sábado, 12 de março de 2022

Mekubalim (6)

 

A vida de Shimon Bar Yochai

(Tradução de Poliana Pasa)

  

O santo erudito da Mishná, Shimon bar Yochai, nasceu aproximadamente cinquenta anos após a destruição do Segundo Templo, que ocorreu no ano 70 da Era Comum. Há diferenças de opinião sobre o dia do seu nascimento. Alguns identificam a data de Lag BaOmer como o dia de sua morte. Outros, o dia do Festival de Shavuot, dia da outorga da Torá.

 

No volume Nachalas Avos, lemos que seu pai, Yochai, pertencia à tribo de Judá. Um dos líderes reconhecidos de sua geração, era altamente respeitado, próspero, e tinha laços próximos com autoridades do governo. Sua esposa, Sarah, era descendente de famílias principescas, e podia traçar sua ancestralidade até o renomado erudito Hillel, o Ancião, fundador da dinastia dos Sábios que lideraram o povo judeu até aproximadamente o século V.

 

Sarah não teve filhos por muitos anos. Como o tempo passava e ela parecia não ser capaz de gerar descendência, Yochai considerou divorciar-se dela. Quando a esposa soube disso, não disse nada, mas voltou-se ao Criador. Fazia frequentes jejuns, rezava intensamente, derramando lágrimas em súplicas para que o marido não se divorciasse dela. Ela também fazia doações generosamente e procurava toda oportunidade de fazer bons atos e praticar a gentileza.

 

Os céus ouviram suas súplicas, viram seus bons atos, e suas orações foram atendidas. Na noite de Rosh Hashaná, o ano novo judaico, Yochai teve um sonho comovente. Ele viu a si mesmo em uma enorme floresta repleta de milhares e milhares de árvores. Algumas eram verdes e tinham frutos, enquanto outras eram secas e estéreis. A árvore na qual ele se apoiava estava seca e sem folhas.

 

Ele olhou para cima e viu uma figura que despertou temor e reverência. No ombro, o homem carregava um cantil de água. Ele atravessou a floresta regando algumas das árvores secas e ignorando outras, apesar de estar passando bem ao lado delas. Quando chegou à árvore em que Yochai estava encostado, o homem tirou um cantil menor, cheio de água fresca, e irrigou a árvore. Yochai pôde ver que havia uma bênção nessa água especial. Apesar de ser, a princípio, uma quantidade pequena, a água dilatou e logo cobriu todo o solo ao redor da árvore. Além disso, a árvore imediatamente floresceu, deu frutos, e cresceu em proporções imensas. No sonho, Yochai sentiu grande alegria diante da visão maravilhosa. Ele acordou com o coração repleto de contentamento e, espontaneamente, um verso dos Salmos veio aos seus lábios: “Somente Ele pode transformar uma mulher estéril em alegre mãe de vários filhos. Aleluia!” (Salmos 113:9).

 

Ele descreveu o sonho à esposa, dizendo: “Eu tive um sonho e acho que o seu significado é simples: a floresta representa o mundo, e as árvores, as mulheres no mundo. Algumas têm filhos, outras são estéreis. Em Rosh Hashaná, no Ano Novo, o Firmamento declara que algumas das que são estéreis devem conceber filhos. Essas são as mulheres cujas árvores são regadas com água de nascente. Elas vão conceber filhos justos e sábios.”

 

“No entanto, uma coisa não está clara para mim. Por que todas aquelas árvores foram regadas com um jarro, enquanto a árvore em que eu estava encostado foi regada com um cantil menor, especial?”

 

A esposa, Sarah, respondeu: “A sua pergunta é boa. Deixe-me ir ao Rabino Akiva e contar a ele sobre o sonho, e ele nos dirá o que significa.”

 

O marido, Yochai, respondeu: “É uma boa ideia. Iremos juntos e lhe contaremos o sonho, e ele, com o sagrado espírito que D’us lhe deu, nos revelará o seu significado.”

