (Escada Espiritual). A Pedra que é o Santo dos Santos (Kadosh de Kadoshim) e em torno da qual estava construído o Primeiro e o Segundo Templos. A Pedra de onde pode emanar a Geula, a redenção do mundo, a Pedra que pode trazer a destruição do mundo. Indescritível o perfume que senti ao fazer um Ana Bekoach com a mão esquerda espalmada contra essa pedra sagrada. Nela, sim, há santidade, e não no Muro das Lamentações, que não passa de um muro externo do complexo extraordinário que era o Templo. Desde que fundei o grupo Kadosh eu afirmo que as pessoas estão rezando no muro errado. Como disse o Saltoun, se o Papa, o Ayatolá, o Rabino-Chefe, o presidente do Sanhedrin; se os líderes religiosos de todas as religiões do mundo se dessem as mãos ao redor dessa Rocha, construiríamos um mundo melhor, de tolerância (ninguém precisa mudar de religião para fazer uma conexão com o Criador) e de ajuda mútua (Arvut).



Hoje, na terça-feira, fomos para Hebron, onde descansam os patriarcas e as matriarcas. E lá fizemos o trabalho espiritual para o qual fomos escolhidos, fizemos o trabalho que nem judeus e palestinos conseguem fazer. Foi para isso que viemos a esta terra, abençoada e amaldiçoada ao mesmo tempo. Abençoada pelo Criador e amaldiçoada por grande parte dos seres humanos.  Foi para isso que entramos no Santuário construído por Herodes.



Explico.



Esse Santuário de Macpella (onde estão Abraão e Sara, Isaac e Rebeca, Jacó e Lia) fica na fronteira de Israel e Palestina. Abraão e Sara e Jacó e Lia estão no lado israelense. Isaac e Rebeca estão no lado palestino, divididos pela política, pela insanidade, pela serpente. No lado israelense fizemos os nossos Yichudim, unindo as almas de Abraão, Jacó, Sara e Lia. Mas Isaac e Rebeca ficaram de fora. Assumi o comando do grupo, a pedido do Rabino Saltoun e fui conversar com os guardas da fronteira da Palestina. Disse-lhes que éramos do Brasil e que queríamos muito visitar também o patriarca e a matriarca do lado da terra deles. Eles me perguntaram: “Existe algum judeu com vocês?”. Eu apenas disse que éramos brasileiros. Ele insistiu. Repeti que éramos brasileiros. As metralhadoras ficaram abaixadas e eles nos deram dez minutos de visitação. Um minuto para cada Sefirot, pensei. E entramos na Palestina. E foi incrível, foi indescritível. Na frente dos Santuários de Isaac e Rebeca, dentro da Mesquita, existe uma fenda, uma fissura, um buraco que penetra profundamente o solo e que é a entrada do Gan Éden. Os guardas do Santuário permitiram que olhássemos pela escotilha. Todos nós olhamos o local em que entraram os corpos de Abraão, Isaac e Jacó, menos o rabino. Olhamos com a inocência de Adão e Eva no Paraíso, antes da enganação do Serpente. Lá na fenda, enrodilhado em si mesmo, está o Serpente, guardando a entrada do Gan Éden, o Nachash que se transformará no Mashiach. Posso elaborar melhor em grupo fechado.



No caminho de retorno, fomos visitar Bethlehem (Belém) e a Igreja da Natividade. Vimos o local do nascimento de Jesus e o local da manjedoura. Essa cidade também está dividida entre Israel e Palestina. No início, o rabino foi impedido de entrar nesses locais sagrados para o cristianismo, mas depois ele conseguiu se unir ao grupo. Acho que ele esqueceu a kipá na cabeça e os palestinos implicaram com ele.



No meio do caminho, tinha um muro. Um muro altíssimo. Um muro que separa israelenses e palestinos, um muro de ignorância, um muro de politicagem, um muro de ódios e preconceitos, e, na margem desse muro, no lado israelense, repousa Rachel, a amada de Jacó, que morreu em trabalho de parto nesse local. Diante do seu Santuário, fizemos Yichudim, exercícios cabalísticos, e recebemos maravilhosos perfumes.



