quarta-feira, 25 de agosto de 2021

Kabbalah Sem Segredos (66)

Mito: a Kabbalah é um assunto da Nova Era  

 

Hoje em dia, muita gente utiliza as conhecidas técnicas da Nova Era, com a intenção de transformação de vida e de destino. Popularizado pela mídia no princípio dos anos 80, o termo Nova Era veio a significar qualquer tema espiritual que ficasse de fora do domínio das religiões ocidentais tradicionais. A oração, a meditação, as práticas ancestrais de cura, o poder energético dos cristais, os conceitos religiosos orientais e os milagres e fenômenos que a ciência ocidental não é capaz de explicar foram colocados sob o carimbo de Nova Era.

 

A conclusão de que a Kabbalah fosse um assunto da Nova Era foi natural. A Kabbalah se refere a assuntos espirituais, como acontece com as práticas da Nova Era. O pensamento da Nova Era, sem dúvida, enfatiza os caminhos individuais na busca da espiritualidade e propõe uma espécie de sistema de crenças combinado e mesclado.

 

Apesar de a Kabbalah basear-se no individual, seu estudo é um método rigoroso e prescrito que quase não permite flexibilidade alguma. Noutras palavras, não se trata de “cada um faz como quer”. E também não há nada de “novo” na Kabbalah, pois ela existe há mais de 5000 anos.

 

quinta-feira, 19 de agosto de 2021

Kabbalah Sem Segredos (65)

 A Kabbalah é um culto

 

A palavra culto, segundo o American Heritage Dictionary, provem do Latim cultus, que significa “adoração” e deriva do particípio passado de colere, “cultivar”. Sem dúvida, em nossos tempos, o termo culto adquiriu uma conotação negativa que, ainda de acordo com esse dicionário, significa uma “religião ou seita religiosa que em geral se considera extremista ou falsa, na qual seus seguidores vivem de maneira não convencional sob a liderança de um guia autoritário e carismático”.

 

É possível que existam muitos grupos espirituais no mundo que pratiquem várias cerimônias aparentemente relacionadas com a Kabbalah. No entanto, esses grupos não estão relacionados com esta. A Kabbalah não inclui cerimônias nem rituais, tampouco contem o elemento de adoração presente no significado latino da palavra culto. Logo, a Kabbalah não é um culto, mas um modo de compreender nossa natureza humana e espiritual.

 

Observe que, na busca por satisfação espiritual, algumas pessoas selecionaram alguns elementos da Kabbalah e os incorporaram ao seu sistema de crenças. Uma pessoa pode acreditar que se acerca da verdade, ou da Fonte, ou da Eternidade, mas tudo isso não passa de uma ilusão sob o ponto de vista da Kabbalah. Esses sistemas de crenças tendem a basear-se na direção de um indivíduo ou de um grupo muito fechado.

 

Na verdade, todas as religiões baseiam-se num certo profeta, uma pessoa que se conectou com a espiritualidade e fez circular seus conhecimentos entre a população. Todas, tanto o judaísmo como qualquer outra religião, começaram com uma pessoa que revelou a sublime verdade. O Criador apareceu diante desse profeta, o fundador. Os livros cabalísticos, por outro lado, descrevem o que sente uma pessoa que experimenta este mundo e o mundo superior simultaneamente. O autor descreve as suas experiências num mundo que os outros não sentem, e, assim, abre esse mundo para que os demais possam sentir por si mesmos.

 

Esta é a razão porque um mestre cabalista não vincula os estudantes a si mesmo. Em lugar disso, ele mostra o livro, o grupo e lhes diz que estudem. Tu descobrirás o Criador no teu Interior. Na Kabbalah, um profeta não é uma pessoa, mas um nível que existe dentro de cada um de nós. Tudo o que o mestre faz é ajudar-nos a encontrar esse profeta em nosso interior.

 

A Kabbalah entende que nós somos seres humanos, com todas as fragilidades e fortalezas que isso sugere. Contudo, ela também nos recorda que temos a capacidade de transcender a realidade cotidiana para entrarmos em contato com a nossa natureza espiritual. Noutras palavras, ajuda-nos a aproveitar ao máximo a nossa humanidade para benefício de todos.


Portanto, a Sabedoria da Kabbalah é um método para alcançar o Criador que está disponível a todos. Em grande medida, é como um “programa de computador aberto”, sem reservas de direitos autorais, próprio do mundo moderno, e que está disponível para que todos o utilizem e o modifiquem de acordo com suas próprias necessidades. A Kabbalah permite a qualquer pessoa a aceder por si mesma, sem mediador algum, a um contato espiritual com o Criador.