 

Após o término de Rosh Hashaná, o casal foi até o santo Rabi Akiva. Yochai descreveu seu sonho. Rabi Akiva o interpretou assim como Yochai havia dito. E também lhe disse porque a sua árvore havia sido irrigada com o pequeno cantil especial. “Você deve saber, Yochai, que o seu sonho é uma parábola para as mulheres que concebem filhos, e para aquelas que são estéreis. A sua esposa Sarah é uma das que foram destinadas a serem estéreis. Apenas o fluxo constante de lágrimas que ela derramou em oração foi capaz de mudar o seu destino perante D’us. O cantil que você viu no sonho continha as lágrimas que D’us coletou quando ela derramou seu coração a Ele, e é a partir delas que a sua árvore foi irrigada.”

 

Rabi Akiva se virou para Sarah e disse: “Neste ano você vai conceber um filho que será como uma luz para Israel em sua sabedoria e em seus atos.”

 

Yochai e Sarah se alegraram muito com as palavras do sábio. Eles foram contentes para casa. Como Rabi Akiva previu, Sarah deu à luz um menino no Shavuot seguinte, o dia em que a Torá foi outorgada ao povo de Israel. A casa se encheu de luz e alegria. Uma aura especial de santidade pairava sobre o bebê, e todos previram que ele cresceria para iluminar o caminho de Israel com a sua sabedoria. No dia do seu brit (circuncisão), os pais doaram muito em caridade e rezaram intensamente aos Céus. Eles deram à criança o nome “Shimon”, proveniente da palavra “Shemá” (ouvir) para lembrar que D’us ouvira as suas orações e lhes concedera um filho.

 

Daquele dia em diante, eles tinham olhos apenas para o filho. Eles o protegeram de toda e qualquer coisa profana, e o criaram na máxima pureza e santidade. Quando ele começou a falar, eles o treinaram na língua pura e sagrada. Quando ele tinha cinco anos, o matricularam na escola estabelecida pelo Rabi Gamliel, em Jerusalém, e Shimon alcançou a excelência em seus estudos. Mesmo muito jovem, ele fazia perguntas aos santos estudiosos da Mishná, Rabi Yehoshua filho de Chananya e Rabi Gamliel. Assim, ele cresceu mais e mais na Torá, até que se tornou um erudito excepcional.

 

Além das centenas de ocasiões em que a sua opinião é citada no Talmude, Rabi Shimon escreveu diversos trabalhos em paralelo. Entre eles estão a Michilta de Rashbi, sobre o Livro do Êxodo; o Sifri, sobre os livros de Números e Deuteronômio; e o mais conhecido, o grande corpo esotérico de sabedoria divina conhecido como o sagrado Zohar, o Livro do Esplendor. 

 

Rabi Shimon foi genro do santo estudioso da Mishná, Rabi Pinchas, filho de Yair. Ele faleceu no trigésimo terceiro dia do Omer, no ano de 3020.

 

 

Seus professores

 

Rabi Shimon bar Yochai foi discípulo do Rabi Yehoshua e do Rabi Yehuda, filho de Baba, o qual o ordenou secretamente na época em isso era proibido pelo governo romano. Shimon foi o melhor dos discípulos do Rabi Akiva, e foi dele que adquiriu a maior porção do seu conhecimento da Torá. Ele viajou para Bnei Brak, onde o Rabi Akiva ensinava, e ficou lá por treze anos. Depois, ele mesmo abriu uma yeshivá e começou a ensinar. Mesmo então, ele continuou a visitar seu professor em Bnei Brak e a receber sua vasta sabedoria. Quando o Rabi Akiva foi preso pelos romanos, o seu discípulo devoto continuou a visitá-lo e a estudar com ele. Encontramos uma expressão sobre o profundo amor entre professor e aluno na maneira como o Rabi Akiva se dirigia ao Rabi Shimon, chamando-o de “Meu filho!”

 

Ocorreu certa vez que o Rabi Akiva demonstrou mais deferência por outro discípulo do que pelo Rabi Shimon, que ficou consternado; ele temia que seu professor estivesse desagradado com ele. O Rabi Akiva notou o seu mal estar e lhe disse: “É o suficiente que o seu Criador e eu saibamos da sua grande força.”

 

Disso podemos aprender sobre a grande estima que o Rabi Akiva tinha pelo Rabi Shimon bar Yochai. Ele também ordenou o Rabi Shimon como professor e autoridade rabínica em Israel.

