terça-feira, 10 de julho de 2018

Hillulot (5)


Aharon HaKohen


1o de Av



Nascido no Egito, em 1365 a.e.c

Falecido em Hor HaHar, em 1283 a.e.c



Profeta, irmão de Moshe Rabeinu (Moisés) e da profetisa Miriam, e primeiro Kohen Gadol, Sumo Sacerdote. É a Carruagem da Sefirá de Hod.



O Ari conta que Aron HaKohen havia sido Haran, irmão de Avraham Avinu, na sua vida anterior. Haran, cujas letras são as mesmas de Aharon (com excessão do Alef), tinha que ter corrigido um traço de idolatria cometido por Adão, mas não conseguiu. Como Aharon, ele deveria ter também sacrificado sua vida, como fez Chur ben Miriam, a fim de impedir que acontecesse o pecado do "Bezerro de Ouro", a fim de realizar a correção referente à idolatria. Erroneamente, ele achou que a morte de Chur havia resolvido isso (Sha'ar HaGilgulim p. 95, 114).



Mesmo que todas as suas intenções tenham sido puras ao tentar conter a Erev Rav (Multidão Misturada) por tempo suficiente a fim de dar a Moisés a chance de voltar ao acampamento e restaurar a ordem, ainda assim, foram suas mãos que forjaram o ouro. A punição pelo seu erro foi perder todos os seus quatro filhos. Moisés rezou por ele e conseguiu com que dois deles fossem poupados.



Aharon reencarnou depois como Yaabetz HaShofet (outro nome de Othniel ben Kanaz), depois como Tula ben Puah HaShofet, depois como Shmuel Ha Navi (o Profeta Samuel), depois como Aviya filho do Rei Yerovam, depois como Uriah HaKohen (que foi morto pelo Rei Yehoyakim, com que foi perdoado por ter sido morto devido ao incidente do Bezerro de Ouro) e depois ainda como Zachariah Há Navi (Sha'ar HaGilgulim, Hakdama 33).



Sua esposa, Elisheva, reencarnou depois como Batsheva, a alma gêmea do Rei David (Kitvei HaAri - Shaar HaPsukim, Shmuel II).



* * *


Três bons líderes se ergueram por Israel: Moisés, Aharon e Miriam (Ta'anit 9a).


Havia setenta pequenos tribunais para os quais Aharon fora designado (Zohar 3:20:1).


O mérito de Moisés e Aharon foi suficiente para redimir Israel (Shemot Rabbah 15:3).


Aharon amava a paz e a buscava, amava as pessoas e as levava para perto da Torá (Avot 1:12).


Aharon nunca disse a um homem ou a uma mulher: "Pecaste". Moisés, entretanto, os repreendia (Sifra Shemini 1).


Quando andava em seu caminho, um perverso cruzou por ele e Aharon o cumprimentou. No outro dia, esse mesmo homem desejou pecar, mas pensou, "Que desgraça para mim! Como poderei erguer os olhos depois e olhar para Aharon? Me sinto envergonhado diante dele, pois ele me cumprimentou" (Avot d' Rabbi Natan 12:3).


Duas pessoas estavam discutindo. Aharon se sentou com um deles e lhe disse: "Meu filho, saiba que seu amigo disse 'estou envergonhado diante dele, pois pequei contra ele'". Aharon ficou sentado com ele até ter dissipado todo sentimento ruim do seu coração. Então Aharon foi e sentou com o outro e lhe disse: "Saiba que seu amigo está dizendo: 'Que desgraça para mim! Como poderei erguer os olhos e olhar para o meu amigo? Estou envergonhado diante dele, pois pequei contra ele'". Aharon ficou sentado com ele até ter dissipado todo sentimento ruim do seu coração. Depois, quando os dois amigos se encontraram, se abraçaram e se beijaram (ibid. 12:3).


Havia milhares em Israel que se chamaram Aharon, pois se não fosse por Aharon, eles nunca teriam vindo ao mundo. Aharon promoveu a paz entre marido e esposa para que pudessem ter filhos, e então eles davam à criança que nascia o seu nome (ibid. 12:3).


Aharon amarrou um barbante de ferro no seu pulso e visitou as casas de Israel. Aos ignorantes, ensinou Kriat Shema e oração, aos que não podiam aprender Torá, ensinou Torá (Tanna d'Bei Eliyahu Rabbah, ed. Meir Ish Shalom).


Quando Moisés falava, Aharon inclinava seu ouvido para escutar em reverência, e as Escrituras consideram que era como se ouvisse diretamente do Santíssimo, Abençoado Seja (Mechilta Bo 3).

