segunda-feira, 7 de novembro de 2022

Shamati (42)

 

 

42. O que é o acrônimo Elul, no trabalho?

(Ouvi em 15 de Elul, Tav-Shin-Bet, 28 de agosto de 1942)

 

 

A fim de entender isso, devemos entender diversas outras coisas:

 

1. A questão de Malchuiot (plural de Malchut), memórias, e Shofarot (plural de Shofar, um chifre de carneiro), e qual é o significado do que os nossos sábios disseram: “Anule a sua vontade perante a Sua vontade, para que Ele anule a Sua vontade perante a sua vontade.”

 

2. As palavras dos nossos sábios: “Perverso: imediatamente à morte; e justo: imediatamente à vida.”

 

3. O verso “os filhos de Guershon: Livni e Shimi”.

 

4. As palavras do Zohar: “O Yud é um ponto preto que não contém nenhum branco”.

 

5. Malchut do superior se torna Keter do inferior.

 

6. A alegria atesta se o trabalho está em completude.

 

 

Todas essas coisas se aplicam à preparação do mês de Elul (“Ani Ledodi Vedodi Li”, Eu sou de meu amado e meu amado é meu).

 

Para entender tudo o que está acima, devemos entender o propósito da Criação,  o qual é supostamente que Ele deseja fazer o bem às Suas criações. E devido ao Tikun (correção), para que não haja a questão do “Pão da Vergonha”, um Tzimtzum foi feito. E a partir do Tzimtzum se estendeu a Masach (tela), pela qual os vasos de recepção se tornam vasos de doação.

 

Quando os vasos são preparados para se tornarem vasos de doação, nós imediatamente recebemos a Luz Oculta e Estimada para as Suas criaturas. Isso significa que o indivíduo recebe o deleite e o prazer que estava no Pensamento da Criação, de fazer o bem às Suas criações.

 

Com isso podemos interpretar o que está escrito: “Anule a sua vontade perante a Sua vontade”, ou seja, anule o desejo de receber em você perante o desejo de doar, o qual é a vontade do Criador. Isso significa que o indivíduo vai revogar o amor-próprio diante do amor do Criador. Isso é chamado “Anular a si mesmo perante o Criador”, e isso é chamado Dvekut (adesão). Subsequentemente, o Criador pode brilhar dentro do seu desejo de receber porque ele agora está corrigido na forma de receber para doar.

 

Esse é o significado de “Para que Ele anule a Sua vontade perante a sua vontade”. Quer dizer que o Criador anula a Sua vontade, ou seja, o Tzimtzum que havia devido à disparidade de forma. Agora, contudo, quando já há Equivalência de Forma, há, portanto, a expansão da Luz para dentro do desejo do inferior, o qual foi corrigido a fim de doar, pois esse é o propósito da Criação, de fazer o bem às Suas criaturas, e assim ele pode ser realizado.

 

Agora podemos interpretar o verso “Eu sou do meu amado” (Cântico dos Cânticos 6:3). Significa que, quando o “eu” anula o desejo de receber diante do Criador na forma de total doação, ele obtém “E o meu amado é meu”. Significa que o Meu amado, o Criador, “é meu”, Ele transmite o deleite e o prazer encontrados no Pensamento da Criação. Portanto, o que antes estava oculto e restringido, agora se torna a Revelação da Face, pois agora o propósito da Criação foi revelado: fazer o bem às Suas criaturas.

 

Devemos saber que os vasos de doação são chamados YH (Yud-Hey) do nome HaVaYaH (Yud-Hey-Vav-Hey), os quais são Kelim (vasos) puros. Esse é o significado de “Todos que recebem, recebem no Kli (vaso) mais puro”. Nesse estado, o indivíduo é recompensado, “E o meu amado é meu”, e Ele transmite abundância a ele, ou seja, ele é recompensado com a Revelação da Face.

 

Contudo, há uma condição para isso: é impossível obter a Revelação antes de o indivíduo receber o discernimento de Achoraim (posterior), distinguido como uma Ocultação da Face, e antes de dizer que isso é tão importante para ele quanto a Revelação da Face. Isso significa que o indivíduo deveria se alegrar como se já tivesse adquirido a Revelação da Face.

