domingo, 26 de abril de 2020

Introdução ao Livro do Zohar (38)




38. Depois da interação com as propriedades restritivas de Malchut, as imagens e as formas descem para as Almas de Beriá (Biná) para baixo. Isso não ocorre no seu lugar, apenas onde os receptores estão.



É dito que "Ele deu uma forma à estrutura Adam Elion, e desceu e 'vestiu-Se' nessa forma de homem". Assim, a forma do homem consiste de 613 Kelim, que resultam dos Kelim de uma Alma. Já que uma Alma possui 613 Kelim espirituais chamados 248 órgãos e 365 tendões, ela é subdivida em cinco partes de acordo com as 4 letras de HaVaYaH:



A ponta da letra 'Yud', sua Cabeça, é Keter;

De Peh a Chazeh é Chochmá;

Do Chazeh ao Tabur é Biná;

Do Tabur ao Sium Raglin existem duas Sefirot: Tiferet e Malchut.



A Torá descreve o Partzuf Adam, que representa os 248 mandamentos positivos correspondentes aos 248 órgãos, e os 365 mandamentos negativos que correspondem aos 365 tendões. Ele tem cinco partes, os cinco livros da Torá. A isso chamamos de 'a imagem de Adam Elion', que representa aquele Adam, do Mundo de Beriá (Biná), onde os Kelim começam e continuam nos lugares onde as Almas estão. Isso se chama 'Adam Elion', pois existem três propriedades adâmicas nas Sefirot:



Adam de Beriá

Adam de Yetzirá

Adam de Assiyá



Contudo, Keter e Chochmá não possuem nenhuma imagem que possa ser relacionada a qualquer letra pontuada ou às quatro letras de HaVaYaH. Já que a questão se refere ao Mundo de Beriá, confirma-se: "Adam Elion".



Sempre tenha em mente que o Zohar diz que não há imagens no lugar das Sefirot de Biná e Malchut, somente no lugar do receptor. Já que todas essas Sefirot dão aos Kelim vestimentas para que as Almas recebam o Criador com a ajuda da Luz que desce a eles dentro de certos limites, de acordo com seus 613 órgãos, também chamamos os doadores de "Adam". Entretanto, lá, eles são da cor branca.


sexta-feira, 24 de abril de 2020

Cartas de Baal Ha Sulam (1)





Na Carta 8, do livro Sage´s Fruit, Jerusalém, 1922, Baal Ha Sulam escreve:



“É permitido e é uma grande mitzva deleitar e perfumar aqueles amados que você encontra no campo (de trabalho), aos quais o Criador abençoou. Nosso único propósito na vida é levantar a Divindade do pó.”

quinta-feira, 23 de abril de 2020

Baal Ha Sulam (5)




Hora de agir



Por um longo tempo, minha consciência me sobrecarregou com uma demanda de sair e criar uma composição fundamental a respeito da essência do judaísmo, da religião, e a respeito do conhecimento da sabedoria autêntica da Cabalá, e espalhá-la pela nação, para que as pessoas pudessem conhecer e entender adequadamente essas exaltadas questões em seus verdadeiros significados.



Antigamente, em Israel, antes do desenvolvimento da indústria de impressão, não havia livros falaciosos entre nós ligados à essência do judaísmo, já que havia poucos escritores entre nós que poderiam sustentar as suas palavras, pela simples razão, que na maioria dos casos, uma pessoa não confiável não tem reputação.



Portanto, se, por acaso, alguém se atrevesse a escrever tal composição, não valeria a pena para qualquer escriba copiá-la, pois não seria pago por seu trabalho, o qual, geralmente, era uma soma considerável. Assim, tal composição estaria condenada a não circular desde o início.



Naqueles dias, pessoas bem-informadas também não tinham interesse em escrever tais livros, já que o público em geral não precisava daquele conhecimento. Muito pelo contrário, elas tinham interesse em ocultar o assunto em câmaras secretas porque “É a glória de Deus ocultar algo”. Recebemos a ordem de ocultar a essência da Torá e o trabalho daqueles que não precisavam dessa revelação, ou porque eram indignos dela, e também para não degradar e exibir a essência da Torá em janelas de lojas para os olhos cobiçosos da ostentação, porque assim a glória de Deus nos exige.



Mas desde que a impressão de livros se tornou popular e que os escritores não necessitaram mais de escribas, o preço dos livros foi reduzido. Isto pavimentou o caminho para escritores não confiáveis publicarem quaisquer livros que desejassem, por dinheiro ou por glória. Contudo, eles não levaram suas próprias atitudes em consideração e não examinaram as consequências de seu trabalho.



