quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Introdução ao Livro do Zohar (7)





7. No Livro do Zohar, as Dez Sefirot, HuBTuM, são chamadas por cores: branco, vermelho, verde e preto.



Branco corresponde à Sefirá de Chochmá;



Vermelho corresponde à Sefirá de Biná;



Verde corresponde à Sefirá de Tiferet;



Preto corresponde à Sefirá de Malchut



No nosso mundo, essas cores criam as quatro cores básicas.



É similar a um instrumento óptico, onde haveria quatro lentes com as cores correspondentes às mencionadas acima. A Luz, apesar de ser unificada, ao passar por uma das lentes, adquire a cor da lente pela qual passou e se transforma em uma das quatro luzes: branca, vermelha, verde ou preta.



Assim, a luz encontrada em cada uma das Sefirot é a Luz do Criador, simples e unificada. De fato, ela (isto é, as Dez Sefirot) é completamente incolor.



As Dez Sefirot da Luz Direta não tem cor, mas, ao passarem pelos mundos, adquirem cores diferentes. São cobertas por vários véus e, então, manifestam-se para nós. É desta forma que percebemos este nosso mundo.



Podemos explicar de outra maneira. Existe, ao nosso redor, apenas a Luz simples e totalmente amorfa (incolor). Entretanto, por meio de nossas propriedades internas (espirituais), nós separamos a Luz e a representamos como níveis da natureza, dos mundos: níveis mineral, vegetal, animal e humano. A Luz Direta, por si só, não tem tais representações.



Assim, a luz encontrada em cada uma das Sefirot é a Luz do Criador. Essa Luz é simples e unificada, indo do Rosh (cabeça) do Mundo de Atzilut ao Sof (fim) do Mundo de Assiyá. A diferenciação que ocorre com a Luz Direta e a transforma nas Sefirot HuBTuM acontece nos Kelim (vasos) também chamados de HuBTuM. Cada Kli (cada Sefirá) é como um fino véu por onde passa a Luz do Criador. É desta maneira que cada Kli transmite sua cor à Luz que passa por ele.



Logo, o Kli de Chochmá do Mundo de Atzilut passa luz branca. Isto é assim porque o Kli de Atzilut (vaso de Atzilut) é similar à Luz propriamente dita. Então, a Luz do Criador não sofre nenhuma modificação ao passar por ali.



Este é o segredo do Mundo de Atzilut, sobre o qual diz o Zohar: "Ele, a Luz e Sua Essência são Um". A Luz do Mundo de Atzilut é definida como luz branca, em acordo com o que foi dito no Zohar. Entretanto, a Luz que passa pelos Mundos de Beriá, Yetzirá e Assiyá é transformada e escurecida. Vamos considerar, como exemplo, que a Luz torna-se, respectivamente, a luz vermelha da Sefirá de Biná no Mundo de Beriá, a luz verde de Tiferet no mundo de Yetzirá e a luz preta da Sefirá de Malchut no Mundo de Assiyá.



Já existem outros Kelim. Logo, a Luz assume outras cores. Isto acontece porque os Kelim nos Mundos de BYA (como em Biná, ZA e Malchut) estão parcialmente corrigidos ou completamente incorrigidos no que concerne à Luz. Se o Zohar fala em cores, podemos interpretá-las como atributos das Sefirot. Então, quando falarmos na cor verde, significa que nos referimos às propriedades de ZA e que estamos nesse nível e que recebemos desse nível.


quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Naassê Venishmá (3)




O pão da vergonha



Sem comer o Pão da Vergonha ninguém se torna cabalista (alguém capaz de doar contentamento ao Fazedor).



E o que é o Pão da Vergonha? A sensação que o Kli (vaso) sente quando a Ohr o preenche sem a proteção da Masach. No início, esse Zivug é absolutamente prazeroso. Depois, a alma se cobre de vergonha e desespero, porque sabe que não é merecedora de tanto deleite. Nesse instante, o vaso não quer mais receber, quer doar também. Como o Kli não foi criado para doar, mas para receber, ele precisa implorar que o Criador mude a sua natureza. Se o pedido for sincero, a prece é atendida e o recipiente recebe a tela, e passa também a gerar Ohr Hozer e Ohr Makif, a Luz de Retorno e a Luz Circundante.



De usurpadora e fonte de escuridão, a pessoa se torna então doadora e Luz para as nações.  

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

Shamati (10)




O que significa “Apressa-te, Amado Meu, no Trabalho”?



É preciso levar em conta que assim que alguém começa a caminhar pela senda do desejo de conseguir fazer tudo pelo Criador, chega a estados de ascensos e descensos. Às vezes, a pessoa se encontra num descenso tal que chega a pensar em fugir da Torá e das Mitzvot (preceitos). Isto quer dizer que a pessoa recebe pensamentos tais que já não sente mais o desejo de estar sob o domínio da Kedushá (Santidade).



