terça-feira, 21 de abril de 2020

Mekubalim (3)




Kaduri e os demônios 




Certa vez perguntaram ao Rav Kaduri, quando ele já contava com 105 anos de vida, se para fazer os seus amuletos cabalísticos ele invocava e forçava os demônios a fazerem o que ele queria.



Com um sorriso estampado no rosto, o Rav Kaduri respondeu: “Não, não. É que eu sou tão velho, mas tão velho, que os demônios olham para mim, sentem pena e resolvem fazer o que eu quero”.



(In: O Livro de Raziel. Raigordsky, Diego)


segunda-feira, 20 de abril de 2020

Mocha de Ilaah (10)






O sonho é o striptease da alma.



Se o sono é um-sessenta-avos da morte, o sonho é um-sessenta-avos da profecia. O sonho é uma carta fechada, mas, talvez, o remetente não queira que revelemos o conteúdo da missiva. No entanto, ela pertence ao destinatário e a ele pertence também o direito de tornar o conteúdo público.



Na noite de sexta para sábado, na passagem de 17 para 18 de abril, eu recebi uma carta. Oops! Eu tive um sonho. Bem que eu queria que fosse um I had a dream, como o de Martin Luther King Jr. Antes que as brigadas de sabichões corrijam o meu “erro”, confesso que troquei o have original por had, por razões óbvias.



Eu tive um sonho. E, nesse sonho, eu pedia à Marta, minha esposa, que me levasse ao hospital, porque eu estava com febre e com dificuldade de respirar.



Quando chegamos ao hospital, vi que centenas de pessoas se aglomeravam diante da porta de entrada, mais ou menos como as pessoas estão fazendo nas manifestações pelo fim da quarentena.



Atravessamos a multidão e entramos no prédio. Havia mortos empilhados nos corredores, misturados com vivos que tossiam muito. Pegamos uma ficha. Depois que olhei para o número do atendimento, eu disse à Marta: “Vamos embora. É melhor morrer em casa”.



Guardei a ficha plástica no bolso da camisa, pelo número que nela estava: 349.



Para quem não sabe, 349 é a gemátria hebraica para a palavra Mashiach, que em nosso idioma, e em nossa política, resultou em Messias.

domingo, 19 de abril de 2020

Sion Az Yael (4)




Em que consiste a meditação?



Basicamente, existem duas categorías de meditação: uma é a da concentração (transe) e a outra é a da visão interior (intuição).



Na meditação de concentração colocamos o acento no  adestramento da mente, enfocando-a fixamente num objeto determinado. Pode ser um mantra, uma respiração, a chama de uma vela e etc.



A concentração é a unificaçao da mente, a unidirecionalidade do pensamento.



A corrente do pensamento é normalmente errática e dispersiva. O objetivo da concentração é enfocar o fluir dos pensamentos, fixando a mente num único objeto, no tema da meditação.

Finalmente penetramos o objeto e somos totalmente absorvidos por ele.



No começo, a unidirecionalidade é ocasional e esporádica. A mente oscila entre o objeto da meditação e os pensamentos, sentimentos e sensações que a distraem.



A meditação de concentração requer previamente uma purificação psicológica, a qual significa a poda de pensamentos que distraem nossa concentração. A pureza é a base psicológica da concentração.



A segunda categoria de meditação, a de visão interior, trabalha melhor com a vivência do presente. Não intenta apartar a mente do transcurso da experiência para enfocá-la sobre um só objeto e criar estados diferentes, senão que cultiva a atenção e a percepção do fluir que momento a momento vai configurando nossa vida.



A essência da atenção, segundo o monge budista Nyanaponika Thera, é “a percepção clara e exclusiva do que realmente acontece conozco e com o que acontece dentro de nós mesmos nos momentos sucessivos da percepção”.[1]





[1] Nyanatiloka, Mahathera (Antom Gueth, 1878 - 1957), El Camino de la Atención: El Corazón de la Meditacion budista”.


sexta-feira, 17 de abril de 2020

Sion Az Yael (3)



Acusações contra a meditação



Circula a acusação de que a meditação é o resultado de uma sintomatología narcisista. Outros afirmam que é uma atitude escapista ou egocêntrica, e que, o indivíduo, ao ir para dentro de si mesmo, simplesmente ignora os problemas reais do mundo “real”, problemas que estão “aí fora”. No entanto, é completamente o oposto disso. A meditação, longe de ser uma retirada narcisista ou um isolamento interno, é simplemente “a continuação natural do processo evolutivo”, quando uma nova interiorização nos leva ainda mais longe, em direção a uma maior amplitude de horizontes.



Maior evolução significa maior profundidade e maior autonomia relativa. Também implica maior interiorização e menor narcisismo. Quanto mais interiorizada é uma pessoa, menos egocêntrica ela se torna. Toda interiorização reverte numa maior percepção da realidade em sua totalidade.

quinta-feira, 16 de abril de 2020

Sion Az Yael (2)




Meditar, para quê?



