terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Hillulot (9)


Profeta Zacarias


Profeta do Período do Segundo Templo.


10 de Tevet



Falecido em Eretz Yisrael



Profeta, neto do Profeta Ido. Possui seu próprio livro no Tanach (Trei Asar - Doze Profetas).


De acordo com o Ari, Rabi Yitzchak Luria, no Shaar Há Gilgulim (Hakdama 33), Zacarias possuía as almas de Aaron HaKohen e de seus filhos Nadav e Avihu. Ele era um cohen, mas não é conhecido como tal, pois seu principal tikkun (correção da alma) nessa vida tinha mais relação com Nadav e Avihu do que com Aaron HaKohen, conforme o Ari.


Chaggai, Zacarias e Malaquias profetizaram durante o segundo ano do [reinado de] Dario. (Tratado de Megillah, 15a)


Zacarias profetizou durante o Período do Segundo Templo. (Tratado de Sanhedrin 99a)


Zacarias é também chamado de Meshulam, no livro de Neemias 8:4, pois ele era perfeito (shalem) em suas ações (Tratado de Megillah, 23a).

“Eu, Daniel, sozinho, tive a visão, mas o povo que estava comigo não viu” (Daniel 10:7). Isso [refere-se a] Chaggai, Zacarias e Malaquias. Eles eram superiores a Daniel por serem profetas [enviados por Deus para dizer profecias à Israel], enquanto que Daniel, não [tinha o dom da profecia]; mas ele foi superior a eles no que viu, enquanto que eles não viram. (Tratado do Sanhedrin, 93b, veja Maharsha)


Chaggai, Zacarias e Malaquias receberam a tradição da Torá dos profetas [anteriores a eles]. (Avot d’Rabi Natan I)


A tradução dos profetas para o aramaico foi feita por Yonatan ben Uziel, que tinha escutado de [seus professores] Chaggai, Zacarias e Malaquias. (ibid. Maharsha, Tratado de Megilla 3a)


Essas Mishnás [que não se encontram na Mishná atual] foram escritas por cinco grandes homens justos: Shimur, o Levita; Chezekiah; Tzedkiah; o Profeta Chaggai; e o Profeta Zacarias, filho de Ido. [Além disso,] foram eles que construíram os vasos para o Templo e para os tesouros de Jerusalém. (Ben Ish Chai, do Rav Pe’alim, p. 16)


Jeremias foi o último de todos os Profetas. Mas os profetas Chaggai, Zacarias e Malaquias não profetizaram depois dele? [Sim, mas] eles haviam recebido suas profecias muito antes. (Midrash Aggadah, Bamidbar 30:15)

Com a morte dos últimos profetas - Chaggai, Zacarias e Malaquias - a Inspiração Divina retirou-se de Israel (Tratado de Yoma, 9b)


Que o mérito do tzadik Zacarias HaNavie proteja a todos nós, Amém.

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Contos de Chanun Katan (7)


 Badaladas na Torre


O aluno, como sempre, chegou atrasado para a aula de Estudos Avançados de Kabbalah. Chanun Katan parou de falar, aguardou que aquela parte, renitente e revoltada, de sua própria alma se sentasse, abrisse o seu livro de estudos e estivesse apta para se conectar e ouvir.



“Se a Rainha da Inglaterra te convidasse para o Chá das Cinco no Palácio de Buckingham tu chegarias às cinco e dez?”, perguntou o Pavio Curto.



“Claro que não”, o aluno respondeu.



“E por que tu chegas sempre com dez ou quinze minutos de atraso para o Chá das Cinco com Hashem, que é o Rei da Rainha da Inglaterra?



Durante a aula, dois ou três alunos comentaram ter ouvido as badaladas do Sino da Torre.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Hillulot (8)


Rabbi Yehudah Ashlag


Kabbalist


10 de Tishrei



Nascido na Polônia, em 1886;

Falecido em Israel, em 1955.