 

Nos Livros cabalísticos, as pessoas que alcançaram a percepção espiritual descrevem o processo que seguiram, passo a passo, de tal modo que os leitores possam segui-los e lograr esses objetivos por si mesmos. De fato, existe uma força especial nos livros cabalísticos: qualquer pessoa que os estude sob a direção de um mestre adequado pode alcançar o mesmo grau espiritual que alcançou o autor do livro. Tua conexão espiritual com o Criador baseia-se em teus próprios descobrimentos a respeito Dele, e não na liderança carismática de quem encabeça um culto qualquer.

 

No caminho: Eis aqui uma boa pergunta para fazeres a ti mesmo. O que pensarias de uma pessoa que se aproximasse de ti e te dissesse: “Não podes usar, encontrar, comunicar-te de forma alguma com o Criador. O Criador é uma marca registrada e eu tenho todos os direitos dessa marca”.

 

quinta-feira, 12 de agosto de 2021

Kabbalah Sem Segredos (64)

O mal de olho

 

Talvez os cabalistas não acreditem no karma em si mesmo, mas reconhecem que os seres humanos podem exercer uma influência direta sobre o bem estar uns dos outros. Os cabalistas utilizam essa expressão mal de olho para representar essa ideia do dano psicológico transferido entre as pessoas. Os cabalistas acreditam que toda a pessoa afeta aos demais com sua força interna. É um fenômeno psicológico que existe como uma influência em todos os corpos, tanto nos imóveis como nos vegetativos, animados ou humanos, entre si. Popularmente, isso é conhecido como “influência espiritual”. Certamente não é influência espiritual, mas influência energética. É uma Influência muito poderosa porque o desejo de um indivíduo afeta os demais. 

 

Alerta vermelho: Alguns acreditam que uma pessoa deve anular seu ser físico para aproximar-se do Criador. A Kabbalah estabelece com muita claridade que tudo o que necessitas fazer é mudar as tuas intenções, não as ações mesmas. Quanto mais tu ficares obsessivo com ações físicas que “limpariam” a tua alma, mas distante ficarás do caminho. Não precisas viver como um asceta para colocar em prática os princípios da Kabbalah. Corrija apenas as tuas intenções.

 

quarta-feira, 4 de agosto de 2021

Kabbalah Sem Segredos (63)

 

Existe Karma na Kabbalah

 

O karma, um conceito do hinduísmo, baseia-se no princípio de retribuição cósmica de que os bons atos serão recompensados e de que os maus atos serão castigados. Em termos simples, o karma seria a soma total das ações de uma pessoa e que os atos determinariam o destino. Dado que essa crença se refere a vida neste Mundo e ignora o Mundo Superior, não é utilizado pelos cabalistas.

 

 

quinta-feira, 29 de julho de 2021

Kabbalah Sem Segredos (62)


Mito: Kabbalah é magia

 

É um erro comum se pensar que a Kabbalah se relacione com previsão de futuro, revelações do passado e estudo do presente. A definição de Kabbalah, como estabelecido no capítulo 2 é a “Revelação do Criador à Sua criatura neste mundo” e agora mesmo, não depois da morte. Talvez algumas pessoas tenham imaginado esse paralelismo por conta da percepção de aspectos secretos em torno dessa Sabedoria.

 

De qualquer modo, a Kabbalah não tem nenhuma conexão com magia, e de fato proíbe a adivinhação da fortuna ou qualquer intento de averiguar o destino do corpo físico. O corpo é temporal, desdenhável, e, portanto, insignificante. Não merece mais atenção além da questão de como ele deve servir à alma.

 

domingo, 25 de julho de 2021

Kabbalah Sem Segredos (61)

 

Mito: Deves ter 40 anos de idade, ser homem e estar casado

 

É verdade que, no passado, a pessoa devia ter ao menos 40 anos de idade, ser homem e estar casado para estudar Kabbalah, mas isso foi num passado distante. O Ari, o rabino Isaac Lúria, abriu o estudo dessa ciência para todas as pessoas já no século XVI.

 

Como explicaremos com maior profundidade no próximo capítulo, o Ari determinou que a partir da sua geração a Kabbalah seria permitida a todos: homens, mulheres e crianças. Tudo o que se necessita é um desejo e uma paixão pela espiritualidade e uma busca do significado da vida. Estes são, hoje em dia, os únicos requisitos para o estudo da Kabbalah. Apesar de o Ari ter instruído a seu leal estudante, Chaim Vital, a manter em segredo o seu conhecimento, também se referiu àquela geração como a última, o que significa a última geração da corrupção e a primeira geração do período de correção.

