segunda-feira, 3 de abril de 2023

Shamati (122)


122. Para entender o que está escrito no Shulchan Aruch

(Ouvi na véspera do Shabat, Nitzavim, 22 de Elul, Tav-Shin-Bet, 4 de setembro de 1942)

 

Entenda o que é explicado no Shulchan Aruch [Mesa Posta - o Código Judaico da Lei]: A regra é que o indivíduo deveria refletir repetidamente sobre as orações dos “Dias Terríveis” para que esteja acostumado a rezar quando o tempo delas chegar.

 

A questão é que a oração deveria estar no coração. Esse é o significado do “Trabalho no Coração”, que o coração concorde com o que diz a boca do indivíduo (senão, é enganoso, ou seja, a boca e o coração do indivíduo não são iguais). Portanto, no mês de Elul, o indivíduo deveria se acostumar ao grande trabalho.

 

E a coisa mais importante é que o indivíduo possa dizer “Escreva-nos no Livro da Vida”. Isso significa que, quando diz Escreva-nos no Livro da vida, também o coração deve concordar (para que não seja como uma adulação) que a boca e o coração sejam iguais, “Porque o homem vê o que está diante dos seus olhos, mas o Eterno olha para o coração” (Samuel 16:7).

 

Da mesma forma, quando o indivíduo chora ao dizer Escreva-nos no Livro da vida, “vida” significa Dvekut (Adesão) com a Vida das Vidas, a qual se dá especificamente pelo desejo da pessoa de trabalhar inteiramente na forma de doação, de modo que todos os seus pensamentos e o seu próprio prazer sejam revogados. Então, quando sente o que está dizendo, seu coração pode temer que sua oração seja aceita, no sentido de que não tenha mais qualquer desejo para si mesmo.

 

E sobre o prazer próprio, surge um estado em que parece que o indivíduo abandona todos os prazeres deste mundo, junto com todas as pessoas, amigos, sua família, todas as suas posses, e se retira para o deserto onde não há nada além de feras selvagens, sem que ninguém saiba dele ou de sua existência. Parece que ele perde o seu mundo de uma só vez, e sente que está perdendo um mundo cheio de vida, e o troca por uma morte que vem desse mundo. Quando percebe essa imagem, sente como se estivesse cometendo suicídio.

 

Às vezes, a Sitra Achra (o Outro Lado) o ajuda a visualizar o seu estado com todas as cores escuras. Então, o corpo repele essa oração e, em tal estado, a sua oração não pode ser aceita, pois ele mesmo não quer que sua oração seja aceita.

 

Por essa razão, deve haver preparação para a oração, para que o indivíduo se acostume a ela, como se sua boca e o seu coração fossem iguais. E o coração pode vir a concordar por meio do costume, para que entenda que a recepção significa separação, e que o mais importante é a Dvekut com a Vida das Vidas, a qual é doação.

 

O indivíduo deve sempre mergulhar no trabalho de Malchut, chamado “Escrever”, considerado “Tinta” e Shacharit (Escuridão). Isso significa que ele não deve querer que o seu trabalho seja na forma de “Livni e Shimei”[1], e que apenas no tempo da brancura ele deve aderir à Torá e às Mitzvot, mas incondicionalmente. Seja no branco ou no preto, deve ser sempre o mesmo para ele e, seja o que for, ele vai aderir aos mandamentos da Torá e das Mitzvot.



[1] Livni também significa brancura..

quinta-feira, 23 de março de 2023

Shamati (121)

  

121. Ela é como navios mercantes

(Eu ouvi)

 

No versículo “Como as naves mercantes, de longe provê seus mantimentos” (Provérbios 31:14), quando o indivíduo exige e insiste “Ela é toda minha”, que todos os desejos sejam dedicados ao Criador, a Sitra Achra (Outro Lado) desperta contra ele e afirma “Ela é toda minha” também. Então, há uma troca. Uma troca significa que uma pessoa quer comprar determinado objeto, e o debate entre comprador e vendedor é sobre seu valor, no sentido de que cada um afirma ter razão.

