quinta-feira, 31 de maio de 2018

Tiul (17)



Um momento de paz e de descanso depois da agitada passagem por Roma. Estamos em Fiumicino, uma cidadezinha de praia, onde fica o Aeroporto Leonardo da Vinci, num hotelzinho simpático, para que a Marta possa dormir, descansar, colocar os pés acima da cabeça, para desinchar e enfrentar o longo vôo ao Rio de Janeiro. São 14h aqui, viajaremos às 21:50h. Do Rio, iremos diretamente para Porto Alegre, e para a nossa vida gaúcha. Estou com saudades dos meus temperos, dos meus churrascos, das minhas pessoas que aí ficaram.



Almoçamos num boteco, sob lindos plátanos. Ao saber que éramos brasileiros, o atendente nos disse que há dez anos deseja ir para o Brasil, onde “as pessoas são felizes, muito felizes”. O sonho do Brasil como O Paraíso dos Trópicos continua no imaginário europeu. Em meus anos de estudante da PUC, na Faculdade de Letras, muitos brasilianistas europeus do século XIX eu estudei. Na época, não entendia a fascinação que eles tinham pelo meu país. Agora, eu os compreendo, em profundidade, com experiência e com fascinação, também, pela minha própria terra. A alma brasileira é excepcional. Uma pena que tenhamos seguido o vaticínio de Platão, o filósofo grego, que dizia que “quando os bons abandonam a política, os maus governam”. Desde o começo da República, aceitamos ser governados por seres doentes, corruptos e corruptores. Quando compreenderemos que a solução não está nas pessoas, nos políticos, mas na consciência de cidadania?



“Se eu não for por mim, quem será? E se eu não for pelos outros, o que é que eu sou”?



A frase acima foi dita por Hillel, um sábio e cabalista, há mais de dois mil anos.   



Se eu não for pelo Brasil, quem será? E seu não for pelo bem dos brasileiros, o que é que eu sou?



Ouvi aqui, em Arezzo, de um político italiano, uma frase assustadora. Quando eu falava sobre as questões brasileiras que nos atormentam, ele perguntou: “Mas é corrupção necessária ou corrupção-corrupção?”



Como assim, tive vontade de gritar. Mas calei. Diante de tamanho relativismo moral, não se pode dizer nada. Corrupção é corrupção. No Brasil, na Itália, em Israel.

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Mekubalim (4)



Quem foi Ramchal
(Aryeh Kaplan)

O rabino Moshe Chaim Luzzatto, também conhecido como RaMCHaL, é mais conhecido por seu trabalho clássico sobre a piedade, Mesilat Yesharim (Caminho dos Justos). Este livro é estudado em todas as Yeshivot e é considerado o seu melhor trabalho. O rabino Yisrael Salanter, fundador do Movimento Mussar, enfatizou a necessidade do estudo desse livro, dizendo que "Todas as obras clássicas de Mussar demonstram que o homem deve temer a D´us. O Mesilat Yesharim nos diz como fazer". 

Mais e mais, no entanto, as pessoas também estão percebendo que o rabino Moshe Chaim Luzzatto foi um dos mais brilhantes pensadores dos séculos passados. A profundidade de pensamento e sua mente sistemática são evidentes em todas as suas obras, que são, literalmente, cheio de idéias básicas importantes. Mais de 200 anos atrás, o rabino Eliahu, o famoso Vilna Gaon, declarou que o rabino Moshe Chaim Luzzatto tinha a compreensão mais profunda do judaísmo que qualquer ser humano mortal poderia atingir. Ele ainda afirmou que, se Luzzatto estivesse vivo em sua geração, ele iria a pé de Vilna para a Itália para se sentar a seus pés e aprender com ele.


Se fosse para escolher um aspecto notável das obras de Ramchal é sua abordagem sistemática. Ele não olha para os ensinamentos como fatos isolados, mas como partes de um sistema abrangente. Vendo-os como parte de um sistema, ele é capaz de apontar conhecimentos e relações que de outra forma não seriam de todo evidente.