Dentro do ônibus, Vera Teixeira Aguiar, que recebeu a cura de uma doença agressiva depois que a convidei a fazer parte do Grupo Kadosh, leu o poema de Camões em homenagem à Rachel, um dos mais belos sonetos da língua portuguesa.



Do muro, viemos diretamente a Jerusalém e fomos visitar o Santuário de Baal Ha Sulam. Lá, na presença do mestre, o maior cabalista do século vinte, cantamos, fizemos os nossos exercícios cabalísticos e comemoramos o aniversário da Denise, que veio do Rio de Janeiro para juntar-se conosco nessa peregrinação.

Agora, estamos prontos para regressar aos nossos países (Brasil e Suíça), às nossas cidades, aos nossos familiares e amigos.



Levo uma grande e inolvidável certeza ao final dessa viagem: no Gan Éden, as almas de Abraão, Isaac e Jacó, Sara, Rebeca, Lia e Rachel estão felizes, porque através do Grupo Kadosh, através do Saltoun e de seus convidados, voltaram a se encontrar aqui na Terra, em Hebron e no caminho cercado de altos muros e muitas metralhadoras.



Como disse um escritor uruguaio que já traduzi (e publiquei) no Brasil, Juan Jose Morosoli, “nós só começamos a viajar depois que voltamos para casa”.



Amanhã, começa, de fato, a nossa viagem, e o nosso Trabalho Espiritual no Brasil.

  




domingo, 20 de maio de 2018

Tiul (12)


Noite de domingo, final da Festa de Shavuot. Fomos à Torre de David, na Cidade Velha, para ver um show de som e luzes.



Um milhão de palavras não seriam capazes de descrever uma única imagem do que vi.



Tente descrever, em palavras, o olhar do teu pai no dia em que saíste de casa. Ou o teu semblante no espelho no dia em que decidiste desistir de um casamento, de uma amizade, de uma viagem. Tente descrever um sapato numa escada. Uma cadeira vazia ao lado de uma cama num quarto gelado. Tente descrever o vôo de uma pomba. Tente descrever alguma coisa, qualquer coisa, e vais descobrir que a essência da coisa te escapou. Escrevi e publiquei mais de quarenta livros para tentar descrever uma imagem, uma única imagem, e não consegui. No entanto, dentro de mim, no fundo de mim, lá onde nenhum ser humano consegue penetrar, a imagem fulgura, e somente eu posso acessá-la e posso revê-la quando eu quiser.



As imagens que vi, hoje à noite, na Torre de David, e que contaram, em 30 minutos, a história dessa cidade pesada, em que religiosos judeus, cristãos e muçulmanos se esforçam para parecer aos outros mais religiosos que os outros, jamais sairão da minha memória, esse meu relicário particular de imagens. O clima das ruínas internas da Torre de David, as pessoas do mundo todo, sentadas para ver o espetáculo, os membros do Grupo Kadosh, o rabino Saltoun e os amigos e amigas de Brasília, do Rio de Janeiro, de São Paulo e da Suíça que nos acompanham, jamais sairão das minhas sinapses, das imagens internas que produzi a partir das imagens externas projetadas nas paredes de pedra da antiga fortaleza militar. Nas imagens externas, toda a história de Jerusalém foi contada, de forma poética e dolorosa, a destruição do templo, as cruzadas, o império grego, o império romano, o império otomano. Nas minhas imagens internas, a história do Universo foi contada.



Ontem, Erdogan, presidente da Turquia, reuniu 57 países muçulmanos para formarem um Exército do Islã com o propósito abertamente declarado de cercar e destruir Jerusalém.



Por quê?



Por que todos os malucos do mundo, como eu e alguns outros, vem para cá, alguns para construir e outros para destruir? Por que sobre os céus de Jerusalém estão em guerra eterna os Malachim e os Shedim? O que há aqui que borbulha, como uma chaleira de água quente? O que há aqui que faz a gente trepidar, prestes a sofrer, novamente, o Shevirat Kelim?