 

Rabi Shimon respondeu à estima e ao afeto do professor em espécie. Muitos anos depois da morte do Rabi Akiva, o Rabi Shimon advertia a seus próprios discípulos, dizendo: “Meus filhos, estudem os meus caminhos, pois eu os aprendi com o meu grande mestre, Rabi Akiva!” Mesmo muito tempo depois de não estar mais junto do seu professor, o Rabi Shimon reconhecia o quanto o seu caráter havia sido moldado pelo seu instrutor insubstituível.

 

 

Seus colegas

 

Muitos outros eruditos ilustres estudaram junto com o Rabi Shimon bar Yochai, mas todos o reconheciam como o maior da sua geração. Em muitos casos, vemos que se submetiam à sua opinião. Em sua humildade, o Rabi Shimon os honrava como iguais, mesmo quando discordavam de suas opiniões. Seu costume era primeiro citar a visão de um colega e explicar como havia chegado às conclusões sobre a questão. Apenas então ele apresentava a sua própria perspectiva, explicando porque discordava do seu contemporâneo. Mesmo quando a maioria se opunha à sua decisão, o Rabi Shimon não prestava atenção e mantinha seu posicionamento sem hesitar. Contudo, quando outros o questionavam sobre qual decisão haláchica deveriam passar adiante, se a sua ou a da maioria, ele sempre aconselhava a seguirem a maioria.

 

 

Seus trabalhos

 

O nome Shimon é frequentemente mencionado no Talmude, e em cada ocasião é uma referência ao Rabi Shimon bar Yochai. Ele transmitiu os ensinamentos do seu mestre aos seus discípulos da geração seguinte. O mais famoso dos seus trabalhos é o Zohar, também conhecido como Midrash Yehi Ohr. A tradição nos conta que ele compôs a obra, junto com seus colegas e discípulos, após passar treze anos escondido das perseguições das autoridades romanas que então governavam a Terra Sagrada.

 

O Rabi Shimon escreveu outros volumes, entre eles: Raya Mehemna, Safra Det´zniuta, Tikunei haZohar, e Idra Raba Kadisha.

 

 

Seus ensinamentos estão gravados

 

Durante a vida do Rabi Shimon, enquanto a sua yeshivá estava em funcionamento, os seus trabalhos não foram reunidos em forma de livro. No entanto, para que os ensinamentos esotéricos sobre a Torá não fossem perdidos, o Rabi Shimon nomeou o Rabi Abba, um dos seus seguidores proeminentes, para registrá-los. Originalmente, o Livro do Zohar incluía comentários sobre todas as Escrituras. Os manuscritos eram tão numerosos que, juntos, formavam uma carga completa para um camelo. Infelizmente, hoje temos apenas as porções escritas sobre os Cinco Livros de Moisés.

 

Alguns historiadores sustentam que o santo erudito Rabi Moses ben Nachman, séculos depois, encontrou uma cópia do Livro do Zohar na Terra Santa e o enviou para Catalunha, na Espanha. O livro chegou às mão do seu discípulo, o Rabino Moshe de Leon, e foi então publicado.

 

A partir da sua aparição, algumas pessoas questionaram a autenticidade do livro, mas ele se tornou aceito por autoridades rabínicas, os quais eram discípulos do Rabi Moses ben Nachman ou de seus discípulos. O livro continua a ser integralmente aceito hoje em dia.

 

 

Seus discípulos

 

Após a morte do seu professor Rabi Akiva, o Rabi Shimon estabeleceu uma yeshivá na cidade de Takoa e lá ensinou muitos alunos. Essa foi a quarta geração após a destruição do Santuário em Jerusalém. Entre os seus seguidores mais proeminentes estavam: Rabi Yehudah, o Príncipe, Rabi Elazar, seu filho, Rabi Dostai, filho de Rabi Yehudah, Rabi Zakkai, Rabi Shimon, filho de Elazar, Rabi Shimon, filho de Yehudah, Rabi Shimon, filho de Rabi Yossi ben Lakonia, e Rabi Shimon, filho de Mansia. O primeiro dos estudiosos do Talmude também estudou em sua yeshivá, incluindo o reverenciado Rav, o qual é citado no Talmude como sendo tanto um Tanna, um erudito da Mishná, quanto um Amora, um erudito do Talmude.