Rabi Yehudah Leib Ashlag, o grande cabalista contemporâneo ganhou reconhecimento mundial pela sua obra monumental HaSulam, uma tradução interpretativa do Zohar em hebraico que deixou acessível o texto aramaico original acessível aos estudantes desse Livro Sagrado.



Rav Ashlag foi um líder chassídico, mas diferente da maioria dos Rebes, ele não era descendente de uma linhagem chassídica. Muito pouco se sabe sobre sua infância, mas com 13 anos já tinha um vasto conhecimento de todo o Talmud. Tornou-se um chassidut do Rabi Meir Shalom de Kalushin e com frequência viajava à Belz para estar na presença do Belzer Rebe, Yissachar Dov.



Quando jovem, foi Rabi de uma congregação de Varsóvia. Entretanto, depois de decidir dedicar-se ao estudo da Cabalá, desistiu dessa posição, afastou-se dos assuntos mundanos e viveu em absoluta pobreza. Era tão pobre que seus comentários eram escritos em pedaços de papel.



Um grande mistério envolve a pessoa que o introduziu aos ensinamentos da Cabalá. A única informação que temos encontra-se em uma carta do Rav Ashlag na qual escreve: "Na sexta-feira, no décimo segundo dia de Marchesvan, em 1919, uma certa pessoa me visitou… Eu imediatamente senti que se tratava de um homem santo. Ele prometeu revelar a Sabedoria da Cabalá em todas as suas facetas. Estudei com ele por cerca de três meses… À medida que fiquei mais proficiente, meu mestre sagrado foi se afastando, até que no fim desses três meses, desapareceu completamente. Procurei por ele mas não o encontrei. Na manhã do nono dia de Nissan, o encontrei, quando então me revelou um mistério tão profundo que me deixou paralisado… Já que ele parecia estar muito fraco, fiquei com ele e não saí do seu lado. No dia seguinte, o décimo de Nissan, meu mestre sagrado faleceu. Ele era um comerciante proeminente de Varsóvia, admirado por sua integridade, mas ninguém sabia que era também um grande cabalista. Ele me fez prometer que nunca revelaria sua identidade à ninguém".



Em 1922, Rav Ashlag estabeleceu-se em Jerusalém, onde viveu com sua família num pequeno apartamento de sótão numa ruela estreita, próxima ao Muro das Lamentações, e estudou na Yeshivá Chayei Olam. Logo foram reconhecidos sua misericórdia extraordinária e profundo conhecimento de Chochma Nistar (Sabedoria Oculta), e um grupo de jovens alunos passou a ouvir fervorosamente às suas exposições sobre os ensinamentos do Ari a respeito do Zohar, como anunciado no Etz Chaim. Entretanto, sua extrema pobreza o forçou a aceitar o posto de Rabino em Givat Shaul, uma nova sessão nas proximidades de Jerusalém, onde estabeleceu uma Beit Midrash e Kollel chamados Ittur Rabbanim. Suas palestras sobre Cabalá, dadas de forma lúcida e sistemática, atraiu um grande número de seguidores.



Nos últimos dez anos da sua vida, Rav Ashlag viveu em B'nie Brak e Tel Aviv. Foi lá que completou sua maior obra HaSulam (a Escada), vinte e um volumes em hebraico da tradução e interpretação do Zohar, acompanhados de uma extensa introdução, que fornece a chave para os conceitos cabalísticos do Zohar. E explica o título dizendo: "Se a pessoa tem o sótão cheio de jóias preciosas, tudo o que ela precisa é de uma escada para alcançar esses tesouros".



