sábado, 23 de janeiro de 2021

O Tzimtzum Beit: Chamado de Tzimtzum NHY de AK (58)


58. No princípio, o Criador tencionou criar o mundo com as propriedades de “Din” (Julgamento). Isso significa que se algo fosse criado com o “material” que constitui as primeiras nove Sefirot, este possuiria apenas o “desejo de doar”. Por outro lado, o que fosse criado com o “material" que se encontra abaixo do Tabur, possuiria apenas o “desejo de receber”.

 

Então, o Criador “viu" que o mundo não poderia existir dessa maneira e misturou o desejo de receber com o desejo de doar. Mas o que isso significa? Ele não sabia desde sempre que o mundo não seria capaz de existir dessa forma? Tudo o que existiu, existe e existirá, a totalidade do Universo, foi formado conforme o princípio de “causa e efeito”. Não há início nem fim, só causa e efeito.

 

Assim, a primeira causa dos mundos (os Partzufim do Mundo de Adam Kadmon, criados antes de todos os outros Mundos) foi a propriedade de Julgamento, isto é, a decisão de Malchut de não receber Luz para seu próprio prazer. Como já foi dito, se o homem tivesse sido criado a partir do Behina Dalet, Malchut, da maneira como se encontrava (Malchut de Malchut, Dalet de Dalet, o “desejo de receber” absoluto, a Única Criação, o restante sendo apenas a transição do Criador para a Criação), ele nunca teria sido capaz de corrigir o “desejo de receber” egoísta.

 

Quando se diz “no princípio o Criador criou o mundo com as propriedades de Julgamento”, isso significa que, inicialmente, Ele criou o Mundo de Adam Kadmon dividido em dois tipos distintos de vasos: o de “doação" e o de “recepção”, Malchut. Entretanto, no interior dessa Malchut não havia uma única faísca sequer do “desejo de doar”, isto é, ela seria incapaz de receber e deixaria de cumprir o Propósito da Criação, satisfazer o Criador. O Criador misturou o “desejo de doar”, Biná, com o “desejo de receber”, Malchut, a fim de que Malchut pudesse receber com intenção altruísta.

 

Para este fim, o Criador elevou a propriedade de julgamento, a força de restrição que há em Malchut, à Biná e as misturou até que Behina Dalet incorporasse as faíscas do “desejo de doar” presentes em Biná. Isso permitiu ao homem, criado posteriormente de Behina Dalet, adquirir as faíscas de doação para que, ao realizar boas ações, mudasse completamente suas propriedades, o “desejo de receber”, garantindo a existência do mundo.

 

Deve-se notar que a fusão de Biná com Malchut é um processo extremamente complexo, que atravessa diversas fases, as quais examinaremos em seguida. No fim, o Criador quebrou tanto Malchut quanto Biná em diversos micro fragmentos e misturou-os de forma homogênea para que cada fragmento tivesse propriedades de Biná e de Malchut. Esse fragmento é a alma do homem.

 

O “Nosso Mundo” é uma categoria espiritual, uma qualidade espiritual de egoísmo absoluto que permanece vazio e incapaz de receber coisa alguma.

 

Antes das almas serem criadas e terem caído ao nível mais baixo possível, considera-se que tudo o mais foi criado pelo Criador. Entretanto, apenas o homem, completamente separado do Criador, pode ser chamado de criação. Quando a criação é preenchida de Luz, não entende nada, está cega e não há livre arbítrio, tudo é pré-determinado interna e externamente. Apenas na medida em que adquire a Masach, Malchut começa a ascender ao nível do Criador.

 

Todos os Partzufim do Mundo de AK (Galgalta, AB, SAG e BON) terminam acima do Tabur de Galgalta. Então como que, de repente, esses Partzufim colocam-se abaixo desse nível? Podemos compreender a descida do Partzuf Nekudot de SAG abaixo do Tabur tendo em mente que esse Partzuf é puramente Biná, que não deseja nada para si mesmo. Não existe Tzimtzum na Luz de Biná, Ohr Hassadim, desta forma, ele pode descer abaixo do Tabur.