 

E aqui o corpo examina a quem vale a pena escutar: Ao receptor ou ao que dá a força. Ambos argumentam claramente: “Ela é toda minha”. E no momento em que pessoa vê a sua humildade, que nela também há faíscas que não concordam em observar a Torá e as Mitzvot nem mesmo como um ponto no nada, e que o corpo inteiro argumenta “Ela é toda minha”, então “De longe provê seus mantimentos”.

 

Mantimentos significa fé. Nesse estado, o indivíduo é premiado com fé permanente, pois “Deus assim o fez para impôr Seu temor” (Eclesiastes 3:14). Isso significa que todos os afastamentos que o indivíduo sente foram trazidos pelo Criador, para que ele tenha a necessidade de tomar sobre si o Temor dos Céus.

 

Esse é o significado de “Nem só de pão vive o homem, senão de tudo o que sai da boca do Eterno” (Deuteronômio 8:3). Isso significa que a vida de Kedushá numa pessoa não vem especificamente da aproximação, das entradas, das admissões na Kedushá, mas também das saídas, dos afastamentos. É assim porque ao vestir a Sitra Achra, e as suas reclamações de que Ela é toda minha, no próprio corpo, com um argumento justo, o indivíduo é premiado com a fé permanente para superar esses estados.

 

Isso significa que ele deveria dedicar tudo ao Criador, ou seja, saber que mesmo as saídas emanam Dele. Quando é recompensado, ele vê que tanto as saídas como as entradas vieram todas Dele. Isso força o indivíduo a ser humilde, pois ele vê que o Criador faz tudo, as saídas bem como as entradas.

 

Esse é o significado do que é dito sobre Moisés, que ele era humilde e paciente. O indivíduo deve tolerar a humildade, no sentido de que deve manter a humildade em cada nível. No momento em que deixa de ser humilde, ele imediatamente perde todos os níveis de Moisés que já havia atingido.

 

Esse é o significado da paciência. A humildade existe em todo mundo, mas nem toda pessoa sente a humildade como uma coisa boa. Acontece que não queremos sofrer. No entanto, Moisés tolerou a humildade, e por isso ele era chamado “Humilde”, pois a humildade o fazia feliz.

 

Essa é a regra: “Onde não há alegria, a Shechiná não habita.” Portanto, durante o período de purificação, não pode haver a Shechiná, apesar de a purificação ser algo necessário (Como quando entra banheiro. Apesar de precisar entrar lá, o indivíduo está certo de que ali não é o Palácio do Rei).

 

Esse é o significado de Brachá (Bêncão) e Bechorá (Antiguidade, Classificação), cujas letras são as mesmas em hebraico. Bechorá representa GAR, e a Sitra Achra quer as GAR (Guímel Rishonot, as 3 primeiras Sefirot), mas não as Bênçãos, já que uma Bênção representa a Vestimenta dos Mochim. E Esaú queria a primogenitura sem a Vestimenta, mas é proibido receber Mochim sem Vestimenta. Esse é o significado das palavras de Esaú: “Mas certamente reservaste para mim uma Bênção?” (Gênesis 27:36). “Uma Bênção” é o oposto de “bênçãos”, isto é, uma infâmia. Sobre isso é dito: “Sim, amava injuriar e condenar, e foi apresentado; e não se regozijava na bênção”.

quinta-feira, 16 de março de 2023

Shamati (120)

 

120. A razão para não comer nozes em Rosh Hashaná
(Ouvi no final de Rosh Hashaná, Tav-Shin-Guimel, 1942, Jerusalém)

 

A razão para não comer nozes em Rosh Hashaná (o ano novo) é que a Gemátria de Egoz (Noz) é Chet (Pecado). E ele perguntou: “Mas Egoz, na Gemátria, é Tov (Bom)?” E ele disse que Egoz indica a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal.

 

E antes que o indivíduo se arrependa a partir do amor, o Egoz nele ainda é um pecado. E aquele a quem já foi concedido o arrependimento a partir do amor, os seus pecados se tornam méritos. Segue-se que o pecado se tornou bom, e então é permitido que ele coma nozes. É por isso que devemos ver que comemos apenas coisas que não têm qualquer vestígio de pecado, as quais são consideradas Árvore da Vida. Porém, coisas que têm Gemátria de Chet indicam a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal.

