segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Introdução ao Li vro do Zohar (99)


65. Isso se deve ao fato de que as ações se originam nos Kelim puros, enquanto que os segredos de Torá derivam da Luz das Sefirot.

 

A revelação da Luz ocorre dentro da alma, nos nossos Kelim, dentro de nossa consciência. Uma vez que os Kelim e as Orot têm uma relação inversa, quanto mais baixo forem os Kelim de NHY, mais as Luzes de Neshamá, Chayá e Yechidá penetram neles. Nossa geração, portanto, é capaz de atrair uma grande Luz a este mundo.

 

Estamos, neste momento, nos Kelim de NHY, que se aproximam da sua completude, mas que não possuem uma tela. Os Kelim que hoje se manifestam estão vazios. Por isso que nossa época é tão dura, egoísta, cruel e bárbara em sua essência. Estamos no limiar da recepção da Luz nos Kelim vazios.

 

Se adquirirmos uma tela, instantaneamente passaremos a atrair a Luz Superior. Através das nossas almas, ela será transmitida ao resto do mundo. Hoje, nos encontramos em um estado muito crítico, quando todos os Kelim estão prontos, mas desprovidos de Luz. Em outras palavras: o nosso egoísmo, enorme e vazio, aguarda ser preenchido pela Luz.

 

Um estado terrível de desespero, de desorientação e de confusão cresce a cada dia. Onde esse mundo vai parar? Por que ele existe? Por que estamos aqui? Essa é a nossa condição de hoje.

 

Resta-nos, apenas, uma única escolha: começar a trabalhar com uma tela, já que esta é a única forma de preencher de Luz nossos Kelim vazios. Com o Livro do Zohar, os livros do Ari, os comentários de Baal HaSulam, escritos especificamente para as nossas almas, seremos capazes de atrair a Luz Superior. ChaBaD, ChaGaT e NHY começarão a receber a Luz de Neshamá, que também é chamada de Luz do Mashiach, pois essa Luz de Biná corrige as propriedades de Malchut. Toda correção baseia-se nessa combinação, a unificação de Biná e Malchut.

 

Ao sentir a influência da Luz de Biná e da Luz do Mashiach, a Criação se conectará ao Criador. Isso indicará a libertação final e completa do egoísmo, e o alcance da Eternidade e Perfeição.

 

Conhecendo as raízes do nosso passado, podemos compreender a história do nosso mundo, podemos ver o nascimento e a predestinação de cada personalidade histórica, compreender as causas dos eventos históricos, catástrofes e guerras.

 

Tudo é predeterminado no eixo da evolução humana, começando pelo ponto do qual nosso Universo emergiu, partindo para a formação do sistema solar, o nascimento da Terra e das pessoas na sua superfície, e chegando ao surgimento do Ponto Espiritual no coração do homem, assim que ele desenvolveu suficientemente suas propriedades animais. Considerando o Ponto no Coração como um grau zero, começamos nossa contagem até o estado Final definitivo, quando o mundo inteiro alcançará um estado chamado “o Fim da Correção”. Depois disso, o mundo continuará a sua existência da mesma forma que antes do ponto zero.

 

Antes, os corpos estavam se desenvolvendo, ao passo em que, no fim do período de seis mil anos, as almas continuarão a evoluir, pois o corpo perderá toda a sua importância. Nosso mundo, nosso Universo, entretanto, não mudará em nada.

 

Podemos ver muitas coisas ao longo do eixo temporal. Isso é uma parte da assim chamada Cabalá Histórica, ou, ainda melhor, História Cabalística. De tudo isso, só precisamos receber uma resposta à velha pergunta sobre o significado da nossa vida.

 

Por que eu deveria saber como esse sistema complexo funciona fora de mim? Claro que essa é uma informação interessante, mas, e depois?

 

A Cabalá se baseia em uma única questão: Por que eu existo? Ao buscar a resposta a essa pergunta, o homem recebe o Universo. Primeiro, ele recebe os vasos, então lhe é permitido adquirir uma tela e, por fim, ele é preenchido pela Luz. Assim, ele encontra a resposta e alcança o nível do Criador.

 

De que forma a correção ocorre, de 1995 em diante, de acordo com o que Baal HaSulam previu? Estamos, agora, em 2020 ou, conforme a cronologia Espiritual, em 5780. Como devemos prosseguir?

