terça-feira, 14 de julho de 2020

Introdução ao Livro do Zohar (73)



31. Nossos sábios dizem: "A sanguessuga tem duas filhas, que gritam: Me dá! Me dá!" (Provérbios 30:15). "A sanguessuga" significa o Inferno (inferno é o uso forçado das propriedades egoístas). Os pecadores, que caem nas armadilhas do inferno, latem como cães: “Au! Au!” (Em Hebraico “Hav-Hav” - dar-dar). Ou seja, “Dá-nos as riquezas deste mundo e as riquezas do Mundo Vindouro”.

O nível no qual a pessoa trabalha com as Klipot é muito importante, pois é assim que ela obtém o material para o seu trabalho. Ela adquire desejos sem os quais ela não pode tornar-se semelhante ao Criador. Portanto, deve haver períodos em que recebemos desejos não corrigidos para que os corrijamos.

Portanto, o nível que vem antes dos 13 anos é definido como “puro”, que é o significado do que está escrito: “A criada serve sua senhora”, ou seja, serve à Sagrada Shechiná. Isso significa que a criada simboliza os desejos egoístas que conduzem ao nível espiritual da doação, em que a pessoa é recompensada com “A Luz da Shechiná”.

É de responsabilidade da pessoa fazer tudo o que puder a fim de merecer o estado de  “Li Shema” (desejo de doar). Se ela não realizar todo esforço possível para alcançar o estado de “Li Shema”, certamente cairá na lata de lixo da criada “impura”, que é o oposto da criada “pura”.

A menos que a pessoa que estuda Cabalá comece a purificar os desejos impuros adquiridos, cada vez mais ela cai nas Klipot.

O nível zero corresponde ao nosso pequeno egoísmo natural. Abaixo está a área das Klipot e acima está o local da Kedushá, a intenção pelo Criador. A menos que a pessoa se esforce em aplicar o método correto de ascensão espiritual, a menos que ela transforme a propriedade “-1” em “+1”, “-2” em “+2” etc, ela cairá cada vez mais fundo no domínio das Klipot, até seu estudo de Cabalá servir apenas para seu auto contentamento egoísta, com a intenção de se passar por um importante Rabi, de forma a prender as pessoas a si, transformando-as em zumbis. Assim, ela afunda na mais absoluta impureza.

Isso significa que a criada toma o lugar da sua senhora e impede a pessoa de se aproximar da Sagrada Shechiná. O último nível desse período é o desejo de satisfazer o Criador. Como aquelas pessoas no nosso mundo cujo desejo apaixonado é tão grande que arde nelas dia e noite, como está dito: “Uma lembrança constante não me deixa dormir”.
Sobre isso também está dito: “A Árvore da Vida está cheia de paixão”, que são os cinco níveis de alma que formam a Árvore da Vida durante 500 anos. Cada nível dura 100 anos, o que leva a pessoa a receber todos esses cinco níveis do NaRaNHaY, que se tornam revelados no terceiro período.

Por que exatamente há 500 anos? 500 anos é um nível completo. Cada nível é chamado de “100 anos”, pois ele consiste de 10 Sefirot, e cada Sefirá, por sua vez, tem dez subníveis. Se a Nefesh tiver um nível completo, ela é chamada de “100”. Isso significa que o homem criou o Kli e obteve para ele a Luz Interna chamada “100”. É assim que um Kli corrigido, preenchido de Luz, é designado. Ele é definido de igual modo em todos os níveis: Nefesh, Ruach, Chayá, Neshamá e Yechidá, o que soma 500 anos. Contudo, isso só é recebido no terceiro período.


segunda-feira, 13 de julho de 2020

Introdução ao Livro do Zohar (72)



30. O segundo período é dos 13 em diante (depois de chegarmos à realização do estado morto, AHP), quando a força é conferida ao ponto no coração do homem. É o lado oposto da alma pura vestida no desejo de receber desde o momento do seu nascimento.

Ou seja, desde o nosso nascimento, possuímos os vasos egoístas que nos mantém crescendo até desejarmos rejeitá-los completamente. Somente então o ponto no coração é despertado. Mesmo antes de alcançar o nível dos “13 anos”, o sentimos como uma aspiração pelo Criador, mas que ainda é reprimida pelos nossos desejos egoístas. Assim que enxergamos o seu mal e sua negatividade e os abandonamos, o ponto no coração emerge e se manifesta.