 

 

segunda-feira, 13 de março de 2023

Shamati (119)

 

119. Aquele discípulo que aprendeu em segredo

(Ouvi em 5 de Tishrei, Tav-Shin-Guimel, 16 de setembro de 1942)

 

Aquele discípulo que aprendeu em segredo, Bruria bateu nele e disse: Existe “Ordenado em todas as coisas”, se ordenado nas 248. Em segredo significa Katnut (Pequenez, infância), derivado da palavra Chash-Mal. Chash significa Kelim de Panim (Vasos anteriores), e Mal significa Kelim de Achor (Vasos posteriores), os Kelim abaixo de Chazeh (Peito), os quais induzem à Gadlut (Grandeza, idade adulta).

 

Aquele discípulo pensou que se fosse premiado com o estado de Chash, um desejo de doar, e se todas as suas intenções fossem apenas para doar, então ele seria premiado com tudo. Mas o Propósito da Criação dos Mundos foi fazer o bem às Suas criações, receber todos os prazeres sublimes, para que o homem atinja sua estatura completa, mesmo abaixo de Chazeh, ou seja, a totalidade de 248. É por isso que Bruria lhe disse o versículo “Ordenado em todas as coisas”, em todas as 248.

 

Isso significa que ele estenderia abaixo do Chazeh também, no sentido de que deveria também atrair Gadlut. Isso é Mal, fala, considerado Revelação, ou seja, revelar o nível inteiro. No entanto, para evitar prejuízo, o indivíduo deve primeiro receber Katnut, chamado Chash, o qual está em segredo, ainda não revelado. Depois, o indivíduo precisa fazer o escrutínio também do discernimento de Mal, Gadlut, e então o nível completo será revelado.

 

Isso é “Ordenado e Seguro”, quando Katnut já está estabelecida nele e o indivíduo já pode atrair a Gadlut sem medo.

 

 

terça-feira, 7 de março de 2023

Shamati (118)

 

118. Para entender a questão dos joelhos que se dobraram para Baal
(Eu ouvi)

 

Há o discernimento de uma esposa, e há o discernimento de um marido. Considera-se que a esposa “Não tem nada além do que o marido dá a ela”, e considera-se que o marido atrai abundância para o seu próprio aspecto. Joelhos são considerados “Dobrar”, como está escrito: “A Ti todo joelho se dobrará.”

 

Há dois discernimentos sobre “Dobrar”:

 

1. Aquele que se ajoelha perante de quem é maior, e apesar de não saber o seu mérito, acredita que ele é maior, e então se curva perante ele;

 

2. Quando sabe da sua grandeza e mérito com total clareza.

 

Há também dois discernimentos a respeito da “Fé na grandeza do Superior”:

 

1. Ele acredita que é elevado porque não tem outra escolha, ou seja, não tem como saber a sua grandeza;

 

2. Ele tem uma maneira de saber a sua grandeza com total certeza, mas ainda assim escolhe o Caminho da Fé porque “Ocultar algo é a glória de Deus”. Isso significa que,  mesmo havendo faíscas no corpo que querem especificamente conhecer a Sua grandeza, e não ser como uma besta, ele ainda assim escolhe a “Fé Acima da Razão”.

 

Assim, aquele que não tem outra escolha, e escolhe a fé, é considerado uma mulher, feminina (“Tornou-se fraco como uma mulher”), e ela apenas recebe do seu marido. Mas aquele que tem uma escolha e ainda assim luta para seguir pelo Caminho da Fé é chamado “Um homem de guerra”. Portanto, aqueles que escolhem a fé quando tinham a opção de andar pelo Caminho do Conhecimento (chamado Baal, marido, deus cananita), são chamados “Aqueles que não se ajoelharam para Baal”. Isso significa que eles não se renderam ao Trabalho de Baal, considerado “Saber”, mas escolheram o Caminho da Fé. 

 

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023

Shamati (117)

 

117. Trabalhou e não encontrou? Não acredite.

(Eu ouvi)

 

A necessidade do Trabalho é uma exigência. Já que o Criador dá um presente ao homem, Ele quer que o homem sinta o benefício nesse presente. Senão, a pessoa seria como um tolo, como disseram os nossos sábios: “Quem é um tolo? Aquele que perde o que lhe foi dado.” Porque não aprecia a importância da questão ele não presta atenção na preservação do presente.