 

O Partzuf Nekudot de SAG sente-se perfeitamente bem em qualquer situação, em qualquer lugar do espaço espiritual. Biná se caracteriza por uma liberdade de escolha e comportamento que estão acima de todas as restrições. À medida que a alma adquire as propriedades de Biná, torna-se cada vez mais livre. O Partzuf Nekudot de SAG reluta em receber qualquer coisa e ignora até mesmo o desejo mais intenso, o Aviut Dalet, sendo capaz de descer abaixo do Tabur de Galgalta sem restrições.

 

Tanto a Ohr SAG (Biná) quanto a Ohr AB (Chochmá) descem ao Mundo de Nikudim. Como isso é possível? AB pode descer abaixo do Tabur a fim de corrigir os Partzufim mais baixos, tornando-se semelhante a eles nas suas propriedades ainda que sua missão seja muito diferente.

 

Nenhum dos Mundos constitui os seres criados, mas as vestimentas do Criador, geradas a partir do poder e qualidade de suas restrições, de tal forma que cada alma receba apenas uma certa porção de Luz. As almas se esforçam pelo Criador enquanto retém seu livre arbítrio, uma espécie de escolha ilusória.

 

Os Mundos e os Partzufim são objetos inanimados, “robôs”, destituídos de independência ou livre arbítrio. Somente o homem pode ser considerado Criação, pois consiste na combinação de Malchut de Malchut, a essência do “desejo de receber”, e Biná, o “desejo de doar”.

 

Assim como nos outros mundos, AK consiste de cinco Partzufim. Esses Partzufim emergem devido ao mesmo processo: o despertar e a ascensão da Masach. Keter, Chochmá e Biná. Os Partzufim superiores controlam os mais baixos e são os representantes diretos do Criador, do Seu desejo de fazer cumprir o Pensamento da Criação.

 

Keter, Behina Shoresh, é o pensamento do Criador de criar e doar prazer aos seres criados.

 

Chochmá, Behina Aleph, é o prazer que o Criador deseja doar aos seres criados. Consiste tanto do Vaso quanto da Luz de Chochmá no seu interior.

 

Biná, Behina Beit, é a própria qualidade do Criador, o desejo de nada receber. Todas as Sefirot superiores representam as qualidades do Criador. Com elas, Ele criou a criação e inseriu dois desejos opostos: o desejo de receber prazer e o desejo de doar. Essa dualidade se realiza completamente em Behina Dalet.

 

ZA, Behina Guímel, e Malchut, Behina Dalet, não são qualidades do Criador, mas a consequência destas, sua realização.

 

As qualidades do Criador são definidas de forma diferente em cada Mundo. No Mundo de Nikudim, são chamadas de Keter e Abba ve Ima. No Mundo de Atzilut, de Atik, Arich Anpim e Abba ve Ima. Os nomes mudam, mas o significado permanece o mesmo.

 

Em todos os estágios da Criação, há cinco níveis essenciais. O resultado final é importante: de que forma Behina Dalet atinge a perfeição? Como cada uma das cinco qualidades, que consistem de mais cinco em cada, elevam-se ao nível da perfeição? Cada propriedade da alma corresponde à força específica que a impulsiona para cima, que a corrige, e leva à perfeição absoluta.

 

Logo passaremos a estudar o Mundo de Nikudim. Esse Mundo emergiu e se quebrou para que cada fragmento “partido” da Luz se adaptasse a um fragmento da alma e encontrasse pontos de contato para a futura correção.

 

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

O Tzimtzum Beit: Chamado de Tzimtzum NHY de AK (57)


57. É preciso considerar que não há qualquer vestígio da criação dos quatro mundos de ABYA nesses três Partzufim, e não havia nem lugar para eles, uma vez que Galgalta do Mundo de Adam Kadmon alcança o ponto do nosso mundo. A raiz da correção desejada ainda não foi revelada, o que causou o Tzimtzum Aleph, realizado a fim de proporcionar ao Behina Dalet a oportunidade de receber a Luz Superior e criar o homem a partir disso. O homem, por sua vez, com o auxílio da Torá e dos Mandamentos em prol do Criador, é capaz de transformar recepção em doação.