Nesse estado a pessoa deve convencer-se do contrário: de que é a Santidade que foge dele. Isso se deve ao fato de que quando alguém deseja manchar a Santidade, ela se adianta e foge dele. Se alguém crê nisso e se sobrepõe à fuga, então a Brach (fuga, em hebraico) se converte em Brachá (benção), tal como está escrito em: “Bendiz, Senhor, o que fazem, e recebe com agrado a obra de suas mãos”. (CK)


segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Introdução ao Livro do Zohar (6)



6. Você sabe que as Dez Sefirot são Chochma, Biná, Tiféret, Malchut e a raiz de todas, Keter. São dez, pois Tiferet é constituída por seis Sefirot: Chessed, Guevurah, Tiferet, Netzach, Hod e Yessod. Lembre-se sempre que ao nos referirmos às Dez Sefirot diremos HuBTuM.

HuBTuM é: Chochmá, Biná, Tiferet e Malchut. O nome Keter é omitido por representar o Criador.

Keter não é nem mesmo designada por uma letra, mas pela ponta do topo da letra Yud. Aqui, é equivalente ao processo da Luz Descendente: o momento em que algo começa a ser criado converte-se em fase um. A Luz não pode ser recebida como é. Consequentemente, não lhe prestamos atenção. Quando a sentimos em nosso Kli, podemos falar sobre sua propriedade de Doação. Na fase dois, dizemos que esta propriedade cobre-nos de encantamento. No primeiro caso, falamos sobre a Luz em si; no segundo, sobre o que ela nos dá.


domingo, 12 de janeiro de 2020

Introdução ao Livro do Zohar (5)



5. Terceira definição (limitação)



Em cada um dos mundos, há três aspectos:


Dez Sefirot;

As Almas;

O restante da realidade



As Dez Sefirot são constituídas da Pura Luz. A Luz Pura descende em forma de emanações que vão gradualmente diminuindo de intensidade. É desta Luz que são constituídas as Dez Sefirot. Detectamos a Luz à medida que conseguimos nos comunicar com as Dez Sefirot. 



As Almas vestidas pelas Dez Sefirot existem dentro da realidade que as rodeia. Assim, um aspecto encontra-se dentro de outro. Há dois tipos de Almas: Elevadas (Superiores) e Humanas. Mais tarde, entenderemos o que são Almas Elevadas



1)    10 Sefirot; 

2)    Almas Superiores e Humanas;

3)    Ambiente: Anjos, Vestimentas e Palácios



O restante da realidade ao nosso redor é composto por Anjos, Vestimentas e Palácios. Essas são as forças espirituais inferiores que cercam a alma humana. Seus nomes apontam para significados semelhantes no nosso mundo: Anjos são similares a animais; Vestimentas são forças externas ao homem; Palácios são forças mais remotas que envolvem o ser humano. 



Qualquer outro aspecto que venha a ser comentado servirá para entendermos o que as Almas recebem. O Livro do Zohar não profere palavra alguma que não esteja relacionada com as Almas. Estes três aspectos fundamentais servem como nosso ponto de partida:


Não ultrapassar o âmbito da Matéria e da Forma na Matéria;

Não ultrapassar o âmbito dos Mundos de BYA;

Não ultrapassar o âmbito das Almas Humanas.



Se nos detivermos nestes três sistemas e suas limitações, entenderemos corretamente o que o Livro do Zohar pretende nos proporcionar. Assim, receberemos suas mensagens com precisão através de um canal estabelecido com o Livro, canal este que descenderá até nós. Não vamos procurar algo que não está lá, nem algo que não precisamos. Receberemos do Livro o que for necessário para a nossa correção. Cada palavra lá contida fala sobre isso. Por exemplo, se uma pessoa com raciocínio filosófico tentar entender o Zohar de forma abstrata, com certeza irá fracassar. Daí o Zohar parecer "oculto atrás de mil portões fechados".



Se alguém quiser trazer à tona algo sobre a Forma Abstrata e sobre a Essência, sem ter atingido nível espiritual para tanto, não conseguirá. Não daqui, do nível deste mundo, por meio do raciocínio filosófico. Para chegar lá, a pessoa terá que atingir o nível espiritual adequado, apropriado ao Mundo de Atzilut e ao Mundo do Infinito, e começar sua pesquisa lá. No geral, o Livro do Zohar nada tem a ver com estas questões; estuda, exclusivamente, o processo para nossas correções. Uma vez corrigidos e tendo recebido a Realidade Superior, receberemos todo conhecimento sobre Forma Abstrata, Essência, Mundo de Atzilut e Mundo do Infinito, Dez Sefirot, Almas Elevadas, Anjos, Vestimentas e Palácios



O Zohar não pode nos dizer nada sobre as questões citadas acima até que, com sua ajuda, consigamos corrigir Matéria e Forma na Matéria, isto é, os Mundos de BYA, onde nossas Almas existem. 



Apenas depois que o desejo criado estiver corrigido, será possível falar sobre como atingir níveis espirituais mais elevados. Enquanto o desejo continuar sendo egoísta, será impossível captar o que estiver acima do nível em que se está.