Daquela época em diante, publicações do tipo antes mencionado aumentaram significativamente, sem nenhum aprendizado ou recepção boca-a-boca de um rav [professor/grande homem/sábio] qualificado, ou mesmo através do conhecimento de livros antigos que lidavam com esse tópico. Tais escritores fabricam teorias a partir de suas próprias conchas vazias, e relacionam suas palavras aos assuntos mais exaltados, para dessa forma retratar a essência da nação e seu tesouro fabuloso. Como bobos, eles não sabem ser escrupulosos, ou ter uma forma através da qual aprendê-lo. Eles instilam visões deturpadas em gerações, e como prêmio por seus desejos mesquinhos, eles pecam e fazem as nações pecarem por gerações vindouras.



Recentemente, o seu fedor subiu ainda mais alto porque eles enfiaram as unhas na sabedoria da Cabalá, sem se importarem com o fato de que essa sabedoria esteve fechada e trancada atrás de mil portas até hoje, ao ponto de que nenhuma pessoa possa entender o verdadeiro significado sequer de uma palavra dela, muito menos a conexão entre uma palavra e a outra.



Isto ocorre porque em todos os livros genuínos que foram escritos até o dia de hoje, não há senão pistas que mal bastam para um discípulo bem orientado entender o significado delas da boca de um sábio cabalista qualificado e prudente. E lá, também, “o porco-espinho faz seu ninho e põe seus ovos, e incuba, e choca na sua sombra”. Nesses dias, tais conspiradores se multiplicam e produzem tais deleites que enojam aqueles que os vêem. Alguns deles vão tão longe a ponto de assumir os postos de líderes da geração, fingindo saber como escolher entre os livros dos primeiros [sábios] e dizer qual deles é digno de ser estudado e qual não é, já que eles estão cheios de falácias, e por isso despertam desprezo e ira. Até hoje, o trabalho de tal escrutínio tem sido limitado a um de cada dez líderes de uma geração; e agora o ignorante abusa disso.



Por isso, a percepção do público sobre essas questões tem sido imensamente corrompida. Além disso, há uma atmosfera de frivolidade, e as pessoas pensam que uma olhada ao seu bel prazer é suficiente para o estudo de tais assuntos exaltados. Eles roçam o oceano de sabedoria e a essência do judaísmo em uma única olhada como aquele anjo, e tiram conclusões baseados em seus próprios estados mentais.



Essas são as razões que me levaram a sair de meu caminho e decidir que chegou a hora de “fazer pelo Criador” e salvar o que ainda pode ser salvo. Assim, eu tomei sobre mim o encargo de revelar um certa porção da verdadeira essência, que está relacionada ao assunto citado acima, e espalhá-la na nação.

quarta-feira, 22 de abril de 2020

Sion Az Yael (5)




A iluminação



Ao se meditar, pode ocorrer a visão de uma luz brilhante, pode surgir a sensação de arrebatamento, de paz, de tranquilidade, de devoção, de vigor, de felicidade, de rapidez e clareza perceptiva, de lucidez, de atenção intensa, de equanimidade e de apego a todos esses fenómenos. E etc.



Tudo isso são marcos ao longo do  caminho e não o seu destino final, o que não significa que devamos ignorá-los ou que não devamos nos deter neles. A meditação como busca pela iluminação pessoal transcende todas as categorias das emoções e sensações.



A partir daqui torna-se difícil explicar racionalmente as experiências místicas, sem confundi-las ou diminui-las. O que podemos fazer é descrevê-las, poética e intuitivamente. Enfim, o caminho de comprensão da meditação é a própria experiência sensível.



Existem muitas técnicas de meditação. Cada pessoa deve encontrar aquela em que se sente mais confortável. Algumas são mais complexas que as outras. Também existem aquelas que não levam a resultado algum. O importante é começar pelo básico, aprender a relaxar, a colocar-se em posturas corretas, aprender a concentrar-se, a respirar adequadamente, a purificar-se de pensamentos e emoções negativas, a desenvolver a capacidade de atenção e de auto-observação, e a não claudicar nessa grande empresa interior.



O objetivo prático da meditação é parar de pensar e abandonar a dispersão. Isso é assim porque o pensamento requer sempre a polaridade, enquanto que a meditação, em seu sentido correto, é a superação da polaridade e da dispersão. A superação se dá através da trascendência e da unificação.



