segunda-feira, 12 de março de 2018

Kisse Shel Eliahu (1)


Análise da oração cabalística Ana Bekoach

Ana Bekoah (lê-se Ana Becoah, com um “e” breve, um “o” fechado e um “h” levemente aspirado) é atribuída ao grande cabalista Nehuniá ben Hakanah do século I da Era Comum, que se baseou no primeiro parágrafo do Livro da Gênese (Bereshit), que tem 42 letras no original em hebraico, para escrevê-la. Por isso, a essa prece é atribuído o poder de evocar a poderosíssima energia inicial da criação (Tzimtzum, o Big Bang Luriânico), e a própria Luz emanada por Deus naquele momento. Também se diz que teria sido criada por Abraão, o pai das três religiões monoteístas, o judaísmo, o cristianismo e o islamismo.

Não é necessário que se conheça o idioma hebraico para que se possa usufruir das maravilhosas bênçãos dessa oração. Apenas pronunciar a forma transliterada do texto já é suficiente. Aliás, a simples meditação traz a conexão com tais forças, pois as letras hebraicas são energias espirituais e refletem cada uma delas os princípios cósmicos arquetípicos e universais, válidos para qualquer pessoa, de qualquer religião e origem. A combinação das letras do alfabeto hebraico, bem como as permutações de grupos de letras, têm o mesmo efeito.

Ana Bekoach é composta por sete versos, cada um deles formado por seis palavras.

Na oitava linha se lê: “Baruch Shem Kevód Malkuto Le’Olam Va’ed” (Bendito seja o Nome do Senhor, cujo Glorioso Reino é Eterno), é uma espécie de ratificação da prece, um AMÉM ou um Está Feito, e deve ser lida em voz muito baixa, como que sussurrada.

A transliteração de Ana Bekoach para o idioma português é a seguinte:


1-    Ana bekôach gedulát yeminchá tatir tzerurá

2- Kabél rinát amcha sagveinu tahareinu norá

3- Na guibór dorshéi yechúdcha kevavát shomrem

4- Barchem taharem rachamei tzidkatechá tamid gomlem

5- Hassín kadósh beróv tuvchá nahél adatechá

6- Yahíd ge’eh le’amchá p’nêh zochrei kedushatechá

7-
Shavateinu kabél ushmá tza’akateinu yódea ta’alumot

(8) - Baruch shem kevód malkuto le’olam va’ed.


Nessa transliteração, o SH deve ser lido como em Shopping, ainda que esteja no final da palavra. Já o CH deve ser lido, a grosso modo, como o dígrafo RR, como carro, morro. Por exemplo, a palavra yeminchá, do 1º verso, deve ser lida yeminrrá. A palavra amchá, do sexto verso, deve ser pronunciada como amrrá, enquanto que barchem, da 4ª linha, deve ser lida como barrrem. Quando o CH estiver no final da palavra, porém, deve ser lido como um H aspirado. Observe a palavra bekoach, com seu CH final, que deve ser pronunciada como becôahh. O H entre duas vogais, como, por exemplo, em tahareinu (2º verso) deve ser lido como RR – tarrareinu, no caso.



A tradução de Ana Bekoach para o português:

Verso 1: Nós te rogamos: com o poder de Tua Mão Direita, desmancha o nó;

Verso 2: Aceita o canto de Tua Nação, exalta-nos e purifica-nos, ó Temido;

Verso 3: Por favor, ó Poderoso, protege aqueles que exijam a Tua Unificação, como a pupila do Olho;

Verso 4: Abençoa-os, purifica-os, concede- lhes sempre Tua Justiça misericordiosa;
Verso 5: Ó Santo, ó Protetor, com a abundância da Tua Bondade, governa Tua congregação;
Verso 6: Ó Único, ó Exaltado, derrama-Te sobre Teu povo, e sobre aqueles que se lembram de Tua Santidade;

Verso 7: Aceita os nossos clamores, e ouve os nossos gritos, ó Tu, que conheces todos os mistérios.

Última linha: (Bendito seja o Nome daquele cujo glorioso Reino é Eterno.)


Analisando a prece de maneira resumida, observamos que cada verso tem 6 palavras cada. Ao multiplicarmos os sete versos pelas 6 letras iniciais de cada uma das mencionadas palavras, em cada verso, obtemos um total de 42 letras, que formam o chamado Nome de Deus, ou Nome Divino, de 42 letras. Na tradição cabalística, há muitos Nomes de Deus, nas Sefirot, (esferas), ou em outros temas cabalísticos, como os 72 nomes de Deus, e outros nomes originários de acrônimos, por um processo que chamamos de Notarikon.