 

No entanto, o indivíduo não consegue persistir e apreciar a Ocultação da mesma forma que a Revelação, exceto quando trabalha em doação. Nesse momento, o indivíduo pode dizer: “Não interessa o que eu sinto durante o trabalho, porque o que importa para mim é o meu desejo de doar pelo Criador. Se o Criador entende que Ele terá mais contentamento se eu trabalhar em forma de Achoraim, eu concordo.”

 

Porém, se o indivíduo ainda tem faíscas de recepção, ela chega aos pensamentos, e então é difícil para ele acreditar que o Criador guia o mundo em uma maneira do “Bem e de fazer o Bem”. Esse é o significado da letra Yud no nome HaVaYaH, a qual é a primeira letra, chamada “um ponto preto que não contém nenhum branco”, ou seja, é todo escuridão e Ocultação da Face.

 

Isso significa que, quando o indivíduo chega a um estado onde não tem apoio, o seu estado se torna preto, que é a qualidade mais inferior do mundo superior, e se torna Keter para o inferior, já que o Kli de Keter é um vaso de doação.

 

A qualidade mais inferior do superior é Malchut, a qual não tem nada próprio, ou seja, não tem nada. Apenas nessa forma ela é chamada de Malchut. Isso quer dizer que, se o indivíduo assume o reino dos céus (o qual é um estado de não ter nada), e se o faz de forma alegre, depois essa qualidade se torna Keter, a qual é um vaso de doação e o Kli mais puro. Em outras palavras, a recepção de Malchut em um estado de escuridão se torna, subsequentemente, um Kli de Keter, o qual é um vaso de doação.

 

É como diz o verso: “Porque retos são os caminhos do Eterno, por onde em segurança caminham os justos e onde cambaleiam e tropeçam os malévolos” (Oseias 14:10). Isso significa que os transgressores, aqueles que são controlados pelos vasos de recepção, devem cair e se agachar sob a sua carga quando chegam nesse estado.

 

Os justos, no entanto, aqueles que estão em um estado de doação, são elevados, ou seja, dessa forma lhes são transmitidos vasos de doação. (“Perverso” deve ser interpretado como aqueles cujo coração ainda não quer obter vasos de doação, e “justo” significa aqueles cujo coração já quer obter vasos de doação, mas ainda não está apto).

 

É como escreve o Zohar, que a Shechiná (Divindade) disse ao Rabino Shimon bar Iochai: “Não há lugar para se ocultar de você”, e é por isso que ela aparece para ele. Esse é o significado do que o Rabino Simon bar Iochai disse: “Por causa disso, e o Seu desejo está sobre mim.” Isso é “Eu sou do meu amado e o meu amado é meu”, e então ele doa sobre o VH (Vav-Hey).

 

Esse é o significado de “O nome está incompleto, e o trono está incompleto, até que o Hey se conecte ao Vav”. O Hey é chamado “o desejo de receber”, o qual é o último e derradeiro Kli no qual o Vav vai doar para o Hey, e então será o Fim da Correção.

 

Esse é o significado de “Justo: imediatamente à vida”. Significa que a própria pessoa deve dizer em qual livro quer ter o seu nome escrito, se é no Livro dos Justos, ou seja, se ele quer receber o desejo de doar, ou não. Já que o indivíduo tem muitos discernimentos sobre o desejo de doar às vezes diz “Sim, eu quero receber o desejo de doar, mas não quero revogar completamente o desejo de receber”. Ele, na verdade, quer ambos os mundos para si, ou seja, quer o desejo de doar também para seu próprio benefício.

 

No entanto, apenas aqueles que desejam transformar seus vasos de recepção para que trabalhem apenas em doação e não recebam nada para si mesmos são inscritos no Livro dos Justos. É assim para que não haja espaço para que alguém diga: “Se eu soubesse que o desejo de receber precisa ser revogado, eu não teria rezado por isso” (para que ele não diga, mais adiante: “Não é isso que eu havia jurado”).