Em um único ano, três pessoas santas faleceram: Moisés, Aharon e Miriam. Três dádivas preciosas concedidas através deles foram suspensas: o Maná, mérito de Moisés, o Pilar de Nuvens, mérito de Aharon, e o Poço, mérito de Miriam. Todas essas dádivas foram removidas no  mesmo mês (Sifri Devarim 305).

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Nevuah (3)




Vim a Porto Alegre para conversar com um editor, sobre um romance que eu tinha escrito, e que enviara a sua editora: O Santo da Caveira, em março de 1986. O romance não foi publicado, porque era uma sátira à ditadura militar, e o Roque Jacoby, dono da Mercado Aberto, entendeu que era melhor para a minha saúde que eu não publicasse aquilo. O livro não saiu e eu fiquei, e passei a trabalhar na editora.



Mas, quando cheguei em Porto Alegre, eu devia uma grande soma em dinheiro para o Frei Rovílio, que tinha publicado dois livros meus, pela Escola Superior de Teologia. Um dia, ainda em Três de Maio, eu vendi todos os meus estoques e recebi dois cheques pré-datados. Encaminhei os cheques ao Frei, para pagamento das edições. Os compradores eram desonestos e a conta bancária estava encerrada. Fiquei sem os livros, e com uma dívida impagável, pois eu nem empregado era. Assim que comecei a trabalhar na Editora, entrei em contato com o Frei, e negociamos um parcelamento de 8 anos. Metade do salário ia para amortização da dívida, mês a mês. E, com o restante, eu pagava aluguel, sustentava a família (a Maíra era bebê de colo). O professor Dacanal, que me via meio esquálido de fome (em casa eu tratava de comer o mínimo, para que sobrasse para os outros), seguidamente me convidava para jantar com ele. Depois que a editora lançou o Caminhando na chuva, passei a fazer palestras pelo interior. Os cachês eram simbólicos, e para não gastar com hotel, eu dormia sentado nas rodoviárias. O Sul é frio e úmido, mas aprendi que papel-jornal é um maravilhoso isolante térmico. Sentado nos bancos das rodoviárias a noite inteira, forrado de páginas do Correio do Povo e da Zero Hora embaixo da camisa, por dentro das calças e dentro dos sapatos, eu me sentia realizado, rico e com uma filha linda, que penteava os meus cabelos quando eu estava em casa. Nunca reclamei da minha sorte para Deus, porque eu não acreditava mais em Deus. Ele nunca tinha se manifestado, porque eu não sabia ainda que Deus olha para a gente através dos outros, dos amigos, dos filhos, da esposa, dos mestres... Ele também olha através dos nossos próprios olhos, mas isso, pelas leis da física, nós não podemos ver, pois o que vê não vê que vê.



Por que senti vontade de me expressar através dessas reshimot? Porque está chovendo, porque estou sem sono, porque estou endividado outra vez. Desta vez não fui roubado. Desta vez eu dei um passo levemente maior que o tamanho das minhas pernas, mas por um bom motivo: comprei a Casa do Mikvê. Nesse local, os meus alunos e alunas de Kabbalah irão confraternizar. Nesse local, em breve, o rabino e cabalista Joseph Saltoun vai dar um curso sobre O Portal das Reencarnações (Shaar ha Guilgulim). E outros virão, de vários lugares do mundo, para fazer de Porto Alegre a Safed do Brasil.     

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Kisse Shel Eliahu (4)


Matéria não existe (Porque Não Existe Nada Além Dele, e Ele não é matéria).



Matéria é a percepção, pelos nossos cinco sentidos, de um nível rebaixado de vibração. Uma pedra é energia com pouca vibração. Uma alma é energia com altíssima vibração.



O espaço entre dois ou mais objetos no vácuo é energia. Essa energia entre os objetos tem vibrações baixíssimas, mas “ocupam” espaço entre os objetos como átomos conectados entre si. Esse é o tecido do próprio universo físico, ou, como eu chamo, a Pele de Deus. Através desse tecido é possível a comunicação entre os Olamot (Mundos) ou entre galáxias bilhões de anos-luz distantes umas das outras em tempo real. Esse modem universal (o tecido do Universo ou Pele de Deus) poderá ser usado, num futuro distante, para que civilizações em galáxias diferentes se comuniquem umas com as outras (espero que essa propriedade tecnológica não seja de um ou de poucos donos, mas que pertença à toda a humanidade), numa espécie de internet inter-galáctica.  


quarta-feira, 4 de julho de 2018

Shamati (5)


5. Lishmá é um despertar de Cima. E por que necessitamos de um despertar de Baixo?



O recebimento de Lishmá (em benefício Dele) não é algo que esteja ao alcance de nosso entendimento, já que para a mente humana é inconcebível que algo assim possa existir em nosso mundo. Isto se deve a que a pessoa só tem permissão de entender que se ela observa Torah e Mitvot receberá algo. Nisso deve haver alguma recompensa, ela imagina; do contrário, ela não poderia fazer nada.



