segunda-feira, 13 de março de 2023

Shamati (119)

 

119. Aquele discípulo que aprendeu em segredo

(Ouvi em 5 de Tishrei, Tav-Shin-Guimel, 16 de setembro de 1942)

 

Aquele discípulo que aprendeu em segredo, Bruria bateu nele e disse: Existe “Ordenado em todas as coisas”, se ordenado nas 248. Em segredo significa Katnut (Pequenez, infância), derivado da palavra Chash-Mal. Chash significa Kelim de Panim (Vasos anteriores), e Mal significa Kelim de Achor (Vasos posteriores), os Kelim abaixo de Chazeh (Peito), os quais induzem à Gadlut (Grandeza, idade adulta).

 

Aquele discípulo pensou que se fosse premiado com o estado de Chash, um desejo de doar, e se todas as suas intenções fossem apenas para doar, então ele seria premiado com tudo. Mas o Propósito da Criação dos Mundos foi fazer o bem às Suas criações, receber todos os prazeres sublimes, para que o homem atinja sua estatura completa, mesmo abaixo de Chazeh, ou seja, a totalidade de 248. É por isso que Bruria lhe disse o versículo “Ordenado em todas as coisas”, em todas as 248.

 

Isso significa que ele estenderia abaixo do Chazeh também, no sentido de que deveria também atrair Gadlut. Isso é Mal, fala, considerado Revelação, ou seja, revelar o nível inteiro. No entanto, para evitar prejuízo, o indivíduo deve primeiro receber Katnut, chamado Chash, o qual está em segredo, ainda não revelado. Depois, o indivíduo precisa fazer o escrutínio também do discernimento de Mal, Gadlut, e então o nível completo será revelado.

 

Isso é “Ordenado e Seguro”, quando Katnut já está estabelecida nele e o indivíduo já pode atrair a Gadlut sem medo.

 

 

terça-feira, 7 de março de 2023

Shamati (118)

 

118. Para entender a questão dos joelhos que se dobraram para Baal
(Eu ouvi)

 

Há o discernimento de uma esposa, e há o discernimento de um marido. Considera-se que a esposa “Não tem nada além do que o marido dá a ela”, e considera-se que o marido atrai abundância para o seu próprio aspecto. Joelhos são considerados “Dobrar”, como está escrito: “A Ti todo joelho se dobrará.”

 

Há dois discernimentos sobre “Dobrar”:

 

1. Aquele que se ajoelha perante de quem é maior, e apesar de não saber o seu mérito, acredita que ele é maior, e então se curva perante ele;

 

2. Quando sabe da sua grandeza e mérito com total clareza.

 

Há também dois discernimentos a respeito da “Fé na grandeza do Superior”:

 

1. Ele acredita que é elevado porque não tem outra escolha, ou seja, não tem como saber a sua grandeza;

 

2. Ele tem uma maneira de saber a sua grandeza com total certeza, mas ainda assim escolhe o Caminho da Fé porque “Ocultar algo é a glória de Deus”. Isso significa que,  mesmo havendo faíscas no corpo que querem especificamente conhecer a Sua grandeza, e não ser como uma besta, ele ainda assim escolhe a “Fé Acima da Razão”.

 

Assim, aquele que não tem outra escolha, e escolhe a fé, é considerado uma mulher, feminina (“Tornou-se fraco como uma mulher”), e ela apenas recebe do seu marido. Mas aquele que tem uma escolha e ainda assim luta para seguir pelo Caminho da Fé é chamado “Um homem de guerra”. Portanto, aqueles que escolhem a fé quando tinham a opção de andar pelo Caminho do Conhecimento (chamado Baal, marido, deus cananita), são chamados “Aqueles que não se ajoelharam para Baal”. Isso significa que eles não se renderam ao Trabalho de Baal, considerado “Saber”, mas escolheram o Caminho da Fé. 

 

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023

Shamati (117)

 

117. Trabalhou e não encontrou? Não acredite.

(Eu ouvi)

 

A necessidade do Trabalho é uma exigência. Já que o Criador dá um presente ao homem, Ele quer que o homem sinta o benefício nesse presente. Senão, a pessoa seria como um tolo, como disseram os nossos sábios: “Quem é um tolo? Aquele que perde o que lhe foi dado.” Porque não aprecia a importância da questão ele não presta atenção na preservação do presente.