A meditação favorece o bem-estar psicológico e a sensibilidade perceptiva. Reduz a ansiedade, produz um incremento da autoconfiança e da autoestima, facilita a autorrealização e a lucidez, diminui o stress, os medos, as fobias e, também, os hábitos negativos e os vícios. Paralelamente, o meditador avançado identifica-se mais com o calmo observador ou testemunha de suas próprias experiências do que com as experiências em si. Também aumenta a sua compreensão intelectual e a sua criatividade. 

A meditação tem efeitos metabólicos significativos. Modifica os níveis hormonais e favorece a circulação sanguínea. No que diz respeito ao cérebro, experimentos científicos demonstraram ritmos cerebrais mais lentos e melhor sincronizados, com predomínio de ondas alfa (8-13 ciclos por segundo) nos meditadores. Nos praticantes mais avançados as ondas podem chegar a theta (4-7 ciclos por segundo). 

Os meditadores demonstram um aumento das habilidades localizadas no hemisfério direito e também uma maior flexibilidade na translação de um lado para o outro do cerebro.



A meditação propicia um maior interesse pelas vivências mais subjetivas e uma abertura maior para experiências que estão fora da normalidade. Quem medita parece menos suscetível a perturbações psicológicas graves e se mostra mais aberto ao reconhecimento das suas próprias características pessoais desfavoráveis. Por isso, a meditação é terapêutica. Toda e qualquer mudança pessoal começa pelo reconhecimento dos próprios defeitos.


quarta-feira, 15 de abril de 2020

Sion Az Yael (1)


1


Introdução




O Rabi de Berditchev viu um homem que caminhava

 com pressa pela rua, sem olhar para a direta ou para a esquerda.

“Por que tens tanta pressa?”,  perguntou.   

“Vou atrás do meu sustento”, replicou o homem.

“E como sabes que o teu sustento corre na tua frente, de tal modo

 que tens que correr atrás dele? Talvez ele esteja atrás de ti

 e tudo o que precisas fazer é parar de correr…”.







Crise de Percepção



Fritjof Capra, em seu livro “O ponto de mutação”, afirma: “Nossa sociedade se encontra numa crise sem precedentes: podemos ler sobre as suas diversas manifestações todos os dias nos jornais, mas ela é, essencialmente, uma crise de percepção. Estamos tratando de aplicar conceitos de uma visão antiquada (mecanicista) a uma realidade que já não pode ser entendida nesses termos.”[1]



No começo, meditar pode ser uma tarefa árdua. O fato de se permanecer imóvel, com os olhos fechados durante um certo tempo, pode ser difícil. Manter a concentração prolongada requer um grande esforço. Os conflitos psicológicos não resolvidos tendem a emergir assim que a atenção se volta para dentro. Excitação e emoção se alternam com uma tranquilidade profunda. Nossos níveis de percepção estão insensibilizados e deformados e escapam do nosso autocontrole. É por esse motivo que o treinamento da mente e o intento de exercer um controle mais efetivo sobre nosso próprio autocontrole é uma tarefa tão complexa, mas vale a pena todo ese esforço.





Meditação e liberdade



O ego é uma série de pensamentos que definem o nosso Universo. É como uma casa construída de pensamentos. Através das suas janelas, podemos ver o Universo. Nessa casa, estamos seguros, mas, porque temos medo de sair dela, transforma-se numa prisão. O medo é a perda de identidade. Quando abandonamos os nossos pensamentos, temos a sensação de que estamos morrendo. No entanto, somos infinitamente mais que isso. Nosso ego, ao invés de ser uma prisão, pode ser uma base de lançamento para a libertação. Nesse sentido, a meditação é um êxtase, é um sair de si mesmo; e é um íntase, um sair para dentro de si mesmo.



A maioria das pessoas não podem escapar dessa visão encaixotada do ego, pois se identificam completamente com seus pensamentos. São incapazes de separar a percepção pura dos pensamentos, que são seus objetos. A meditação liberta a percepção. O caminho da libertação passa pelo desapego dos velhos hábitos do ego. Ou seja, é preciso fluir para além dos limites do ego, até fundir-se com o Universo.



[1] O ponto de mutação. Fritjof Capra, Cultrix: São Paulo, 1986. .

terça-feira, 14 de abril de 2020

Introdução ao Livro do Zohar (37)


37. E assim os sábios continuam: "Mas depois de Ele ter conferido essa forma à estrutura de Adam Elion, Ele desceu e 'vestiu-Se' nela. Ele é chamado de HaVaYaH, que significa as Dez Sefirot KaHaBTuM, pois a ponta da letra 'Yud' é Keter, 'Yud' é Chochmá, 'Hey' é Biná, 'Vav' é Tiferet, e a última letra 'Hey' é Malchut. Isso foi feito para que o Criador pudesse ser alcançado através de Suas Propriedades, Sefirot.




Shamati (137)

    137. Zelofeade estava coletando madeira (Ouvi em Tav - Shin - Zayin , 1946-1947)   Zelofeade estava coletando madeira. O Zohar i...