 

Baal HaSulam diz que, se estamos destinados a fazer correções, naturalmente devemos fazê-las em nós mesmos. O que isso significa? Significa que elas devem ser feitas pelas pessoas que vivem o mundo de hoje, assim, cada um de nós tem sua própria missão, seu próprio papel e uma predestinação específica.

 

66. Agora, você precisa saber que tudo possui um aspecto interior e um aspecto exterior.

 

Os Kelim de ChaBaD, ChaGaT e NHY ainda se dividem, de cima abaixo, em partes internas e externas. Vejamos qual a diferença entre elas. Elas consistem de Dez Sefirot, ou, dito de outra forma, de Rosh, Toch e Sof.

 

Israel refere-se à parte interna do Mundo, enquanto que as outras nações são consideradas sua parte externa.

 

Peço que não interpretem mal esses nomes, eles não se referem a nacionalidades, mas à conformidade espiritual. Se considerarmos esse Partzuf específico, os Kelim de ChaBaD e ChaGaT serão chamados de Israel, enquanto que os Kelim de NHY serão chamados de Nações do Mundo. Nesse caso, vemos que sem o envolvimento das Nações do Mundo nesse trabalho, Israel será totalmente incapaz de receber a Luz Superior.

 

As Nações ficarão sem Luz, a menos que Israel lhes transmita a Cabalá, o método da correção Espiritual. Ou seja, a associação de Israel com as Nações do Mundo é semelhante à associação de Galgalta Eynaim com AHP.

 

Dentro do próprio Israel, há um aspecto interior que consiste daquelas pessoas que se empenham em servir ao Criador e um aspecto exterior, que consiste daqueles que não estão envolvidos em um Trabalho Espiritual. Da mesma forma, entre as Nações do Mundo há uma parte interior chamada “Os justos do mundo”, e uma parte exterior que consiste daqueles que são brutos e destrutivos.

 

Em outras palavras, há uma divisão em GE e AHP. Cada uma dessas partes tem seu próprio GE e AHP. Ge e AHP de GE correspondem àqueles que trabalham pelo Criador, dentro de Israel, e aqueles que não o fazem. GE e AHP das Nações do Mundo correspondem às pessoas justas e àqueles que causam danos.

 

Mesmo entre aqueles de Israel que trabalham pelo Criador, há uma parte interior e outra parte exterior. A parte interior compreende aqueles que têm o privilégio de alcançar o recebimento Espiritual e de apreender os Segredos da Criação através do recebimento da Luz Superior. A parte externa consiste das pessoas que apenas realizam ações sem compreender seu significado profundo.

 

De forma semelhante, qualquer indivíduo possui uma parte interior (GE, o ponto no coração) e uma parte exterior, chamada de Nações do Mundo, ou de corpo.

 

Tanto as Nações do Mundo e Israel também se dividem nessas partes. Qual é a essência dessa divisão? Ela começou na época de Abraão, que recebeu o primeiríssimo ponto no coração e o desenvolveu.

 

Quando um homem de Israel eleva sua parte interior acima da sua parte exterior, o que significa que ele dedica a maior parte do seu tempo e esforços ao aperfeiçoamento de sua parte interna ao invés de sua parte externa, o corpo, ele eleva, com isso, o aspecto Espiritual da sua parte material.

 

Mas se o oposto ocorre e um homem de Israel eleva sua parte material externa acima da parte interior espiritual, da mesma forma, a parte externa (os elementos brutos e negativos das Nações do Mundo) se eleva acima da parte interior (os justos dentre as Nações do Mundo), então guerras e calamidades recaem sobre o mundo.

 

Essas ações elevam as partes externas das Nações do Mundo, prevalecem sobre a parte interior e, consequentemente, os elementos destrutivos contidos das Nações do Mundo vigoram sobre Israel.

 

Assim, através do sofrimento, tudo isso possibilita o retorno a um estado em que Galgalta Eynaim, as almas de Israel, atraiam a Luz Superior ao mundo.

 

 

domingo, 16 de agosto de 2020

Introdução ao Livro do Zohar (98)

 

64. Esse era um problema que preocupava os sábios, e era óbvio para eles que as gerações antigas eram muito mais importantes que as posteriores em relação aos seus vasos, qualidades e desejos, os quais eram consideravelmente mais próximos às qualidades da Luz.

 

Seus vasos eram muito pequenos, puros e sublimes, se comparados aos nossos. Eles estavam muito mais próximos da Luz, enquanto que nós somos completamente opostos a Ela em nossos desejos.