O Nome de 42 Letras (de dois pares de três letras) tem uma finalidade específica para cada linha. Já a meditação sobre o conjunto, como um todo, tem o objetivo de atrair as forças primordiais da Criação. A meditação sobre cada seqüência de letras permite que sejamos envolvidos e enlevados pelas vibrações delas emanadas, trazendo para nosso ser uma harmonização com sua essência vibracional:

Linha a (oriunda do primeiro verso): meditação para desmaterializar a ilusão, remover a influência do materialismo e nos conectar com a Àrvore da Vida;
Linha b (oriunda do segundo verso): meditação para frear os impulsos reativos, para combater o Mal, para eliminar pensamentos negativos e para fechar as portas para Satan;

Linha c (oriunda do terceiro verso): meditação para a prosperidade e para abrir os canais para o sustento (primeiras três letras, da direita para a esquerda). Para recuperar a energia perdida para a Sitra Achra e para eliminar o ódio sem motivo conhecido ou aparente (quarta, quinta e sexta letras);

Linha d (oriunda do quarto verso): meditação para alcançar a perseverança e força para continuar no Caminho, mesmo diante de adversidades;

Linha e (oriunda do quinto verso): meditação para desenvolver a clarividência, o sexto sentido e para conseguir enxergar a causa além do efeito. Também para adquirir a capacidade de vivenciar o aqui/agora;

Linha f (oriunda do sexto verso): meditação para que a espiritualidade se espalhe pelo mundo e para que as pessoas se tornem cada vez mais conscientes das Forças Superiores e da Revelação da Kabbalah a toda a humanidade;

Linha g (oriunda do sétimo verso): meditação para trazer energia de renovação e entusiasmo para nossas vidas.


O método básico de meditação sobre as seqüências de letras é o seguinte: num lugar calmo, tranqüilo e seguro (você não vai querer ser interrompido durante suas meditações) você deve se sentar calmamente com as seqüências de seis letras, três a três – ou a oração completa, em hebraico - à sua frente. Deve fazer, então, uma série de inspirações profundas, para acalmar sua mente e tranqüilizar seu corpo. Então, deve passar a se concentrar na série de letras escolhidas, passando o olhar sobre ela, da direita para a esquerda, sem pressa e passivamente. Em seguida, deve imaginar que cada letra, e depois a seqüência delas, começa a se iluminar e a vibrar, emitindo uma luz branca, que deve ser absorvida por suas narinas, percorrendo o interior de seu corpo. Sinta que a vibração percorreu todos os seus órgãos internos e todas as suas células. Permaneça nessa condição por alguns minutos. Quando sentir que conseguiu perfeita harmonia com as vibrações emanadas pelas Letras Sagradas, pode, então, encerrar sua meditação, agradecendo às Forças Superiores que o acompanharam nesse trabalho. Você pode repetir essa meditação quando e sempre que quiser.
Outra maneira de usufruir da oração é ler em voz relativamente alta a transliteração acima escrita, como se estivesse falando em hebraico e, em seguida, ler também a tradução. 

domingo, 11 de março de 2018

Shamati (1)

 

1.    Não existe ninguém além Dele

(Escutei na Parashá Itro 1, em fevereiro de 1944)

 

Está escrito: “Não existe ninguém além Dele”. Isto significa que não existe nenhum outro poder no mundo capaz de se opor ao Criador. E a razão pela qual o homem vê que no mundo existem coisas e poderes que negam Seu Poder Absoluto deve-se, unicamente, a que o Criador assim o deseja. E este modo de correção se chama “a mão esquerda rejeita e a direita aproxima”. Isto é, aquilo que a esquerda rejeita é considerado uma correção. Isto significa que existem, no mundo, coisas que, desde o princípio, têm a finalidade de desviar o homem do caminho correto, por meio das quais ele é rejeitado da Kedushá (Santidade).

 

O benefício dessas rejeições consiste em que, por meio delas, a pessoa recebe uma necessidade e um desejo completo de que o Criador lhe ajude, pois vê que de outra forma estaria perdida. A pessoa não só não progride em seu trabalho, mas regride, isto é, faltam-lhe forças para observar a Torá e as Mitzvot, inclusive em Lo Lishmá (não em benefício Dele). Somente superando todos os obstáculos de maneira genuína, acima da razão, pode-se observar-se a Torá e as Mitzvot. Porém, nem sempre a pessoa possui a força necessária para elevar-se acima da razão, mas, ao contrário, encontra-se forçada a desviar-se da senda do Criador, Deus não o queira, ainda que em Lo Lishmá.

