segunda-feira, 24 de maio de 2021

Kabbalah Sem Segredos (36)

  

Cinco sentidos, quase seis

 

A percepção humana é limitada. Tu e eu, na realidade, não podemos sentir ou imaginar nada fora de nossa percepção. Mediante um honesto autoexame, e com a ajuda dos livros cabalísticos, poderás começar a descobrir que estás aprisionado dentro de ti mesmo. Dado que só percebes com os teus cinco sentidos, somente compreendes as coisas que existem no interior. Mais ainda, o que sentes é apenas um fragmento do que existe no mundo, o fragmento que conhecemos como “nosso mundo”. Reconhecer essa limitação é o primeiro passo para a compreensão da verdadeira percepção.

 

Alguma vez pensaste que raramente tua mão sente que tem cinco dedos? Provavelmente, não. Apesar de que podes ampliar os limites dos teus cinco sentidos, na realidade não és capaz de imaginar de quais percepções careces. É impossível reconhecer uma realidade verdadeira porque não é algo cuja ausência sintas, assim como não podes sentir a ausência de um sexto dedo.

 

Dado que a imaginação é produto dos cinco sentidos, os cabalistas sugerem que não consegues visualizar um objeto ou criatura que não te seja familiar por mais criativo que sejas. Pensa no ilustrador de livros infantis mais interessante ou no pintor mais abstrato que conheces. Seus desenhos assemelham-se de alguma forma ao mundo físico? Tenta imaginar a coisa mais tresloucada possível, algo que ninguém mais conheça.  Continua sendo algo que ninguém conhece ou ao menos algo que não se pode decifrar a partir de experiências da realidade cotidiana?

 

Não importa o quanto evoluímos, eu e tu, em termos técnicos, nunca poderemos nos liberar dos limites de nossos cinco sentidos. No entanto, alguns indivíduos adquiriram um sentido adicional que lhes permite perceber uma realidade mais ampla. Ainda vivem em nosso mundo, mas estenderam os limites de sua percepção para incluir todo o espectro da criação. Essas pessoas são chamadas de cabalistas.

 

Ir além dos cinco sentidos não acontece de modo literal. É mais uma forma de descrever um nível mais alto de percepção através do qual compreendemos a interconexão de tudo e o lugar que ocupamos nessa realidade interconectada. Sabemos que formamos parte de uma dança da realidade e suas implicações. O fato de se chamar de “sexto sentido” a essa habilidade é apenas uma maneira conveniente, dentro do contexto da Kabbalah, de expressar essa habilidade que transcende a percepção convencional.

 

Palavras do coração: Nossos cinco sentidos e nossa imaginação oferecem as revelações das ações da Essência, mas não a Essência em si. Por exemplo, o sentido da visão somente nos oferece sombras da Essência visível, conforme essas sombras se formam em oposição à luz. (Do “Prefácio ao Livro do Zohar”, de Yehuda Ashlag). 

 

Como os cabalistas, eu e tu recebemos sensações dos objetos externos. Não obstante, dado que teus sentidos internos não têm as mesmas qualidades que esses objetos, na realidade não percebes o objeto em si mesmo. Tu percebes somente essa parte do objeto que coincide com as qualidades que já existem em teu interior. Para uma percepção completa de qualquer coisa,  primeiro precisas estar completo em teu interior. Noutras palavras, deves estar consciente de todas as formas da realidade que possam existir e que existem em ti, e então tua imagem da realidade estará completa.

 

Experiências diferentes levam as pessoas a interpretar as mesmas percepções de maneiras muito distintas. Todos nós fazemos isso, e talvez não sejamos conscientes de que os demais talvez não compartilhem, em absoluto, das nossas interpretações. O que pensamos que é “objetivo” é “subjetivo” por completo, baseando-nos no que aprendemos e no que já experimentamos.

 

Então, como adquirimos esse sexto sentido que engrandece e amplia nossa capacidade para perceber e interpretar o mundo além da realidade convencional? Ele de fato já existe em nós mesmos, mas está oculto. Indubitavelmente, contamos com a capacidade de buscar e de encontrar esse sentido em nosso interior e de desfrutar de seus benefícios.

 

Assim como a retina ajusta seu campo de ação às ondas de luz visível, tu deves aprender a ajustar teu campo de ação às ondas do Criador, conhecidas na Kabbalah como “Sua Forma”. Mediante o estudo, podes aprender a ser como o Criador e a construir o sexto sentido. Começas a conhecer os Seus pensamentos sobre ti e Seu plano no que te diz respeito.

 

Inclusive, antes mesmo de começar a cultivar o sexto sentido, embora estando ainda cego diante do Criador, podes buscar uma maneira de sair da escuridão com a ajuda de três elementos: um mestre, um livro e um grupo de companheiros de estudos (No capítulo 16, falaremos mais sobre isso). Com o tempo, através da persistência e do estudo, perceberás um pequeno raio de luz, uma débil percepção do mundo do Criador. Na Kabbalah, esse mundo se chama Mundo Superior. Ao estudar e desenvolver o sexto sentido, pouco a pouco começarás a sentir e a compreender o Mundo Superior.

