segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Introdução ao Livro do Zohar (9)




9. O Zohar diz que recebemos o Mundo de Atzilut como branco e sua luminescência, nos três mundos de BYA, como letras sobrepostas ao fundo branco. Os três mundos são as cores das letras e suas permutações, como em um livro. O recebimento da Luz ocorre de duas maneiras. Se os três Mundos de BYA recebem a Luz de Atzilut em seus lugares (abaixo da Parsa).



Isto é, o Mundo de Atzilut é um monte, enquanto que todas as letras, as cores e as suas permutações são determinadas por nossas coordenadas nos Mundos de Beriá, Yetzirá e Assiyá. Como a Luz do Infinito passa através do Mundo de Atzilut para entrar nos Mundos de BYA, nós podemos estar nos três mundos e receber a luz que chega a eles, ou podemos atingir Atzilut e receber a Luz lá.



Podemos nos movimentar livremente dentro dos Mundos de BYA: de Assiyá para Yetzirá até Beriá, e, até mesmo, ir para Atzilut. Nossas Almas podem mover-se, desde que transformem suas propriedades internas.



Se os três Mundos de BYA recebem luminescência do Mundo de Atzilut, a Luz que chega neles é diminuída muitas vezes, conforme ela passe pela Parsá, abaixo do Mundo de Atzilut. Então, a Luz torna-se meramente a luz emitida dos Kelim de Atzilut.



Isto é, os Kelim do Mundo de Atzilut brilham pouquíssimo nos Mundos de BYA. A Luz que passa de Atzilut para os Mundos de BYA é chamada Ohr de Toladá (Luz do Nascimento), isto é, é uma Luz microscópica em comparação com a Luz do Mundo de Atzilut.



De outra forma, os Mundos de BYA (e as Almas) sobem acima da Parsá até o lugar das Sefirot Biná, Tiferet e Malchut de Atzilut e vestem o Mundo de Atzilut, isto é, recebem a Luz onde ela brilha.



Neste caso, os Mundos de BYA e as Almas certamente receberão a Luz de Atzilut. Primeiro, temos que entrar nos Mundos de BYA, atingir o ponto mais evoluído do Mundo de Beriá, chegar o mais perto possível da Parsá e forçar todos os três Mundos de BYA a elevar-se a Atzilut. Em conjunto com os Mundos de BYA, ascenderemos a Atzilut e receberemos a Luz que lá está.




sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Introdução ao Livro do Zohar (8)




8. Em complemento ao que foi dito anteriormente, a alegoria sobre as quatro luzes traz consigo uma dica importante. As Luzes Superiores são chamadas Sefer (Livro). A Sabedoria existente em cada livro não será revelada ao estudante na luz branca que este contém.



A Luz que desce do Criador até nós carrega e revela sua Sabedoria. Essa Sabedoria não é recebida através da Luz limpa e clara das Dez Sefirot, nem pela Essência, mas, sim, através da Forma e da Forma na Matéria, vindas dos Mundos de Beriá, Yetzirá e Assiyá, através de nossas Almas, isto é, pela reação de Malchut à Luz vinda de cima. Não conseguimos, portanto, captar a Luz sem cor de Keter ou a Luz de Atzilut, mas conseguimos recebê-las dos Mundos de BYA como luzes preta, verde e vermelha.



Essas muitas cores nos dão uma ideia do que são o Infinito, a Eternidade e a Perfeição. Embora por si mesmas essas propriedades sejam incolores, não temos habilidade para captar esse acromatismo. Conseguiremos apreender os seus atributos somente após incluirmos, em nós mesmos, todas as cores existentes, suas imensas variedades de combinações, depois que tudo se mesclar dentro de nossos Kelim completamente corrigidos.



Cada uma dessas cores ocupa seu próprio espaço dentro dos Kelim. Somente após o recebimento absoluto, como resultado da absorção de toda paleta de cores, é que chegamos à Luz branca. E partimos, então, para o acromatismo absoluto.



Em outras palavras, nós não captamos a Luz branca. Tudo é revelado através das Sefirot Biná, Tiferet e Malchut. Estas três Sefirot, que são os Mundos de BYA, são as cores nas quais o Livro do Paraíso está escrito. As letras e suas permutações são reveladas através das três cores mencionadas acima. A revelação da Luz Divina é mediada apenas através delas.