O despertar não vem antes que a pessoa alcance o nível dos “13 anos”. Depois disso, ela começa a ficar sob o poder de um sistema de mundos puros devido ao seu estudo de Cabalá. O propósito principal durante esse período é obter um desejo espiritual e aumentá-lo (até alcançar GE, isto é, as propriedades de Biná, a tela, Fé, Kelim de Ashpa'a). Desde o seu nascimento, a pessoa busca apenas satisfazer seus desejos materiais. Portanto, apesar de obter um enorme desejo de receber durante 13 anos (sentir seu AHP nesse primeiro período), seu desenvolvimento ainda não está completo. O fim do desenvolvimento do desejo de receber é o desejo pela espiritualidade. Se durante 13 anos o desejo de receber tiver aspirado por riqueza e honra nesse mundo material, sabemos que isso não dura, que a riqueza e honra não são eternas, mas que são uma sombra fugaz que surge por um breve instante e desaparece.

Quando a pessoa obtiver o enorme desejo de receber espiritualidade, ela desejará absorver toda a abundância do mundo vindouro eterno para seu próprio prazer. Portanto, a essência do enorme desejo de receber é obter espiritualidade.

Assim, ela adquire um AHP enorme e eterno.

Depois do primeiro período, a pessoa faz a Primeira Restrição (Tzimtzum Aleph) e começa a trabalhar com os vasos de doação a fim de obter uma tela. Sobre o que ela irá construir essa tela? A tela é construída sobre os desejos, ainda que ela os tenha restringido, destruído e neutralizado no primeiro estado. Então, o que vem depois? Os desejos que ela restringiu no primeiro estado pertencem ao seu mundo pequeno, simples e egoísta.

Para desenvolver em si mesmo intenções altruístas no segundo estado, a pessoa deve se apoiar nos novos desejos pelo Mundo Espiritual.

Primeiro, ela desenvolve seus desejos deste mundo até o nível dos “13 anos”. Por sua vez, eles se dividem em desejos animais e desejos por riqueza, honra, fama e conhecimento. Isso ocorre em todas as nossas encarnações anteriores.

Ao senti-los como mal, a pessoa os restringe (faz um Tzimtzum Aleph) e começa a adquirir outros desejos que se desenvolvem nos níveis espirituais.

Ela constrói seus Kelim altruístas (GE) sobre os enormes desejos egoístas, zero e um, que são muito maiores que o “nosso mundo”. Esse estado é chamado de Katnut (estado pequeno). Agora ela possui GE ou, como dissemos, ela alcança o estado de Biná, Masach, ou Fé. Aqui ela começa a construir seus novos desejos: dois, três e quatro. Quando ela alcança o nível de Gadlut (estado grande), ela atrai para si o AHP (níveis de Ozen, Hotem e Peh). Nesse estágio, ela torna-se semelhante ao Criador.

Assim se constitui todo o caminho do homem.

Estamos no meio do processo de Revelação do Mal. Depois disso, construiremos GE e trabalharemos com os “corpos mortos”, isto é, com o AHP. A esse estágio seguirá a correção do Lev HaEven, o Coração de Pedra, quando alcançamos a semelhança completa com o Criador.

Baal HaSulam descreve esses estágios do nosso desenvolvimento de uma forma diferente, utilizando uma linguagem diferente. Podemos considerar esses estados tanto do ponto de vista da Luz (o NaRaNHaY), ou do ponto de vista dos Kelim (Sefirot). Também podemos dividi-los em períodos que, a princípio, correspondem à vida humana. Isso porque todas as raízes espirituais têm seu reflexo no nosso mundo.

Baal HaSulam pode utilizar a linguagem da Torá (a Bíblia ou o Talmud) para demonstrar que todo Livro Sagrado fala sobre o mesmo tópico: o caminho que o homem deve percorrer e como ele o fará. Ele diz que o problema começa não nesse mundo, mas no estágio que o segue, pois os desejos do homem começam a crescer. As Klipot (forças impuras) emergem e permitem que a pessoa transforme sua influência em algo contrário e puro.

Como isso ocorre? Eis o que os cabalistas dizem: (Resposta no ponto 31).



quinta-feira, 9 de julho de 2020

Introdução ao Livro do Zohar (71)




29. Com tudo o que foi explicado, podemos responder a segunda pergunta: Qual o nosso papel nessa longa corrente da realidade na qual funcionamos como pequenos elos por toda a nossa vida?

Viemos ao mundo para ficar por 60 ou 70 anos sem ter nem ideia de onde viveremos ou o que fazer com nossa vida. Nos 20 ou 30 primeiros anos, alcançamos a fase adulta. Os últimos anos não contam, pois ficamos muito fracos, indiferentes e cansados. Tudo o que nos resta são uns poucos anos para nos perguntarmos sobre o sentido da vida e compreender alguma coisa.