Por outro lado, Lishmá é uma iluminação que vem do Alto, e somente quem a recebe pode conhecer e compreender esse fenômeno. Sobre isso está escrito: “Prova e vê que o Senhor é bom”.



Assim, devemos entender porque uma pessoa deve buscar o conselho de como alcançar Lishmá. E, depois disso, ela deve entender que nenhum conselho será de qualquer utilidade quanto a isso. Se Deus não nos outorga outra natureza chamada de “o desejo de doar” nenhum trabalho poderá nos ajudar a alcançar Lishmá.

A explicação, segundo os nossos sábios, é: “Não depende de ti completar o trabalho; e não és livre para fugires dele” (Pirket Avot 2: 21). Isso significa que a pessoa deve produzir o despertar de Baixo, já que isso se discerne como uma oração.



A oração representa uma carência e sem uma carência não pode existir preenchimento nenhum. Por fim, quando alguém sente a necessidade de trabalhar em Lishmá, esse preenchimento vem de Cima, e a resposta à oração vem de Cima, e a pessoa recebe o preenchimento da sua necessidade. Então, o trabalho da pessoa é necessário para receber Lishmá do Criador somente sob a forma de uma carência e um Kli (vaso). Não obstante, a pessoa jamais poderá alcançar esse preenchimento por si mesmo, mas unicamente como um presente que vem do Criador.



Por outro lado, a oração deve ser completa, ou seja, desde o mais fundo do coração; e a pessoa deve ter certeza absoluta de que não existe ninguém no mundo que possa ajudá-lo, exceto o Criador Ele Mesmo.



Ainda assim, como pode a pessoa saber que ninguém mais além do próprio Criador pode ajudá-la? A pessoa pode obter esse discernimento precisamente se já havia empregado todas as forças que tinha ao seu alcance sem conseguir nada. Portanto, a pessoa deve fazer todo o possível no mundo para lograr o nível de trabalho chamado Em benefício Dele. Somente então a pessoa consegue elevar uma prece do fundo de seu coração e ser ouvida pelo Criador.



Quando a pessoa está trabalhando em favor de Lishmá deve saber que precisa incorporar por completo a vontade de trabalhar unicamente com a intenção de doar, o que equivale a dizer que deve trabalhar somente para doar sem receber nada em troca. Somente nesse momento a pessoa começa a perceber que seus órgãos físicos se opõem a isso. A partir daí, a pessoa começa a ter uma clara noção de que não lhe resta outra alternativa a não ser transferir a sua demanda ao Criador e pedir-Lhe ajuda para que seu corpo aceite escravizar-se de modo incondicional diante Dele, já que a pessoa se dá conta de que não consegue persuadir seu corpo a anular-se por completo. Nesse momento, precisamente quando a pessoa descobre que não há razão para esperar que seu corpo concorde a trabalhar por si mesmo para o Criador, a oração surge do fundo do coração e acaba sendo aceita por Ele.



É preciso entender que ao alcançar Lishmá a pessoa mata a sua inclinação ao mal, que é o desejo de receber, e ao adquirir o desejo de doar todo o desejo de receber é cancelado. A isso se chama “matar o desejo de receber”. Porque foi retirado e porque não tem mais nada a fazer ao não estar mais em uso, quando sua função é revogada, considera-se que o desejo de receber foi morto.



Quando alguém analisa “que tipo de recompensa recebe o homem como resultado de todo o seu trabalho durante todo o tempo em que trabalhou sob o Sol”, ela descobre que não é tão difícil assim escravizar-se diante de Seu Nome por duas razões: de qualquer forma, seja voluntária ou involuntariamente, a pessoa precisa realizar todo o tipo esforços neste mundo. E o que é que sobra como resultado de todos esses esforços? No entanto, se a pessoa trabalha em Lishmá ela recebe muito prazer durante e através do trabalho em si.



Segundo o versículo “E não me invocaste a Mim, oh Jacó, nem tampouco de Mim te cansaste, oh Israel”, o maguid de Dubna disse que isso é similar ao caso do homem rico que saiu do trem e que levava consigo uma pequena maleta. Ele a colocou ali onde todos os comerciantes colocavam as suas bagagens. Os carregadores logo carregaram as malas e as levaram ao hotel onde os comerciantes estavam alojados. O carregador de malas pensou que o homem rico havia carregado a sua própria maleta e que não necessitava de seus serviços e por isso carregou somente uma mala grande.