Pode-se ver isso nas suas três de grandes obras. Derech Hashem (O Caminho de Deus) é, provavelmente, a exposição mais sistemática do judaísmo fundamental. já escrito. O Mesilat Yesharim (Caminho dos Justos) também reflete esta abordagem. O autor, essencialmente, explicou a palavra do talmúdico Rabi Pinchas ben Yair, que enumerou os dez passos em direção a Deus. Ramchal demonstra, sistematicamente, como muitos ensinamentos talmúdicos se enquadram no quadro geral esboçado por Rabi Pinchas, e discute cada um de acordo com o nível a que ele pertence. Em certo sentido esse trabalho sistematiza todos os ensinamentos sobre a compaixão que se encontram no âmbito da literatura talmúdica.


Sua terceira obra importante, Kalach Pis'chey Chochmá (138 Portões da Sabedoria) trata da kabbalah. Essa obra não é tão conhecida como as outras duas. Nesse livro, novamente, Luzzatto demonstra seu poder de sistematização. Poderia-se pensar que os ensinamentos esotéricos da kabbalah resistiriam a qualquer tentativa de sistematização, mas não é assim. Até certo ponto, o sistema subjacente já existia nos trabalhos de cabalistas anteriores, mas nunca tinha sido apresentado de forma tão sistemática. Nestes 138 capítulos o RaMCHaL apresenta todo o escopo da kabbalah de uma forma que muitos autores a consideram a mais sistemática jamais alcançada.


Não se sabe ao certo qual foi a fonte desse grande talento para a organização e a sistematização. Talvez se deva ao fato de Luzzatto ter sido aluno de Rabi Yitzchok Lampronti, autor do Yitzchok Pachad, a maior enciclopédia talmúdica da época. Essa enciclopédia é composta por cerca de vinte grandes volumes, e ainda hoje é insuperável como referência-padrão. É possível que Luzzatto tenha aprendido a arte da organização e da sistematização com o rabino Yitzchok Lampronti, e depois tenha chegado às suas próprias conclusões lógicas, quando estabeleceu os conceitos mais fundamentais e profundos do judaísmo.


O rabino Moshe Chaim Luzzatto nasceu em Pádua, na Itália, em 1707, filho de Yaakov Chay. Ele foi aluno de Rabi Yeshiah Basan, autor do Todah Lachmei (Pães de Ação de Graças), e, também, do rabino Yitzchok Lampronti. Começou a estudar kabbalah em idade muito precoce, sob a tutela do rabino Moshe Zacuto, um dos maiores cabalistas de sua geração.


Moshe Chaim rapidamente alcançou a reputação de ser um prodígio. Sobre ele se diz que "não sabia o que significava esquecer alguma coisa.” Seus contemporâneos dizem que aos 14 anos sabia de cor o Talmud e o Midrash, bem como todos os grandes clássicos da kabbalah. Luzzatto publicou sua primeira obra (Lashon Limudim) com a idade de dezessete anos.


Ainda muito jovem, o rabino Moshe Chaim organizou um pequeno grupo de estudos cabalísticos. Entre as suas regras estava a de que os membros do grupo deviam engajar-se no estudo da Torá em todos os momentos, dia e noite, e que eles deviam fazer da devoção a Deus o principal objetivo de suas vidas.

Entre 1730 e 1735, Luzzatto escreveu mais de 40 livros e panfletos. Muitos desses livros e panfletos se perderam. Uma das suas poucas obras datadas é o Daat Tevunot, que é de 29 de Adar I, 5494 (05 de março de 1734). Da mesma forma, seu livreto Kelalei Chochmat Emet (Regras da Sabedoria da Verdade) é datada de 9 de Iyar, 5494 (13 de maio, 1734). Parece provável que Derech Hashem também tenha sido escrito durante esse período. Muitos dos escritos de Luzzato foram distribuídos entre 1730 e 1735. A novidade de sua abordagem gerou muita oposição entre os sábios da época. Muitos deles não aceitaram a ideia de que alguém tão jovem pudesse escrever sobre Kabbalah e sobre assuntos esotéricos. Por conta dessa oposição, Luzzato deixou a Itália em 1735 e se estabeleceu na Holanda. 