O que somos e qual o nosso propósito, como podemos agir ou influenciar alguma coisa, se nossa existência consciente é tão curta? Por que somos tão sensíveis a esse questionamento, a respeito do qual os animais nem se perguntam?

Eis o que Baal HaSulam diz:

É preciso saber que o trabalho durante os nossos anos de vida consiste de quatro períodos. No primeiro período, a pessoa adquire um desejo de receber imenso e ilimitado em toda sua perversidade, enquanto permanece sob o poder do sistema dos quatro Mundos Impuros de ABYA. Esse é o AHP que pouco a pouco destruímos. Por que o homem primeiro adquire enormes desejos de todas as Klipot? A menos que recebamos esse desejo não corrigido, não seremos capazes de corrigi-lo, pois somente podemos corrigir propriedades que possuímos.

Nossos primeiros passos consistem em adquirir quantos desejos pudermos, ainda que almejemos o espiritual. Na verdade, não nos empenhamos em satisfazer os nossos desejos egoístas. Ainda assim, conforme as aspirações espirituais da pessoa aumentam, seus desejos egoístas despertam e também se desenvolvem. Por isso, as palavras “aquele que tem aspirações espirituais maiores que os outros têm um egoísmo maior” são verdadeiras.

Não se surpreenda com a sensação crescente do nosso egoísmo. Isso não ocorre apenas porque nos compreendemos melhor, mas também porque propriedades egoístas maiores são reveladas em nós. Dessa forma, adquirimos os Kelim de AHP, os vasos egoístas, na sua forma egoísta (com a intenção para si mesmo).

Portanto, o desejo de receber, que o nosso corpo possui desde o seu nascimento neste mundo, não é suficiente… Durante um certo tempo, devemos estar sob a influência das Klipot, ou seja, de forma inconsciente e sem desejar, deixamos que os desejos egoístas cresçam em nós.

O período durante o qual os desejos egoístas crescem na pessoa é chamado de “13 anos”. Isso significa que as forças impuras devem controlar a pessoa e lhe dar um pouco da sua luz, com cuja influência seu desejo de receber aumenta, pois os prazeres com os quais as forças impuras abastecem o desejo de receber ampliam e intensificam suas exigências.

Afetado pela Luz Superior, o egoísmo cresce dia após dia, pois precisamos cada vez mais dessa Luz. Pela sua influência proposital, o Criador faz com que o nosso egoísmo aumente.

Por exemplo, quando o homem nasce, há um desejo por uma porção e nada mais. Quando as forças impuras preenchem o desejo com essa porção, o desejo de receber duplica imediatamente. Quando as forças impuras satisfazem o desejo aumentado, ele expande e deseja receber quatro vezes mais prazer.

A menos que a pessoa comece a limitar-se e adquirir a intenção pelo Criador (os Kelim de GE), a menos que ela se purifique, separe-se de todas as amarras do egoísmo e realize um Tzimtzum Aleph (elimine o seu AHP), ela continuará buscando vários prazeres deste mundo. Cada vez que ela receber qualquer satisfação da Klipá, seu desejo se torna duas vezes maior que antes. Por isso, se diz:

Se a pessoa não purifica o desejo de receber a fim de transformá-lo em desejo de doar, ele cresce durante toda a sua vida, até que ela morra sem alcançar o objetivo desejado.

Isso é o que ocorre durante todas as nossas encarnações, até que finalmente compreendemos que a busca dos prazeres nunca leva à satisfação.

Uma estação de TV local me pediu para comentar sobre a visita da Madonna à Israel e seus planos de gravar um video clip sobre Cabalá. As pessoas querem saber por que ela decidiu fazer isso em Israel. Os apresentadores estavam verdadeiramente intrigados ao me perguntar por que alguém que tem tudo, milhões de dólares, influência e fama, de repente busca a Cabalá e vem para Israel, ainda que a situação aqui seja instável. Por que a Madonna estaria promovendo a Cabalá?

Eu lhes disse que a pessoa chega a um estado em que ela ou ele ostensivamente alcança tudo o que sempre quis nessa vida. Ainda assim, ela subitamente percebe que, de fato, não tem nada. E compreende que, ao intensificar seus desejos, ela apenas intensifica seu sofrimento, ou seja, ela aumenta o vazio dos seus Kelim, suas sensações. Portanto, instintivamente, ela começa a buscar um método alternativo de satisfação e descobre que esse método está num nível acima da busca comum por prazeres.

Vemos que, depois de satisfazer seus grandes desejos, pessoas como a Madonna de repente sentem que este não é o fim, que há muito mais prazer só aguardando ser recebido. Esses desejos são puramente egoístas, mas, infelizmente, os apresentadores desse programa de TV não pensam dessa forma. Tudo depende do nível de desenvolvimento do egoísmo.