Mais adiante, teremos que discernir o seguinte: enquanto que a Luz branca num livro é a sua fundação, todas as letras estão acopladas à fundação.



As letras pretas sobrepõem-se sobre o fundo branco (a Luz Divina). Elas parecem presas ao fundo, enquanto que a cor branca dá a impressão de apoiá-las. Ao marcarem a página branca, ao trespassarem a brancura absoluta, as letras nos trazem a Sabedoria. Como resultado disso não percebemos as cores, mas o Kli, as letras que lemos. Em outras palavras, não lemos as letras em si, mas a ausência da Luz branca, através das formas pretas, verdes e vermelhas que ali vemos. Percebemos a Luz branca apesar de sua ausência, pois somos seres criados e recebemos tudo através de nossas deficiências (hesronot) e desejos.



Toda a Sabedoria está no Mundo de Atzilut porque Atzilut é o Mundo de Chochmá.



Beriá, Yetzirá e Assiyá correspondem a Biná, ZA e Malchut.



O Mundo de Adam Kadmon (AK) é Keter.



Os Mundos do Infinito e de AK se equivalem para nós porque tudo neles contido está acima do Tzimtzum Aleph e não é possível que os recebamos antes da Correção Final. A partir disso, segue-se que os dois mundos estão incluídos dentro da noção do Mundo do Infinito. Apenas captamos o Mundo de Atzilut através dos Mundos de BYA, pois é uma forma corrigida pelo Tzimtzum Bet.




quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Introdução ao Livro do Zohar (7)





7. No Livro do Zohar, as Dez Sefirot, HuBTuM, são chamadas por cores: branco, vermelho, verde e preto.



Branco corresponde à Sefirá de Chochmá;



Vermelho corresponde à Sefirá de Biná;



Verde corresponde à Sefirá de Tiferet;



Preto corresponde à Sefirá de Malchut



No nosso mundo, essas cores criam as quatro cores básicas.



É similar a um instrumento óptico, onde haveria quatro lentes com as cores correspondentes às mencionadas acima. A Luz, apesar de ser unificada, ao passar por uma das lentes, adquire a cor da lente pela qual passou e se transforma em uma das quatro luzes: branca, vermelha, verde ou preta.



Assim, a luz encontrada em cada uma das Sefirot é a Luz do Criador, simples e unificada. De fato, ela (isto é, as Dez Sefirot) é completamente incolor.



As Dez Sefirot da Luz Direta não tem cor, mas, ao passarem pelos mundos, adquirem cores diferentes. São cobertas por vários véus e, então, manifestam-se para nós. É desta forma que percebemos este nosso mundo.



Podemos explicar de outra maneira. Existe, ao nosso redor, apenas a Luz simples e totalmente amorfa (incolor). Entretanto, por meio de nossas propriedades internas (espirituais), nós separamos a Luz e a representamos como níveis da natureza, dos mundos: níveis mineral, vegetal, animal e humano. A Luz Direta, por si só, não tem tais representações.



Assim, a luz encontrada em cada uma das Sefirot é a Luz do Criador. Essa Luz é simples e unificada, indo do Rosh (cabeça) do Mundo de Atzilut ao Sof (fim) do Mundo de Assiyá. A diferenciação que ocorre com a Luz Direta e a transforma nas Sefirot HuBTuM acontece nos Kelim (vasos) também chamados de HuBTuM. Cada Kli (cada Sefirá) é como um fino véu por onde passa a Luz do Criador. É desta maneira que cada Kli transmite sua cor à Luz que passa por ele.



Logo, o Kli de Chochmá do Mundo de Atzilut passa luz branca. Isto é assim porque o Kli de Atzilut (vaso de Atzilut) é similar à Luz propriamente dita. Então, a Luz do Criador não sofre nenhuma modificação ao passar por ali.