O comerciante quis pagar pouco ao carregador, como era de seu costume, mas o homem não quis aceitar, e lhe disse: “Coloquei na entrada do hotel uma mala enorme que me deixou exausto, e foi a única que consegui carregar, e agora você quer me pagar com essa ninharia?”



A lição é que quando uma pessoa vem e diz que trabalhou de maneira exaustiva em observar Torah e Mitvot, o Criador retruca: “Tu não me invocaste, oh Jacó”. Noutras palavras, “a maleta que carregaste não foi a Minha, mas a de outra pessoa. Porque disseste que observar a Torah e as Mitzvot te custou muito esforço deves ter trabalhado para outro patrão. Por isso, procure-o, para que ele te pague”. Esse é o significado de “nem tampouco de Mim te cansastes, oh Israel”. Isso quer dizer que quem trabalha para o Criador não sente este trabalho como uma carga para si mesmo. Pelo contrário, esse trabalho lhe proporciona prazer e exaltação espiritual.



Por outro lado, quem trabalha com diferentes propósitos, não pode se dirigir ao Criador se queixando e Lhe exigindo que lhe proporcione vitalidade no trabalho, já que não está trabalhando para o Criador; e, portanto, não pode esperar pagamento. Em vez disso, a pessoa pode queixar-se para quem ela esteve trabalhando, para que lhe proporcione prazer e vitalidade.



E porque existem tantos propósitos em Lo Lishmá (não em benefício Dele), a pessoa deve exigir a quem trabalhou que lhe proporcione a devida recompensa, que consiste em prazer e vitalidade. Quanto a isso se diz o seguinte: “Semelhantes a eles são os que o fazem, e qualquer um que confia neles”.



É certo que isso nos causa perplexidade. Depois de tudo, vemos que mesmo quando alguém assume para si o Jugo dos Céus sem nenhuma outra intenção, mesmo assim não recebe uma sensação de vitalidade de tal forma que possa dizer que esta a empurra a assumir para si mesmo o Jugo dos Céus. E a única razão porque alguém assume essa carga se dá somente porque ela coloca a fé acima da razão. Noutras palavras, a pessoa faz isso superando a si mesma à força, contra a sua própria vontade. Assim, podemos perguntar o seguinte: “Por que a pessoa sente o esforço desse trabalho, com o corpo constantemente buscando o momento de se livrar disso, como quem não sentisse vitalidade alguma através desse trabalho? De acordo com o que foi dito anteriormente, quando alguém trabalha humildemente e tem somente o propósito de trabalhar com a intenção de doar, por que o Criador não lhe proporciona o sabor e a vitalidade implícitos no trabalho?



A resposta é que devemos entender que esse assunto representa uma grande correção. Se não fosse assim, se a Luz e a vitalidade tivessem brilhado de maneira instantânea quando começamos a realizar o trabalho do Reino dos Céus, teríamos recebido vitalidade no trabalho. Noutras palavras, o próprio desejo de receber teria concordado em executar o trabalho. Nesse estado, a pessoa, certamente, estaria de acordo, pois desejaria saciar esse desejo. Ou seja, estaria trabalhando em benefício próprio. E se esse fosse o caso, ela jamais poderia alcançar Lishmá. Isto se deve a que a pessoa estaria obrigada a trabalhar para seu próprio benefício, já que sentiria maior prazer no trabalho de Deus do que nos desejos corporais. Assim, a pessoa seria obrigada a permanecer em Lo Lishmá, já que desse modo poderia obter satisfação em seu trabalho. Ali onde há satisfação não há nada que a pessoa possa fazer, porque não poderia trabalhar sem a expectativa de uma recompensa. Então, se a pessoa recebesse satisfação através desse trabalho em Lo Lishmá teria que permanecer para sempre nesse estado. Isso seria parecido ao que se faz: quando muitas pessoas estão correndo atrás de um ladrão, ele também corre e grita “Pega, ladrão; pega, ladrão”. Desse modo, é impossível saber quem é o ladrão e é impossível prendê-lo e restituir ao dono o que foi roubado. Mas, quando o ladrão, que representa o desejo de receber, não sente o sabor e a vitalidade implícitos no trabalho de aceitar o Jugo dos Céus, e se nesse mesmo estado ele trabalha com a fé acima da razão, sob coação, e se o seu corpo acaba por se acostumar com esse trabalho contra seu próprio desejo de receber, então ele possui os meios para levar a cabo o trabalho que terá como propósito levar Contentamento ao Fazedor.