Dessa forma, a pessoa está sob o poder das Klipot e forças impuras. Sua tarefa é expandir e intensificar o desejo de receber, torná-lo ilimitado, a fim de mostrar à pessoa o material (todo o seu AHP) com o qual deve trabalhar e corrigir.

Até que a pessoa receba esse AHP, até que o veja como morto e inadequado para receber prazer, ela continuará a reencarnar continuamente.

Ao sentir que seus desejos mortos são totalmente incapazes de lhe dar prazer genuíno, a pessoa começará a elevar-se e adquirir Kelim de GE novos e sublimes. Isso só ocorre após a Revelação do Mal.

Esse processo pode ser acelerado. Precisamos tentar não obter nada do mundo, ao passo que recebemos dificuldades cada vez que algo for alcançado sem realização. Não precisamos passar por todo o caminho até o fim, quando podemos economizar tempo e evitar sofrimentos com o auxílio da Luz Superior.

Ao atrair a Luz Superior, vemos quão defeituosos são todos os nossos Kelim (AHP). Ainda não os utilizamos, mas vemos quão negativos e opostos à Luz eles são. Portanto, não precisamos usar mais vidas para descobrir a falácia da satisfação egoísta.

Isso é o que chamamos de contração, com isso que o método da Cabalá trabalha. Devemos atrair a Luz Circundante e, ao utilizá-la, passar rapidamente pelo período de Revelação, Correção e Ascensão, até a Perfeição.

Todos os estágios desse caminho são pré-determinados. A única coisa que depende de nós é sua velocidade. Sem mergulhar em sensações negativas e confrontar o nosso egoísmo, podemos prever a maldade do egoísmo e evitar os seus golpes.

Isso é alcançado ao atrair mais intensamente a Luz Superior, que somente é possível com a ajuda de um grupo, de amigos que aspiram juntos ao Objetivo. Assim, posso atrair a Luz Circundante que afeta a todos nós.

Se unirmos nossas forças, daremos um salto para o fim do primeiro estado. Se acumularmos a Luz que cada um puder atrair todos sentiremos sua influência e revelaremos nosso mal de forma tão intensa que desejaremos obter os Kelim de GE (propriedades de doação). Portanto, tudo depende apenas da nossa intenção, do quanto estamos preparados para adotar esse método.



terça-feira, 7 de julho de 2020

Introdução ao Livro do Zohar (70)




28. Como os sábios disseram: "No futuro, os mortos levantarão com seus defeitos e farão uma reconstituição completa". Isto é, no princípio, o mesmo corpo egoísta se eleva dos mortos. É um desejo de receber enorme e ilimitado, aquele que fora nutrido pelo sistema de forças impuras antes de ter a honra de ser purificado pela Luz com o auxílio da Cabalá.



É claro que isso é uma alegoria. Nenhum defunto irá se erguer do seu túmulo. Quando começamos a trabalhar com nosso AHP, previamente morto, ele aparece com toda a sua maldade original (Aviut 3 e 4). Começamos a corrigir o egoísmo emergente nos últimos níveis de semelhança com o Criador. Antes disso, havia apenas o período de preparação. Ainda que estejamos no Mundo Espiritual, estes são apenas os Kelim de Ashpa'a (vasos de doação). Entretanto, nos níveis três e quatro, alcançamos o recebimento com o propósito de doar, que equivale à doação absoluta.



Aniquilamos totalmente o desejo de receber de dentro de nós, adquirimos intenções altruístas e começamos a ressuscitar nossos desejos mortos, do menor deles ao maior, enquanto os conectamos a intenções altruístas. Essa é a ordem de correção.



Assim, todos os nossos desejos são corrigidos e alcançam a semelhança de forma com o Criador. A partir disso, podemos compreender por que os mortos devem sair de seus túmulos com todos os seus defeitos. A expressão "ninguém dirá que estes são corpos diferentes" significa: ninguém dirá que essa forma é diferente daquela que havia no Pensamento da Criação. O enorme desejo de receber a abundância do Plano da Criação foi entregue temporariamente ao poder das Klipot… (a intenção para si mesmo).



Como resultado, o desejo é dado à pessoa para ser corrigido com a intenção “Pelo Criador”. Ela não se torna apenas semelhante ao Criador em suas ações, ela se torna equivalente a Ele naquilo com o quê alcança o último nível de existência. Ela não só penetra as sensações do Criador, mas também recebe o Pensamento da Criação, a Eternidade, Perfeição, Infinito, e Liberdade absoluta.



Com isso, o nosso mundo perde sua importância, desaparece das sensações da pessoa que agora inclui todas as outras almas.