 

O Rabi Shimon continuou a ensinar em Takoa e na vila de Meirosn, e muitos iam em grupos para aprender com ele. Dos discípulos mais destacados, ele selecionou nove eruditos para estudarem com ele os Segredos da Torá. Esse grupo era chamado de “amigos”. Juntos, eles se devotaram às realizações espirituais, e alcançaram grande perfeição pessoal, harmonia, paz de espírito, e discernimento intelectual. Os discípulos, por sua vez, transmitiram o conhecimento adiante, e os seus ensinamentos foram caracterizados pela calma e harmonia que haviam adquirido do seu mestre. Eles foram amigos verdadeiramente leais, e se amaram e se admiraram profundamente.

 

O Rabi Yosef Chayim de Bagdá, o Ben Ish Chai, escreve sobre o Rabi Shimon e o seu círculo interno de discípulos: “E saiba que essa é uma grande lição ética para nós, aprender os seus caminhos, pois toda a Israel deveria estar vinculada em amor e irmandade, cuidado e amizade, especialmente durante os dias da Contagem do Omer.”

 

Fonte: http://arachimusa.org

terça-feira, 8 de março de 2022

Shamati (15)


15. O que são “Outros Deuses” no Trabalho?

(Ouvi em 24 de Av, Tav-Shin-Hey, 3 de agosto de 1945)


Está escrito: “Não terás outros deuses diante de Mim” (Êxodo 20:3). O Zohar interpreta que deve haver pedras para pesar, e pergunta: Como o trabalho é pesado com pedras pelas quais o indivíduo sabe o seu estado nos caminhos do Criador? E responde: É sabido que, quando o indivíduo passa a trabalhar mais do que está acostumado, o corpo começa a tremer e a se opor a esse trabalho com toda a sua força, pois a doação é um peso e um fardo para o corpo. Ele não pode tolerar esse trabalho, e a resistência do corpo aparece na pessoa na forma de pensamentos invasivos. O corpo vem e faz as perguntas: “Quem?” e “O Quê?”.

 

Por meio dessas perguntas, uma pessoa diz que todos esses questionamentos são certamente enviados pela Sitra Achra [o outro lado] a fim de obstruí-lo no trabalho.

 

O Zohar diz que se, nesse momento, o indivíduo diz que as perguntas vêm da Sitra Achra, ele viola o que está escrito: “Não terás outros deuses diante de Mim”. A razão é que o indivíduo deveria acreditar que os questionamentos vêm da Shechiná [Divindidade], já que “não há ninguém além Dele”. No entanto, a Shechiná mostra ao indivíduo o seu verdadeiro estado, a forma como ele está trilhando os caminhos do Criador.

 

Ao lhe enviar essas perguntas, chamadas de “pensamentos invasivos”, a Shechiná vê como o indivíduo responde às questões consideradas “pensamentos invasivos”. E com tudo isso o indivíduo deve conhecer seu verdadeiro estado no trabalho, a fim de saber o que fazer.

 

É como uma alegoria sobre alguém que queria saber o quanto o seu amigo o amava. Certamente, quando estão frente a frente, seu amigo se esconde devido à vergonha. Por isso, ele envia uma pessoa para falar mal do seu amigo. Então ele vê a reação do seu amigo enquanto está longe dele, e daí o indivíduo pode saber a verdadeira medida do amor de seu amigo.

 

A lição é que, quando a Shechiná mostra sua face – ou seja, quando o Criador dá vitalidade e alegria ao indivíduo -, nesse estado a pessoa sente vergonha de dizer o que pensa sobre o trabalho de doação sem receber nada para si mesma. No entanto, quando a Shechiná não está face a face – ou seja, quando a vitalidade e a alegria esfriam, o que é considerado não estar de frente para ela -, então o indivíduo pode ver o seu verdadeiro estado em relação ao objetivo de doar.

Se o indivíduo acredita que não há ninguém além Dele, e acredita que o Criador envia todos os pensamentos invasivos, ou seja, que Ele é o operador, então a pessoa certamente sabe o que fazer e como responder todas as perguntas. Parece que a Shechiná envia mensageiros ao indivíduo, para ver como ele difama o reino dos céus, e assim podemos interpretar a questão acima.