 

Mas a sabedoria da Torá (toda compreensão, recebimento e profundidade de sensações) manifesta-se muito mais nas gerações mais recentes, devido ao volume geral expandido do Kli.

 

Como já é sabido, o volume geral do egoísmo encontra-se no Sof do Partzuf. Portanto, a correção acontece com a ajuda das últimas gerações.

 

 

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Introdução ao Livro do Zohar (97)

 

63. Agora, podemos ver claramente que as almas das gerações antigas eram imensuravelmente mais elevadas que aquelas das gerações posteriores. A regra para todos os Partzufim, tanto os que pertencem aos Mundos quanto os que pertencem às almas, é que os vasos mais puros são corrigidos primeiro.

 

“Puro” significa “ter um pequeno Aviut”, um pequeno egoísmo, portanto, eles são mais fáceis de corrigir.

 

Assim, os Kelim de ChaBaD (de Tohu), tanto do mundo quanto da alma, foram introduzidos primeiro em nosso mundo. Portanto, as almas dos primeiros dois milênios são incomparavelmente mais elevadas que aquelas que vieram depois delas.

 

As almas que desceram durante os primeiros dois mil anos da existência do nosso mundo eram muito puras e sublimes. O homem daquela época precisava de muito pouco: satisfazia-se com um teto, uma pequena quantidade de alimento e segurança. Seu egoísmo não o impulsionava a empreendimentos mais ousados. Almas elevadas não são, necessariamente, aquelas que têm grandes recebimentos. Elas podem sentir os Mundos Espirituais devido à sua pureza.

 

Apesar do seu altíssimo nível, elas não podiam receber a quantidade total de Luz devido à ausência dos seus próprios componentes inferiores, os Kelim de ChaGaT e NHYM.

 

A elas faltavam essas duas partes e, portanto, sua Luz era apenas a de Nefesh.

 

Durante o período intermediário, quando os vasos dos Mundos e das almas que surgiram eram dos Kelim de ChaGaT, ainda assim as almas eram extremamente puras.

 

Elas eram puras, pois os Kelim de ChaGaT são uma réplica dos Kelim de ChaBaD, ainda que no nível corporal. Sabemos que existem Dez Sefirot: Keter, Chochmá e Biná, depois Chessed, Guevurá e Tiferet, e então Netzach, Hod, Yessod e Malchut. Chessed é semelhante à Keter e Guevurá é como Tiferet. Baal HaSulam diz que justamente pelos Kelim de ChaGaT assemelharem-se aos Kelim de ChaBaD, almas muito puras desceram ao nosso mundo antes da destruição do Templo.

 

Ao mesmo tempo, as Luzes já estavam ocultas nos Mundos devido à ausência de egoísmo nesses Kelim.

 

A maior parte do egoísmo encontra-se nos Kelim de NHY. Assim que esses vasos começaram a se desenvolver, tanto o Primeiro Templo quanto o Segundo foram destruídos. O colapso espiritual que ocorreu como resultado da transição de Biná aos vasos de recepção (Kelim de Kabbalah), através de Tiferet, ecoou em nosso mundo como a destruição física dos dois Templos.

 

De forma correspondente, em nossa geração, que consiste das almas mais baixas de toda a Criação e que não podiam ter sido corrigidas até então, elas ainda complementam os Kelim-Partzufim da Alma Comum. O trabalho só pode ser finalizado com o seu auxílio.

 

Baal HaSulam diz que embora os Kelim de NHY sejam os piores e mais egoístas, é impossível completar o trabalho sem eles, pois eles são justamente os vasos que devem ser corrigidos. Seu desenvolvimento começa depois da destruição do Templo, seguido pelo desenvolvimento das Luzes nesses Kelim.

 

A Luz Inicial penetrou os Kelim de NHY graças aos cabalistas que viveram no período entre o Ari e Baal HaSulam. O que significa o nome “Luz Inicial”? Se dividirmos os Kelim de NHY em Dez Sefirot, isso resultará em três períodos: ChaBaD de NHY, ChaGaT de NHY, e NHY de NHY. Da nossa época em diante, NHY de NHY constituem os Kelim mais egoístas.

 

Portanto, tudo o que nos resta fazer é pôr em prática esse método de correção, isto é, utilizar o poder que nos foi dado pelo Rabi Shimon, o Ari, e Baal HaSulam. Em nossa época, esse poder é chamado de “Mashiach”.