 

Aquele que sempre sente que os fragmentos são maiores que o todo, isto é, que existem muito mais descensos que ascensos, e que não vê um fim para esses estados, pensa que permanecerá para sempre à margem da Santidade, pois sente que lhe é demasiado difícil observar até mesmo uma vírgula da Torá, a menos que possa transcender acima da razão, mas nem sempre é capaz de consegui-lo.

 

Qual será o propósito de tudo isto?

 

É que, assim, ele chega a um momento em que finalmente compreende que ninguém pode ajudá-lo, exceto o próprio Criador. Isto leva a pessoa a fazer um sincero pedido para que o Criador lhe abra os olhos e o coração, de tal forma que consiga fazer a Dvekut. Disto se deduz que todas as rejeições que havia sentido provinham do próprio Criador. Isto significa que os descensos não foram motivados por falhas suas, ou porque ele não tivesse capacidade de sobrepor-se aos obstáculos. Ao contrário, às pessoas que verdadeiramente desejam acercar-se do Criador, e que não se contentam com ninharias, isto é, não permanecem sempre como crianças ignorantes, lhes será enviada ajuda do Alto, para que não possam dizer: “Graças a Deus, tenho Torá, Mitzvot e ações bondosas, por isso, o que mais posso necessitar?

 

Somente a pessoa que possui um desejo sincero receberá ajuda do Alto. E a essa pessoa constantemente se lhe será mostrado o quão deficiente ainda é em seu atual estado. Isto significa que lhe serão enviados pensamentos e opiniões que estão em completa oposição a esse trabalho. A finalidade disso é fazê-la ver que não está unida ao Criador. E na medida em que consegue sobrepor-se a isso, acaba vendo sempre que se encontra ainda mais distante da Santidade que os demais, que se sentem unidos a Hashem.

 

O ser humano, como sabemos, sempre tem queixas e reclamações, e não consegue justificar o comportamento do Criador, e muito menos como Ele se comparta com respeito à própria pessoa. Por que não se sente unido ao Criador? No limite, chega a sentir que não participa da Santidade de forma alguma. Embora, às vezes, em algumas ocasiões, a pessoa receba um despertar do Alto, que a ajuda a reviver momentaneamente, em seguida, volta a cair ainda mais profundamente. No entanto, isto é o que a leva a descobrir que somente o Criador pode ajudá-la a acercar-se Dele. O homem deve sempre tratar de aferrar-se ao Criador. Isto significa que todos os seus pensamentos devem orientar-se para Ele, e mesmo que se encontre no pior estado, um estado do qual não se pode imaginar descenso maior, não deve abandonar Seu domínio. Isto é, não deve conceber que exista outra autoridade que lhe esteja impedindo de entrar na Santidade, e que seja capaz de causar-lhe benefício ou qualquer dano. Isto significa que não deve pensar que existe a força da Sitra Achra impedindo-o de executar boas ações e seguir a senda de Deus. Ao contrário, tudo é levado a cabo pelo Criador. Baal Shem Tov dizia que aquele que sustenta a existência de outra força no mundo, isto é, as klipot (cascas), se encontra no estado de “servir a outros deuses”. Não é necessariamente o pensamento herético o responsável pela transgressão. Porém, se ele crê que existe alguma outra autoridade e força além do Criador, desta forma já está cometendo um pecado. Mais ainda, aquele que sustenta que o homem é dono de sua própria autoridade e que afirma que foi ele mesmo quem ontem não desejou seguir a senda do Criador, também ele está cometendo uma heresia. Isto se dá porque ele não acredita que seja somente o Criador quem guia o mundo.

 

Sem dúvida, quando comete um pecado, certamente deve arrepender-se e lamentar-se por havê-lo cometido. Mas também aqui devemos colocar a dor e o sofrimento no lugar que se lhes corresponde, isto é, onde se encontra a causa desse pecado? Porque este é o ponto que se deve lamentar. Então, a pessoa deve arrepender-se e dizer: “Cometi esse pecado porque o Criador me arrojou da Santidade a um lugar de imundície, a uma latrina, a um lugar de sujeira”. Isto significa que o Criador lhe deu um desejo e um anelo para divertir-se e respirar o ar de um lugar pestilento.