 

Definição: O Mundo Superior é o mundo do espírito, o desconhecido, o mundo que conduz à semelhança de forma com o Criador. O mundo inferior, por seu lado, é o mundo físico, o da realidade cotidiana. Ao ganhar acesso paulatino ao Mundo Superior nos tornamos conscientes do que antes estava oculto e a natureza do espírito começa a revelar-se. A Kabbalah nos ajuda a lograr essa consciência.

 

sexta-feira, 21 de maio de 2021

Kabbalah Sem Segredos (35)

  

Iluminar a escuridão

 

Uma forma de pensar sobre o entendimento convencional é que vivemos na escuridão e não somos capazes de ver a realidade mais ampla, embora ela esteja lá. Essa compreensão convencional chega a nós através dos cinco sentidos. Por não conhecermos nada melhor que isso, tomamos essa percepção do mundo tal como ela é. Trata-se de uma escuridão metafórica. Pensa na Kabbalah como uma maneira de iluminar essa realidade para que possamos vê-la em sua plenitude. Assim que isso acontece e que o assimilamos, nossas percepções da realidade se transformam. Já não podemos agir como fazíamos quando nos encontrávamos na escuridão, e isso acontece para benefício mútuo, isto é, para nós mesmos e para os demais.

 

Metáforas aparte, nem a ciência e nem a filosofia podem nos ajudar a ver a realidade mais profunda. No entanto, talvez sim. Se nos armarmos com a Sabedoria da Kabbalah, poderemos provar os limites da realidade convencional e aprenderemos a transcendê-los.

 

Um dos elementos mais importantes da Kabbalah é o Kli (vaso, receptáculo), o desejo de receber. Esta também é a razão pela qual o cabalista Yehuda Ashlag enfatiza a importância de conteres a ti mesmo em teu nível de compreensão. Mas é fácil interpretar isso erroneamente. Não significa que devas evitar o conhecimento ou a profundidade da espiritualidade. Ao contrário, Ashlag sugere que a aprendizagem do que podemos e do que não podemos perceber nos ajuda a evitar confusões e a criar um caminho mais claro para aceder a uma maior compreensão.

 

Definição: O Kli é o sexto sentido, a “vontade de receber” que apresentamos no capítulo 2. Representamos o Kli como um “vaso espiritual” a espera de ser preenchido.

 

quinta-feira, 20 de maio de 2021

Kabbalah Sem Segredos (34)

 

Como percebemos a realidade?

 

Olha ao teu redor. O que vês? O que escutas? Qual foi a primeira coisa que saboreaste hoje de manhã? Qual foi a última coisa em que tocaste ontem à noite, antes de pegares no sono? Existem imagens, sons e sabores que nunca encontraste em toda a tua vida? Alguma vez te perguntaste se existe algo aí fora que teus cinco sentidos não são capazes de detectar?

 

É possível que existam outros mundos e criaturas dentro do espaço que tu percebes e sentes de maneira limitada? Mundos que são transparentes e irreconhecíveis do nosso ponto de vista?

 

Essas questões te parecem complicadas? Bem, elas são complicadas e se encontram no centro da Kabbalah. A metodologia é complexa, mas temos uma boa notícia: qualquer pessoa pode aprendê-la e chegar às revelações oferecidas pela Kabbalah. Por que, então, se teriam publicado milhares de livros a respeito desse assunto em muitos idiomas do mundo? Se estás pronto para aprender mais, começaremos a submergir, agora, nesse tema.


segunda-feira, 17 de maio de 2021

Kabbalah Sem Segredos (33)

 

3


Tem alguém lá fora?

 

*Nossa percepção da realidade: mais do que os nossos olhos vêem*As limitações da “realidade”* É livre realmente o Livre Arbítrio? *Os quatro fatores de transformação *O poder do pensamento

 

Armados com uma compreensão básica de como a Kabbalah se desenvolveu e o que é, chegou o momento de analisar com maior profundidade como ela funciona e o que faz por ti. Este capítulo amplia os conceitos introduzidos no capítulo 2 com a finalidade de mostrar como os cabalistas compreendem o Criador e o que o Criador deseja para ti.

 

Este capítulo também explora com mais detalhes a natureza da realidade e o que percebes e o que não percebes da mesma. Também aprenderás mais acerca do propósito da Kabbalah e como ela conduz a uma transformação pessoal e social.

 

domingo, 16 de maio de 2021

Kabbalah Sem Segredos (32)

  

O mínimo que precisas saber

 

·       A palavra Kabbalah significa “recepção” e esta proporciona um método através do qual aprendes a receber;

·       

O O desejo primário do Criador é dar prazer às Suas criaturas, as quais estão impregnadas completamente com um desejo de receber;


·       Na Kabbalah, os cinco sentidos proporcionam a tua experiência interna do mundo externo. O “sexto sentido” da Kabbalah te permite perceber os mundos espirituais superiores;

·      

OO propósito da Kabbalah é a revelação do Criador enquanto ainda estamos vivendo neste mundo;

· 

      Quando aprenderes a receber do Criador, desejarás, naturalmente, doar como o Criador;


·       A Kabbalah não se propões apenas a transformar o indivíduo, senão a transformar toda a sociedade, uma pessoa de cada vez.