 

Portanto, o indivíduo deve expressar sem reservas o que ele quer dizer com ser registrado no Livro dos Justos, para que ele não reclame depois.

 

Devemos saber que, no Trabalho, o Livro dos Justos e o Livro dos Perversos existem na mesma pessoa. Isso significa que o indivíduo deve fazer uma escolha e  saber claramente o que ele quer, pois perverso e justo se relacionam à mesma pessoa. Dessa forma, o indivíduo deve dizer se quer ser inscrito no Livro dos Justos, para ser imediatamente a favor da vida, isto é, para aderir à Vida das Vidas, pois quer fazer tudo pelo Criador. Além disso, quando vem para ser inscrito no Livro dos Perversos, onde  são inscritos todos aqueles que desejam receber para si mesmos, ele diz que deveriam ser inscritos lá imediatamente à morte, ou seja, que o desejo de receber para si mesmo será revogado nele, como se tivesse morrido.

 

Contudo, às vezes, o indivíduo fica em dúvida. Em outras palavras, ele não quer que o desejo de receber seja revogado nele de uma só vez. É difícil para ele decidir, imediatamente, que todas as faíscas de recepção serão mortas de uma só vez, ou seja, ele não concorda que todos os seus desejos por recepção sejam anulados nele de uma só vez.

 

Ao invés disso, ele quer que as faíscas de recepção sejam anuladas nele gradual e lentamente, não todas de uma vez, ou seja, que operem um pouco os vasos de recepção e um pouco os vasos de doação. Segue-se que essa pessoa não tem visão clara e firme.

 

Uma visão firme é que, de um lado, ele afirma “É tudo meu”, o que significa que é tudo para o propósito do desejo de receber. Por outro lado, ele afirma que é tudo para o Criador. Isso é chamado uma “visão firme”. Porém, o que o indivíduo pode fazer se o corpo discorda da sua visão de querer ser inteiramente para o Criador?

 

Nesse estado, você pode dizer que essa pessoa faz tudo o que pode para ser inteiramente para o Criador, ou seja, ela reza para que o Criador a ajude a ser capaz de executar todos os seus desejos apenas pelo bem do Criador. É por isso que rezamos “Lembra de nós durante a vida e nos inscreve no Livro da Vida.”

 

Esse é o significado da palavra “Malchut”, ou seja, que o indivíduo assumirá para si mesmo a qualidade do ponto preto que não contém nenhum branco. Esse é o significado de “Anule a sua vontade” para que a memória de você venha diante de Mim, e então Ele anulará a Sua vontade perante a sua vontade. Com o quê? Com um Shofar (chifre de carneiro), com o Shofar da Mãe, ou seja, a questão depende de arrependimento.

 

Em outras palavras, se o indivíduo aceita a escuridão, ele deveria também tentar que seja de uma maneira honrosa, e não de uma maneira vergonhosa. Isso é chamado “o Shofar da Mãe”, ou seja, que o indivíduo vai considerá-lo como beleza e honra.

 

Da mesma forma, devemos interpretar o que está escrito: “Os filhos de Guershon: Livni e Shimi.” Se o indivíduo vê que foi expulso do trabalho, ele deveria saber que foi devido a Livni, ou seja, porque ele quer especificamente a brancura. (Livni soa como Lavan, branco). Em outras palavras, se lhe é dada a brancura, se tudo o que o indivíduo faz brilha, o que significa que ele vai sentir um bom sabor na Torá e na oração, ele estará disposto a ouvir e a se engajar na Torá e nas Mitzvot (mandamentos).

 

Esse é o significado de “Shimei”. (Shimei soa como Shmi, ouvir). Significa que é precisamente através da forma da “brancura” que o indivíduo pode ouvir. No entanto, durante o trabalho, o indivíduo vê uma forma de preto e não pode concordar em ouvir sobre aceitar esse trabalho sobre si mesmo. Portanto, ele deve ser expulso do Salão do Rei, pois a recepção do Reino dos Céus deve ser entrega incondicional.