Evitando a vida pública, Luzzatto estabeleceu-se como ourives em Amsterdã. Em 5500 (1740), na virada do século judaico, ele publicou sua obra mais famosa, a Mesilat Yesharim (Caminho dos Justos).

Como muitos outros homens de sua idade, Luzzatto ansiava pela Terra Santa, e, finalmente, em 1743, realizou seu objetivo, estabelecendo-se em Acco. Três anos depois, em 16 de maio de 1746, com a idade de 39 anos, ele foi morto por uma praga. De acordo com a tradição, foi enterrado em Tiberíades, junto ao túmulo do rabino Akiva.

Um discípulo perguntou ao rabino Dov Ber, o Maguid de Mezeritch (o discípulo mais importante do Baal Shem Tov), por que o rabino Moshe Chaim Luzzatto tinha morrido tão jovem. O Maguid respondeu que a geração de RaMCHaL não era digna de sua piedade, de seu conhecimento e de sua santidade.


terça-feira, 29 de maio de 2018

Tiul (16)



Hoje, enquanto eu fazia um almoço italiano, recebi a notícia de que a Marta deu alta do hospital.



Depois de três dias em condições difíceis, sem lugar para banho, sem poder se comunicar com as pessoas, num final de semana de serviço público italiano, na segunda-feira a Marta foi transferida para o quarto 13 e 14 da maternidade do hospital universitário. O duplo número é por conta dos dois leitos do quarto.



Nesse ponto, devo fazer um ajuste nas minhas críticas. Se o ambulatório foi um horror, o quarto foi um Jardim do Éden. Limpo, espaçoso, com banheiro adequado a um hospital, com atendimento excelente. Monitorada e medicada, o quadro crítico da Marta rapidamente evoluiu para melhores condições, a pressão alta cedeu, o inchaço diminuiu e os índices dos exames se normalizaram.



Assim, quero agora agradecer aos médicos, médicas, enfermeiros e enfermeiras; quero agradecer ao estado italiano (que está há meses sem governo, mas que consegue se autogerir); quero agradecer à medicina, que é uma das muitas mãos de Hashem no mundo; quero agradecer aos membros do Grupo Kadosh que fizeram exercícios e vigílias e que criaram um campo de Luz Azul (a Ohr Ha Chassadim) em nosso entorno; quero agradecer ao Augusto e à Taiz, e, especialmente, quero agradecer ao médico brasileiro que vive aqui, o pai da Antônia Moro, o Ricardo Moro, que nos protegeu e nos apoiou. Sem eles, tudo seria muitíssimo mais complicado. Também agradeço ao Nome, mas Ele sabe que ao agradecer às Suas criaturas, agradeço a Ele. Eu nem uso telefone (talvez eu deva reavaliar essa teimosia). Eu não sei lidar com burocracias. Eu sei cozinhar. Eu sei ensinar. Eu sei servir. Mas não sei perder a paciência quando é preciso perder a paciência. Como eu disse para a Marta ontem, no hospital, eu não ajo de bate-pronto, eu faço anotações de tudo, e eu só cobro a conta quando as águas abaixaram, quando os ânimos se acalmaram, porque eu não ajo com raiva, mas com justiça.



O melhor disso tudo é que eu consegui ensinar para a Marta um Yichud que movimenta o mundo, os planetas, o Universo inteiro. Basta a pessoa sintonizar com a Força Superior e vocalizar as Letras Sagradas e fazer com que tudo trabalhe para o seu próprio bem, seja para conseguir um bom banho, um leito de hospital ou uma alta hospitalar. Como disse Baal Ha Sulam, no leito de morte, aos seus alunos: “Avisem a todos eles que eles sofrem porque não querem receber”.