Isso tudo é assim porque o objetivo principal de uma pessoa é alcançar a Dvekut (adesão) com o Criador através de seu próprio trabalho, que se discerne como equivalência de forma, que é o estado em que todos os atos estão dirigidos somente à doação, tal como diz o versículo: “Então, te deleitarás no Senhor”. O sentido de “Então” é que, no começo do trabalho, a pessoa não recebe prazer. Muito ao contrário, no começo o trabalho é forçado.



No entanto, depois, quando a pessoa já se acostumou a trabalhar com a intenção de doar e a não examinar-se a si mesma para comprovar se está sentindo prazer ou não no trabalho, senão que acredita que está trabalhando para satisfazer o Fazedor, ela deve saber que o Criador aceita o trabalho dos inferiores sem se importar com quanto ou como este seja feito. Em absolutamente tudo, o Criador examina a intenção, e isso Lhe produz satisfação. Em conseqüência, à pessoa lhe é concedido o que diz o versículo: “Então, te deleitarás no Senhor”. Inclusive, sentirá prazer e deleite durante o trabalho de Deus, já que agora trabalha realmente para o Criador, pois o esforço que havia realizado durante o trabalho coagido lhe dá a capacidade de trabalhar para Ele de maneira sincera. Nesse instante, a pessoa descobre que também ali o prazer que ela recebe está vinculado ao Criador, isto é, é doado especificamente para o Criador.

(Tradução de Charles Kiefer)

domingo, 1 de julho de 2018

Kinianim (1)




Aos vinte e dois anos, fui pai de Maíra, uma alma indígena, doce como o mel da Jati; aos quarenta e quatro anos, fui pai de Sofia, uma alma japonesa, com habilidades intelectuais e manuais (pinta e toca piano) impressionantes; e, aos cinqüenta e nove anos, fui pai de Anna, uma alma italiana, com talentos ainda a serem desenvolvidos. Os corpos, nossos pobres e deploráveis corpos, obedecem à genética e à educação; as almas, nossas gloriosas e exaltadas almas, obedecem ao Guilgul.



Poucos homens receberam a graça (Anna significa graça) de serem pais nas três instâncias mais importantes da vida: na primavera, no outono e no inverno.



Em meu estado vegetal de alma recebi Maíra; em meu estado animal de alma recebi Sofia; e, em meu estado falante de alma recebi Anna;



Meu Trabalho, agora, e é o último, será o de integrar esses três estágios, para evoluir, enfim, ao nível de Adam Kadmon. Já me vejo, de mãos dadas, com a Anna, a caminho das reuniões do Kadosh. No dia em que ela foi concebida, plantei uma nova romanzeira em meu quintal. Segundo a Kabbalah, as romãs possuem 613 grãos. A Anna, que nasceu prematura, porque não suportava mais o mecônio, terá 613 Kinianim, e cumprirá, rigorosamente, as 613 Leis da Kabbalah.



Kinianim, para quem não sabe, são possessões, propriedades espirituais.  

sexta-feira, 29 de junho de 2018

Mekubalim (5)




O Rabi Moisés Cordovero (1522-1570) é autor de muitas e importantes obras de Kabbalah e foi diretor da escola de Kabbalah de Safed antes da chegada do Ari àquela cidade. Entre seus escritos se encontra o Tomer Devora (A Palmeira de Débora), onde descreve e explica as principais "Características" de Deus que o ser humano deve emular e como elas estão referidas nas Dez Sefirot.  Nesse importante trabalho mostra como é que o homem pode alcançar esses elevados níveis. Começa seu primeiro capítulo com uma explicação do objetivo do livro:

"É apropriado que o ser humano se pareça com o seu Criador, pois então se faz digno de sua própria "imagem Divina". Se sua semelhança com a imagem espiritual fosse somente corporal, sem o desenvolvimento das características espirituais relacionadas, estaria falsificando a exaltada forma que possui, obtendo o título de "uma bela forma com atos detestáveis", pois as ações do ser humano são a forma espiritual e a imagem Divina. De que serve a "imagem Divina" física do ser humano se suas ações não se parecem com as do Criador? É importante, pois, que o ser humano se assemelhe em suas ações e atos à [Sefirá de] Keter."