 

Contudo, quando o indivíduo diz que está disposto a aceitar o trabalho sobre si com a condição de que haja uma forma de branco, ou seja, que o dia brilhe para ele, e ele não concorda se o trabalho lhe aparece em uma forma de preto, essa pessoa não tem lugar no Salão do Rei. Isso é porque aqueles que desejam trabalhar para doar são aceitos no Salão do Rei e, quando o indivíduo trabalha a fim de doar, ele não se importa com o que sente durante o trabalho.

 

Ao invés disso, mesmo num estado onde ele vê uma forma de preto, ele não se impressiona com ela, mas quer apenas que o Criador lhe dê força para ser capaz de superar todos os obstáculos. Isso significa que ele não pede ao Criador que lhe dê uma forma de branco, mas que lhe dê força para superar todas as ocultações.

 

Portanto, para aquelas pessoas que querem trabalhar a fim de doar, se há sempre um estado de brancura, a brancura permite que o indivíduo continue no trabalho. Isso é porque, enquanto ela brilha, o indivíduo é capaz de trabalhar mesmo na forma de recepção para si mesmo.

 

Dessa forma, o indivíduo nunca será capaz de saber se o seu trabalho está em pureza ou não, e isso causa que ele nunca seja capaz de ser recompensado com a Dvekut (Adesão) com o Criador. Por essa razão, lhe é dada de cima uma forma de escuridão, e então ele vê se o seu trabalho está em pureza.

 

Isso significa que, se o indivíduo pode também se alegrar em um estado de escuridão, isso é um sinal de que o seu trabalho está em pureza, já que o indivíduo deve ser alegre e acreditar que lhe foi dada uma oportunidade, de cima, para ser capaz de trabalhar a fim de doar.

 

É como os nossos sábios disseram: “Todos os gananciosos têm raiva.” Isso significa que o indivíduo que está imerso em auto-recepção tem raiva, pois ele sempre está em falta. Ele precisa constantemente satisfazer seus vasos de recepção.

 

Porém, aqueles que querem andar no caminho da doação devem estar sempre em alegria. Isso significa que, em qualquer forma que se apresente, ele deve estar em alegria, já que ele não tem nenhuma intenção de receber para si mesmo. É por isso que ele diz que, de qualquer forma, se ele está de fato trabalhando a fim de doar, ele deve certamente estar alegre que lhe foi permitido levar contentamento ao seu Fazedor. E se ele sente que o seu trabalho ainda não é para doação, ele também deve se alegrar, pois, por iniciativa própria, ele diz que não quer nada para si mesmo. Ele está feliz que o desejo de receber não pode desfrutar do seu trabalho, e isso deve lhe dar alegria. Contudo, se ele pensa que também vai ter algo para si mesmo a partir do  seu trabalho, ele permite que a Sitra Achra (Outro Lado) se agarre ao seu trabalho, e isso lhe causa tristeza, raiva, e assim por diante.

 

domingo, 6 de novembro de 2022

Shamati (41)

 

 

41. O que é grandeza e pequenez na fé?

(Ouvi no entardecer após a noite de Pessach, Tav-Shin-Hey, 29 de março de 1945)

 

 

Está escrito: “E creram no Eterno e em Moisés, seu servo” (Êxodo 14:31). Devemos saber que as Luzes de Pessach (Páscoa) têm o poder de transmitir a Luz da fé. Ainda assim, não pense que a Luz da fé é algo pequeno, pois a grandeza e a pequenez dependem apenas dos receptores.

 

Quando o indivíduo não trabalha no caminho da verdade, ele pensa que tem fé demais, e que, com a quantidade de fé que ele tem pode distribuí-la a diversas pessoas, e então elas serão tementes e completas.

 

No entanto, o indivíduo que quer servir ao Criador em verdade, e constantemente examina a si mesmo, se está disposto a trabalhar de forma devota “e com todo o seu coração”, ele vê que está sempre deficiente na fé, ou seja, que ela está sempre em falta.