 

(Aqui poderia se afirmar, como está escrito nos livros, que, às vezes, a pessoa encarna num porco. Devemos interpretar isto, como ele disse, entendendo que alguém recebe um desejo e um anelo de extrair vida daquelas coisas que considerava previamente como meros dejetos, mas agora deseja nutrir-se por meio delas).

 

Além disso, quando alguém sente que chegou a um estado de ascenso, e percebe bom sabor no trabalho, não deve dizer: “Agora encontro-me num estado no qual compreendo que vale a pena adorar o Criador”. Por outro lado, deve saber que nesse momento foi favorecido pelo Criador, e, portanto, Ele o acercou mais de Si Mesmo, e esta é a razão pela qual, nesse momento, percebe bom sabor no trabalho. E deve se cuidar de não abandonar o domínio da Santidade, afirmando que exista alguém mais que esteja operando além do Criador mesmo.

 

(Isto significa que ser favorecido pelo Criador, ao contrário, não depende da pessoa mesma, senão somente do Criador. E o homem, com sua mente externa, não pode compreender por que razão o Senhor o favoreceu nesse momento e não em outros).

 

Do mesmo modo, quando se lamenta de que o Criador não se acerca dele, também deve cuidar em que sentido lamenta esse distanciamento do Criador. Porque se o faz pensando em seu benefício pessoal, então, estaria se convertendo num receptor para si mesmo, para seu próprio benefício; e quem recebe está separado Dele. Ao contrário, deveria lamentar o exílio da Shekiná, pelo fato de estar causando aflição à Divindade.

 

Vejamos um exemplo. Um pequeno órgão de uma pessoa está dolorido. Certamente, essa dor é percebida, basicamente, na mente e no coração. O coração e a mente representam a totalidade do homem. E, logicamente, a sensação de um só órgão não pode ser equivalente a toda a sensação de dor de uma pessoa, que sente a maior parte da dor. 

 

Assim é a dor que o homem sente por estar afastado do Criador, já que o homem não é mais que um órgão particular da divina Shekiná, pois esta é a alma de Israel em sua totalidade. Portanto, a dor particular não se assemelha ao grau de dor geral.

Isto significa que existe aflição na Shekiná quando os órgãos estão apartados Dela, e quando Ela não pode sustentá-los.

(E poderíamos dizer que este é o significado do que disseram nossos sábios: “Quando um homem se arrepende, o que é o que diz a Shekiná? É mais leve do que a minha cabeça).

 

E se o homem não vincula a si mesmo o sofrimento por estar afastado do Criador, salva a si mesmo de cair no engano do desejo de receber “para si mesmo”, que é considerado

“separação da Santidade”.

 

O mesmo acontece quando alguém sente certa aproximação do estado de Santidade. Ou seja, quando sente alegria por ter sido favorecido pelo Criador. Também então a pessoa deve afirmar que seu prazer se deve, principalmente, a que agora existe deleite Acima, na sagrada Shekiná, porque esse pequeno órgão particular conseguiu acercar-se Dela, ao invés de afastar-se de Seu lado. E assim a pessoa obtém alegria do fato de ser recompensada com o poder de deleitar a Divindade. Isto está em concordância com o cálculo superior que diz que quando há deleite para o individual é apenas uma parte do deleite do total. Através desses cálculos, a pessoa perde sua individualidade e evita ser aprisionada pela Sitra Achra, que é o desejo de receber “em benefício próprio”.

 

Sem dúvida, o desejo de receber é necessário, pois dele está composto o homem em sua totalidade. Isto se deve a que qualquer coisa que exista numa pessoa, aparte o desejo de receber, não pertence à criatura, senão que se lhe atribui ao Criador. Porém, o desejo de receber prazer deve ser corrigido, transformando-se em doação. Isto significa que o prazer e o deleite que o desejo de receber consegue devem corresponder à intenção de brindar deleite Acima cada vez que a criatura sinta prazer, posto que este foi o propósito da criação: beneficiar às suas criaturas. E a isto se chama “o deleite da Shekiná, acima”.