Os cabalistas sabem o que há aqui, mas ninguém lhes pergunta o por quê... E por que não perguntam? Porque a resposta dói, a resposta dói profundamente, e depois de ouvi-la, um ser humano perde a inocência, como Adão e Eva perderam a inocência depois que comeram do fruto da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal.

Tiul (11)


Hoje, domingo, 20 de maio, é Feriado de Shavuot aqui em Israel. Marta, Sofia e outros membros do Kadosh estão passeando pela cidade, pois Saltoun nos deu um dia livre. Fiquei no hotel para “alimentar” o blog.



Ontem, tivemos umas quatro horas de aula expositiva. À noite, passamos em vigília. Fomos ao Kotel (Muro das Lamentações), mas não lamentamos nada. Aliás, cabalistas não lamentam nada, cabalistas costumam usar a expressão Gan Zu Lê Tovah, que significa “Tudo o que acontece, acontece para o bem”. No Kotel, fizemos o nosso Moinho. Cantamos e dançamos em círculo, as mulheres no sentido anti-horário, e os homens no sentido horário. Durante o Moinho, foram inúmeros os recebimentos da Shechinat. Até judeus ortodoxos paravam para nos ver dançar e cantar. Alguns até ensaiaram uma envergonhada participação, mas o preconceito lhes foi mais forte. Cantamos somente em hebraico e aramaico, como fazemos em nossas reuniões em Porto Alegre.



Se alguém pensa que estamos aqui em viagem turística está muito enganado. Estamos aqui trabalhando, mas trabalhando num outro plano. Shimon Bar Yochai e seus alunos viajavam, a pé e em lombo de burro, por vários lugares da Terra Santa, trabalhando pela Gmar Tikun, já naquela época, no primeiro século da Era Comum. Fazemos a mesma coisa, mas num nível muito mais baixo, pois nós somos a Geração do Cachorro, anunciada no Zohar. Apesar disso, estamos, também, como eles, ativando as energias espirituais adormecidas aqui, aprisionadas nos níveis mineral, vegetal, animal e humano. Retornaremos a Porto Alegre imantados e dispostos a ajudar no despertar das mais de 180 milhões de almas hebréias que vivem hoje no Brasil.

sábado, 19 de maio de 2018

Tiul (10)

Na sexta de manhã, a caminho de Jerusalém, onde já estamos, visitamos as ruínas de Qumram, onde os Manuscritos do Mar Morto foram descobertos.



Uns 30 anos antes do início da Era Comum, um conjunto de homens, hebreus de alma, e judeus de nacionalidade, cansados da corrupção que minava (e preparava a destruição) do II Templo, mudaram-se para as montanhas próximas de Masada, com o Mar Morto diante deles, na linha do horizonte, e iniciaram nesse lugar um grupo de práticas espirituais de pureza e arvut. Comiam em silêncio. Viviam com poucos recursos e compartilham tudo o pouco que tinham entre todos. Nesse local, Mirian (Maria, na tradição ocidental) teria participado de um ritual para a descida, nela, da alma do Mashiach, aos 12 anos. Nesse local, viveu entre os essênios, João Batista, que depois batizaria Yoshua (Jesus Cristo) nas águas do Jordão, dando início a seu ministério. Os essênios construíram 10 mikveot (para os seus banhos rituais) e deixaram um impressionante legado de textos, que só foram descobertos na década de 40 do século passado por um menino, pastor de ovelhas. Imagino que tenham feito 10 mikveot para receber a purificação nas 10 sefirot.



Eu, o Christiano, e alguns outros membros do Grupo Kadosh tivemos alguns recebimentos durante da visita, mas sobre isso não podemos falar.



De Qumram, viemos diretamente a Jerusalém, onde estamos. Alguém que tem partzufim entende porque se diz que essa cidade é sagrada e porque todos os povos querem dominá-la. Jerusalém foi destruída duas vezes. Jerusalém foi sitiada 23 vezes. Jerusalém foi atacada 52 vezes. Jerusalém foi capturada e resgatada 44 vezes. E mais uma vez, depois da transferência da embaixada norte-americana para cá, Jerusalém está se tornando o centro de um novo conflito, mas dessa vez envolvendo o mundo inteiro. A energia cósmica (como prefere dizer o rabino Saltoun), e que eu chamo de Ohr Yashar (Luz Direta) desce aqui em proporções gigantescas. Se o Kli (vaso) mundial não estiver minimamente preparado, essa energia terá um poder destruidor incalculável. No entanto, se os cabalistas fizerem corretamente o seu trabalho (e eles sabem o que precisam fazer), essa energia se transformará em benções incalculáveis para toda a humanidade. Mais uma vez, estamos diante do Livre Arbítrio. O que faremos?