 

O indivíduo pode entender isso, que tudo vem do Criador, pois é sabido que o corpo ataca a pessoa com pensamentos invasivos. E eles não vêm quando a pessoa não está envolvida no trabalho. Pois esses ataques, que vêm para o indivíduo como uma sensação completa, ao ponto de esses pensamentos esmagarem a mente, chegam especificamente após ele se dedicar à Torá e ao trabalho mais do que de costume. Isso é chamado “pedras para pesar”.

 

Isso significa que essas pedras caem na mente do indivíduo quando ele quer entender essas questões. Depois, ele passa a pesar o propósito do seu trabalho, avalia se realmente vale a pena trabalhar a fim de doar, trabalhar com toda sua força e alma, e percebe que todas as suas aspirações se tornarão apenas esperança de que o que há para se adquirir neste mundo é apenas o propósito do seu trabalho, de levar contentamento ao seu Criador, e não qualquer questão corpórea.

 

Neste momento, inicia-se uma discussão amarga, já que o indivíduo vê que há argumentos de ambos os lados. As escrituras advertem sobre isso: “Não terás outros deuses diante de Mim”. Não diga que outro deus lhe deu as pedras com as quais podes pesar o teu trabalho, mas “diante de Mim”.

 

Em vez disso, o indivíduo deve saber que isso é considerado “diante de Mim”. Isso é para que o indivíduo veja a verdadeira forma da base e da fundação sobre as quais é construída a estrutura do seu trabalho.

 

O peso no trabalho existe primariamente porque eles são textos que negam um ao outro. De um lado, o indivíduo deve tentar fazer com que todo o seu trabalho seja para atingir a Dvekut [adesão] ao Criador, que todo o seu desejo seja apenas para doar contentamento ao seu Fazedor, e não, de forma alguma, trabalhar para receber algo para si mesmo.

 

Por outro lado, vemos que esse não é o objetivo original, já que o propósito da Criação não foi que as criaturas doassem ao Criador, pois Ele não tem necessidade que as criaturas lhe doem algo. Ao contrário, o propósito da Criação se deu devido ao Seu desejo de fazer o bem às Suas criações, ou seja, para que as criaturas recebessem deleite e prazer Dele.

 

Essas duas questões se contradizem de ponta a ponta, pois, de um lado, o indivíduo deve doar, e por outro lado, deve receber. Em outras palavras, há a questão da correção da Criação, que é atingir a Dvekut, discernida como equivalência de forma, sendo que todas as ações do indivíduo serão apenas para doar. Depois, é possível atingir o propósito da Criação – receber deleite e prazer do Criador.

 

Consequentemente, quando o indivíduo se acostuma a andar nos caminhos da doação, de qualquer forma ele não tem vasos de recepção. Quando o indivíduo anda nos caminhos da recepção, ele não tem vasos de doação.

 

Portanto, por meio das “pedras para pesar” o indivíduo adquire ambos. Após a negociação durante o trabalho, quando ele supera e assume o jugo dos céus na forma de doação na mente e no coração, então o indivíduo pode atrair a abundância superior, pois ele já tem uma base sólida de que tudo deve ser na forma de doação. Assim, mesmo quando o indivíduo recebe alguma iluminação, ele a recebe a fim de doar. Isso é porque toda a base do seu trabalho é construída somente sobre a doação. Isso é considerado “receber para doar”.

 

domingo, 6 de março de 2022

Shamati (14)

  

14. O que é a Exaltação do Criador?

(Ouvi em Tav-Shin-Chet, 1947-1948)

 

As Romenut [exaltação/sublimidade] do Criador significam que o indivíduo deveria pedir ao Criador força para subir acima da razão, pois há duas interpretações sobre as Romenut do Criador:

 

1. Não ser preenchido com conhecimento, que é o intelecto com o qual o indivíduo pode responder as próprias questões. Ao invés disso, ele quer que o Criador responda as suas perguntas. Isso é chamado de Romenut, porque toda a sabedoria vem de cima e não do homem, e assim o homem pode responder suas próprias perguntas. Qualquer coisa que alguém possa responder é considerada uma resposta com a mente externa. Isso significa que o desejo de receber entende que vale a pena observar a Torá e as Mitzvot [mandamentos]. No entanto, se a fé acima da razão obriga o indivíduo a trabalhar, isso é chamado “Contra a opinião do desejo de receber”.