Ohr Ha Ganuz (1)



Shimon Bar Yochai criticou as pessoas que dizem que a Torah contém histórias simples e bonitas. Se assim fosse, ela não passaria de literatura.



A Torah não trata de assuntos deste mundo, mas se veste com as linguagens deste mundo. E essas vestimentas da Torah, sim, são literárias, alegóricas, simbólicas.



A Torah pediu licença ao Criador para apresentar-se diante do mundo exatamente como ela é (Eyeh Asher Eyeh).



Logo depois, quando ela retornou chorando, o Criador disse:



“Aconteceu exatamente o que Eu tinha previsto, não?”



“Sim, a metade fugiu de mim; e a outra metade, me apedrejou”.



“Então, cobre a tua nudez, e te reapresenta diante deles vestida com as linguagens que eles conseguem suportar, a Halachá, a Mishná, o Mussar, o Pilpul...”



E assim a Ohr Ha Ganuz (Luz escondida, Luz velada), que é a essência da Torah, ficou ocultada dos medrosos e dos apedrejadores por milhares de anos.



Na Era de Mashiach (era em que já estamos), os cabalistas revelarão ao mundo os Segredos de Torah, os Segredos dessa Luz Velada.



Um desses cabalistas, o rabino Joseph Saltoun, está revelando o segredo da Alma Brasileira: por 500 anos, as almas hebréias (não confundir com almas judaicas) reencarnaram na população brasileira, aguardando o seu despertar. Durante esses cinco séculos, essas almas mantiveram a sua ingenuidade e pureza. São almas que fugiram das perseguições da Espanha, de Portugal, da Itália, da Alemanha, da Rússia, da Polônia.



Há anos, afirmo no Grupo Kadosh que no Brasil existem mais de 180 milhões de pessoas com potencial interno para a construção dos Partzufim. Esse extraordinário evento espiritual começa com o recebimento do Chotem do Partzuf de Nukva, o Nariz da Noiva, com o qual conhecemos a realidade, com o qual compreendemos que “não existe nada além D´Ele”.

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Tiul (15)


Alguém me perguntou se não tínhamos viajado sob proteção divina... Sim, tivemos proteção divina em Israel, quando Elohim Tzebaiot deteve uma guerra que havia começado exatamente sobre as nossas cabeças. Fizemos as conexões de almas que precisávamos fazer em Israel, e os responsáveis maiores por isso foram o Joseph Saltoun e a Marta Tejera, que suportou as reclamações dos viajantes, que resolveu problemas dos outros, que andou no deserto, que subiu às montanhas, que desceu a quatrocentos metros abaixo do nível do mar, que subiu a Jerusalém para levar harmonia e paz a povos que se odeiam, carregando uma gravidez de sete meses... É óbvio que a Sitra Achra não gostou do que fizeram o Saltoun e a Marta, que, afinal, a Terra foi entregue à Serpente... Agora, estamos sendo atacados, sim, mas continuamos sob a proteção divina.



A diferença entre um cabalista e um não-cabalista é que o primeiro compreende o todo e o não-cabalista só vê o próprio umbigo. Os terríveis problemas que eu, a Marta e a Sofia estamos enfrentando aqui em Roma são enviados de Cima, como tudo o que acontece em nossas vidas. O ouro, para brilhar, passa pelo fogo. O diamante, para luzir, passa pelo esmeril. Nós, tenho certeza, voltaremos melhores, mais purificados, mais generosos. E melhor preparados para ensinar a Sabedoria Secreta, que de secreta não tem nada: basta receber para compreender.