Este é o segredo do Mundo de Atzilut, sobre o qual diz o Zohar: "Ele, a Luz e Sua Essência são Um". A Luz do Mundo de Atzilut é definida como luz branca, em acordo com o que foi dito no Zohar. Entretanto, a Luz que passa pelos Mundos de Beriá, Yetzirá e Assiyá é transformada e escurecida. Vamos considerar, como exemplo, que a Luz torna-se, respectivamente, a luz vermelha da Sefirá de Biná no Mundo de Beriá, a luz verde de Tiferet no mundo de Yetzirá e a luz preta da Sefirá de Malchut no Mundo de Assiyá.



Já existem outros Kelim. Logo, a Luz assume outras cores. Isto acontece porque os Kelim nos Mundos de BYA (como em Biná, ZA e Malchut) estão parcialmente corrigidos ou completamente incorrigidos no que concerne à Luz. Se o Zohar fala em cores, podemos interpretá-las como atributos das Sefirot. Então, quando falarmos na cor verde, significa que nos referimos às propriedades de ZA e que estamos nesse nível e que recebemos desse nível.


quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Naassê Venishmá (3)




O pão da vergonha



Sem comer o Pão da Vergonha ninguém se torna cabalista (alguém capaz de doar contentamento ao Fazedor).



E o que é o Pão da Vergonha? A sensação que o Kli (vaso) sente quando a Ohr o preenche sem a proteção da Masach. No início, esse Zivug é absolutamente prazeroso. Depois, a alma se cobre de vergonha e desespero, porque sabe que não é merecedora de tanto deleite. Nesse instante, o vaso não quer mais receber, quer doar também. Como o Kli não foi criado para doar, mas para receber, ele precisa implorar que o Criador mude a sua natureza. Se o pedido for sincero, a prece é atendida e o recipiente recebe a tela, e passa também a gerar Ohr Hozer e Ohr Makif, a Luz de Retorno e a Luz Circundante.



De usurpadora e fonte de escuridão, a pessoa se torna então doadora e Luz para as nações.  

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

Shamati (10)




O que significa “Apressa-te, Amado Meu, no Trabalho”?



É preciso levar em conta que assim que alguém começa a caminhar pela senda do desejo de conseguir fazer tudo pelo Criador, chega a estados de ascensos e descensos. Às vezes, a pessoa se encontra num descenso tal que chega a pensar em fugir da Torá e das Mitzvot (preceitos). Isto quer dizer que a pessoa recebe pensamentos tais que já não sente mais o desejo de estar sob o domínio da Kedushá (Santidade).



Nesse estado a pessoa deve convencer-se do contrário: de que é a Santidade que foge dele. Isso se deve ao fato de que quando alguém deseja manchar a Santidade, ela se adianta e foge dele. Se alguém crê nisso e se sobrepõe à fuga, então a Brach (fuga, em hebraico) se converte em Brachá (benção), tal como está escrito em: “Bendiz, Senhor, o que fazem, e recebe com agrado a obra de suas mãos”. (CK)


segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Introdução ao Livro do Zohar (6)



6. Você sabe que as Dez Sefirot são Chochma, Biná, Tiféret, Malchut e a raiz de todas, Keter. São dez, pois Tiferet é constituída por seis Sefirot: Chessed, Guevurah, Tiferet, Netzach, Hod e Yessod. Lembre-se sempre que ao nos referirmos às Dez Sefirot diremos HuBTuM.

HuBTuM é: Chochmá, Biná, Tiferet e Malchut. O nome Keter é omitido por representar o Criador.

Keter não é nem mesmo designada por uma letra, mas pela ponta do topo da letra Yud. Aqui, é equivalente ao processo da Luz Descendente: o momento em que algo começa a ser criado converte-se em fase um. A Luz não pode ser recebida como é. Consequentemente, não lhe prestamos atenção. Quando a sentimos em nosso Kli, podemos falar sobre sua propriedade de Doação. Na fase dois, dizemos que esta propriedade cobre-nos de encantamento. No primeiro caso, falamos sobre a Luz em si; no segundo, sobre o que ela nos dá.


domingo, 12 de janeiro de 2020

Introdução ao Livro do Zohar (5)



5. Terceira definição (limitação)



Em cada um dos mundos, há três aspectos:


Dez Sefirot;

As Almas;

O restante da realidade



As Dez Sefirot são constituídas da Pura Luz. A Luz Pura descende em forma de emanações que vão gradualmente diminuindo de intensidade. É desta Luz que são constituídas as Dez Sefirot. Detectamos a Luz à medida que conseguimos nos comunicar com as Dez Sefirot. 