 

Apenas quando o indivíduo tem fé ele pode sentir que está sempre sentado diante do Rei. Quando ele sente a grandeza do Rei, pode descobrir o amor de duas formas: de uma forma boa, e na forma de duros julgamentos. Portanto, o indivíduo que busca a verdade é aquele que precisa da Luz da fé. Se tal pessoa ouve ou vê alguma maneira de obter a Luz da fé, ela se torna feliz, como se tivesse encontrado uma grande fortuna.

 

Assim, sobre aquelas pessoas que buscam a verdade, no feriado de Pessach, o qual é capaz da Luz da fé, lemos na Parashá (porção da Torá): “E creram no Eterno e em Moisés, seu servo, pois esse é um momento em que isso pode ser transmitido.

 

 

sábado, 5 de novembro de 2022

Shamati (40)

 

40. Qual é a medida da fé no Rav?

(Ouvi emTav-Shin-Gimel, 1942-1943)

 

 

É sabido que há um caminho da direita e um caminho da esquerda. “Direita” vem da palavra hebraica “à direita”, referindo-se ao verso: “E Abrão acreditou no Eterno” (Gênesis 15:6). O Targum diz “À direita, quando o rav diz ao discípulo para tomar o caminho da direita”.

 

A direita é normalmente chamada de “completude”, e a esquerda de “incompletude”, no sentido de que faltam correções ali. Nesse estado, o discípulo deve acreditar nas palavras do seu rav, o qual lhe diz para caminhar na linha da direita, chamada “completude”.

 

E o que é a “completude” na qual o discípulo deve caminhar? Significa que o indivíduo deve retratar para si mesmo se já foi recompensado com a fé completa no Criador, e se já sente, nos seus órgãos, que o Criador guia o mundo inteiro na forma de “O Bom que Faz o Bem”, ou seja, que o mundo inteiro recebe apenas o bem Dele.

 

No entanto, quando o indivíduo olha a si mesmo, vê que é pobre e indigente. Além disso, quando ele observa o mundo, vê que o mundo inteiro está atormentado, cada um de acordo com o seu nível.

 

O indivíduo deve dizer sobre isso: “Eles têm olhos, mas não vêem.” “Eles” significa que, enquanto o indivíduo estiver sob múltiplas autoridades, chamadas “eles”, ele não enxerga a verdade. Quais são as múltiplas autoridades? Enquanto o indivíduo tiver dois desejos, apesar de acreditar que o mundo inteiro pertence ao Criador, também acredita que algo pertence ao homem.

 

Mas, em verdade, o indivíduo deve anular a sua autoridade perante a autoridade do Criador e dizer que não quer viver para si mesmo, e que a única razão pela qual quer existir é para levar contentamento ao Criador. Portanto, dessa forma o indivíduo anula completamente a sua própria autoridade, e então se encontra na autoridade singular, a autoridade do Criador. Apenas então ele pode enxergar a verdade, de como o Criador guia o mundo pela qualidade do bem e de fazer o bem.

 

Enquanto o indivíduo está sob múltiplas autoridades, ou seja, quando ainda tem dois desejos tanto na mente quanto no coração, ele é incapaz de enxergar a verdade. Ao invés disso, ele deve subir acima da razão e dizer “eles têm olhos”, mas eles não vêem a verdade.

 

Segue-se que quando o indivíduo considera a si mesmo e quer saber se agora ele está em um momento de descenso ou de ascensão ele tampouco pode saber isso. Ou seja, ele pensa que está em um estado de descenso e isso, também, está incorreto, pois ele pode estar agora em um estado de ascensão, de forma que enxerga seu estado verdadeiro, o quão distante está do trabalho sagrado. Assim, ele agora se aproximou da verdade.

 

E pode ser ao contrário: O indivíduo sente que está em um estado de exaltação, quando, na verdade, está sendo controlado pela vontade de receber para si mesmo, chamada “um descenso”.

 

Apenas aquele que já está sob a autoridade singular pode discernir e saber a verdade. Dessa forma, o indivíduo deve confiar na opinião do seu rav e acreditar no que o rav lhe diz. Isso significa que o indivíduo deve fazer como o rav lhe disse para fazer.