 

Então, Behina Dalet torna-se o vaso de recepção da Luz Superior, unificando-se com ela a partir de suas propriedades, ainda que a raiz dessa correção ainda não tenha sido revelada no Mundo de Adam Kadmon. Por isso, o homem não deve se constituir apenas de Behina Dalet, o "desejo de receber", mas também de propriedades que remetam às primeiras nove Sefirot, ou seja, o “desejo de doar”, que lhe permite "realizar boas ações” (doação).

 

Se o homem tivesse surgido no estado em que os Partzufim de Adam Kadmon se encontravam, ele não poderia receber luz alguma, pois o Behina Dalet, sendo a raiz do corpo espiritual do homem, estaria abaixo do Sium do Mundo de Adam Kadmon, imerso em escuridão e absolutamente oposto à Luz em suas propriedades. Tivesse o homem sido criado desta forma, ele nunca teria corrigido a si mesmo devido à ausência total do “desejo de doar”. Ele teria sido considerado um animal, vivendo apenas por si e para si mesmo, assim como pecadores atolados no seu “desejo de receber”: mesmo quando realizam boas ações são considerados mortos em vida.

 

O Criador criou apenas uma Criação: Behina Dalet, o “desejo de receber”, o egoísmo, o homem, Malchut. Ao receber Luz no seu interior, Behina Dalet sente-se vazia. No Mundo Espiritual, uma recepção tão direta leva à morte. Ao perceber isso, realiza um Tzimtzum e para de receber Luz, pois deseja ser como o Criador. Mesmo assim, ela não se torna como o Criador, mas deixa de ser oposta a Ele em suas propriedades. O Criador incutiu suas propriedades às quatro fases do desenvolvimento de Malchut, entretanto, uma vez que a própria Malchut deixa de ser uma qualidade Sua, passa a ser chamada de “Criação”, “desejo de receber”.

 

Mas de que forma Malchut pode tornar-se semelhante ao Criador? Para isso, ela precisa receber, mas apenas em benefício do Criador. Se Malchut percebe que, recebendo, agrada o Criador, ela deve fazê-lo.

 

Onde Malchut pode adquirir essas propriedades altruístas? Elas vêm de Biná, pois Biná é o “desejo de doar”. Para consegui-las, é preciso combinar o desejo de Biná de "nada receber" com o desejo de Malchut de “receber para si mesma”. Se isso acontecer, é possível conferir à Malchut o desejo de receber em prol do Criador. Um desejo não pode ser transformado, pois é a nossa natureza e não está sujeito à modificação.

 

Se for possível atribuir essa intenção à Malchut, ela poderá receber toda a Luz do Criador e alcançar a Gmar Tikun. Como podemos aproximar e fundir essas duas propriedades tão opostas? É preciso que elas tenham algo em comum. Para tanto, será necessário quebrar Biná e Malchut, o “desejo de doar” e o “desejo de receber”, misturar muito bem os fragmentos a fim de que cada objeto espiritual que surgir depois dessa quebra possua esses dois desejos.

 

Para que isso ocorra, uma das propriedades de Biná deve ser “corrompida" a fim de se tornar um pouco semelhante à Malchut. Em outras palavras, a intenção de doar para o Criador deve ser “corrompida”, convertida, por assim dizer, no “desejo de doar” para receber. Suas intenções tornam-se semelhantes às de Malchut, ainda que Biná não receba nada e Malchut queira consumir tudo. Dessa forma, Biná “corrompe” sua intenção e torna-se egoísta como Malchut. Resta apenas incluir as propriedades de Biná em Malchut.

 

Isso ocorre através do Zivug de Haka´á, a penetração de impacto, uma explosão que integra as propriedades tão completamente que é quase impossível separá-las. Se isso puder ser feito, seremos capazes de irradiar essa massa homogênea juntamente com a Luz Superior até que Biná recupere sua intenção primária em benefício do Criador. Então, enredada nessa mistura, Malchut também adquire a intenção de receber pelo Criador.