As Almas vestidas pelas Dez Sefirot existem dentro da realidade que as rodeia. Assim, um aspecto encontra-se dentro de outro. Há dois tipos de Almas: Elevadas (Superiores) e Humanas. Mais tarde, entenderemos o que são Almas Elevadas



1)    10 Sefirot; 

2)    Almas Superiores e Humanas;

3)    Ambiente: Anjos, Vestimentas e Palácios



O restante da realidade ao nosso redor é composto por Anjos, Vestimentas e Palácios. Essas são as forças espirituais inferiores que cercam a alma humana. Seus nomes apontam para significados semelhantes no nosso mundo: Anjos são similares a animais; Vestimentas são forças externas ao homem; Palácios são forças mais remotas que envolvem o ser humano. 



Qualquer outro aspecto que venha a ser comentado servirá para entendermos o que as Almas recebem. O Livro do Zohar não profere palavra alguma que não esteja relacionada com as Almas. Estes três aspectos fundamentais servem como nosso ponto de partida:


Não ultrapassar o âmbito da Matéria e da Forma na Matéria;

Não ultrapassar o âmbito dos Mundos de BYA;

Não ultrapassar o âmbito das Almas Humanas.



Se nos detivermos nestes três sistemas e suas limitações, entenderemos corretamente o que o Livro do Zohar pretende nos proporcionar. Assim, receberemos suas mensagens com precisão através de um canal estabelecido com o Livro, canal este que descenderá até nós. Não vamos procurar algo que não está lá, nem algo que não precisamos. Receberemos do Livro o que for necessário para a nossa correção. Cada palavra lá contida fala sobre isso. Por exemplo, se uma pessoa com raciocínio filosófico tentar entender o Zohar de forma abstrata, com certeza irá fracassar. Daí o Zohar parecer "oculto atrás de mil portões fechados".



Se alguém quiser trazer à tona algo sobre a Forma Abstrata e sobre a Essência, sem ter atingido nível espiritual para tanto, não conseguirá. Não daqui, do nível deste mundo, por meio do raciocínio filosófico. Para chegar lá, a pessoa terá que atingir o nível espiritual adequado, apropriado ao Mundo de Atzilut e ao Mundo do Infinito, e começar sua pesquisa lá. No geral, o Livro do Zohar nada tem a ver com estas questões; estuda, exclusivamente, o processo para nossas correções. Uma vez corrigidos e tendo recebido a Realidade Superior, receberemos todo conhecimento sobre Forma Abstrata, Essência, Mundo de Atzilut e Mundo do Infinito, Dez Sefirot, Almas Elevadas, Anjos, Vestimentas e Palácios



O Zohar não pode nos dizer nada sobre as questões citadas acima até que, com sua ajuda, consigamos corrigir Matéria e Forma na Matéria, isto é, os Mundos de BYA, onde nossas Almas existem. 



Apenas depois que o desejo criado estiver corrigido, será possível falar sobre como atingir níveis espirituais mais elevados. Enquanto o desejo continuar sendo egoísta, será impossível captar o que estiver acima do nível em que se está.



Naturalmente, o desejo não vai alcançar os níveis de Forma Abstrata nem de Essência nos Mundos de Atzilut e Mundo do Infinito, pois significaria já ter adquirido a propriedade da Doação. Não conseguirá, também, atingir o recebimento do que existe além das Almas Humanas, especialmente nas Dez Sefirot, na Pura Luz do Criador. 



O Livro do Zohar foi escrito de forma a influenciar adequadamente e positivamente a quem quiser a energia que dele emana para o propósito de correção. Se o leitor não tiver intenções de corrigir-se, passará pelo Zohar sem noção do poder que ele irradia. 


Shamati (137)

    137. Zelofeade estava coletando madeira (Ouvi em Tav - Shin - Zayin , 1946-1947)   Zelofeade estava coletando madeira. O Zohar i...