O Rabi Moisés Cordovero realiza um estudo sobre como as características se encontram representadas em cada uma das Dez Sefirot e como o ser humano pode alcançar estas características em cada um dos Níveis Superiores. Também explica (no capítulo 2) que o ser humano não pode alcançar todos esses atributos de uma só vez, mas que deve desenvolvê-las e internalizá-las de forma lenta e constante.

Eis uma síntese dos ensinamentos de Tomer Devora:

Keter

Os Treze Atributos da Misericórdia estão enraizados na Sefirá de Keter. Dedicar-se a obter esses atributos corrige o próprio nível de Keter. O Rabi Cordovero baseia sua lista de características espirituais no versículo da Mishná (7:18-20) onde são enumerados os Treze Atributos da Misericórdia. Tais atributos, que os seres humanos devem se esforçar por imitar, são:

1.     Tolerância;

2.     Paciência com os outros;

3.     Perdão;

4.     Buscar o bem dos outros e para os outros;

5.     Não guardar ira;

6.     Realizar atos de bondade amorosa;

7.     Amar e buscar o bem de alguém que te tenha feito algum dano e deseja agora retificar esse dano (perdoar não é suficiente);

8.     Recordar as boas ações dos outros e esquecer as suas más intenções;

9.     Sentir compaixão pelos outros, inclusive pelas pessoas más;

10.                      Atuar com honestidade;

11.                      Atuar com bondade e indulgência para com os outros (não insistir em aplicar "a letra da lei");

12.                      Ajudar os outros a se arrepender e não guardar-lhes rancor;

13.                      Buscar maneiras de mostrar misericórdia e compaixão com os outros, mesmo quando não encontres neles nenhum fator atenuante.



Outros atributos e ações semelhantes às de Keter, que se encontram na "imagem Divina" do corpo humano, são: A humildade; manter a mente livre de todo pensamento do mal; mostrar-se sempre disposto com os outros; focar sempre o bem e rejeitar o mal; evitar olhar para o que é impróprio e indecente; ajudar os mendigos; não irar-se; exercer a paciência; receber os outros com alegria; nunca falar mal de ninguém, nem amaldiçoar ou dedicar-se a conversas vãs; falar sempre das coisas boas.



Para alcançar o atributo da humildade, deve-se fugir das honras e das homenagens e não buscá-las nunca. É necessário reconhecer os próprios erros, recordando constantemente de nossos próprios erros, enquanto buscamos formas de retificá-los. Isto nos manterá no caminho da humildade. Além disso, tratar de honrar e amar a todos.

quinta-feira, 28 de junho de 2018

Segredos do Gan Naul (8)


Após mil anos, pode ter sido encontrada a profética pedra perdida do peitoral do Sumo Sacerdote



Às vezes, histórias incríveis são, de fato, verdade. E, nesse caso, especialistas concordam que uma pequena pedra de ônix, supostamente entregue a um cavaleiro templário há mais de mil anos e passada de geração em geração por uma família, é o que o atual proprietário afirma ser: uma jóia do peitoral do Sumo Sacerdote em Jerusalém.



Uma pedra profética ou mágica?

As pedras do mishpat escolhido, o peitoral do Sumo Sacerdote, eram mencionadas na Bíblia como urim v’tumim, uma frase que desafia a tradução.



E colocarás no peitoral do julgamento o Urim e o Tumim; e eles serão colocados sobre o coração de Aaron. (Êxodo, 28:30)



O Talmud (Yoma, 73a) descreve como questionamentos eram feitos ao peitoral, e como as luzes se acendiam para soletrar a resposta. O livro de Samuel lista os urim v’tummim como uma das três maneiras de comunicação divina: sonhos, profetas e os urim v’tumim.



E quando Saul indagou Hashem, Hashem não o respondeu, nem por sonhos, nem por Urim, nem por profetas. (Samuel, 28:6)



De acordo com o Talmud (Yoma, 21b), os urim v’tumim foram perdidos quando Jerusalém foi saqueada pelos babilônios. O Livro de Ezra menciona que, após o fim do cativeiro babilônico, os indivíduos que não pudessem provar que eram descendentes de sacerdotes antes do início da escravidão, precisavam esperar até que fossem descobertos os sacerdotes que possuíam os urim v’tumim.



Além das 12 pedras montadas no peitoral, havia duas pedras sardônicas fixadas em armações de ouro nos ombros do Sumo Sacerdote.



E colocarás duas pedras sobre as ombreiras do éfode, para serem pedras de memórias para os filhos de Israel; e Aaron carregará seus nomes perante Hashem sobre seus dois ombros para um memorial. (Êxodo, 28:12)



Especialistas acreditam que esta é uma dessas pedra. Se for verdade, está contido nela o poder da profecia e ela pode exercer um papel importante no retorno da Casta Sacerdotal para o serviço no Templo.