Devemos alcançar esse estado enquanto vivemos neste mundo. Devemos receber e sentir todos os níveis espirituais enquanto estivermos nos nossos corpos biológicos. Todos têm essa oportunidade.




segunda-feira, 6 de julho de 2020

Introdução ao Livro do Zohar (69)




27. De fato, a Ressurreição não pode ocorrer antes do Fim da Correção. Isto é, ao fim do segundo estado.



Baal HaSulam diz: a Ressurreição dos Mortos (isto é, nossos desejos e intenções que recusamos utilizar) ocorre quando adquirimos a intenção pelo Criador (Kelim de Ashpa'a). No estágio seguinte, acrescentamos AHP à Galgalta ve Eynaim. Esse é o AHP que ignoramos, que foi considerado morto e que agora é ressuscitado. Assim, formamos um Partzuf completo consistindo de Dez Sefirot, semelhante ao Criador.



A recepção de Galgalta ve Eynaim é chamada de “Aquisição da intenção pelo Criador”. A adição subsequente de AHP ocorre quando ressuscitamos nossos desejos antigos, previamente inutilizados. Assim, a Ressurreição dos Mortos ocorre pouco antes do Fim da Correção. Naturalmente, nem uma palavra do que dizemos refere-se aos nossos corpos biológicos. Falamos apenas sobre os desejos. O que quer que se encontre em nosso mundo não tem continuidade.



Portanto, depois de obter a eliminação do nosso enorme desejo de receber, e de merecermos receber o desejo de doar, teremos o privilégio de receber os níveis de alma chamados Nefesh, Ruach, Neshamá, Chayá e Yehidá. Atingimos a perfeição máxima, então o corpo renasce dos mortos com todo o seu enorme desejo de receber. Agora ele não nos ameaça mais com a separação da nossa unificação com o Criador. Pelo contrário, ao acrescentar os desejos do corpo (AHP), nós os superamos e lhes conferimos a forma de doação (semelhança com o Criador). Isso se aplica a qualquer propriedade negativa.



Baal HaSulam diz que, antes de mais nada, rejeitamos nossos desejos originais e realizamos um Tzimtzum sobre eles. Depois, adquirimos um novo desejo. Nossa terceira ação é a ressurreição dos antigos desejos.



Ele diz que aplicamos o mesmo método no nosso mundo.



Isso é válido para qualquer propriedade negativa específica que queiramos eliminar. No início, precisamos desistir dela completamente para que então nada mais reste dela (ou seja, devemos neutralizá-la ao máximo). Então você volta (acrescentando gradualmente o AHP), pega-a novamente, e a traz (AHP) à linha do meio.



Esse período dura bastante tempo. No início, nós apenas estudamos e gradualmente concluímos que tudo do que somos feitos é mau. Então obtemos Fé e os Kelim de Galgalta ve Eynaim e os elevamos. Ao iniciar o período de “Ressurreição dos Mortos”, começamos a atrair sobre nós o AHP. O mesmo processo também ocorre nos Mundos.



Vivemos neste Mundo, atravessamos a Maschom, adquirimos os Kelim de GE (Aviut 0 e 1) e, por fim, alcançamos o Aviut 2 (Fé absoluta), 3 e 4 (Ressurreição dos Mortos). O rompimento do mal ocorre quando a Maschon é atravessada. A “Ressurreição dos Mortos” é o AHP de Aliya. Ao adquirir GE, gradualmente prendemos a nós o AHP. Apenas quando a pessoa puder começar a elevar seu AHP que ela torna-se semelhante ao Criador, pois apenas a recepção pelo Criador é considerada doação.



Quando os Kelim de GE são tudo o que tenho, eu apenas aprendo como doar. A doação verdadeira somente pode ser feita nos últimos níveis, três e quatro, quando ao receber prazer a pessoa agrada o Criador.



Portanto, a Ressurreição dos Mortos ocorre pouco antes da Gmar Tikun (Fim da Correção). Somente nesse nível a semelhança de forma com o Criador pode ser alcançada.


quinta-feira, 2 de julho de 2020

Introdução ao Livro do Zohar (68)




26. Como já dissemos, o primeiro estado requer que o terceiro exista. Ele surge em toda a sua completude, como no primeiro estado, de acordo com o Plano da Criação. Nada além disso foi planejado.



Baal HaSulam diz que o Criador criou Malchut no centro do Mundo do Infinito. Malchut se encontra dentro da Luz chamada Mundo do Infinito. Esse é o primeiro estado.



Ele também criou o terceiro estado, no qual Malchut existe no Estado do Infinito, preenchida pela Luz, onde tudo está em seu interior. Então, qual é a diferença? A diferença reside no fato de que no primeiro caso, apenas Malchut constitui a Criação e, depois, ela expande e é preenchida pelo volume total do Mundo do Infinito.