 

Há uma regra de que o indivíduo não sente importância em nada se ele não tem necessidade por alguma coisa. Na medida da necessidade e do sofrimento, se ela não é atendida, nessa exata medida o indivíduo sente alegria, prazer e contentamento na satisfação da necessidade. É como alguém que recebe todo tipo de boas bebidas, mas se ele não está com sede, não vai sentir nada, como está escrito, “Como água gelada para uma alma fraca.”

 

Portanto, há um costume quando refeições são servidas a fim de agradar as pessoas: Quando preparamos carne e peixe, e todo tipo de coisas boas, tratamos de servir também coisas amargas e quentes, como mostarda, pimentas, comidas azedas e salgadas. Tudo isso é para evocar o sofrimento da fome, pois quando o coração sente um sabor apimentado e amargo, ele evoca a fome e a deficiência, as quais o indivíduo precisa satisfazer com a refeição das coisas boas.

 

Ninguém perguntaria: “Por que eu preciso despertar a fome? Afinal, não deveria o anfitrião preparar apenas a satisfação para a necessidade, ou seja, a refeição, e não preparar coisas que evocam a necessidade de saciação?” A resposta óbvia é que, como o anfitrião quer que as pessoas apreciem a refeição, é na mesma medida em que elas têm uma necessidade pela comida que vão apreciar a refeição. Segue-se que, se ele fornece muitas coisas boas, isso ainda não as ajudará a apreciar a refeição devido à razão acima de que não há preenchimento sem uma falta.

 

Portanto, para ser recompensado com a Luz do Criador, é preciso também haver uma necessidade. E a necessidade para isso é o Trabalho. Na medida em que o indivíduo se esforça e pede pelo o Criador durante a maior Ocultação, nessa medida ele se torna necessitado do Criador, para que o Criador lhe abra os olhos a fim de andar no Caminho do Criador. Então, quando o indivíduo tem esse Kli (Vaso) de uma deficiência, quando o Criador lhe dá alguma ajuda de Cima, ele saberá como guardar esse presente. Acontece que o Trabalho é considerado Achoraim (Posterior, de costas). E quando ele recebe o Achoraim, ele tem um lugar no qual ser recompensado com o Panim (Face, de frente).

 

Sobre isso, é dito: “Um tolo não tem desejo pela Sabedoria.” Isso significa que ele não tem uma necessidade forte para se esforçar a fim de obter Sabedoria. Portanto, ele não tem Achoraim, e, naturalmente, não pode ser premiado com o Discernimento de Panim.

 

Esse é o significado de “Assim como é o sofrimento será a recompensa”. Ou seja, o sofrimento, chamado “Trabalho”, faz o Kli (VBaso), para que o indivíduo seja premiado com a Recompensa. Isso significa que, na medida em que ele se arrepende, nessa medida ele pode, depois, ser recompensado com alegria e prazer.

 

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023

Shamati (116)

 

116. Aquele que disse: “Mitzvot não exigem intenção”

(Eu ouvi)

 

Mitzvot (Mandamentos) não exigem intenção”, e “A recompensa por uma Mitzvá (singular de Mitzvot) não está neste mundo”. Isso significa que aquele que diz que as Mitzvot não exigem intenção acredita que a recompensa por uma Mitzvá não está neste mundo. Uma intenção é a razão e o sabor na Mitzvá. E essa é a verdadeira recompensa da Mitzvá.

 

Se uma pessoa sente o sabor de uma Mitzvá e entende o seu raciocínio, não precisa de nenhuma recompensa maior. Portanto, se as Mitzvot não exigem intenção, de qualquer forma a recompensa por uma Mitzvá não está neste mundo, pois o indivíduo não sente qualquer sabor ou qualquer razão na Mitzvá.

 

Segue-se que, se o indivíduo está num estado em que não tem nenhuma intenção, então ele está num estado em que a recompensa por uma Mitzvá não está neste mundo. Porque a recompensa por uma Mitzvá é o sabor e a razão. Se ele não tem isso, ele certamente não tem nenhuma recompensa por uma Mitzvá neste mundo.