Naturalmente, o desejo não vai alcançar os níveis de Forma Abstrata nem de Essência nos Mundos de Atzilut e Mundo do Infinito, pois significaria já ter adquirido a propriedade da Doação. Não conseguirá, também, atingir o recebimento do que existe além das Almas Humanas, especialmente nas Dez Sefirot, na Pura Luz do Criador. 



O Livro do Zohar foi escrito de forma a influenciar adequadamente e positivamente a quem quiser a energia que dele emana para o propósito de correção. Se o leitor não tiver intenções de corrigir-se, passará pelo Zohar sem noção do poder que ele irradia. 


sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

Introdução ao Livro do Zohar (4)




4.    Segunda definição (Limitação)



Tudo o que houver na Realidade Divina e estiver relacionado com a criação das Almas e suas Formas estará condicionado a três estados:



* O Mundo do Infinito (Ayn Sof)

* O Mundo de Atzilut

* Os três mundos chamados Beriá, Yetzirá e Assiyá



O Mundo do Infinito é absolutamente Divino e refere-se tanto ao estado anterior ao Tzimtzum Aleph quanto ao estado da Gmar Tikun, Correção Final. 



O Mundo de Atzilut é o mundo da nossa correção. Este estado, ele próprio, está sendo corrigido. Ele representa a base, a fonte de nossa vida e de nosso aperfeiçoamento. 



Os Mundos de BYA (Beriá, Yetzirá e Assiyá) são os mundos onde existimos.



Deve-se saber que o Livro do Zohar investiga os Mundos de BYA - Beriá, Yestzirá e Assiyá. Nada mais. Os Mundos do Infinito e de Atzilut são citados apenas para frisar que os Mundos de BYA recebem de lá. Fora as citações, o Livro do Zohar não faz nenhuma referência a eles. Os Mundos do Infinito e de Atzilut, propriamente, não estão relacionados a nós. O que precisamos saber é onde estamos e como estes mundos podem nos ajudar. 



O Livro do Zohar fala sobre a aplicação prática de tudo o que estudamos. Aborda os recebimentos obtidos pelas nossas almas, recebimentos que existem, agem, governam e facilitam a correção do homem. O Zohar não trata do abstrato, de algo vago. Portanto, nossa abordagem ao estudar o Zohar tem que ser prática. Devemos curvar-nos a ele e a sua leitura para que a Luz que emana dele possa indicar com clareza o que precisamos corrigir. A Essência e a Forma Abstrata referem-se ao que está acima de nossa correção. Obteremos este recebimento mais adiante, após a Correção Final. Por isso, o Livro do Zohar não estuda as duas categorias mencionadas, assim como também não se refere aos Mundos do Infinito e de Atzilut, para onde ascenderemos após a Correção Final. Por hora, não é a nossa tarefa. Nossa missão é seguir, passar por 6000 anos (níveis) de correção; logo, o Zohar tem enfoque somente neste processo. Ele descreve a mim e, através de mim, os Mundos do Infinito e de Atzilut, apenas no que diz respeito à Matéria e à Forma. Não se refere a nada que exista sem que esteja relacionado a mim.


quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Introdução ao Livro do Zohar (3)



3. Primeira Definição (Limitação)



Existem quatro categorias de conhecimento. São elas: Matéria; Forma na Matéria; Forma Abstrata e Essência.



Se fizermos uma análise de dentro para fora, veremos que uma categoria veste a outra: a Essência é coberta pela Forma Abstrata que é coberta pela Forma na Matéria, que é vestida pela própria Matéria. Assim se dá com qualquer objeto de nosso mundo. 



Por exemplo: aqui está meu copo, com seu formato de recipiente, de vaso (em hebraico, kli). A matéria com a qual ele é feito é a argila ou areia. Quando falo sobre um copo, sem me referir a formato ou material específicos, refiro-me a esta forma abstrata como Kli. No geral, o que é um copo? Falo sobre algo abstrato, sem conexão com um objeto concreto, particular. Em seguida à matéria, vem a essência, a categoria que traz, para mim, a noção do que é um copo, um Kli.



Estes são os quatro degraus de recebimento espiritual para qualquer definição, objeto, ação ou atributo.



Acontece o mesmo com as Dez Sefirot. O estudante deve saber que o Livro do Zohar não trata, em nível algum, sobre a Essência das Sefirot, nem de suas formas abstratas. E mais: sendo a forma a portadora da matéria, o livro discute tanto a forma das Sefirot quanto a matéria nelas contida. 



Se pegarmos Essência, Forma Abstrata, Forma na Matéria e Matéria na ordem em que descendem a este mundo , nossos recebimentos começam na Matéria e sobem. Baal HaSulam diz que o Zohar trata, apenas, dos dois primeiros níveis de recebimento: Matéria e Forma da Matéria. Então, chegamos à Primeira Limitação relacionada ao estudo do Zohar



1.    Essência

2.    Forma Abstrata 

3.    Forma na Matéria                     

4.    Matéria 



(O Zohar trata apenas da Matéria e da Forma na Matéria).


Shamati (137)

    137. Zelofeade estava coletando madeira (Ouvi em Tav - Shin - Zayin , 1946-1947)   Zelofeade estava coletando madeira. O Zohar i...