A proteção divina em Israel se chamou Domo de Ferro, o sistema anti-mísseis que derrubou no ar 34 mísseis que vinham para as nossas cabeças. A proteção divina se manifestou na resposta israelense (quando o mundo vai compreender que Israel não ataca, que Israel se defende desde o ano 70 da Era Comum, quando Sagrado Templo foi destruído?) que destruiu a metade da força aérea da Síria e todos os sistemas de defesa daquele país? Israel tem o poder militar para destruir todos os países do Oriente Médio em algumas horas. Mas Israel não faz isso, porque deseja viver em paz com seus primos. Basta que o mundo árabe reconheça o direito de Israel à existência, como estado, como país, como nação, e a paz poderá se realizar. A imprensa internacional devia se acordar. Devia parar com essa campanha anti-israelense. Israel é a Luz para as Nações, mas Israel respeita o livre arbítrio dos outros povos. Se os outros não querem paz, Israel não pode impor a paz.



A proteção divina aqui em Roma, para mim e para minha família, se chama Augusto Hatori, Taiz Alves e o médico brasileiro, pai da Antônia Spohr Moro, Ricardo Moro, que vive aqui. Ele, que sequer me conhece, me ligou para me dizer que tem um apartamento para mim em Roma para me abrigar, e que tem dinheiro para me ajudar, caso eu tenha necessidade, pelo tempo que for necessário.



Eu voltarei ao Brasil com a certeza absoluta da proteção divina, que se manifestou aqui com os nomes de Auguto, Taís e Ricardo, esses lindos Malachim. Um halo de luz azul cobre o meu corpo (até apareceu a descida da Luz numa foto que alguém do grupo tirou) e me protege, e protege a Marta e a Sofia.



    

domingo, 27 de maio de 2018

Tiul (14)


Eu já havia terminado essa seção de Viagem, pois terminamos o Trabalho em Israel e nos dispersamos como grupo. Aproveitamos a passagem pela Itália, para visitarmos uma grande amiga, da Marta, da Sofia e minha, em Arezzo, na Toscana.



Desde Israel a Marta estava inchada, como ficam as mulheres grávidas, mas talvez mais. E, antes de embarcarmos de volta para o Brasil, procuramos um Pronto Socorro, pois a sua pressão arterial estava muito alta.



E aí começou uma história kafkiana. A Marta precisou permanecer internada no hospital universitário de Roma. E não permitiram que eu ou a Sofia ficássemos com ela. Isolada dentro da emergência de sala de parto, sem saber o idioma italiano, num hospital em que médicos e enfermeiros trocam de posto de hora em hora, cobaia de magotes de estudantes de medicina que entram e saem com os professores sem o menor respeito e consideração pela humanidade do outro, a Marta está vivendo um de seus piores momentos da vida, e eu e a Sofia também.


Depois que enviei um e-mail aos grupos de estudos para fazerem exercícios cabalísticos pela Marta, a Antônia Moro, participante de nosso Grupo Kadosh, se tornou uma luz de esperança. O pai dela vive em Roma e é médico. E falou com a Marta por telefone. Estamos tentando retirar a Marta do hospital universitário e levá-la para um hospital com melhores condições.



Se eu escrevesse um conto sobre o que estamos passando, ninguém acreditaria. Nós, brasileiros, temos o costume de falar mal de nós mesmos. Falamos mal de nossas instituições, de nossos políticos e de nossa política, falamos mal de nossa cultura, falamos mal de nossa espiritualidade, falamos e falamos mal de nós mesmos, e nos desmerecemos, e achamos que os outros são melhores e mais eficientes. Seria interessante se cada reclamador passasse um dia pelo que estamos passando, para que descobrissem o quanto somos eficientes e altruístas.



Eu, a Marta e a Sofia, e o Augusto Hatori e a Taiz Alves, sairemos dessa situação melhores, mais atentos aos outros, mais dignos e menos embasbacamos com alguns países da Europa. Aliás, foram os europeus que chamaram o Brasil de Terra da Esperança. Não, o Brasil não é apenas a Terra da Esperança, é a Terra onde o processo de correção das almas mais se desenvolverá. A Gmar Tikun se agigantará no Brasil, porque em nosso país vivem mais de 180 milhões de almas que aceitam ser melhores, mais justas, mais altruístas.