Descoberta: incrível demais para acreditar



Em 2000, o Dr. James Strange, um notável professor de estudos religiosos e arqueologia, viajou para a África do Sul. Uma conhecida sugeriu que Dr. Strange contatasse uma família que ela havia conhecida lá e, se pudesse, ajudasse-os com uma avaliação gratuita de uma pedra preciosa. Eles eram de origem humilde e o Dr. Strange era um avaliador certificado, cujos serviços eram muito procurados.



Dr. Strange se encontrou com a família, com a intenção de fazer a sua vontade. Ao invés disso, ele ficou assombrado com o que lhe mostraram. “Eu fiquei de fato maravilhado com aquela pedra preciosa”, disse Dr. Strange ao Breaking Israel News. A pedra em si não era nada de especial. Uma pedra sardônica semi-preciosa, tinha pouco valor intrínseco.



Mas o Dr. Strange estava intrigado pelo objeto que segurava nas mãos. “Eu desconhecia que alguém no fim da Idade Média tivesse a tecnologia para cortar um hemisfério em tal meio, então eu tentei esgotar todas as outras explicações”, disse.



Ainda mais surpreendente que o corte na pedra foi a inexplicável inscrição dentro dela, visível através de uma superfície clara: duas letras em hebraico antigo. Na avaliação da jóia, o Dr. Stone escreveu que “não há nenhuma tecnologia moderna ou antiga, que eu conheça, por meio da qual um artesão poderia produzir a inscrição, já que ela não é gravada na superfície da pedra.”



O Dr. Strange era um especialista, mas quando se deparou com tamanho mistério, buscou ajuda. Procurou o sul-africano Ian Campbell, diretor do laboratório Independent Coloured Stones, em Joanesburgo, e um proeminente especialista em jóias. Campbell ficou igualmente estupefato.  



Ele estudou a pedra, tentando precisar sua origem. A história do proprietário, de que fazia parte do peitoral do Sumo Sacerdote, era incrível demais. Mas a família tinha documentos que traçavam sua descendência a um ancestral masculino, do período das Cruzadas, que havia estado na Terra Santa durante a Idade Média. Esse ancestral afirmava que a pedra era uma recompensa do Sumo Sacerdote. Poderia ser verdade?



A história de mil anos



De acordo com a tradição da família Auret, o ancestral, chamado Croiz Arneet deTarn Auret, recebeu a pedra do Sumo Sacerdote como demonstração de gratidão por seu papel na libertação de Jerusalém por volta de 1189. A custódia da pedra foi passada adiante na família Auret, pela linhagem masculina, até o século XIX. Essa tradição foi quebrada quando Abraham Auret morreu, em 1889, deixando a pedra para sua filha, Christina Elizabeth.



Depois de seu casamento com William James Hurst, a pedra deixou o nome Auret, e tem sido passada, desde então, de mãe para filha. Árvores e documentos genealógicos meticulosamente registrados corroboram a história. A pedra foi passada adiante como herança e atualmente pertence uma idosa senhora da África do Sul, que prefere se manter anônima.



Ao longo dos séculos, foi transmitida de forma muito rigorosa para cada membro da família a informação de que foi a mão de Deus que inseriu a misteriosa inscrição no interior da pedra.



Especialistas concordam

O mistério da escrita permaneceu. O Dr. Strange notou que a pedra não tinha marcas externas, então certamente não havia sido colocada em um anel ou em um colar. Ele foi forçado a concluir que ela provavelmente fora assentada em uma grande armadura ou em um peitoral. Ele datou a produção da pedra, aproximadamente, ao século 5 antes da era comum.



Como um avaliador, o Dr. Strange não podia apagar toda a dúvida, mas ele podia, com certeza, avaliar a pedra como única. Ele estimou o valor da pedra entre 175 e 225 milhões de dólares.



O especialista em jóias, senhor Campbell, microfotografou a pedra (fotografou por um microscópio), confirmando que ela não havia sido cortada para fazer a inscrição. Quando lhe foi pedido para estimar um valor para a pedra, o senhor Campbell escreveu: “Como alguém pode logicamente sair colocando um valor em algo como um comprovado artefato religioso que é um artigo único?”



Ele estimou que 200 milhões de dólares era um “justo ponto de partida”.



O proprietário da pedra também consultou o professor M. Sharon, da Universidade de Witwatersrand. O professor, um especialista em hebraico antigo, recebeu uma foto da pedra. As imagens borradas davam pistas de algo surpreendente, mas ele precisava ter certeza. Intrigado, ele pediu para examinar a própria pedra.