Na noite de Shabat, nosso grupo aqui, composto de 40 pessoas (mais duas crianças e três “futuras” crianças ainda no ventre de suas mães) foi dividido em dois grupos e fomos recebidos por duas famílias judias de Jerusalém. Em meu grupo, o homem da casa era sefaradi e a esposa ashkenazi. No grupo do rabino Saulton, o homem da casa era ashkenazi e a esposa era sefaradi. Foi uma experiência fantástica, para os dois grupos, e que vai reverberar em nossas reflexões e práticas cabalísticas por muito tempo. Apenas posso dizer que essas duas famílias estão cumprindo um preceito ensinado por Avraham Avinu (Abraão) há mais de 3.400 anos: o de receber o estrangeiro com amor, carinho e respeito para compartilhar a Rainha do Shabat, a Sagrada Shechinat.



Agora, estamos fazendo uma vigília (passaremos toda a noite acordados, em estudos, exercícios e passeio ao Kotel, o Muro das Lamentações) para a Festa de Shavuot, que comemora a Matan Torah. Para quem não sabe a Outorga da Torah se deu no dia 06 de Sivan de 2.488 (em 1.272 antes da Era Comum). Nessa data, o povo de Israel (em conjunto com a Erev Rav, a Multidão Misturada) foi “uma só nação com um só coração”. Se recuperarmos essa unidade a Ohr Yashar que desce sobre a cidade de Jerusalém poderá ser recebida pelas nações do mundo como abundância, paz e tranquilidade. Mais uma vez, é questão de Livre Arbítrio.  

  

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Tiul (9)


Nosso último dia no Mar Morto. A experiência de entrar na água e não afundar é muito estranha. Para cada litro de água, 240 gramas de sal. Entrei na água e engoli uma gotícula. Na hora, pensei: “Caramba! Isso é mais salgado que o churrasco do João Bica!”.



Descobrimos o que estavam fazendo aqueles aviões militares que sobrevoaram baixinho o nosso hotel e que soltaram um sinalizador. Foram à Faixa de Gaza, onde bombardearam posições do Hamas. Hamas significa ira, raiva. Aqui, além de tudo o que existe de maravilhoso, há a contraparte de ira, raiva, rancor, pois o Criador é justo e envia a mesma porção aos dois lados, ao Yetzer Hará e ao Yetzer Tov. E o Grupo Kadosh está aqui para distribuir Ohr Makif e contribuir com o início de uma nova consciência mundial, a Consciência da Árvore da Vida.



Acertei com o Rabino Saltoun que faremos o VI Congresso de Kabbalah em Porto Alegre, em novembro de 2019, durante a Feira do Livro, com a administração estratégica da Marta Tejera, que comandará os grupos de trabalho do evento em nossa cidade. Também vamos apoiar o Saltoun numa viagem à antiga Pérsia, o Irã, para fazermos exercícios cabalísticos nos Santuários de Esther e de Mordechai, onde a consciência messiânica se revelou pela primeira vez no planeta.



Pela manhã, fomos a Eshmurat Ein Guedi, um parque nacional, onde tomamos banho na Cascata do Rei David. Chama-se assim porque nas cavernas que ficam acima da cascata o Rei Davi se escondeu. Depois, fomos a um Kibutz, que tem um lindo Jardim Botânico. Um Jardim Botânico no meio do deserto! Uma profecia de Isaías afirma que a Terra Santa se transformaria num jardim quando os judeus retornassem do exílio. Faz 70 anos que o Estado de Israel foi fundado. E faz alguns dias que os EUA reconheceram Jerusalém como a capital do estado judeu e transferiram para lá a sua embaixada. Estamos no meio do cumprimento de um conjunto de profecias. Que se tornem realidade as boas profecias e que sejam suspensas as profecias negativas.