 

Dessa forma, Baal HaSulam escreve:

 

Agora, os vasos de NHY estão completos (assim como as Luzes dentro deles), e os vasos de Rosh, Toch e Sof do Partzuf (todos os Kelim do nosso mundo) são capazes de atrair a plena medida das Luzes necessárias em Rosh, Toch e Sof, as Luzes totais do NaRaN (Nefesh, Ruach e Neshamá, contendo em si as Luzes de Chayá e Yechidá). Portanto, apenas quando a preparação dessas almas mais baixas estivesse completa, as Luzes mais elevadas poderiam ser reveladas, e não antes disso.

 

Somente através de nós é que a Luz penetra em nosso mundo. Nós a atraímos com nosso pior e mais horrível egoísmo, pois, assim, completaremos a estrutura do Partzuf de toda a Criação.

 

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

Introdução ao Livro do Zohar (96)

 

 

60. Baal HaSulam nos diz que durante a sua longa história, o Livro do Zohar foi atribuído a muitos cabalistas diferentes. Mas somente aquele que penetra nos significados ocultos desse livro, e compreende de quão alto nível espiritual ele vem (de Arich Anpin do Mundo de Atzilut, isto é, ele alcança o Mundo do Infinito), pode também perceber que ele não poderia ter sido escrito por ninguém mais que o próprio Rabi Shimon Bar-Yochai.

 

Sabemos que os cabalistas dividem a história nos seguintes períodos:

 

1) O homem se desenvolve como um animal, então a alma desce até ele (no ano 0, de acordo com o calendário judaico, isto é, 5780 anos atrás);

 

2) Depois, se inicia o desenvolvimento do ponto no seu coração (alma).

 

O ponto espiritual desceu ao coração do homem 5780 anos atrás e o ativou pela primeira vez. A manifestação seguinte do desejo espiritual ocorreu em Abrahão, cerca de 1974 a.C. O ponto no coração continuou o seu desenvolvimento paralelamente ao egoísmo, cujo crescimento levou à destruição do Templo.

 

Tanto o Primeiro Templo quanto o Segundo foram destruídos, isto é, todos os níveis espirituais caíram em relação ao ponto no coração. O Livro do Zohar foi escrito depois da destruição do Segundo Templo. Seu autor, o Rabi Shimon, viveu antes e depois da destruição do Templo, mas o livro não poderia ter sido escrito antes desse evento, pois não havia a necessidade de uma fonte espiritual tão grande para elevar as pessoas do nível de uma tela completamente quebrada.

 

Rabi Shimon foi um dos discípulos do famoso sábio Rabi Akiva, que nos deixou toda a herança espiritual hoje existente. A história desse homem é incrível. Ele não era judeu, nem crente, até a idade de 40 anos. Então ele começou a estudar Cabalá e, depois, tornou-se um grande estudioso e professor. Sua vida foi cheia de reviravoltas inesperadas, mas, por fim, ele alcançou o nível espiritual mais alto que era possível.

 

É desnecessário dizer que, sendo professor do Rabi Shimon, ele estava em um nível muito superior ao dele. Um dos alunos do Rabi Akiva escreveu o Talmud Babilônico, e outro, o Livro do Zohar. Em outras palavras: Rabi Akiva era a personificação de um vasto conhecimento sobre o universo que preenchia muitos Livros Sagrados.

 

Entretanto, o Rabi Akiva não poderia escrever uma obra como o Livro do Zohar já que, antes da destruição do Templo, uma sabedoria tão profunda e elevada não era necessária. Não havia o que corrigir. Quando o Templo deixou de existir, seu último aluno, Rabi Shimon, escreveu o Livro do Zohar. Naturalmente, o Livro não poderia ter sido escrito por nenhum outro homem nascido após a destruição do Templo.

 

Isso ocorreu por volta do século II d.C. e, depois disso, não existiram mais cabalistas como esses. Somente no século XVI a alma extraordinária do Ari desceu ao nosso mundo e elevou a Cabalá a um outro nível. No século XX, surgiu a alma de Baal HaSulam.

 

Eis o que esse grande cabalista escreve:

 

Desde o primeiro dia em que eu mereci a Luz do Criador e vi o que estava escrito no Livro do Zohar, não sinto qualquer necessidade de buscar evidências sobre a sua autoria. Isso se deve ao simples fato de que o conteúdo do livro aumentou, no meu coração, a proeminência do Rabi Shimon a alturas inalcançáveis, acima de todos os outros cabalistas.