Isso ocorre porque ao passar pelo chamado “Período de correção” ela passa do primeiro estado ao terceiro. Malchut torna-se semelhante ao volume total, o qual chamamos de “Mundo do Infinito” ou “Criador”. Chegamos ao terceiro estado tanto pelo Caminho da Torá (isto é, a correção através da Luz) ou pelo Caminho do Sofrimento.



De qualquer modo, ambos os estados são idênticos no que se refere ao Criador. Tempo e correção não existem para o Criador, pois em relação a Ele os dois estados são óbvios e reais. Apenas nós, que nos movimentamos ao longo desse caminho, pouco a pouco passamos de um estado ao outro.



Essa transição consiste de diferentes estágios. O primeiro é chamado “Construção dos mundos”, o segundo “Correção”, e o terceiro “Ascensão das almas”. O primeiro estágio necessita da existência do terceiro.



Portanto, o primeiro estado exige a Ressurreição dos Mortos. Isto é, seu enorme desejo de receber que se torna inútil, eliminado e apodrecido no segundo estado (durante a correção). Ele deve novamente renascer dos mortos na sua enorme proporção, sem reduções, ou seja, como todas as suas deficiências anteriores.



O trabalho recomeça novamente a fim de transformar esse enorme desejo de receber em desejo de doar pelo Criador. Aqui, vencemos duplamente: Primeiro, temos a oportunidade de obter a abundância e o prazer que estão no Plano da Criação, pois já temos um enorme desejo de receber, que ascende junto com esses prazeres.



Segundo, receber dessa forma equivale ao desejo de dar prazer ao Criador que é uma doação “Pura”. Em outras palavras: recebemos a equivalência de forma com o Criador, que é a completa unificação dos nossos primeiro e terceiro estados.



Baal HaSulam deseja nos dizer que o primeiro estado, no qual o desejo de receber prazer foi criado, é um pequeno desejo natural. Em um estágio posterior, esse desejo é complementado com um enorme “Contrapeso”, que é a intenção para si mesmo. Essa intenção negativa atravessa um período chamado “Revelação do Mal”, e é totalmente rejeitado pela pessoa (considerado “Morto”). A pessoa que estuda Cabalá adquire a intenção pelo Criador com o auxílio da Luz Superior.



Isso cumprido, a pessoa conecta seus desejos à intenção adquirida e os “Ressuscita”. Quando os desejos são utilizados com a intenção pelo Criador, a pessoa se assemelha totalmente ao Criador.



Há muitos estágios em nosso desenvolvimento. Primeiro, temos apenas um desejo. Depois, adquirimos a intenção egoísta chamada “Ego”. Por serem nossas propriedades naturais, os desejos não são levados em consideração, indiferente do que eles são ou de que forma se apresentam. A intenção (o objetivo pelo qual utilizamos os nossos desejos) é fundamental.



Quaisquer que sejam os desejos que nossos filhos tenham não os consideramos egoístas. Na nossa visão, eles parecem pequenos animais, e os tratamos com ternura. Se uma criança pega alguma coisa que não lhe pertence, não consideramos isso um roubo, ou algo perverso. Julgamos cada ação pela intenção que se está por trás dela.



O mal começa quando eu adquiro intenções egoístas. Então, eu as percebo como “Mortas” e paro de usá-las. Eu me separo das minhas intenções anteriores, neutralizo os meus desejos e adquiro a intenção pelo Criador sob a influência da Luz Superior.



O primeiro estágio continua à medida que estudamos Cabalá. Durante os nossos estudos, a Luz Circundante desce sobre nós. Em certo ponto, começamos a nos perceber como egoístas, horríveis, cruéis, pessoas totalmente opostas a qualquer espiritualidade. Isso ocorre porque com a influência da Luz Superior, passamos a sentir o nosso próprio mal. Conforme alcançamos um estado em que não utilizamos nem a intenção para nós mesmos, nem os nossos desejos faremos uma espécie de Tzimtzum Aleph e estaremos prontos para receber apenas qualidades espirituais. O estágio seguinte é o recebimento da Masach (ou “Fé”), um novo Kli, a intenção pelo Criador.