No Yom Kipur de 1955, Rabi Yehuda Leib Ashlag faleceu deixando dois filhos - Rabi Baruch Shalom, que faleceu em 1983, e Rabi Binyamin, que fundou um Kollel em B'nie Brak, onde dissemina ensinamentos cabalísticos entre chassidim e estudantes de Cabalá.


domingo, 9 de setembro de 2018

Shofar (6)

Estamos entrando em Ioma Arichta, dias prolongados, quando se toca o Shofar. Abaixo, texto no blog da Editora Sefer, de São Paulo, sobre esse tema:

http://blog.sefer.com.br/1166/?utm_campaign=rosh_hashana_2018__os_dois_dias_de_rosh_hashana&utm_medium=email&utm_source=RD+Station

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Shamati (7)



7. O que significa dizer que o hábito se transforma numa segunda natureza?


Quando nos acostumamos com alguma coisa, essa coisa se nos converte numa segunda natureza. Por isso, não existe nada que o homem possa sentir como não sendo sua própria realidade. Isso quer dizer que, embora alguém não tenha sensação alguma em determinada coisa, ainda assim poderá vir a senti-la se se acostumar com ela.



É preciso entender que existe uma diferença entre o Criador e as criaturas no que concerne às sensações. Para as criaturas existe “aquilo que elas percebem” e “aquilo que é percebido”, ou, o que é a mesma coisa, aquele que alcança e aquilo que foi alcançado. Isto significa que temos alguém que sente e que está conectado com certa realidade.



Sem dúvida, uma realidade sem alguém que a perceba é o Criador em si. Nele “não existe pensamento nem sensação alguma”. Isto não é assim em relação a uma pessoa: sua existência como um todo existe somente por meio da sua própria sensação de realidade. Inclusive, a validez da sensação de realidade é comprovada apenas por aqueles que a percebem.



Noutras palavras, aquilo que o “perceptor” experimenta ou sente é o que ele próprio considera verdadeiro. Se alguém experimenta algo amargo em determinada circunstância, isto é, que se sente mal na situação em que se encontra e se sofre por causa desse estado, então essa pessoa é considerada malvada no que diz respeito ao Trabalho, já que condena o Criador, pois Ele é chamado Bom e Benfeitor porque doa somente bondade ao mundo. No entanto, ainda assim, com respeito às sensações dessa pessoa, ela sente que recebeu o contrário, isto é, que a situação em que ela se encontra é ruim.



Por isso devemos compreender o que disseram os nossos Sábios (Talmud, Berachot 61): “O mundo foi criado somente para os totalmente malvados ou para os totalmente justos”. Isto quer dizer que alguém pode, já seja, provar e sentir o bom sabor do mundo, e assim justificar o Criador e dizer que Deus doa somente bondade ao mundo, ou provar e sentir o gosto amargo do mundo, e, então, ser malvado porque está condenando o Criador.



Resulta que tudo é medido de acordo com a sensação da pessoa. Não obstante, todas essas sensações não guardam relação alguma com o Criador, tal como está escrito no “Poema da Unificação”: “Assim como ela é tu sempre serás, nem escassez e nem excessos em ti haverá”.



Para concluir, todos os mundos e todas as mudanças de estado existem somente no que diz respeito aos receptores, na exata medida em que a pessoa os adquire.


segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Hillulot (7)


Rabi Yehudah Loew de Praga


Talmudista, Cabalista, Rabino Chefe de Praga. Criador do Golem.


18 de Elul | 29/08/2018



Nascido em: Posen, Polônia, 1525

Falecido em: Praga, Bohemia

Mais conhecido como Maharal, uma abreviação de Moreinu Harav Loew.



O Maharal nasceu na noite do Seder de Pessach, em uma distinta família de rabinos cuja ancestralidade remonta ao Rei David. Era o mais jovem de quatro irmãos justos. O Maharal casou-se com Pearl na idade “tardia” de 32 anos e teve cinco meninas e um menino, que recebeu o nome do pai do Maharal, Betzalel.



Em 1553, foi eleito rabino de Nikolsburg e da Província de Moravia, onde residiu durante os 20 anos seguintes. Em 1573, mudou-se para Praga, onde fundou uma yeshivá e tornou-se mentor de muitos alunos excelentes. O mais proeminente deles é o Rabi Lipman Heller, autor do Tosefot Yomtov, sobre a Mishná. Em 1592, o Maharal aceitou a posição de rabino em Posen, retornando à Praga em 1598 para servir como rabino chefe.