 

Entretanto, se eu descobrisse que o autor do livro é outra pessoa, digamos, Rabi Moisés de Leon, a grandeza desse cabalista, para mim, aumentaria mais que todos os outros, inclusive do Rabi Shimon.

 

Honestamente, de acordo com a profundidade da sabedoria desse Livro, se eu tivesse descoberto que seu autor fosse um dos 48 profetas (cabalistas que receberam um alto nível espiritual chamado Profecia), meu coração certamente aceitaria melhor essa ideia do que o fato de Rabi Shimon ter escrito esse Livro (pois o Rabi Shimon era apenas um Tanaíta, isto é, um cabalista que viveu depois da destruição do Templo). Se tivesse descoberto que Moisés havia recebido esse Livro do Criador Ele Mesmo, no Monte Sinai, eu dormiria tranquilo. Eis a enorme grandeza desse Livro.

 

Já que mereci criar um comentário adequado a todos que tenham o desejo de compreender o que está escrito no próprio Livro, acredito ter cumprido tudo de forma a não precisar realizar um trabalho e pesquisa desse tipo (em relação à autoria do Livro do Zohar). Isso porque, como qualquer um que compreende o Livro do Zohar, não me satisfaz a ideia de que o autor do Livro do Zohar seja alguém menos santo que o Rabi Shimon (ou seja, nascido depois do Rabi Shimon, pois a santidade diminui com o tempo).

 

61. A essa altura, devemos perguntar por que o Zohar não foi revelado às gerações anteriores, cujo mérito, sem dúvida, era maior que o das posteriores, e que eram mais merecedoras de estudar esse livro.

 

Já que, como vimos, o Livro do Zohar foi entregue para corrigir o nosso egoísmo, surge a pergunta: Por que as gerações anteriores não podiam recebê-lo? Se o Criador nos criou tão opostos a Ele, por que Ele não poderia nos dar uma instrução para corrigirmos esse estado?

 

Por que temos que sofrer milhares de anos para descobrir, depois, que existe a possibilidade de fazer essa correção? Por que há bebês e adultos inocentes que vivem com tanto sofrimento? Por que há tanta angústia no mundo? Isso se refere à mesma questão: Por que só agora o Livro do Zohar foi revelado a nós?

 

Por isso, eu gostaria de repetir:

 

Por que o Zohar não foi revelado às gerações antigas (que viveram antes da destruição do Templo)?

 

Talvez o livro os teria encorajado a disseminar a sabedoria da Cabalá por todo o mundo, e a humanidade poderia ter evitado um período de sofrimento tão longo. Não sabemos por quanto tempo as pessoas estão destinadas a sofrer antes de aceitarem esse método de correção, que as elevará ao nível da Perfeição e Eternidade.

 

O mérito delas era indubitavelmente maior que o das gerações posteriores, e também eram mais dignas de estudar esse Livro.

 

Por um lado, o egoísmo dessas gerações era menor e, por outro, elas tinham enormes fontes internas não suprimidas pelo egoísmo, portanto, sem dúvida elas poderiam estudar esse livro de forma muito mais efetiva. Elas estavam muito mais próximas desse material do que nós estamos, em meio a todos os nossos problemas mercadológicos, tecnologia moderna, propagandas soporíferas etc.

 

Podemos também perguntar por que o comentário ao Livro do Zohar não foi revelado juntamente com o livro do Ari, ou para os cabalistas antigos.

 

Por que existe um prelúdio tão longo estendendo-se junto ao eixo temporal - a Torá, o Ari (século XVI) e Baal HaSulam (século XX) - antes que, em nossa época, começássemos a descobrir o Livro do Zohar?

 

A resposta é que, durante os seis mil anos de sua evolução, o mundo deve passar por um período completo de correção.

 

Não levamos em consideração o mundo que existia antes de um novo Ponto Espiritual (de Biná) aparecer no coração do homem (Malchut). Até que não exista mais qualquer interação entre o coração e o ponto existente nele, nada do que ocorre importa realmente, pois tudo isso constitui apenas o desenvolvimento do corpo, da existência animal.