A tarde, aqui, foi de banhos nas piscinas e nas águas salgadas. Estamos acumulando forças para a grande programação que começará amanhã, quando iremos a Qumram, as montanhas onde viviam os essênios e onde Jesus ficou estudando dos 13 aos 30 anos, preparando-se para ensinar kabbalah aos seus contemporâneos. Não foi entendido. E os ensinamentos do nazareno foram seqüestrados pelos romanos, a partir do Apóstolo Paulo, e que desembocou no Concílio de Nicéia (355 EC) e na transformação das pregações de um místico judeu numa religião oficial de um estado agressivo, invasor, prepotente e corrupto. Jesus disse: “Não vim para mudar a Lei, vim para cumprir a Lei”. A que Lei ele se referia? À Lei de Moisés, emanada do Monte Sinai. A circuncisão foi suspensa, o Mikvê virou gotinhas na testa (batismo) e o Shabat virou domingo. Se Jesus realmente retornasse, como pregam os crentes, não reconheceria as religiões cristãs que nasceram a partir das suas pregações.



Amanhã bem cedo iremos para a Cidade Eterna, Yerushalaim, a Cidade dos Anjos.    

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Tiul (8)


Vivemos, agora à noite, aqui no Resort do Mar Morto, o momento mais divertido da viagem, até esse momento.



Estávamos na beira das piscinas, olhando para as estrelas, como fazem os humanos há centenas de milhares de anos. Marta e Sofia, e vários outros, permaneciam no interior, no restaurante, jantando e conversando. Joana e seu anjinho Maia estavam caminhando pelas ruelas calçadas ao longo da praia.



E, de repente, em vôo rasante, mas muito rasante, um pouco acima das tamareiras, passou o primeiro jato militar. Depois, outro. E mais outro. Cinco ou seis. E, na seqüência, um grande bombardeiro militar, um pouco mais lento. E dele, da barriga dele, de sua barriga cheia de iniqüidades, caiu uma bola de fogo e veio em nossa direção. Todos correram para dentro do edifício, mas eu errei a porta. Tentei entrar, mas porta não se abria. Na hora, pensei: Os sete ou oito estrondos que ouvimos durante um Mikvê em Netanya (não contei isso para não assustar quem não está aqui) estão agora sobre nós. Preciso salvar a Sofia, pensei, e corri para dentro do hotel. Mas errei a porta. E a Sandra Berto retornou e me resgatou, puxando-me pelo braço para a porta correta. Se fosse bomba, eu não estaria aqui contando essa história. E nem a Sandra, que teria morrido num ato heróico. Ainda não sei o nome e a função dessas bombas de luz que os bombardeiros militares lançam sobre as pessoas, parece que se chamam sinalizadores. Para sinalizar o quê? Que o Armagedom já começou? Aliás, Armagedom foi o assunto da palestra que o rabino Joseph deu depois, numa sala aqui no hotel. Ele cedeu-me a palavras, para que eu falasse também um pouco sobre isso. Revelei a todos que a Guerra de Gog e Magog foi dividida em três etapas, pelo mérito de grandes mekubalim que clamaram por compaixão à humanidade. A primeira etapa já veio, e foi a Primeira Guerra Mundial. A segunda etapa já veio, e foi a Segunda Guerra Mundial. Estamos no vestíbulo da terceira etapa. Todas as peças do tabuleiro militar já estão posicionadas no tabuleiro. No entanto, nos Tribunais Superiores, uma ordem foi exarada, adoçando o Julgamento. Se a Luz do Mashiach, que é a Kabbalah, for revelada ao mundo, a terceira etapa virá como paz e compaixão, e não como guerra e sofrimento. Cabe a todos nós decidirmos que caminho vamos tomar, se o Caminho da Luz ou o Caminho do Sofrimento.  



Qual é o teu caminho?

Shamati (137)

    137. Zelofeade estava coletando madeira (Ouvi em Tav - Shin - Zayin , 1946-1947)   Zelofeade estava coletando madeira. O Zohar i...