 

No Mundo de Adam Kadmon, o Partzuf Galgalta atua como Keter, AB como Chochmá e SAG como Biná. Deve-se notar que tudo o que existe no Sof de Galgalta, abaixo do seu Tabur, é Malchut. Por isso, a fim de integrar Biná à Malchut, ela deve se posicionar abaixo do Tabur de Galgalta.

 

Assim, Malchut atravessa três estados:

1.               Quando recebe tudo, antes do Tzimtzum Aleph

2.               O estado de Correção

3.               O estado de recepção pelo Criador.

 

Durante todo esse processo, Malchut não muda sua forma de agir, nem antes do Tzimtzum Aleph, nem depois. A correção consiste meramente em transformar a intenção de receber para si mesma na de receber pelo Criador. O Universo todo foi criado para este fim, e essa intenção é recebida de Biná.

 

Malchut do Mundo do Infinito, integrada à Biná, é chamada de Adam, Homem. Todo o sistema de Mundos, o Universo, foi criado apenas para transformar a intenção de Malchut. A recepção em benefício do Criador é chamada Kabbalah.

 

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Mocha de Ilaah (11)

 

As meditações cabalísticas de Shalom Sharabi

(Ariel Bar Tzadok)

 

O Rashash (acrônimo de Rabi Shalom Sharabi) organizou as kavanot de Isaac Lúria de forma precisa, acrescentando o que lhe foi ordenado diretamente por Elyahu Hanavi (profeta Elias). De acordo com a tradição sefaradita, antes de sua morte, o Ari disse aos seus alunos que se eles tivessem mérito ele voltaria ao Gilgul e continuaria a ensiná-los. Nossos sábios dizem que o Ari cumpriu a sua promessa e reencarnou como Rashash.

 

O Rashash foi respeitado como líder comunitário muito além do confinado círculo dos cabalistas. Como são todos os cabalistas sefaraditas, ele foi mestre em curas e milagres. O episódio mais famoso sobre as habilidades e poderes de Rashash ocorreu num Shabat.

 

Um membro de seu grupo engoliu acidentalmente uma poção de veneno e ficou à beira da morte. Seus colegas correram para pedir socorro ao Rav Sharabi. Ele chamou um Sofer Stam (um escriba de Torah) e instruiu-o a escrever um número específico de Nomes Divinos num pergaminho, e esse pergaminho foi dobrado e engolido pelo doente. Como era uma questão de vida ou morte, Sharabi violou o Shabat (Pikuah Nefesh Doheh HaShabat, um caso de vida ou morte supera a observância do Shabat). Logo depois de engolir o pergaminho, o aluno se recuperou. O texto que Shlomo Sharabi usou para salvá-lo ainda é usado hoje em dia pelos cabalistas.

 

A maior contribuição de Rashash é o seu livro Nahar Shalom, que detalha segredos das meditações e kavanot. Esse texto foi recebido tão bem pelos cabalistas que hoje em dia é publicado como a parte III do Etz Chaim, do rabi Chaim Vital. Outra grande contribuição do Rashash é o seu Sidur, conhecido como Sidur HaRashash. Esse Livro de Orações tornou-se um padrão de Sidur cabalístico, usado tanto por cabalistas sefaraditas quanto por cabalistas asquenazitas.

 

Muitos judeus, hoje em dia, inclusive os religiosos, não têm a menor idéia da vastidão cabalística das kavanot que subjazem às orações e que são exatamente essas kavanot que dão às orações o seu poder e significado. São as kavanot (através das orações) que fazem com que as orações sejam ouvidas Acima. É por essa razão que quando rezamos, recitamos a L´Shem Yichud, que conclui com as palavras “L´Shem Kol Yisrael” (em nome de toda Israel), o que significa que quando fazemos as nossas orações não o fazemos como indivíduos, mas como parte de uma nação. Assim, quando as orações dos cabalistas sobem, as nossas orações sobem com as deles.