 

Durante os seis mil anos de sua existência, o mundo é como um Partzuf (uma entidade espiritual), dividido em três partes: Rosh, Toch e Sof, ou ChaBaD (Chochmá, Biná e Da'at), ChaGaT (Chessed, Guevurá e Tiferet) e NHY (Netzach, Hod e Yesod). Ou ainda, como disseram nossos sábios: “Os primeiros dois mil anos são chamados de Tohu (literalmente, “sem forma”); o segundo período de dois mil anos é chamado de Torá, e o último período de dois mil anos é chamado de “Os dias de Mashiach” (Messias).

 

Nos primeiros dois milênios (Rosh ou ChaBaD), as Luzes eram muito pequenas e, por isso, eram chamadas de “cabeça sem corpo”, possuindo apenas a Luz de Nefesh, pois há uma relação inversa entre as Luzes e os Vasos. A regra é que os Vasos Superiores se desenvolvem primeiro em cada Partzuf, enquanto que, para as Luzes, ocorre o oposto: as Luzes com um Aviut menor se vestem primeiro no Partzuf. Assim, enquanto houver apenas as partes superiores dos vasos, isto é, os vasos de ChaBaD, somente as Luzes de Nefesh podem se vestir no Partzuf, que são as Luzes menores.

 

Dessa forma, os primeiros dois mil anos são chamados de Tohu. Em outras palavras: Pode ainda não existir uma interação correta entre os Kelim (vasos) e as Orot (Luzes).

 

Durante o segundo período de dois mil anos (os Kelim de ChaGaT), a Luz de Ruach (Aviut Aleph) desce ao mundo. Ela também é chamada de Luz da Torá (Torá é algo que outorga vida, Ruach já constitui movimento). Portanto, o segundo período de dois mil anos se chama Torá.

 

O último período de dois mil anos são os Kelim de NHY (o período de correção, ou Mashiach, o ano 0, de acordo com o Calendário Gregoriano), portanto, nesse período, desce a Luz de Neshamá.

 

As Luzes que descem são, basicamente, Neshamá, Chayá e Yechidá dentro da Luz de Neshamá. Isso ocorre porque é impossível corrigir o terceiro e o quarto níveis de desejo antes da Gmar Tikkun.

 

Apenas os níveis zero, um e dois podem ser completamente corrigidos. Dessa forma, o nível de Neshamá é chamado de “os dias do Mashiach”.

 

Ou seja, esse nível já é uma força que leva os desejos egoístas à correção. O Mashiach é uma força de Biná, isto é, o segundo nível da tela, pois quando Malchut adquire as propriedades de Biná, ela transforma seus desejos e os torna semelhantes aos do Criador. Em outras palavras, ela provê à Malchut a tela necessária para a correção. A descida da Ohr Neshamá ao nosso mundo corrige Malchut. A luz de Neshamá é chamada, alternativamente, de “Mashiach” (da palavra Limshoch - puxar), significando a Luz que puxa o egoísmo até o nível do altruísmo.

 

Essa ordem se aplica a cada Partzuf em particular (cada alma) assim como a todo o Universo. Cada alma, sua ou minha, passa por todos os períodos de seu desenvolvimento. Há muito tempo atrás, estávamos naqueles períodos em que o nosso corpo estava se desenvolvendo e, então, surgiu o ponto no coração e ele gradualmente cresceu em todos nós.

 

Não importa em quais almas ou corpos isso tudo tenha ocorrido, pois tudo está misturado no nível da alma. A divisão em nações e sexos é puramente relativa. Todas as partes gradual e constantemente se mesclam, uma vez que, depois que a alma de Adão se quebrou, todas as almas foram misturadas. Portanto, independente de quais correções as diferentes almas fizeram, no fim das contas, elas se tornam completamente interconectadas.

 

As Luzes dos Kelim ChaBaD e ChaGaT do Chazeh do Partzuf são ocultadas para que a Luz de Chassadim brilhe livremente. Isso significa que a luminescência de Chochmá aparece do Chazeh para baixo, ou seja, nos Kelim de NHYM (Netzach, Hod, Yesod e Malchut). O motivo para isso reside no fato de que antes dos Kelim de NHYM começarem a se manifestar no Partzuf do mundo, isto é, no último período de dois mil anos, a sabedoria do Zohar, em geral, e da Cabalá, em particular, foi ocultada do mundo.

 

O que Baal HaSulam quer dizer? A questão é que a Luz de Chochmá não pode brilhar no Kli a menos que a Luz de Chassadim o tenha penetrado antes.