Esperamos retornar em breve ao nosso país, para trabalharmos pela disseminação da Kabbalah, que não é nada mais nada menos que a Revelação do amor do Criador às Suas criaturas neste mundo, como escreveu Baal Ha Sulam.     

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Segredos do Gan Naul (5)




Equivalência de forma, segundo a Kabbalah
(Michael Laitman)


Todos os mundos, Acima e abaixo, estão dentro do homem, e a realidade inteira foi criada apenas para ele. Isto está escrito n’O Livro do Zohar. Então por que não sentimos isso? Nós sentimos que estamos dentro da realidade, não que ela está dentro de nós. Além disso, por que este mundo não é suficiente para nós? Por que precisamos dos Mundos Superiores?


A razão para a criação da realidade é que o desejo do Criador é beneficiar suas criaturas. Por isso, o Criador criou as criaturas com uma natureza que deseja desfrutar do que o Criador deseja doar para nós. O Criador está acima do tempo e do espaço; Seu Pensamento opera como o ato em si mesmo.


Por isso, quando Ele desejou e contemplou criar as criações, para preenchê-las com prazer, as criaturas foram imediatamente criadas e completamente preenchidas com todos os prazeres que receberam do criador. Porém, nós não sentimos aquele estado, já que ele é meramente nossa raiz, a qual nós devemos alcançar de acordo com o desígnio da criação.


Ao criar a sequência dos mundos a partir do mundo de Ein Sof até este mundo, o Criador removeu a criatura de Si mesmo e a colocou no estado mais baixo. É importante entender por que Ele fez isso. Este ato indica imperfeição em Suas ações?


O Ari responde esta pergunta em seu livro, A Árvore da Vida: “revelar a perfeição dos Seus atos”, para que então as criaturas se aperfeiçoem e alcancem o nível do Criador, que é a única perfeição verdadeira. Para ajudá-las, o Criador criou a escada dos mundos. As almas descem esta escada até o degrau mais baixo, onde elas “se vestem” com os corpos físicos deste mundo. Então, através do estudo da Kabbalah, as almas por si mesmas começam a subir aquela escada, pela qual elas desceram, até que retornem para o Criador.


A alma consiste de Luz e Kli (vaso). A Luz da alma vem do Criador, de Atzmuto (Sua Essência). Através dessa Luz, o Kli (vaso) da alma foi criado, sendo ele (o Kli) o desejo de receber Luz, de desfrutar da Luz. Por isso, o Kli se ajusta perfeitamente à Luz que vem para preenchê-lo.


A Luz é uma parte do Criador. A alma é o verdadeiro Kli. Consequentemente, apenas o Kli é considerado uma criação. Ele foi criado a partir da ausência, ou seja, não havia desejo antes que o Criador decidisse criá-lo. E porque o Criador desejou dar o prazer perfeito para este Kli, como é próprio d’Ele, Ele criou este Kli – o desejo de receber – enorme, de acordo com a medida de Luz (prazer) que Ele desejou doar.


Criação significa iniciação, algo novo que não existia anteriormente, e esta iniciação é chamada “existência a partir da ausência”. Mas se o Criador é completo, como algo poderia não estar incluído n’Ele? Do que já foi dito ficou claro que, antes da criação, não existia desejo de receber no Criador, já que o Criador é completo e deseja apenas doar. Portanto, o que não está n’Ele e deveria ser criado é apenas o desejo de receber prazer d’Ele.


O desejo de receber é a totalidade da realidade. Por isso, a única diferença entre os elementos da realidade está na medida (intensidade) do desejo de receber em cada um destes elementos, e não há dois elementos que contenham o mesmo desejo (a mesma intensidade de desejo).


Não há corpos físicos na espiritualidade. O mundo espiritual é um mundo de desejos, forças “cruas” ou “materiais”, sem quaisquer revestimentos materiais. Assim, todas as palavras usadas na sabedoria da Kabbalah são na verdade denominações do desejo de usufruir (desfrutar), ou suas impressões a partir da satisfação da Luz dentro dele.