 

Kab-trívia: Uma famosa história sobre os estudantes do Ari demonstra o quão maduros estavam os tempos ao juízo desse mestre. Certo dia, ele disse aos seus alunos: “Se todos nós formos a Jerusalém (eles viviam no norte, em Safed), conseguiremos terminar as nossas correções e alcançaremos o grau mais alto. Apenas precisamos fazer isto juntos. Apesar do pedido do mestre, a maioria dos alunos não conseguiu ir com ele: um tinha um filho doente, outro não conseguiu autorização da esposa para viajar, e outro não tinha energia necessária para uma caminhada tão longa. Eles permaneceram em Safed e a Gmar Tikun (correção final) se afastou de todos nós. No entanto, o Ari acreditava que era possível alcançar a correção.  

 

quinta-feira, 22 de julho de 2021

Kabbalah Sem Segredos (60)

  

Mito: A Kabbalah é uma religião

 

Esta é uma confusão muito comum e que vale a pena esclarecer desde o princípio. A Sabedoria da Kabbalah não se relaciona com nenhuma religião ou crença. Não tem nada a ver com meditações, profecias, questões religiosas e inclusive o estado mental de um indivíduo. No entanto, as religiões são combinações de rituais desenhados pelos seres humanos para apoiá-los em suas existências terrenas. Embora as religiões como o judaísmo e o cristianismo tenham conceitos similares do Mundo Superior (o céu, a vida depois da morte e etc), grande parte das religiões ensina como devem existir os seres humanos no mundo temporal. A Kabbalah é considerada mais uma ciência do que uma religião. Como tal, ela estuda e proporciona uma maneira de se compreender o núcleo essencial da humanidade, do Mundo Superior, do Universo inteiro e do Criador. O resultado desse estudo é o descobrimento de que a humanidade deseja ser semelhante ao Criador. A Sabedoria da Kabbalah é a ciência do sistema da criação e de seu manejo.

 

A Kabbalah ensina como qualquer pessoa pode aceder à revelação do sistema da criação. Toda alma, toda pessoa, deve, em última instância, lograr uma sensação completa da criação inteira e não somente da pequena parte que percebe em seus cinco sentidos. A Kabbalah não trata tanto de se adorar uma deidade ou de se aderir a um sistema de crenças, como tendem a ser as religiões. Pelo contrário, trata de avançar à união com o restante da criação em seu sentido mais pleno.

 

Uma das diferenças-chave entre Kabbalah e religião é que o cabalista assume uma perspectiva ativa e um indivíduo religioso assume uma perspectiva passiva. Noutras palavras, uma pessoa religiosa reza para pedir benefícios ao Criador. Por exemplo, se ela estiver doente, rezará para que o Criador lhe garanta saúde. Um cabalista, por outro lado, reza ao Criador para pedir correção e, na maioria dos casos, ignora por completo a sua saúde pessoal. Esta pessoa diz ao Criador: “Transforma-me”, em lugar de “Muda o teu jeito de me tratar”.

 

No caminho: Uma pessoa religiosa crê que uma força superior que a governa determina todas as leis que o indivíduo deve cumprir. A Kabbalah é diferente porque agrega a oportunidade de se sentir o Criador de modo direto. É indiferente se alguém respeita determinadas leis religiosas, porque a nossa única preocupação é o nosso contato interno com o Criador.

 

Outra confusão é que a Kabbalah seria um “assunto judaico”. Na verdade, as raízes da Kabbalah não se encontram no judaísmo, mas se estendem aos dias da Babilônia, antes do nascimento do judaísmo. A Kabbalah começou ao redor de 5000 anos atrás, na Mesopotâmia (que agora é o Iraque), na cidade da Babilônia. O judaísmo tal como nós o conhecemos começou depois da destruição do II Templo, há aproximadamente 2000 anos. Os cabalistas sustentam que Moisés recebeu as 613 leis da Kabbalah, um conjunto de ações espirituais que se realizam de modo interno. Quando essas 613 ações são realizadas, alcança-se a união plena com o Criador, que já descrevemos.

 

O judaísmo, por outro lado, é uma coleção de normas que ditam como devemos nos conduzir neste mundo temporal e físico. A Kabbalah ensina algo muito diferente do que tradicionalmente nos exigem saber neste mundo, de que maneira devemos prover o nosso sustento, de como devemos nos comportar, de como devemos nos vestir. Como dissemos antes, a Kabbalah se relaciona com o Mundo Superior. Este mundo e nossos corpos físicos servem somente como degraus para que nos acerquemos do Mundo Superior. Assim, vemos que a Kabbalah na realidade não é judaísmo e nem sequer compartilha dos mesmos temas.

 

De fato, a Kabbalah pode ser vista como oposta às práticas religiosas. Esta Sabedoria te dirige de maneira natural à reflexão e à transformação interna, que te afastam da realização de rituais e de seguir qualquer mandamento religioso. 


Esta é a razão pela qual as religiões tendem a se opor à Kabbalah.

 

Shamati (137)

    137. Zelofeade estava coletando madeira (Ouvi em Tav - Shin - Zayin , 1946-1947)   Zelofeade estava coletando madeira. O Zohar i...