 

Por essa razão, a pessoa deve encontrar instrução de como causar deleite Acima. E, certamente, se alguém recebe prazer, também Acima se sentirá contentamento e satisfação. Por isso, deseja estar sempre dentro do Palácio do Rei, e ser capaz de brincar com os tesouros do Rei. Isto, também, por suposto, provocará contentamento e satisfação Acima. Disto se depreende que todo o anelo deve estar orientado exclusivamente ao Criador e ao Seu deleite. (Tradução de CK)


sábado, 10 de março de 2018

Tefilot (1)

Oração do ARI

Governante do Universo e Mestre dos Mestres, Pai da Misericórdia e do Perdão, Deus nosso e Deus de nossos ancestrais, nós te agradecemos e dobramos os nossos joelhos diante de Ti porque Tu nos deste a Tua Torah e o Teu Sagrado Trabalho.
Também te agradecemos, Altíssimo, pela revelação dos Segredos de Tua Santa Torah.
Altíssimo, te agradecemos pelo perdão e pela absolvição de nossos pecados, que nos livra da ocultação e da separação de Tua Santidade.
E que seja Teu desejo, Deus nosso e Deus de nossos ancestrais, despertar em nossos corações a Absoluta Reverência e o Absoluto Amor por Ti.
Que seja teu desejo ouvir as nossas preces e abrir os nossos corações fechados aos secretos estudos de tua Torah, e que possam os nossos estudos produzir o aroma de doce incenso e o prazer em Teu Lugar de Honra, e que possas Tu emanar sobre nós a Tua Luz, diretamente da Fonte de nossa alma para todo o nosso ser.
E que possam brilhar sobre nós as faíscas de Teus Servos Sagrados, através dos quais Tu revelas a Sabedoria ao mundo.
Que a virtude e o mérito de nossos ancestrais, que a virtude e o mérito de Tua Torah, que a virtude e o mérito de Tua Santidade nos amparem, para que não tropecemos, agora, em nossos estudos.
Que nossos olhos sejam iluminados em nosso aprendizado como foi estabelecido pelo Rei Davi, o Doce Cantor de Israel: “Abra os meus olhos para que eu possa ver as maravilhas da Tua Torah”.
Através desses Salmos, dá-nos Sabedoria e Entendimento, Senhor.
Sejam agradáveis as palavras da minha boca e a meditação do meu coração diante da Tua Face, Senhor, Rocha minha e Libertador Meu – como cantou Davi.

quinta-feira, 8 de março de 2018

Segredos do Gan Naul (1)


Chochmat Ha d´Li Ha Mashiach

(O Cântaro da Sabedoria do Messias)

“Então, aspergirei água pura sobre vós e sereis purificados”

Nesse ritual cabalístico chamado de Chochmat ha d´Li ha Mashiah muitas vozes em uníssono impregnam as águas com a consciência de Chochmá, recitando uma simples, mística e poderosa Brachá chamada de A Benção do Produtor.

Esta Benção também é chamada de O Cântaro do Messias.

Segundo o Zohar, a Era de Aquário é o Portal que os cabalistas chamam de Consciência Messiânica, e que gerou tanta confusão na cabeça dos religiosos, que lêem e ou leram a Torah (e a Bíblia) no seu sentido Pashut.

Todos os livros da Bíblia, mesmo o Novo Testamento, são livros cabalísticos, que tem 4 níveis de compreensão. A Torah, os 5 primeiros livros da Bíblia, não são considerados “livros humanos”. Todos os outros livros são humanos, e, por esse motivo, considerados como “comentários”. O que está na Torah, para os cabalistas, é a Lei. E que se encontra nos outros livros são comentários, discussões, tergiversações sobre a Lei.

O Zohar inteiro, em seus 23 volumes, abre o Sod da Torah, e não dos outros livros da Bíblia. Por isso, podemos pensar no Zohar como uma Super-Torah. Na caverna de Piki´i, em Safed, Simon Bar Yochai e seus alunos, receberam o Zohar diretamente de Elyahu e Moshe Rabeinu (Moisés).

A nossa época, esta época em que já estamos, a Época do Cântaro do Messias, é um tempo histórico destinado ao que chamamos de “o derramar das Águas Superiores”, águas que purificarão a Terra e a humanidade através da abertura dos segredos da antiga Sabedoria dada a Adão no Jardim do Éden.

Segundo Lucas (22:10), Jesus, cabalista e judeu, teria dito:

“Eis que, quando entrardes na cidade, encontrareis um homem levando um cântaro de água. Segui-o até a casa (de Déli, palavra que foi retirada das traduções modernas) em que ele entrar”.

Essa é mais uma das mensagens cifradas e seladas, mensagens em Sod, expressas pelos cabalistas para serem “abertas” por outros cabalistas milhares de anos depois. 