O Criador é o desejo de doar, e a criatura é o desejo de se beneficiar da doação do Criador. Se a criatura desfruta do prazer apenas porque o Criador desfruta da sua recepção, este ato é considerado doação, de acordo com sua intenção, e não como um ato de recepção. Isto é considerado como a igualdade entre o desejo do Criador e o da criatura, sem nada que os separe.


Portanto, seguindo a lei espiritual de equivalência de forma, como resultado da equalização das suas qualidades (desejos), eles se tornam um. Neste estado, eles não são dois desejos idênticos, mas são literalmente um. Este estado espiritual é chamado “equivalência de forma” ou Dvekut (adesão ao Criador).


No entanto, se eles não têm o mesmo desejo, a mesma intenção, eles não têm o mesmo objetivo e estão separados. Porque eles têm qualidades (desejos) diferentes, eles são dois ao invés de um. Em espiritualidade, este estado é chamado “disparidade de forma”.


A medida da equivalência de forma entre Criador e criatura determina o quanto eles estão próximos, e a medida de disparidade de forma determina a distância entre eles. No começo, o desejo de doar do Criador e o desejo da criatura de receber são iguais, já que o desejo de receber da criatura nasceu do desejo de doar do Criador. Portanto:

* Se todos os seus desejos (intenções) são os mesmos, eles são um;

* Se todos os seus desejos (intenções) são opostos, eles estão o mais distante possível;

* Se, de todos os desejos (intenções) eles têm apenas um desejo em comum, então eles se tocam através daquele desejo comum;

* Se alguns dos seus desejos (intenções) são similares, eles estão distantes ou próximos de acordo com as suas medidas de equivalência de forma ou disparidade de forma.


Nós não temos attainment no Criador Ele mesmo, em Atzmuto, já que nós apenas obtemos a sensação da Luz no Kli, o preenchimento em nosso desejo. E aquilo que nós não alcançamos/atingimos, nós não podemos chamar por nenhum nome, pois nós damos os nomes de acordo com as nossas impressões deste preenchimento. Por isso, não podemos dizer uma única palavra ou dar um único nome para Atzmuto. Todos os nossos nomes e denominações, com respeito ao Criador, são apenas reflexos do que nós sentimos por Ele.


Nós podemos senti-Lo e sentir Suas ações apenas na medida da equivalência de forma (desejo, intenção) com Ele. Por isso, dependendo da extensão de nossa similaridade com Ele, nós sentimos Seus desejos e ações, e o nomeamos de acordo. Quando nós sentimos, podemos nomeá-Lo de acordo com o que sentimos d’Ele. Isto se chama “Por Tuas ações, Te conhecemos”.


Cabalistas são pessoas que vivem neste mundo e se conectam ao Criador de acordo com sua medida de equivalência de forma enquanto vivem neste mundo. “Mundos” são as diferentes medidas de sensação do Criador. Um “mundo” é a medida de revelação ou ocultação do Criador para as Suas criaturas; e a ocultação completa é chamada “este mundo”.


O começo da sensação do Criador é a transição entre este mundo e o mundo espiritual. A transição é chamada “barreira”. Há 125 degraus de revelação de partes do Criador para as criaturas entre a ocultação e a revelação completa. Estas partes são chamadas “mundos”.


Os cabalistas sobem pelos mundos espirituais corrigindo seus desejos (intenções). Ele nos dizem – verbalmente ou em textos – que o Criador tem apenas o desejo de beneficiar suas criações. Ele criou tudo para nos dar toda a Sua abundância. Foi por isso que Ele nos criou com um desejo de receber, para que possamos receber o que Ele deseja nos dar.


O desejo de receber para nós mesmos é a nossa natureza. Mas, estando nesta natureza, nós somos opostos em forma ao Criador, já que Ele é apenas um desejo de doar, e não possui um desejo de receber. Por isso, se nós permanecemos no desejo de receber para nós mesmos, permaneceremos para sempre afastados do Criador.