 

Em alguns sistemas, hoje em dia, se decidiu que não é necessário rezar com kavanot, afirmando-se que não se precisa disso porque se sabe o que as kavanot significam, e que é necessário apenas rezar com o significado correto. Essas pessoas realmente não fazem idéia de como a Shefa realmente desce, e quando eu perguntei a alguns desses “entendidos” que me explicassem conceitos básicos das kavanot (por exemplo, como fazer descer a Shefa na palavra “Baruch” em qualquer benção) eles foram completamente incapazes de fazê-lo. Eles me ofereceram explicações de mussar e de chassidut, mas não de kabbalah, e por isso eles não são capazes de fazer os Yichudim apropriados Acima.

 

Não é fácil aprender a fazer kavanot. Um requisito básico para isso é ter conhecimento completo de todo o sistema do Arizal. E ainda assim, a pessoa precisa estudar muito o Shaarei Kavanot (especialmente o Sexto Portão, do Chaim Vital, que reúne os ensinamentos do Ari), e precisa conhecer também o Sidur HaRashash. Embora seja um empreendimento difícil, ainda assim não é impossível. Muitas pessoas, inclusive os Baalei Teshuvá estão estudando com sucesso o sistema de Rav Sharabi hoje em dia.

 

 

Entendendo as Kavanot

 

Kavanot não são apenas meditações cabalísticas sobre o significado dos conceitos gerais expressos nas orações. Na verdade, as kavanot têm mais a ver com as letras das orações do que com as palavras. As kavanot são o poder subjacente de cada palavra e de cada letra de uma oração. A oração, conjugada com as kavanot, é o canal específico através do qual a energia de Hashem, que se chama Shefa, é canalizada para a Terra.

 

Shefa é uma energia real, não é algo simbólico. É o poder que é usado pelos profetas e pelos cabalistas, e que os habilita a atuarem com as mais altas leis da natureza metafísica (milagres). A Shefa, a fim de ser recebida, precisa ser canalizada desde a sua fonte, através de um caminho apropriado, e precisa, no final do processo, repousar sobre um objeto específico, ser ou coisa, de tal forma que a sua energia (da Shefa) ali se manifeste. Neste aspecto, a Shefa é algo parecido com a energia elétrica. Eletricidade é algo que está no ar, embora nessa forma nós não podemos usá-la para fazer funcionar os utensílios elétricos. Primeiro, a energia precisa ser produzida e armazenada, para só depois ser distribuída. Ela então viajará por um intrincado sistema de fios e de estações-de-força até chegar em nossas casas. E lá, dentro da casa, o aparelho que vai usá-la precisará estar conectado à tomada. Ainda assim a energia elétrica não fluirá enquanto não autorizarmos o a aparelho a recebê-la, ligando-o. A canalização da Shefa opera do mesmo modo.

 

A Shefa existe, primordialmente em Ayin Sof, que é o estado absolutamente desconhecido de D´us. Ela está armazenada em Adam Kadmon, que é o padrão genérico do Universo Supernal de D´us (Keter, no Partzuf de Ática Kadisha, Arik Anpin e Zeir Anpin). De lá, a Shefa precisa ser canalizada corretamente através dos caminhos completos e apropriados através de todos os níveis objetivos e subjetivos dos planos espiritual (Atzilut), mental (Beriá), verbo-emocional (Yetzirá) e físico (Assyiá) a fim de ser recebida aqui, no mundo material, para a realização da função para a qual foi puxada para baixo. Mitzvot e orações são os veículos escolhidos para isso. Kavanot são as formas espirituais de comunicação, e as nossas mitzvot diárias e as nossas orações fornecem o “sistema de fiação” para que a Shefa seja puxada para baixo e aproveitada em nossas vidas. Assim, cada ação nossa, cada letra e cada palavra das nossas orações, é um código que representa o tipo, a direção, a intensidade e o fluxo da Shefa. Por essa razão, por exemplo, quando recitamos uma benção, agradecemos a Hashem com uma fórmula específica. Por exemplo, nós recitamos: “Baruch Atah Hashem Elokeinu Melech HaOlam”, que significa “Abençoado és Tu, Hashem, nosso D´us, Rei do Universo”. Essa frase é um código secreto, em que cada letra representa uma multidão de coisas, com significados múltiplos. O “Sistema de fiação espiritual” é o caminho que a Shefa toma desde a sua fonte em Ayin Sof, o Absoluto, através das Sefirot, que são os filtros de Hashem, até a Terra, os nossos corpos e as nossas vidas. O poder que movimenta a Shefa são as nossas intenções, os nossos pensamentos, os nossos desejos, ou seja, as nossas kavanot. Esse é o segredo do verdadeiro poder espiritual e que complementa a observância das mitzvot.