a.           A grandeza do Criador significa que o indivíduo se torna carente do Criador para realizar seus desejos. Portanto: a) O indivíduo deve subir acima da razão. Então, ele vê que está vazio e se torna carente do Criador; b) Apenas o Criador pode lhe dar a força necessária para subir acima da razão. Em outras palavras, o que o Criador concede é chamado “As Romenut do Criador”.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

Shamati (13)

  

13. Uma Romã

 

(Ouvi durante uma refeição no segundo dia de Rosh Hashaná, Tav-Shin-Chet, 5 de outubro de 1948)

 

Uma romã, ele disse, indica o que os nossos sábios disseram: “Até mesmo os vaidosos entre vocês estão repletos de Mitzvot, como uma romã” (Eruvin 19a:9). Ele disse que Rimon [romã] vem da palavra Romenut [exaltação, sublimidade], a qual está acima da razão. E o significado é que “os vaidosos entre vocês estão repletos de Mitzvot.” A medida do preenchimento é a medida em que o indivíduo consegue subir acima da razão, e isso é chamado de Romenut.

 

Existe apenas o vazio em um lugar onde não há existência, como em “sobre o nada suspendeu a terra” (Jó 26:7). Você percebe qual é a medida do preenchimento do lugar vazio? A resposta é de acordo com a elevação do próprio indivíduo acima de razão.

 

Isso significa que o vazio deveria ser preenchido com exaltação, ou seja, acima da razão, e o indivíduo deveria pedir ao Criador para lhe dar essa força. Isso significa que todo o vazio é criado e enviado para que a pessoa se sinta assim – sentir que está vazia – apenas a fim de preenchê-la com as Romenut do Criador. Em outras palavras, o indivíduo deve levar tudo para o grau “Acima da razão”.

 

Esse é o significado do verso “Deus fez com que Ele seja temido”. Isso significa que esses pensamentos de vazio vêm a fim de que a pessoa tenha uma necessidade de assumir para si mesma a fé acima da razão. E, para isso, precisamos da ajuda do Criador. Segue-se que, nesse momento, o indivíduo deve pedir ao Criador que lhe dê o poder de acreditar acima da razão.

 

Acontece que, precisamente nesse momento, o indivíduo precisa da ajuda do Criador, já que a mente externa lhe permite entender o oposto. Consequentemente, naquele momento, o indivíduo não tem outra opção senão pedir que o Criador o ajude.

 

Sobre isso é dito que “o desejo do indivíduo o derrota todos os dias; e se não fosse pelo Criador, ele não poderia superá-lo.” Apenas então há o estado em que o indivíduo entende que ninguém vai ajudá-lo a não ser o Criador. E isso é “Deus fez com que Ele seja temido”. A questão do medo é discernida como fé, e apenas então o indivíduo tem a necessidade da salvação do Criador.

sábado, 26 de fevereiro de 2022

Tefilot (4)

Elias Abriu

 

Elias abriu e disse:

 

Mestre dos Mundos, você é único e não pode ser contado, você é o Celeste dos celestes, o oculto dos ocultos e não há pensamento algum que possa captar toda a Sua essência.

 

Você trouxe as dez correções que nós chamamos de Dez Sefirot, para estabelecer o comportamento dos mundos ocultos que não podem ser revelados e dos mundos que podem ser revelados.

 

Dentro deles você se escondeu dos seres humanos. Você os conecta e os unifica. E porque você é o interior deles, quem se separar de qualquer uma das dez conexões é como se estivesse se separando de você.

 

As Dez Sefirot seguem esta ordem: um longo, um curto e um médio, e você controla a todas. Não há nada que controle você, nada acima e nada abaixo, e nada em qualquer um dos lados.

 

Você os vestiu com roupas, através das quais as almas entram nas pessoas. Você preparou corpos para eles: chamou de corpo as roupas que os cobrem.

 

Nessa correção, eles são chamados, braço direito: Chessed; braço esquerdo: Gevurah; corpo: Tiferet; as duas pernas: Netzach; a parte inferior do corpo, a marca da Santa Aliança: Yesod; e a boca, a qual chamamos de Torah Oral: Malchut.

 

Chochmah, o Cérebro, é o pensamento interior. Binah, o coração; e dentro dele, o coração entende. Destes dois é dito: “O oculto é para YHVH Eloheinu.”