A intuição é uma forma de percepção pura, sem dispersão e que conduz a um absoluto (Dvekut, Ruach Hakodesh, Samádhi, Nirvana  etc.). A mente se alimenta da dispersão, da fragmentação e da separação. Isso é a consequência de estarmos imersos num mundo de tempo e de espaço, mas não devemos esquecer a dimensão do sagrado, que é a Unidade.




terça-feira, 21 de abril de 2020

Mekubalim (3)




Kaduri e os demônios 




Certa vez perguntaram ao Rav Kaduri, quando ele já contava com 105 anos de vida, se para fazer os seus amuletos cabalísticos ele invocava e forçava os demônios a fazerem o que ele queria.



Com um sorriso estampado no rosto, o Rav Kaduri respondeu: “Não, não. É que eu sou tão velho, mas tão velho, que os demônios olham para mim, sentem pena e resolvem fazer o que eu quero”.



(In: O Livro de Raziel. Raigordsky, Diego)


segunda-feira, 20 de abril de 2020

Mocha de Ilaah (10)






O sonho é o striptease da alma.



Se o sono é um-sessenta-avos da morte, o sonho é um-sessenta-avos da profecia. O sonho é uma carta fechada, mas, talvez, o remetente não queira que revelemos o conteúdo da missiva. No entanto, ela pertence ao destinatário e a ele pertence também o direito de tornar o conteúdo público.



Na noite de sexta para sábado, na passagem de 17 para 18 de abril, eu recebi uma carta. Oops! Eu tive um sonho. Bem que eu queria que fosse um I had a dream, como o de Martin Luther King Jr. Antes que as brigadas de sabichões corrijam o meu “erro”, confesso que troquei o have original por had, por razões óbvias.



Eu tive um sonho. E, nesse sonho, eu pedia à Marta, minha esposa, que me levasse ao hospital, porque eu estava com febre e com dificuldade de respirar.



Quando chegamos ao hospital, vi que centenas de pessoas se aglomeravam diante da porta de entrada, mais ou menos como as pessoas estão fazendo nas manifestações pelo fim da quarentena.



Atravessamos a multidão e entramos no prédio. Havia mortos empilhados nos corredores, misturados com vivos que tossiam muito. Pegamos uma ficha. Depois que olhei para o número do atendimento, eu disse à Marta: “Vamos embora. É melhor morrer em casa”.



Guardei a ficha plástica no bolso da camisa, pelo número que nela estava: 349.



Para quem não sabe, 349 é a gemátria hebraica para a palavra Mashiach, que em nosso idioma, e em nossa política, resultou em Messias.

domingo, 19 de abril de 2020

Sion Az Yael (4)




Em que consiste a meditação?



Basicamente, existem duas categorías de meditação: uma é a da concentração (transe) e a outra é a da visão interior (intuição).



Na meditação de concentração colocamos o acento no  adestramento da mente, enfocando-a fixamente num objeto determinado. Pode ser um mantra, uma respiração, a chama de uma vela e etc.



A concentração é a unificaçao da mente, a unidirecionalidade do pensamento.



A corrente do pensamento é normalmente errática e dispersiva. O objetivo da concentração é enfocar o fluir dos pensamentos, fixando a mente num único objeto, no tema da meditação.

Finalmente penetramos o objeto e somos totalmente absorvidos por ele.



No começo, a unidirecionalidade é ocasional e esporádica. A mente oscila entre o objeto da meditação e os pensamentos, sentimentos e sensações que a distraem.



A meditação de concentração requer previamente uma purificação psicológica, a qual significa a poda de pensamentos que distraem nossa concentração. A pureza é a base psicológica da concentração.



A segunda categoria de meditação, a de visão interior, trabalha melhor com a vivência do presente. Não intenta apartar a mente do transcurso da experiência para enfocá-la sobre um só objeto e criar estados diferentes, senão que cultiva a atenção e a percepção do fluir que momento a momento vai configurando nossa vida.



A essência da atenção, segundo o monge budista Nyanaponika Thera, é “a percepção clara e exclusiva do que realmente acontece conozco e com o que acontece dentro de nós mesmos nos momentos sucessivos da percepção”.[1]





[1] Nyanatiloka, Mahathera (Antom Gueth, 1878 - 1957), El Camino de la Atención: El Corazón de la Meditacion budista”.


Shamati (137)

    137. Zelofeade estava coletando madeira (Ouvi em Tav - Shin - Zayin , 1946-1947)   Zelofeade estava coletando madeira. O Zohar i...