Os cabalistas nos dizem que o propósito do Criador é trazer toda a Criação para Si, e que Ele é bondade absoluta. Por essa razão, Ele deseja doar para todos.


Eles ainda nos dizem que a razão para a criação dos mundos é que o Criador deve ser completo em todas as Suas ações e forças. E se Ele não executa Suas forças em ações completas, Ele aparentemente é considerado incompleto.


Mas como operações imperfeitas poderiam se originar do Criador perfeito até o ponto em que Suas ações demandariam correção pelas criaturas? Nós somos Suas ações! Se nós temos que corrigir a nós mesmos, isto não significa que suas ações são imperfeitas?


O Criador criou apenas o desejo de receber, chamado “a criatura”. Mas quando a criatura recebe o que o Criador deseja doar a ela, ela é separada do Criador, já que o Criador é o Doador e a criatura é o receptor, e nisso eles são opostos. Em espiritualidade, a equivalência de forma é determinada pela equivalência de desejos (qualidades, intenções). E se a criatura permanece separada do Criador, o Criador também não estará completo, já que operações perfeitas se originam de um operador perfeito.


Para garantir à criatura a possibilidade de alcançar a perfeição com seu livre arbítrio (por sua livre escolha), o Criador restringiu a Si mesmo – Sua Luz – e criou os mundos, restrição por restrição, até chegar a este mundo. Aqui o homem é completamente subordinado ao desejo de usufruir, mas não da Luz de Deus, e sim dos desejos animais que estão sobre ela (que a estão encobrindo). Toda a humanidade está se desenvolvendo a partir do desejo por prazer que os animais têm, assim como através de desejos por riqueza, honra, dominação e conhecimento, até que o Criador implanta um desejo de desfrutar algo desconhecido entre esses desejos, algo além das vestimentas deste mundo.


O novo desejo impulsiona o homem a procurar plenitude (realização) até que ele chega ao estudo da Kabbalah. Durante o estudo, ele começa a entender a intenção do Criador em relação a ele. Naquele estado, ele estuda não para receber conhecimento, mas para atrair para si a Luz que reforma (“Introdução ao Estudo das Dez Sefirot”, Item 155).


Através daquela Luz, a pessoa começa a corrigir seus desejos. No total, o homem tem 613 desejos, que são geralmente chamados Guf (corpo). A correção dos desejos é feita usando cada desejo com a intenção de doar para o Criador, da mesma forma que o Criador doa para o homem. A correção de cada desejo e a recepção da Luz dentro dele é chamada “observar um Mitzva (boa ação/mandamento)”. A Luz que uma pessoa recebe dentro do desejo comum corrigido é chamada “Torah”. E a Luz que corrige (reforma) os desejos do homem é o meio pelo qual a criatura alcança a perfeição (ver “Percorrendo o Caminho da Verdade”).


A perfeição está em que a criatura obtenha equivalência de forma (qualidades) com o Criador por ela mesma. Isto porque então ela é merecedora de receber todo o prazer e deleite incluídos no Pensamento da Criação. Em outras palavras, ela se deleita na Luz e no status (condição/posição) do próprio Criador, já que ela alcançou equivalência de forma em desejos e pensamentos.


Acontece que apenas através do estudo da Kabbalah alguém pode corrigir a si mesmo e alcançar o objetivo pelo qual o homem foi criado. Isto é o que todos os cabalistas escreveram. A única diferença entre os livros sagrados (Torah, Profetas, Hagiografa, Mishnah, Talmud etc.) está na intensidade da Luz dentro deles, a qual pode corrigir uma pessoa. A Luz nos livros de Kabbalah é a maior; é por isto que os cabalistas recomendam o estudo deles especificamente.


Shamati (137)

    137. Zelofeade estava coletando madeira (Ouvi em Tav - Shin - Zayin , 1946-1947)   Zelofeade estava coletando madeira. O Zohar i...