 

A função da canalização da Shefa é imaginar o seu movimento em nosso “olho da mente” e ativar essa visão, fazendo-a real, pelo poder e pela conexão que temos com o “Desejo Supremo”. Em cada uma das palavras que recitamos nas orações cabalísticas, existe um código específico sobre o nível em que estamos, que tipo específico de Shefa está sendo direcionado, pronto para ser “colhido” e movimentado pela próxima palavra da oração. Os Nomes Divinos listados dentro de cada palavra da oração não são Nomes (ou palavras mágicas) para serem recitados, mas são “sinalizações” através do caminho que a Shefa toma no descenso ou no ascenso. Os Nomes Divinos são usados da mesma forma como se usam as fórmulas matemáticas para se expressarem as leis e os conceitos da física. Portanto, olhar para os Nomes Sagrados como se eles fossem símbolos de uma Realidade Superior é um sério e grave erro.

(Tradução de Charles Kiefer)


terça-feira, 19 de janeiro de 2021

O Tzimtzum Beit: Chamado de Tzimtzum NHY de AK (56)

 

56. Desta forma, esclarecemos o significado do TA realizado em Behind Dalet, o Kli de Malchut, assim que este deixa de receber Luz. Também falamos sobre a Masach e seu Zivug de Haka’a com a Luz Superior, que eleva a Ohr Hozer, que passa a agir como o novo Vaso de Recepção ao invés de Behina Beit.

 

Com isso, discutimos o despertar da Masach de Guf, que ocorre devido ao impacto entre a Ohr Makif e a Ohr Pnimi. Esses processos levam à formação dos Ta’amim, Nekudot, Tagin e Otiot de Guf em cada Partzuf, bem como à ascensão de Peh de Rosh e seu Zivug de Haka’a com a Luz Superior. Como consequência, nasce o segundo Partzuf, um nível abaixo do primeiro, e depois o terceiro. Esses Partzufim do Mundo de Adam Kadmon são chamados de Galgalta, AB e SAG. Cada Partzuf subsequente veste-se no anterior do Peh de Rosh para baixo.

domingo, 17 de janeiro de 2021

Rosh, Toch, Sof e a Vestimenta dos Partzufim uns sobre os outros (55)

 

55. A ordem de criação do Partzuf AB a partir de Galgalta aplica-se à formação do restante dos Partzufim até a última Sefirá do Mundo de Assiá, uma vez que cada novo Partzuf emerge da Masach de Guf do seu predecessor.

 

Depois que a Masach perde sua força, ela ascende e unifica-se com a Masach da Malchut de Rosh do Partzuf predecessor e realiza um Zivug de Haka’a com ela. Assim, ela desce ao Chazeh do Partzuf anterior e, depois de um Zivug de Haka’a com a Luz Superior, as Dez Sefirot de Rosh ascendem, juntamente com as dez Sefirot de Toch e Sof de Guf, formando o Partzuf AB do Mundo de Adam Kadmon.

 

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

Michael Laitman (3)

 

Como os cabalistas lidam com os rumores

(Michael Laitman)

 

Um aluno me perguntou como os cabalistas lidam com rumores sobre eles e falsas acusações: eles os ignoram completamente ou lidam com eles de alguma outra maneira?