 

O vaso é criado na forma de um desejo de receber prazer. A menos que o vaso adquira uma tela, que complementa a Ohr Yashar com a Ohr Hozer, nenhuma Luz pode entrar no Kli. Podemos explicar isso de uma maneira diferente: até que o interior do vaso (egoísmo) esteja revestido com as intenções altruístas (de doação), a Luz de Chochmá não tem como penetrá-lo.

 

E como essas intenções altruístas podem se manifestar? Isso só pode acontecer no último período de dois mil anos, quando a Luz de Neshamá desce ao nosso mundo. Portanto, antes desse período (isto é, antes do Sof), antes do surgimento e desenvolvimento dos Kelim de NHY, a Cabalá não pode ser revelada em nosso mundo. Em outras palavras: a Luz da Sabedoria, o conhecimento sobre a estrutura do Universo, não pode ser revelado às almas. Elas ainda não são egoístas o suficiente para serem corrigidas pela Luz de Neshamá e receberem a quantidade mínima de Ohr Chochmá.

 

Hoje, estamos no ano de 2020, que corresponde ao ano 5780 do calendário judaico. Isso significa que restam 220 anos.

 

Baal HaSulam diz que “... antes dos Kelim de NHYM começarem a manifestar-se no Partzuf do mundo, o que significa o último período de dois mil anos, a sabedoria do Zohar, em geral, e da Cabalá, em particular, foi ocultada do mundo. Apenas na época do Ari, quando havia chegado o momento de completar os Kelim do Chazeh para baixo, isto é, em cada um dos três períodos ChaBaD, ChaGaT, e NHY, os Kelim se desenvolveram e foram corrigidos seguidos, posteriormente, pelas Orot (Luzes). Imagine que os Kelim de NHY estavam se desenvolvendo do início desse período até a época do Ari.

 

Graças à alma santa do Rabi Isaac Luria (ARI, como abreviação), a radiância da Sabedoria Suprema foi revelada. Os Kelim de NHY estavam suficientemente desenvolvidos nessa época e, por isso, essa alma extraordinária veio ao nosso mundo.

 

Cada descida das almas, inclusive a sua e a minha, é pré-determinada pelo desenvolvimento anterior, geral e individual, dos Kelim de NHY. Em nossa época, eles são chamados de NHY, no passado, eles eram chamados de ChaBaD e ChaGaT. Assim, na verdade, a história da humanidade é o desenvolvimento de um Partzuf de baixo para cima. Isso determina quais almas descem a este mundo e como elas se vestem nos corpos, em qual sociedade, estado ou ambiente elas estarão etc.

 

Mas já que a alma do Ari surgiu depois do desenvolvimento de todos os vasos de NHY, ele foi capaz de revelar a grandeza do Livro do Zohar e a Sabedoria da Cabalá e, ao fazê-lo, ofuscou todos os seus predecessores.

 

Isto é, a partir do momento em que surge o Livro do Zohar, nele se concentra todo conhecimento que havia sido recebido dos cabalistas que viveram antes da destruição do Templo. O Livro é considerado tão grandioso não pelos Kelim de NHY que estavam ainda se desenvolvendo, mas pela Sabedoria que foi recebida pelas almas muito elevadas que viveram naquela época.

 

Baal HaSulam diz que ele teria ficado satisfeito em saber que o Livro do Zohar havia sido escrito por um dos 48 profetas ou por Moisés, pois ele contém toda a sabedoria das gerações anteriores.

 

Apenas o Ari poderia ser o próximo dessa linhagem, somente ele poderia explicar e elevar a Kabbalah expondo tudo o que está acessível a nós hoje. Na prática, o Ari introduziu o método de correção do mundo. Desde o momento em que os Kelim de NHY completaram o seu desenvolvimento, sua alma poderia descer ao nosso mundo e nos fornecer tudo o que fosse necessário à correção das nossas almas (Kelim). Sua alma é uma imagem coletiva de todos os Kelim de ChaBaD, ChaGaT e NHY. Ele, da forma como era, completou o seu desenvolvimento. Depois dos Kelim terem se manifestado, mas antes das Luzes os penetrarem, o Ari surgiu imediatamente. Portanto, a coleção de suas obras (mais de 20 volumes) constitui um método completo de ascensão e correção espiritual.

 

Nenhum dos cabalistas anteriores ao Ari puderam compreender com exatidão como a correção espiritual ocorre. Ninguém era capaz de alcançar esse nível de recebimento, já que esses Kelim não estavam suficientemente desenvolvidos na criação.