 

Keter Celestial é a coroa de Malchut. É dito sobre isso: "É anunciado o fim desde o princípio", e é o crânio para o Tefilin. No seu interior está אהואואהדוי, que é o caminho de Atzilut, que é o alimento da Árvore com seus braços e ramos, assim como a água que irriga a Árvore e cresce por ela.

 

Mestre dos mundos, você é o Celeste dos celestes, a causa de todas as causas. Você traz a água para a árvore desde a primavera, a primavera é como uma alma para o corpo, que é a vida para o corpo. Não há imagens Suas, nem desenho da forma de tudo o que está dentro ou fora.

 

Você criou os céus e a terra, trouxe o Sol e a Lua, os planetas e as constelações do Zodíaco. Na terra, árvores e grama; no Jardim do Éden, animais, aves e peixes; e os seres humanos para que vissem o reflexo do Celeste, e como os superiores e inferiores se comportam. E como os superiores adquiriram dos inferiores. E ninguém tem o conhecimento que você tem de tudo. Além de você, não há ninguém nos Mundos Superiores e inferiores. Você é o mestre de tudo.

 

E cada Sefirá tem um nome conhecido, e nelas os anjos foram chamados. Você não sabe o nome porque preencheu todos os nomes, e você é a conclusão de todos eles. E quando você remover-se deles, os nomes serão deixados como um corpo sem alma.

 

Você é sábio, e não em sabedoria conhecida. Você entende, e não em compreensão conhecida. Você não tem um lugar conhecido, mas pode ser encontrado com sua força e vigor. Para os filhos dos homens, você mostrou como o mundo é executado com julgamento e misericórdia, que são a Justiça e as Leis, de acordo com as ações dos homens.

 

Julgamento é Gevurah; Leis, a Coluna Central; Justiça, o Santo Malchut. A Escala da Justiça são as duas colunas da verdade; e Justiça é o sinal da aliança. Tudo foi feito para mostrar como o sistema funciona, mas não que você tenha conhecido justiça como julgamento, ou leis como misericórdia, e nenhum desses atributos.

 

Levanta-te Rabi Shimon, e renova essas coisas através de tuas ações, pois a permissão foi dada para revelar os segredos ocultos, a permissão de revelar o que não foi revelado a nenhum outro homem até agora.

 

A rosa de Rabi Shimon abriu e disse: "Para você, YHWH, a grandeza e o poder". Entes sobrenaturais eu ouvi. Aqueles que dormem no Chevron e o Pastor Fiel: 


Acordem de seu sono, parem de dormir e alegrem os habitantes da Terra!


Esses são os Justos que estavam do lado de quem dizia: 


"Eu durmo, e meu coração está acordado", e eles não estão mortos. 


Por causa deles se dizia: "Acordai e regozijai-vos.”

 

Pastor Fiel, acorde! 


Você e os patriarcas, acordem para despertarem a Shechinah, que está dormindo no exílio. Até agora, todos os Justos dormem, dormem com suas argolas. 


A Shechinah então deu três vozes ao Pastor Fiel e disse-lhe: 


"Levanta-te, Pastor Fiel, porque, como foi dito "a voz do meu amado bate" para mim com suas Quatro Letras. E com elas se disse: "Abra para mim, minha irmã, minha esposa, minha pomba pura" porque "Seus erros não são mais considerados, filha de Sião, Ele não vai prolongar o teu exílio" e "minha cabeça está coberta de orvalho".

 

O que é "coberta de orvalho"? E o Santo, abençoado seja, disse: “Você pode pensar que desde o dia em que o Templo Sagrado foi destruído Eu entrei na minha casa e morada, mas não foi assim. Não vou entrar enquanto você estiver no exílio. Aqui está o seu sinal: "Minha cabeça está coberta de orvalho".

אה é a Sechinah no exílio, a sua conclusão e a sua vida é o "orvalho", לט, que é ואואהדוי e a soma das letras é 39, לט, orvalho.

 

Ele enche a Shechinah da fonte de todas as emanações celestes.

 

E o Pastor Fiel levantou-se juntamente com os patriarcas.

 

Até aqui o segredo da unificação. 

 

Shamati (137)

    137. Zelofeade estava coletando madeira (Ouvi em Tav - Shin - Zayin , 1946-1947)   Zelofeade estava coletando madeira. O Zohar i...