 

Há uma regra de que o indivíduo não sente importância em nada se ele não tem necessidade por alguma coisa. Na medida da necessidade e do sofrimento, se ela não é atendida, nessa exata medida o indivíduo sente alegria, prazer e contentamento na satisfação da necessidade. É como alguém que recebe todo tipo de boas bebidas, mas se ele não está com sede, não vai sentir nada, como está escrito, “Como água gelada para uma alma fraca.”

 

Portanto, há um costume quando refeições são servidas a fim de agradar as pessoas: Quando preparamos carne e peixe, e todo tipo de coisas boas, tratamos de servir também coisas amargas e quentes, como mostarda, pimentas, comidas azedas e salgadas. Tudo isso é para evocar o sofrimento da fome, pois quando o coração sente um sabor apimentado e amargo, ele evoca a fome e a deficiência, as quais o indivíduo precisa satisfazer com a refeição das coisas boas.

 

Ninguém perguntaria: “Por que eu preciso despertar a fome? Afinal, não deveria o anfitrião preparar apenas a satisfação para a necessidade, ou seja, a refeição, e não preparar coisas que evocam a necessidade de saciação?” A resposta óbvia é que, como o anfitrião quer que as pessoas apreciem a refeição, é na mesma medida em que elas têm uma necessidade pela comida que vão apreciar a refeição. Segue-se que, se ele fornece muitas coisas boas, isso ainda não as ajudará a apreciar a refeição devido à razão acima de que não há preenchimento sem uma falta.

 

Portanto, para ser recompensado com a Luz do Criador, é preciso também haver uma necessidade. E a necessidade para isso é o Trabalho. Na medida em que o indivíduo se esforça e pede pelo o Criador durante a maior Ocultação, nessa medida ele se torna necessitado do Criador, para que o Criador lhe abra os olhos a fim de andar no Caminho do Criador. Então, quando o indivíduo tem esse Kli (Vaso) de uma deficiência, quando o Criador lhe dá alguma ajuda de Cima, ele saberá como guardar esse presente. Acontece que o Trabalho é considerado Achoraim (Posterior, de costas). E quando ele recebe o Achoraim, ele tem um lugar no qual ser recompensado com o Panim (Face, de frente).

 

Sobre isso, é dito: “Um tolo não tem desejo pela Sabedoria.” Isso significa que ele não tem uma necessidade forte para se esforçar a fim de obter Sabedoria. Portanto, ele não tem Achoraim, e, naturalmente, não pode ser premiado com o Discernimento de Panim.

 

Esse é o significado de “Assim como é o sofrimento será a recompensa”. Ou seja, o sofrimento, chamado “Trabalho”, faz o Kli (VBaso), para que o indivíduo seja premiado com a Recompensa. Isso significa que, na medida em que ele se arrepende, nessa medida ele pode, depois, ser recompensado com alegria e prazer.

 

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023

Shamati (116)

 

116. Aquele que disse: “Mitzvot não exigem intenção”

(Eu ouvi)

 

Mitzvot (Mandamentos) não exigem intenção”, e “A recompensa por uma Mitzvá (singular de Mitzvot) não está neste mundo”. Isso significa que aquele que diz que as Mitzvot não exigem intenção acredita que a recompensa por uma Mitzvá não está neste mundo. Uma intenção é a razão e o sabor na Mitzvá. E essa é a verdadeira recompensa da Mitzvá.

 

Se uma pessoa sente o sabor de uma Mitzvá e entende o seu raciocínio, não precisa de nenhuma recompensa maior. Portanto, se as Mitzvot não exigem intenção, de qualquer forma a recompensa por uma Mitzvá não está neste mundo, pois o indivíduo não sente qualquer sabor ou qualquer razão na Mitzvá.

 

Segue-se que, se o indivíduo está num estado em que não tem nenhuma intenção, então ele está num estado em que a recompensa por uma Mitzvá não está neste mundo. Porque a recompensa por uma Mitzvá é o sabor e a razão. Se ele não tem isso, ele certamente não tem nenhuma recompensa por uma Mitzvá neste mundo.

 

Shamati (137)

    137. Zelofeade estava coletando madeira (Ouvi em Tav - Shin - Zayin , 1946-1947)   Zelofeade estava coletando madeira. O Zohar i...