 

domingo, 12 de fevereiro de 2023

Shamati (115)

  

115. Mineral, Vegetal, Animal e Falante

(Ouvi emTav-Shin, 1939-1940, Jerusalém)

 

Mineral é algo que não tem autoridade própria. Ao contrário, está sob autoridade do seu senhorio e deve satisfazer todo anseio e desejo dele. Por isso, como o Criador fez a Criação para a Sua glória, como está escrito, “Todo aquele que é chamado pelo Meu Nome e que enaltece Minha glória, Eu o formei e o criei” (Isaías 43:7), significa que o Criador fez a Criação para Suas próprias necessidades. A natureza do senhorio está impressa nas criaturas, no sentido de que nenhuma criatura pode trabalhar em benefício de outros, mas apenas em benefício próprio.

 

Vegetal é aquele que já tem autoridade própria em algum nível. Já pode fazer algo contrário à opinião do senhorio. Isso significa que já pode fazer coisas não apenas em benefício próprio, mas a fim de doar. Isso já é o oposto do que existe no desejo do senhorio, que Ele imprimiu nos inferiores, de trabalhem apenas com o desejo de receber para si mesmos.

 

Porém, como podemos ver em plantas corpóreas, mesmo que sejam móveis e se expandam em comprimento e largura, ainda assim todas as plantas têm uma propriedade única. Em outras palavras, não há uma única planta que pode ir contra o método de todas as plantas. Ao invés disso, elas devem obedecer as regras das plantas e são incapazes de fazer qualquer coisa contra os seus contemporâneos.

 

Portanto, elas não têm vida própria, mas são partes da vida de todas as plantas. Isso significa que todas as plantas têm uma forma única de vida, que a forma de vida é a mesma para todas as plantas. Todas as plantas são uma única criatura, e as plantas individuais são órgãos específicos daquele ser.

 

De forma semelhante, na espiritualidade há pessoas que já adquiriram a força para superar o seu desejo de receber em algum nível, mas são escravas do seu entorno. Elas não podem fazer o oposto do ambiente em que vivem, mas elas fazem o oposto do que quer o seu desejo de receber. Isso significa que elas já trabalham com o desejo de doar.

 

Animal tem sua própria característica: Ele não é escravo do entorno e cada um deles tem suas próprias sensações e características. Os animais certamente podem trabalhar contra a vontade do senhorio, no sentido de que podem trabalhar em doação e também não são escravos do ambiente. Ao invés disso, eles vivem suas próprias vidas, e sua vitalidade não depende das vidas dos seus amigos. Ainda assim, eles não conseguem sentir mais do que o seu próprio ser. Em outras palavras, eles não têm sensação do outro. Naturalmente, eles não se importam com os outros.

 

O falante tem virtudes:

 

1 - Age contra a vontade do senhorio;

 

2 - Não está confinado aos seus contemporâneos como o vegetal, ou seja, é independente do entorno;

 

3 - Sente também os outros e consegue, portanto, importar-se com eles e complementá-los ao sentir e lamentar com o público, e ser capaz de se alegrar no conforto do público. Além disso, eles podem receber do passado e do futuro, enquanto os animais sentem apenas o presente e apenas o seu próprio ser.

 

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2023

Shamati (114)

 

114. Oração

(Ouvi em Tav-Shin-Bet, 1941-1942)

 

Devemos entender por que uma oração é considerada “Misericórdia”. Afinal, há uma regra: “Encontrei e não trabalhei, não acredite.” O conselho é que o indivíduo deveria prometer ao Criador que vai Lhe dar o trabalho depois.

 

 

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2023

Shamati (113)


113. A décima oitava oração

(Ouvi em 15 de Kislev, Shabat)

 

Na Shmone Esrei (Décima oitava Oração) se diz: “Pois Tu ouves a oração de todas as bocas do Teu povo, Israel, com misericórdia”. Isso parece desconcertante, já que primeiro dizemos “Pois Tu ouves a oração de todas as bocas”, ou seja, até mesmo da boca indigna o Criador ainda ouve. Está escrito “Toda boca”, ou seja, até mesmo a indigna. Depois, diz: “Do Teu povo, Israel, com misericórdia”, ou seja, isto se refere especificamente a oração que esteja em Chessed. Do contrário, não é ouvida.