Em seu relatório escrito, ele disse que quando a colocou contra a luz, ficou maravilhado em ver claramente, no interior da própria pedra, duas letras em hebraico antigo. As letras pareciam estar gravadas ou queimadas no coração da pedra.



“Devido à claridade das letras e a sua excelente definição, seria inacreditável se fossem coincidentemente uma formação natural da pedra”, ele afirmou no relatório autenticado. “A falta de qualquer sinal aparente de interferência na superfície torna a existência das letras dentro da pedra um verdadeiro enigma,”



Ele notou que as inscrições em hebraico antigo eram escritas do que ele descreveu como “o equivalente ao nosso ‘B’ (beit) e ‘K’ (hey)”. Ele identificou o estilo de escrita, datado do ano 1000 antes da era comum, com margem de 200 a 300 anos para mais ou para menos.



Em 1994, a Dra. Joan Goodnick Westenholz, que serviu como Curadora Chefe no Museu Bible Lands, em Jerusalém, examinou a pedra. Ela concluiu: “É um objeto único que não tem nenhum similar ou contraparte idêntica; é a única do seu tipo no mundo.”



A Dra. Goodnick Westenholz acreditou que a jóia era “impagável”, estimando a data da produção da pedra aproximadamente ao século 7 antes da era comum. Ela ressaltou que a inscrição “no formato de uma possível letra é uma forma da letra beit do hebraico arcaico do século 9.”



No seu relatório autenticado, ela observou, ao lado da letra beit, “o que pode ser percebido como a imagem de um lobo”. Ela destacou que o lobo correspondia à bênção que Jacó deu a Benjamin.



Binyamin é um lobo que devora com fúria; de manhã ele devora a presa, e à tarde ele divide a rapina. (Gênesis, 49:27)



Mas é verdade?



A Dra. Westenholz e Ian Campbell já falecerem, mas o Breaking Israel News foi capaz de confirmar que suas afirmações e documentações são genuínas. O aprendiz de Campbell, Jeremy Rothon, confirmou a avaliação original e disse ao Breaking Israel News que ele estava ciente da herança da pedra. O objeto deixou Campbell muito impressionado e ele discutiu bastante sobre ele com seu aluno.



O Dr. Strange lembra muito bem da pedra, e está mais convencido do que nunca de sua autenticidade. “Muita água já passou por debaixo da ponte desde então”, disse Dr. Strange ao Breaking Israel News. “Eu calculei, então, que se fosse uma fraude, uma ou mais pedras similares teriam aparecido rapidamente no mercado internacional, mas que eu saiba isso não aconteceu.”



Ele pediu um novo exame da jóia. “Eu acho que esse objeto precisa de uma nova avaliação e de todos os testes científicos possíveis para determinar se é genuína”, disse Dr. Strange. “Se acabar por ser um artefato importante na história do povo judeu, então isso é realmente maravilhoso. Se for uma fraude magistral, então eu ficarei triste por ter sido enganado.



A viagem para casa



O atua proprietário fez contato com um empresário sul-africano para encontrar investidores dispostos a comprar a pedra e levá-la a Israel. Ambas as partes preferem permanecer anônimas. Quando ele viu a pedra e entendeu o que era, o empresário ficou consternado, entendendo que a pedra poderia facilmente se tornar uma mercadoria, um objeto de ganância. Ele reconheceu que essa pequena pedra é uma enorme parte da história judaica e se comprometeu a encontrar um investidor que recompensasse o proprietário com a intenção de trazer a pedra a Israel e doá-la ao Templo.



“Estive envolvido com negócio como esse antes”, ele contou ao Breaking Israel News. “Há pedaços da herança egípcia em museu pelo mundo todo. As pessoas acham alguma coisa e a vendem, sem pensar sobre o que é aquilo. É isso que é feito e é uma vergonha, ainda mais com essa pedra. Muitas pessoas tem tentado comprar ou vender essa pedra, para torná-la um negócio. Tudo que eu realmente quero é devolver a pedra a Israel, a quem ela pertence.”



Muitas pessoas começaram a desconfiar da conexão de Israel ao Monte do Templo, afirmando que os Templos Judaicos são contos de fada. Essa pequena pedra e a sua milagrosa gravação que um dia iluminou o peitoral do Sumo Sacerdote são provas de que o Templo existiu em Jerusalém, e que pode indicar o retorno de mais artefatos que foram perdidos e que esperam voltar para casa.





Traduzido por Poliana Pasa de BreakingIsraelNews


Shamati (137)

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