 

Essa é uma pergunta interessante porque desde o alvorecer da Cabalá, muito antes mesmo de ser intitulada “A sabedoria da Cabalá”, os cabalistas tiveram que lidar com calúnias e desprezo, e às vezes até mesmo com violência contra eles. Por mais desagradável que seja, os cabalistas sempre trataram esse fenômeno com paciência e compreensão, pois sabiam de onde ele vinha.

 

A humanidade é um sistema único, mas quebrado. Por quebrado, quero dizer que não sentimos nossas conexões e, portanto, tratamos uns aos outros como alienígenas ou inimigos, sem perceber que, ao fazer isso, estamos nos prejudicando, assim como nas doenças autoimunes, quando o sistema imunológico interpreta mal elementos do corpo como estranhos e os ataca, ferindo assim o corpo inteiro.

 

Todo o propósito da sabedoria da Cabalá é nos revelar nossa conexão e interdependência, e nos prevenir de ferirmos uns aos outros. Desta forma, a Cabalá busca curar cada pessoa e toda a sociedade simultaneamente. No entanto, uma vez que não sentimos nossa conexão, inconscientemente interpretamos os esforços dos cabalistas e a sabedoria da Cabalá para nos unir como uma ameaça à nossa existência, como se estivéssemos sendo forçados a sentar perto de um inimigo jurado. Como resultado, nós o evitamos e alertamos os outros a fazerem o mesmo. Embora esse processo aconteça nas profundezas de nosso inconsciente, suas manifestações em nosso mundo são muito reais.

 

Enquanto a humanidade evoluiu nos níveis mais básicos, buscando principalmente satisfazer os desejos de necessidades básicas como comida, sexo, família, riqueza, poder e conhecimento não precisávamos da sabedoria da Cabalá. Ou seja, não precisávamos ter consciência de nossa conexão. Por essa razão, qualquer tentativa de introduzir a Cabalá foi recebida com rejeição feroz.

 

No entanto, hoje, estamos desenvolvendo lentamente novos desejos – saber o sentido da vida, sua origem e propósito. É impossível compreender a vida, e certamente não seu propósito, a menos que compreendamos o fato de que estamos todos conectados. Assim como você não pode compreender o corpo humano examinando apenas uma célula, ou mesmo um órgão, mas apenas examinando todo o corpo, com todas as suas células, órgãos e (principalmente) as conexões e interações entre eles, é impossível compreender a vida, e certamente não a humanidade, sem compreender as interconexões entre todas as pessoas. É por isso que hoje em dia, muitos milhares de pessoas de todo o mundo estão vindo aprender Cabalá: elas querem saber como tudo funciona junto.

 

Se você olhar para a história humana, a Cabalá é uma ideia relativamente nova, precisamente porque é o estágio final em nosso desenvolvimento. O primeiro Cabalista foi Adão, que viveu há quase 6.000 anos. Embora ele tivesse alguns alunos, que transmitiram seus conhecimentos e percepções a seus próprios alunos, não havia um método claro de ensino, nenhum princípio que alguém pudesse seguir e, portanto, nenhum sistema de disseminação da ideia da unidade inerente da humanidade.

 

O primeiro a tratar a Cabalá como um remédio para a humanidade foi Abraão. É também por isso que ele foi o primeiro a encontrar resistência de seus contemporâneos, que se recusaram a ouvir sobre a conexão. Apesar da resistência, milhares de pessoas se identificaram com as palavras de Abraão e se tornaram seus alunos. Ele os ensinou sobre a unidade e começaram a praticá-la entre si. A peculiaridade dos alunos de Abraão era que eles vinham de clãs e tribos que eram inicialmente estranhos e muitas vezes hostis. No entanto, assim que se juntaram aos alunos de Abraão, tornaram-se muito próximos uns dos outros.

 

Ao formar seu grupo baseado unicamente na unidade, em vez de nas relações de sangue, Abraão provou os méritos da unidade. Em certo sentido, seu grupo ganhou uma grande vantagem sobre os outros, pois se tornaram um organismo inteiro, enquanto o restante das pessoas permaneceu como células ou órgãos separados.