 

A questão é que devemos saber que todo o peso no Trabalho do Criador é devido à oposição que existe em cada passo. Por exemplo, há uma regra de que o homem deve ser humilde. Mas se seguirmos esse caminho, apesar de nossos sábios terem dito “Seja muito, muito humilde”, ainda não significa que deveria ser uma regra, pois sabe-se que o indivíduo deve ir contra o mundo inteiro e não ser cancelado pela proliferação de opiniões que abundam no mundo, como está escrito “E o seu coração foi levantado nos caminhos do Eterno” (2 Crônicas 17:6). Portanto, essa regra não é uma regra que podemos chamar de completa.

 

E se formos pelo outro caminho, que é o orgulho, ele também está errado, pois “Aquele que é orgulhoso”, diz o Criador, “Ele e Eu não podemos viver na mesma morada”. E podemos ver também a oposição na questão do sofrimento. Ou seja, se o Criador envia sofrimento a uma pessoa, e devemos acreditar que o Criador é bom e faz o bem, então o sofrimento que Ele enviou é necessariamente para o benefício daquela pessoa. Assim, por que rezamos para que o Criador remova o sofrimento de nós?

 

E a respeito do sofrimento, devemos saber que o sofrimento vem apenas para nos corrigir a fim de que sejamos qualificados para receber a Luz do Criador. O papel do sofrimento é apenas limpar o corpo, como nossos sábios disseram: “Como o sal purifica a carne, o sofrimento limpa o corpo”. A respeiro da oração, eles levaram a cabo essa correção em lugar do sofrimento. Portanto, vemos que a oração também purifica o corpo.

 

No entanto, uma oração é chamada “O caminho da Torá”. Por isso, a oração é mais efetiva em purificar o corpo do que o sofrimento. Portanto, é uma Mitzvá rezar pelo sofrimento, já que isso resulta em benefício adicional para o indivíduo e para o conjunto dos seres humanos.

 

Por essa razão, esse estado de oposição causa o peso e as interrupções no Trabalho do Criador. Então, o indivíduo não consegue continuar o Trabalho e se sente mal. Parece-lhe que não é digno de assumir o Fardo do Reino dos Céus “como um boi com seu fardo e como o burro com a sua carga”. Nesse momento, portanto, se lhe diz: “Não desejado”.

 

Contudo, a única intenção do indivíduo é atrair fé, chamada Malchut, no sentido de elevar a Shechiná do pó. Seu objetivo é glorificar o Seu Nome no mundo, a Sua grandeza, para que a Santa Shechiná não assuma a forma de “pobreza e escassez”. Deste modo, o Criador ouve “A oração de toda a boca”, mesmo de quem não é tão digno Dele, mesmo de quem ainda se sente longe do Trabalho de Deus.

 

Esse é o significado de “Pois Tu ouves a oração de todas as bocas”. Quando Ele ouve todas as bocas? Quando o Seu povo, Israel, ora com misericórdia, com simples misericórdia, quando alguém reza para elevar a Shechiná do pó, para receber fé.

 

É como alguém que não come há três dias. Então, quando pede que outro lhe dê algo para comer, não pede luxos nem coisas supérfluas, senão que pede simplesmente que se lhe dê algo para reviver a sua alma.

 

De forma semelhante, no Trabalho do Criador, quando o indivíduo se encontra entre o céu e a terra, ele não pede ao Criador por algo redundante, mas apenas pela Luz da fé, que o Criador lhe abra os olhos para que ele pode tomar sobre si a qualidade da fé. Isso é chamado “Elevar a Shechiná do pó”. Essa oração é aceita de “Todas as bocas”. Ou seja, não importa o estado da pessoa, se ela pedir para reviver a sua alma com fé, a sua oração será atendida.

 

E isso se chama “Com misericórdia”, quando a oração de alguém é digna de compaixão de Cima para que possa manter sua vitalidade. E a isso se refere o que está escrito no Zohar, que a oração do pobre é imediatamente aceita. Ou seja, quando é para e pela Shechiná, é imediatamente aceita.

 

Shamati (137)

    137. Zelofeade estava coletando madeira (Ouvi em Tav - Shin - Zayin , 1946-1947)   Zelofeade estava coletando madeira. O Zohar i...