Foi um escritor prolífico. Suas obras incluem Tiferet Yisrael, sobre a grandeza da Torá e mitzvot; Netivot Olam, sobre ética; Be’er Hagolah, um comentário sobre os dizeres rabínicos; Netzach Yisrael, sobre exílio e redenção; Ohr Chadash, sobre o Livro de Esther; Ner Mitzvah, sobre Chanukah; Gevurot Hashem, sobre o Êxodo. As obras do Maharal revelam sua ilustre personalidade de profundo pensador, que penetra os mistérios da Criação e da metafísica, ocultando temas cabalísticos em vestimentas filosóficas. Sua abordagem única do pensamento judaico influenciou as ideologias do Chassidismo e do Mussar.



O Maharal criticava os métodos educacionais da sua época, em que os meninos eram educados desde muito cedo, e insistia que as crianças deveriam ser ensinadas de acordo com sua maturidade intelectual. Portanto, nem o Talmud e muito menos o Tosafot deveriam ser ensinados antes de a criança ser mentalmente capaz de compreender integralmente o que está aprendendo. Ele recomendava que o sistema proposto no Pirkei Avot deveria ser seguido.



O Maharal era um líder forte na sua comunidade, e tornou-se personagem de muitas lendas, nas quais aparece como defensor da comunidade judaica de Praga contra todos os seus inimigos, sendo auxiliado por um Golem, um autômato criado por ele e a quem deu vida colocando palavras sagradas na sua boca.



Sua companhia e conselho eram procurados por reis e membros da nobreza, o que gerou e coloriu muitas lendas.



A sinagoga do Maharal, Altneu Schul, existe ainda hoje e é preservada como um santuário pelas autoridades municipais de Praga que, em 1917, erigiram uma estátua em sua homenagem. No mundo da Torá, o Maharal continua vivo nas suas obras, que são uma fonte permanente de Sabedoria e inspiração.



Livros sobre o Maharal:

Maharal: Padrões Emergentes (Inglês)

O Golem de Praga (Inglês)

O Maharal de Praga (Inglês)

HaMaharal Mi-Prague (Hebraico)



Que o mérito do tzadik Rabi Yehudah Loew, O Maharal de Praga, proteja a todos nós, Amém.


quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Emanações de Chochmá (8)


  

O castigo por uma transgressão (ou iniqüidade, como prefiro chamar) não é uma punição, mas o não-recebimento de uma determinada mitzvá (uma mitzvá é uma qualidade ou midot do Criador).



O mal (ou transgressão) foi criado pelo Criador, para que pudéssemos exercer o livre-arbítrio. Sucumbir ao mal (desejo de receber somente para si mesmo) é ser escravo da própria natureza, ou do Nashach (Serpente).



Por isso, na estatuária antiga, esculpidas em épocas em que os povos ainda tinham Sabedoria, o herói (ou tzadik) tem sempre o pé sobre a cabeça da Serpente subjugada. O herói (o tzadik) triunfa sobre o seu desejo de receber somente para si mesmo, enquanto que o escravo (o rachá), fracassa.



Cumprir uma mitzvá é uma libertação do desejo de receber somente para si mesmo. Ao cumprirmos uma mitzvá doamos a Elohim, nosso Criador. Com isso, com nossos atos, nossas palavras e nossos pensamentos iluminamos os Mundos Superiores. Como conseqüência por esse Avodat Hashem, e como resultado direto da Lei das Raízes e dos Ramos (ensinada por Moisés, no deserto), o Superior doa ao inferior, inundando-o de Shefa. Ou Manah. Manah significa para aqueles que sabem, e somente para aqueles que sabem, Man Hu.

Shamati (137)

    137. Zelofeade estava coletando madeira (Ouvi em Tav - Shin - Zayin , 1946-1947)   Zelofeade estava coletando madeira. O Zohar i...