Assim que o recebemos, avançamos ao estágio seguinte chamado “Ressurreição” e “Semelhança de forma com o Criador”. Baal HaSulam escreve sobre esses estágios no item 26.


quarta-feira, 1 de julho de 2020

Introdução ao Livro do Zohar (67)




25. Com isso, descobrimos a completa solução para a quinta análise, na qual questionamos que se o corpo é tão imperfeito (por “corpo” nos referimos ao desejo egoísta com a intenção para si mesmo) que, a menos que se decomponha, a alma pura (por “alma” nos referimos à Luz Superior que preenche a intenção pelo Criador) não pode penetrá-lo, por que ele retorna e revive através da Ressurreição dos Mortos? Como disseram os nossos sábios, os mortos (isto é, todas essas intenções egoístas para si mesmo) são ressuscitados com todos os seus defeitos para que ninguém diga que não são os mesmos corpos.



Por que devemos nos debater com essas ideias propositadamente confusas presentes nos textos dos cabalistas? De acordo com o que vimos nos tópicos anteriores, a alma e sua correção dependem não do conhecimento, mas da mudança de desejos e intenções. Portanto, o cabalista, mesmo que escreva sobre tais assuntos, como os que estudamos até agora, destinados a atrair um pouco de luz ao nosso estado, está pouco preocupado com a nossa compreensão do que ele está dizendo. Suas intenções para conosco são totalmente diferentes.



Ele deseja que nós, sonâmbulos, perdidos, inconscientes e confusos sigamos seus pensamentos. Ele não exige que compreendamos o texto que lemos agora. O que ele exige é a nossa presença nessa cadeia de pensamento que ele nos apresenta. Agarre-se a ele como uma criança pequena. Não importa o quanto você compreende. O mais importante é o seu desejo de seguir com ele.



Apenas esteja com o seu professor, continue com ele e ele o levará adiante. É impossível compreender um estado mais elevado com a mentalidade de um estado mais baixo, pois há desejos, funções e leis muito diferentes operando no nível mais alto. Não passaremos ao próximo nível sem compreender isso. É terminantemente impossível. O cabalista embaralha o seu texto de propósito, pois ele deseja que sintamos a necessidade de nos conectar com ele. Ele deseja que o sigamos no escuro, como se fôssemos pequenos, indefesos e cegos.



Portanto, esse estado de confusão, incompreensão e ignorância é positivo. Precisamos apenas perceber que não é a nossa mente que precisamos utilizar, mas a nossa intenção de nos fundir com o Criador. Devemos utilizar os nossos desejos, não o intelecto, pois o nosso intelecto não funciona aqui. Ele funciona apenas em nosso mundo. Ele opera no nível animal, não no espiritual. Quando transformamos os nossos desejos em desejos espirituais, acompanhando o cabalista que nos guia, nossos desejos mudarão. Eles criarão pensamentos muito diferentes, destinados a satisfazer esses novos desejos espirituais, a corrigi-los, elevá-los ainda mais alto, absorvê-los e compreendê-los.



Ou seja, a mente é a pura consequência dos nossos desejos e se desenvolve junto com eles. Portanto, se diz que o sofrimento faz do homem um sábio. E é uma grande verdade, pois a mente, o intelecto, é a consequência da necessidade de escapar do sofrimento. Nunca devemos esperar primeiro encontrar algo em relação ao espiritual e, depois, elevarmo-nos ao nível deste conhecimento. Nunca! A mente se desenvolve apenas de acordo com uma mudança de desejo. Sempre avançamos dessa forma.



Por isso que repito: De fato, não importa qual a sua condição durante as aulas, mesmo que você não conheça a língua ou não consiga “ligar” seu cérebro no dia. A única coisa que importa é você desejar seguir o autor, palestrante, professor. Se fizer isso, você avança. O oposto também é verdadeiro, se você vem à aula relaxado, consegue captar tudo com a sagacidade do seu intelecto, com sua mente inquisitiva, você praticamente se auto-sabota, pois aplica toda a energia que seria utilizada na obtenção de informações espirituais em receber satisfação puramente intelectual.



Você deve entender que isto vem do próprio Plano da Criação; portanto, do primeiro estado. Dissemos que, assim que o plano se transforma em dar prazer à Criação, isso sem dúvida criaria nas almas um enorme desejo de receber esse prazer, pois um grande prazer requer um grande desejo (o Criador deseja nos satisfazer com o Infinito, então, Ele criou em nós um desejo infinito).



Também dissemos que esse enorme desejo de receber é a única coisa que foi criada, portanto não havia a menor necessidade de existir algo maior que o Plano da Criação. Com Sua natureza Perfeita, o Criador não criaria nada supérfluo.



A única coisa que o Criador precisava a fim de doar prazer era o desejo de receber prazer.



Também dissemos que esse enorme desejo de receber havia sido totalmente afastado do sistema de mundos puros e entregue ao sistema de mundos impuros. Eles são a fonte da procedência e existência dos corpos, com todas as aquisições deste mundo, até que o homem atinja os treze anos de idade (isto é, dos desejos egoístas).