 

O ódio que o grupo de Abraão experimentou, e particularmente o próprio Abraão, é a raiz do ódio que agora chamamos de “antissemitismo”. Em seu nível mais profundo, é a resistência do ego em se unir a qualquer pessoa ou coisa, por medo de perder sua própria identidade. A profunda sensação de que a unidade é a melhor maneira de viver, juntamente com a objeção do ego em aceitá-la e renunciar ao seu domínio, cria uma dissonância com a qual as pessoas tem muito dificuldade em lidar. Como resultado, eles odeiam os mensageiros da ideia de unidade – os descendentes do grupo de Abraão – os judeus.

 

O grupo de Abraão evoluiu para o povo de Israel. Por muitos séculos, eles viveram de acordo com os princípios prescritos por Abraão, ou seja, que a unidade é o princípio subjacente sobre o qual todas as regras do povo judeu são construídas. É por isso que nossos sábios disseram que “Ame seu próximo como a si mesmo” é a grande regra da Torá. No entanto, no final, os judeus também sucumbiram aos egos furiosos dentro deles e tornaram-se como todos os outros – egoístas e alheios ao princípio da unidade como base do judaísmo e à sua obrigação de dar o exemplo de unidade, como fez Abraão com seu grupo.

 

O resultado do abandono do princípio da unidade pelos judeus foi a resistência à Cabalá. Na verdade, o antissemitismo das nações em relação aos judeus origina-se do mesmo medo que faz com que os judeus se oponham à Cabalá – a resistência do ego à necessidade de se unir, ao fato de que estamos todos conectados, não importa o quanto tentemos negar.

 

Apesar de todos os esforços de nossos egos, a realidade prova que estamos todos conectados. A cada dia que passa, vamos descobrindo mais caminhos e mais fibras que nos conectam. E quanto mais descobrimos nossa conexão, mais percebemos que a sabedoria da Cabalá é fundamental para nossa compreensão do mundo ao nosso redor. Nos próximos meses e anos, todos, desde pessoas simples até líderes mundiais, descobrirão que, sem entender as complexidades de nossas conexões, não serão capazes de administrar suas vidas e, certamente, de liderar nações. A sabedoria da Cabalá terá que se mostrar como um método pelo qual entender o mundo e estabelecer conexões entre as pessoas que correspondam à realidade interconectada da humanidade e de toda a realidade.

 

domingo, 3 de janeiro de 2021

Rosh, Toch, Sof e a Vestimenta dos Partzufim uns sobre os outros (54)

54. Dessa forma, a Masach do novo Partzuf, AB, provém do Chazeh do Partzuf anterior, Galgalta. Através de um Zivug de Haka'a com a Luz Superior, são criadas as dez Sefirot de Rosh, do Chazeh para cima, até o Peh do Partzuf anterior, onde se encontra a Malchut de Rosh. O Partzuf mais baixo é incapaz de vestir as dez Sefirot de Rosh do mais alto, pois ele se origina da Masach de Guf deste, e não da sua cabeça.

 

Cada Partzuf subsequente pode alcançar apenas o Guf do seu predecessor, sua raiz, e não o Rosh do mesmo, seus cálculos, pensamentos e mente. Depois, a tela cria as dez Sefirot de Guf do novo Partzuf do Chazeh para baixo, até o Tabur do predecessor, enquanto que do Tabur para baixo existem as dez Sefirot de Sium do Partzuf predecessor. Em outras palavras: temos o Behina Dalet, com o qual o novo Partzuf não pode trabalhar devido à perda do último Behina de Aviut durante o enfraquecimento da Masach.

 

Portanto, a posição do Rosh, Toch e Sof do Partzuf AB fica entre o Peh de Galgalta e o seu Tabur. Sendo assim, o Chazeh de Galgalta é o Peh de AB, isto é, Malchut Mizdaveget, e o Tabur de Galgalta é o Sium de AB, Malchut Mesayemet.

 

 

Shamati (137)

    137. Zelofeade estava coletando madeira (Ouvi em Tav - Shin - Zayin , 1946-1947)   Zelofeade estava coletando madeira. O Zohar i...