 

sexta-feira, 14 de maio de 2021

Kabbalah Sem Segredos (31)

  

O lugar adequado

 

Por que existimos? Qual é o sentido? A Kabbalah se tornou popular em nossos dias porque proporciona revelações às perguntas que as pessoas formulam nesses tempos tão conflituosos. A Kabbalah é um meio para se chegar a um fim. Se queres conhecer as perguntas mais profundas e verdadeiras que os seres humanos podem formular a respeito das razões pelas quais existimos, e o que essas respostas sugerem para as nossas vidas, está no lugar adequado. No entanto, se queres utilizar a Kabbalah para ganhar mais dinheiro, encontrar um parceiro ou melhorar a tua saúde, chegaste ao lugar errado. Essas coisas não são vendidas nesta tenda.

 

Se queres o que a Kabbalah te oferece, isto é, crescer para te tornares semelhante ao Criador, verás que essa transformação pessoal que experimentas se estenderá de ti para a sociedade como um todo. Apesar do crescimento, das revelações e das transformações serem internos, também mudarás o modo como vês a tua conexão com teu mundo e as formas com que te relacionas com ele.

 

Pensa nisso: Se o Criador é benevolente, Ele quer dar. Se Ele quer dar, deve haver alguém a quem dar. Da mesma forma, se tu queres ser como o Criador, também deves querer dar e, portanto, também precisas ter alguém a quem dar. Assim, entras numa nova e profunda conexão que aprendes a ter com todos os seres do Universo. 

 

Existe um vínculo direto e estreito entre as mudanças em teu interior e as mudanças em tuas atitudes com o que te rodeia. A Kabbalah se refere, antes de mais nada, a tua relação com o mundo circundante, para o benefício desse mundo ao teu redor. Através dessa transformação começas a ter consciência da natureza divina.

 

Alerta vermelho: Na “Introdução ao Estudo das Dez Sefirot”, o cabalista Yehuda Ashlag adverte que deves estudar a Kabbalah com a intenção adequada em mente (à qual ele se refere como “qualidade”). Se estudares com a intenção errada (o que significa que não tens o desejo de ser como o Criador, isto é, benevolente), não te beneficiarás com o que a Kabbalah te oferece. Poderias até te confundir, ao pensares que estarias aprendendo algo significativo. Por que isso acontece? Por que a Kabbalah não se refere a recompensas, mas somente a converter-te num ser semelhante ao Criador. Essa é a (única) intenção correta para aprenderes essa Sabedoria.

 

 

segunda-feira, 3 de maio de 2021

Kabbalah Sem Segredos (30)

 

A essência (um resumo)

 

Quando tudo está dito e feito, a Kabbalah ensina acerca de algo que existe mais além da nossa percepção presente. Não apenas te indica que esse algo existe, mas isso também te acompanha na viagem. Eventualmente, isso te permite perceber o mundo espiritual, e o Criador, com os teus sentidos. Entretanto, quando percebes o Criador, as mesmas sensações que os teus sentidos captam adquirem um significado completamente novo, mais profundo e mais intenso. Com o Criador a tua vista, tua vida rotineira adquire um significado completamente novo. Pensa desse modo: se tomas um pepino, um tomate, um pimentão, uma alface ou uma cebola, todos tem sabores diferentes, mas juntos criam um sabor totalmente novo: a salada.

 

Ao nível do cotidiano, vivemos no mundo material e não no espiritual. Os passos que a Kabbalah ensina estão destinados a te acercar cada vez mais do mundo espiritual. A Kabbalah te leva a um passeio mágico até que entres num nível superior de realidade, superior ao que conhecias até agora. Quando isso acontece, tu te fazes conhecedor não só do mundo espiritual, mas também do teu próprio mundo material. Aprendes as “regras secretas” que governam o nosso mundo, as regras que os cientistas ainda estão descobrindo ou, dito de melhor forma, as regras que afirmam e aquelas que ainda estão por descobrir. Mais que tudo, se diz que os estudantes de Kabbalah adquirem a capacidade de transitar com liberdade entre todos os mundos, tanto os físicos quanto os espirituais.

 

Palavras do coração: “Existe um remédio maravilhoso aos que se consagram à Sabedoria da Kabbalah: (...). Eles despertam em seu interior as Luzes que rodeiam as suas almas... A Iluminação que se recebe uma e outra vez ao consagrar-se à ela atrai sobre a pessoa a graça de Cima, transmitindo abundância de santidade e de pureza, que aproxima a pessoa da perfeição”. (Da Introdução ao Estudo das Dez Sefirot, Yehuda Ashlag). 

Shamati (137)

    137. Zelofeade estava coletando madeira (Ouvi em Tav - Shin - Zayin , 1946-1947)   Zelofeade estava coletando madeira. O Zohar i...