 

Antes do Ari, a humanidade inteira estava na etapa de desenvolvimento dos Kelim de ChaBaD, ChaGaT e NHY de todas as Dez Sefirot. Dessa época em diante, começou o processo de obtenção de uma tela e a recepção da Luz nesses Kelim já desenvolvidos. O Universo inteiro estava incluído nesses ChaBaD, ChaGaT e NHY. Entretanto, Baal HaSulam continua:

 

Mas esses Kelim não estavam totalmente desenvolvidos, pois o Ari não teve tempo suficiente de completar todas as correções necessárias.

 

Mais adiante, discutiremos por que o Ari falhou. Naturalmente, isso só ocorreu porque existiam razões profundas e objetivas, e não porque ele simplesmente adoeceu e morreu. Ele adoeceu e morreu porque existiam determinadas condições para o desenvolvimento desses Kelim.

 

Mas esses Kelim não estavam plenamente desenvolvidos, pois o Ari, como sabemos, faleceu em 1572 (5332, conforme o calendário judaico). O mundo ainda não estava preparado para as revelações do Ari.

 

Ele não teve tempo suficiente de, na prática, transmitir para o mundo tudo o que ele havia escrito em seus livros.

 

Seu legado, proibido de ser revelado ao mundo, foi utilizado apenas por uns poucos escolhidos.

 

Em uma de suas cartas, Baal HaSulam conta a sua história. O Ari viveu apenas 36 anos, e não escreveu nenhum livro por si mesmo. Durante o último ano e meio de sua vida, ele teve um discípulo que se chamava Chaim Vital (Marhu). Chaim tinha 28 anos na época, enquanto o Ari tinha 36. Veja como esses dois homens eram jovens.

 

Durante o período em que passou ao lado do Ari, Chaim Vital aprendeu tudo o que, depois, lhe possibilitou escrever mais de 20 volumes de grande envergadura, o que pode nos parecer inacreditável. Quando lemos as obras do Ari escritas pelo Chaim Vital depois da morte do seu professor, é quase impossível imaginar como essa grande quantidade de informação pode ser ouvida em um período relativamente curto, e quanto mais ter sido colocada no papel.

 

Tudo o que Chaim Vital aprendeu do seu grande professor em apenas dezoito meses é descrito em uma série de cadernos, os quais foram enterrados junto com ele, depois da sua morte. No seu testamento, ele enfatizou que esses cadernos deveriam ser enterrados em seu túmulo em Safed (Tzfat, uma cidade ao norte da Galileia). O Ari e Chaim Vital viveram nessa antiga cidade ao norte da Galileia. Meus alunos e eu vamos com frequência a esse local e imergimos na mesma fonte onde o Ari costumava fazer suas abluções. O lugar onde ficava a casa do Ari, acima do antigo cemitério, existe ainda hoje.

 

Chaim Vital não queria publicar os seus escritos, pois acreditava que nem ele, nem a sua geração, estavam maduros o suficiente para esse conhecimento. Somente onze anos depois, o seu filho, neto e tataranetos começaram a publicar as obras do Ari. Pouco a pouco, durante trezentos anos, esses livros começaram a surgir e hoje eles nos são bem conhecidos, assim como a coletânea das obras do Ari.

 

Alguns deles foram revelados na época de Baal Shem Tov (Besht). Esse grande cabalista viveu na Ucrânia, no século XVII e, assim como o Ari, Baal Shem Tov nunca escreveu nada por si mesmo.

 

Uns poucos livros foram escritos por alguns dos seus alunos. Baal HaSulam escreveu O Estudo das Dez Sefirot e A Sulam como comentários aos livros do Ari e ao Livro do Zohar.

 

Com a ajuda desses dois livros, podemos completar nossa correção, pois no intervalo de tempo entre o Ari e Baal HaSulam, os Kelim de NHY completaram o seu desenvolvimento e foram preenchidos com todas a Luzes fundamentais. Como previu esse grande cabalista da nossa época, a partir do final do século passado, a subida espiritual em direção ao Fim da Correção começou. Com a ajuda desses livros, todas as gerações posteriores seguirão o nosso caminho.

 

Shamati (137)

    137. Zelofeade estava coletando madeira (Ouvi em Tav - Shin - Zayin , 1946-1947)   Zelofeade estava coletando madeira. O Zohar i...