Este é apenas um número arbitrário utilizado por Baal HaSulam para nos confundir. Quando ele menciona certos números, tais como 40, 13 ou 70 anos, ele se refere a uma determinada condição interior da pessoa.



Dessa forma, nosso desenvolvimento pode ser dividido em dois períodos: O primeiro, quando estamos subjugados aos poderes dos desejos egoístas - convencionalmente, esse período é chamado de “chegando à idade de 13”, ou seja, até os 13 anos de idade. Depois dos 13 anos, a pessoa começa a compreender a sua alma, auxiliada pela Luz Superior, o que significa que ela começa a corrigir seu desejo de egoísta para altruísta. Essa transição é chamada, convencionalmente, de “13 anos”.



Isto é, a partir desse nível a pessoa começa a se interessar pela cabalá. Ela completa o primeiro estágio do seu desenvolvimento (a Revelação do Mal) e passa a corrigir-se e a adquirir uma intenção pura. Ela ainda existe às custas dos Mundos Puros, conforme o recebimento da alma. Ou seja, antes de alcançar o estágio chamado “13 anos”, a pessoa está subjugada pelo poder dos Mundos Impuros. Nesse estágio, ela recebe constantemente cada vez mais egoísmo, e o absorve até que finalmente percebe o quão prejudicial, vão e ruim ele é.



Por fim, a pessoa chega a um ponto onde ela sente a necessidade de começar a corrigir o seu egoísmo. Esse ponto é chamado de “chegando à fase adulta”. A partir desse ponto, ela é considerada adulta, isto é, começa a adquirir a tela que lhe confere a habilidade de trabalhar com seus desejos de forma altruísta.



Também foi dito que, durante os 6000 anos que nos foram dados para o trabalho de correções, o corpo, isto é, o enorme desejo de receber, permanece incorrigido. Todas as correções que resultam do nosso trabalho ocorre apenas na alma (na intenção). A alma, que ascende a níveis altíssimos de pureza e santidade, apenas aumenta o desejo de doar.



É por isso que o corpo está predestinado a morrer, ser enterrado e a se decompor, pois ele não realiza nenhuma correção e não pode, de fato, existir dessa forma. Mas calma, se esse enorme desejo de receber deste mundo devesse desaparecer, o Plano da Criação nunca se completaria. Os seres criados não receberiam todos os grandes prazeres que Ele planejou lhes dar. Um grande desejo de receber prazer e um grande prazer correspondem um ao outro. Assim que o desejo de receber diminui, o prazer em receber diminui da mesma forma, na mesma medida.



O que Baal HaSulam quer dizer?



Ele está falando dos níveis de desenvolvimento. Há o desejo original, Malchut, e a Luz. No estágio seguinte, a mesma Malchut adquire intenções egoístas (para si mesma). O estágio seguinte não é corrigido, e o chamamos de Shevirá. Depois disso, Malchut “destrói” a si mesma, pois gradativamente ela deseja adquirir o desejo pelo Criador. O trabalho durante os 6000 anos é uma transição gradual da intenção para si mesmo para a intenção pelo Criador. Nesse ponto, o corpo não é levado em consideração. Ele é constantemente destruído. Quando a intenção pelo Criador é completamente adquirida, o desejo de receber é ressuscitado. Isso constitui o Sétimo Milênio, quando os assim chamados “mortos” se levantam do túmulo e, pouco a pouco, se unem às intenções puras pelo Criador. O estágio seguinte marca a realização da correção final e completa, quando a intenção pelo Criador prevalece.



Existe apenas o Criador e Sua Criação. A Criação é um desejo e tudo o que está acima é a intenção. O Criador criou o desejo, e essa é a nossa essência. A intenção é uma superestrutura construída sobre o desejo, e ela surge apenas para corrigir esse desejo e deixá-lo semelhante ao Criador.



Primeiro, recebemos uma intenção egoísta, direcionada para nós mesmos, nosso ego. Então, a transformamos no seu oposto. Essa transformação ocorre durante os assim chamados 6000 anos. O fim desse período marca a obtenção da intenção altruísta. No Sétimo Milênio, o desejo é corrigido junto com a intenção. Depois disso, o Kli existe na sua forma infinita. O que é a “forma infinita”? Isso significa que seus desejos originais se tornam ilimitados. A intenção pelo Criador torna a Criação totalmente semelhante a Ele. Mas não estudamos o que ocorre com a Criação depois disso.


Shamati (137)

    137. Zelofeade estava coletando madeira (Ouvi em Tav - Shin - Zayin , 1946-1947)   Zelofeade estava coletando madeira. O Zohar i...