terça-feira, 20 de outubro de 2026

Shamati (145)


 

145. O que é “Ele dará Sabedoria especificamente aos sábios”

(Ouvi em Truma 5, Tav-Shin-Gimel, 11 de fevereiro de 1943)

 

        

“Ele dará Sabedoria aos sábios.” Ele perguntou: “Deveria ter dito ‘Ele dará Sabedoria aos tolos’”.

 

E ele disse: “Sabe-se que não há coerção na espiritualidade.” Em vez disso, a cada um é concedido de acordo com o seu desejo. A razão é que a espiritualidade é a fonte de vida e do prazer. Então, como pode haver coerção em uma coisa boa? Por isso, se vemos que ao nos envolvermos com a Torá e as Mitzvot de forma coercitiva, no sentido de que precisamos superar o corpo, já que ele não concorda porque não sente prazer nesse trabalho, isso deve ser porque não sentimos a espiritualidade nos preceitos. É como foi dito, que a espiritualidade é a fonte da vida e do prazer, como está escrito no Zohar: “Onde há trabalho, há a Sitra Achra (Outro Lado).”

 

Esta é a razão pela qual apenas os sábios podem receber Sabedoria, pois os todos não têm necessidade de Sabedoria. Aliás, apenas os sábios podem receber a Sabedoria devido à sua natureza. Isso significa que quem é sábio ama a Sabedoria, e esse é seu único desejo. E seguindo a regra de que “não há prevenções diante de um desejo”, ele faz todo o esforço para obter Sabedoria. Assim, por fim, ele será premiado com a sabedoria. Portanto, aquele que ama a Sabedoria pode ser chamado de “sábio”.

 

Mas está escrito sobre os tolos: “Um tolo não tem desejo pelo entendimento.” O verso “Ele dará Sabedoria aos sábios” vem para nos dizer que quem ama a Sabedoria não ficará impressionado por não ter obtido Sabedoria apesar dos grandes esforços que fez. Ao invés disso, ele continuará o seu trabalho e certamente atingirá a Sabedoria, pois ele ama a Sabedoria. É por isso que eles dizem: “Vá por esse caminho e você certamente terá sucesso”.

 

Porém, devemos entender o seguinte: “A cria de um asno há de nascer como um homem?”. De onde ele tirará o desejo para ansiar pela Sabedoria?

 

Por isso, o conselho de trabalho por meio de “fazedores da Sua palavra” nos é dado, e então “para ouvir a voz da Sua palavra”. Isso significa que o indivíduo faz as coisas para obter aquilo que quer. Por isso, aqui, quando ele não tem nenhum desejo pela Sabedoria, significa que o que lhe falta é o desejo pela Sabedoria. Por essa razão, ele começa a se esforçar e agir para obter o desejo pela Sabedoria, e essa é a única coisa que ele precisa.

 

A ordem é que ele deve se esforçar na Torá e no trabalho apesar de não ter nenhum desejo por isso. Isso é chamado “trabalho”. Isso significa que ele faz as coisas apesar de não ter nenhum desejo por aquilo que faz. É como os nossos sábios disseram: “Tudo o que a sua mão e a sua força puderem fazer, faça.” E, pela virtude do esforço, um desejo e um anseio pela Sabedoria se formarão dentro dele.

 

E então o verso “Ele dará Sabedoria aos sábios” se tornará verdade nele, e ele será recompensado com “ouvir a voz da Sua palavra”. Assim, aquilo que previamente ocorria por meio da ação, um ato sem um desejo, agora tem como prêmio o desejo por isso. Portanto, se quisermos saber quem ama a Sabedoria, devemos olhar para aqueles que se esforçam pela Sabedoria apesar de ainda não terem sido recompensados para estarem entre os que amam a Sabedoria. Como dissemos, a razão é que, por meio do esforço, eles serão premiados para estarem entre aqueles que amam a Sabedoria.

 

Depois, quando eles tiverem um desejo pela Sabedoria, serão premiados com Sabedoria. Portanto, o desejo pela Sabedoria é o Kli (vaso), e a Sabedoria é a Luz. Esse é o significado de “não há coerção na espiritualidade”.

 

A Luz da Sabedoria significa a Luz da Vida. Não percebemos a Sabedoria como um conceito intelectual, mas como a vida em si, a essência da vida, na medida que, sem ela, o indivíduo é considerado morto. Por isso, podemos dizer que, por essa razão, a Sabedoria é chamada Chaya [viva].

 

 


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