Qualquer cabalista de nível avançado lê a frase de Jesus da seguinte forma:

1.    Homem com cântaro = Era de Aquário;

2.    Casa de Déli = Portal da Consciência Messiânica.

A mensagem é: “Cabalistas, preparem-se para a abertura dos mais profundos segredos da Chochmá Nistará quando chegar a Era de Aquário.”

É por isso que eu cunhei a frase, dentro do meu Grupo Kadosh: “Chegou a hora de o peixe retornar à água”. Chegou a hora de a civilização ocidental cristã retornar às suas raízes. Escrevam em seus caderninhos essa minha profecia: milhões de pessoas de origem cristã, no Ocidente, vão aproximar-se da kabbalah. A Sabedoria irá se espalhar por todos os continentes, até que a Terra inteira esteja preenchida com a Glória de Hashem. E então, sim, será possível a realização de outra profecia: Israel se converterá numa nação de sacerdotes, para ser “Luz para as Nações”.

Em grupos cabalísticos muito fechados, em Shabbat Pinchás, realiza-se o “ritual da água da vida”, quando as águas são curadas, sua estrutura molecular é reorganizada e impregnada também a com a Consciência da Sabedoria (a revelação dos segredos do Zohar).

Depois do ritual, essa água é ingerida pelos membros do grupo em kavanot e eles começam a estudar os mistérios sagrados.

Glossário de Termos Cabalísticos (1)


Adam Kadmon



Alusão antropomórfica a Arich Anpin como Homem Celestial criado à “Imagem e Semelhança” de Elohim. Descrito na literatura da merkavá como dirigindo uma Carruagem Celestial, ou como um homem sentado sobre o Trono de El Shadai.



Adam, como arquétipo do “primeiro homem” no Gan Eden, reflete o aspecto masculino (yang) de Zeir Anpin no Mundo de Yetzirá, e Chavah (Eva) reflete o aspecto feminino (yin) de Zeir Anpin como energia da consciência. Com o remmez (alegoria) de “comer o fruto da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal” a ação caiu para o Mundo de Assyiá e a consciência se tornou dualística.



Adam Kadmon é o primeiro mundo que emerge depois do Tzimtzum Aleph. Ele recebe a Luz do Mundo do Infinito e a espalha para baixo, para o “nosso” mundo, o Mundo de Assyiá. É chamado de Adão porque suas Sefirot de Yosher com Luz de Doação são as raízes dos seres humanos em nosso mundo. O nome Kadmon (primeiro, original) deriva da influência do Tzimtzum Aleph sobre ele.


quarta-feira, 7 de março de 2018

Contos de Chanun Katan (1)




"Alguns", disse Chanun Katan, "são sementes; outros, peixes".

"Não entendi", apressou-se André, que sempre duvidava.

"Tu és semente", respondeu-lhe o Maguid.

"Não entendi mais ainda...", continuou André.

"A semente é frágil..."

"Frágil?", espantou-se André, recordando-se ainda da lição sobre a guevurá e as cascas.

"Sim, sem uma pancada forte, não se abre. Mas a pancada a inutiliza, e ela não frutifica..."

"Ah, entendi...", murmurou o estudante.

"Umidade, calor e escuridão. Sem isso, a semente não germina."

"E o peixe? Como é que o peixe entra nessa história?", Débora perguntou, divertindo-se com as eternas pendengas entre o Maguid e o estudante.

"Viscosos, lisos e frios. Conheces alguém assim?", perguntou Katan.

"Muitos..."

"Se a semente virar trigo, se o trigo virar pão, e o pão for usado para cevar os peixes, será mais fácil pescá-los.”

terça-feira, 6 de março de 2018

EMANAÇÕES DE CHOCHMÁ (1)

"Sete coisas caracterizam uma pessoa tola; e sete, uma sábia. Um homem sábio não fala diante de quem o supera em sabedoria ou em anos; não interrompe as palavras de seu próximo; não se apressa em responder; pergunta o que é relevante ao tema em questão e responde objetivamente (direto e com clareza); fala do primeiro, primeiro; e do último, último; com relação ao que não escutou, ele diz "não escutei"; e reconhece a verdade. O oposto dessas virtudes caracteriza o tolo".

(Pirkê Avot 5:7) 

Shamati (137)

    137. Zelofeade estava coletando madeira (Ouvi em Tav - Shin - Zayin , 1946-1947)   Zelofeade estava coletando madeira. O Zohar i...