 

E apesar de ver muitos argumentos e muitos ensinamentos que não vão ao encontro da opinião do seu rav, o indivíduo deve, ainda assim, confiar na opinião do rav e dizer (sobre aquilo que entende e vê em outros livros, que não coincide com a opinião do seu rav) que enquanto estiver sob múltiplas autoridades ele não pode entender a verdade, e não pode ver o que está escrito em outros livros, a verdade que eles proferem.

 

É sabido que quando o indivíduo ainda não foi recompensado a sua Torá se torna para ele uma poção de morte. E por que diz “Não recompensado, sua Torá se torna para ele uma poção de morte?” É porque todos os ensinamentos que o indivíduo aprender ou ouve não lhe trarão qualquer benefício no sentido de o tornar apto a receber Vida, a qual é Dvekut (adesão) com a Vida das Vidas. Ao contrário, o indivíduo é constantemente atraído para mais longe da Vida das Vidas, já que tudo o que ele faz é apenas para as necessidades do corpo, chamadas “receber para si mesmo”, e isso é considerado separação.

 

Isso significa que através de suas ações ele se torna mais e mais separado da Vida das Vidas, e isso é chamado “a poção de morte”, pois lhe traz morte e não vida. Quer dizer que o indivíduo se torna ainda mais afastado da doação, chamada “equivalência de forma com o Criador”, por meio de “Como Ele é misericordioso, assim tu és misericordioso”.

 

Devemos também saber que quando o indivíduo está envolvido na direita é o momento certo para ampliar a abundância superior, porque “o abençoado adere ao Abençoado”. Em outras palavras, já que o indivíduo está em um estado de completude, chamado “abençoado”, nesse respeito ele tem, atualmente, equivalência de forma, já que o sinal da completude é se o indivíduo está em um estado de alegria. Caso contrário, não há completude. 

 

É como nossos sábios disseram: “A Shechiná (Divindade) se torna presente apenas a partir da alegria de uma Mitzvá (mandamento).” O significado disso é que a razão que lhe traz alegria é a Mitzvá, ou seja, o fato de que o rav havia ordenado que ele tomasse a linha da direita.

 

Segue-se que ele mantém a ordem do rav, de que a ele foi distribuído um tempo especial para caminhar na direita e um tempo especial para caminhar na esquerda. A esquerda contradiz a direita, pois a esquerda é quando o indivíduo calcula para si mesmo e começa a examinar o que já adquiriu no trabalho do Criador, e ele vê que está pobre e indigente. Portanto, como ele pode estar em completude?

 

Ainda assim, o indivíduo sobe acima da razão devido à ordem do rav. Segue-se que toda a sua completude foi construída acima da razão, e isso é chamado “fé”. Esse é o significado de “Em todo lugar em que Eu fizer recordar Meu nome, virei a ti e te abençoarei”. “Em todo lugar” significa que, apesar de o indivíduo ainda não ser digno de uma bênção, mesmo assim eu dei a Minha bênção porque tu fizeste um lugar, ou seja, um lugar de alegria, no qual a Luz Superior pode existir.

 

 

sexta-feira, 4 de novembro de 2022

Shamati (39)

 

 

39. E costuraram as folhas de figo

Ouvi em 26 de Shevat, Tav-Shin-Zayin, 16 de Fevereiro de 1947

 

 

“As folhas” se referem à sombra que se coloca sobre a luz, ou seja, sobre o sol. Há duas sombras: uma vem do lado da Kedushá (Santidade), e a outra vem devido a um pecado.

 

Portanto, há dois tipos de Ocultação da Luz. Assim como a sombra oculta o sol na materialidade, também há a ocultação da Luz Superior, chamada “sol”, a qual vem do lado da Kedushá, devido a uma escolha. É como está escrito sobre Moisés: “E Moisés escondeu sua face, pois teve medo de olhar” (Êxodo 3:6).

 

A sombra vem devido ao medo, e medo significa que o indivíduo tem receio de receber a abundância, de que ele possa não ser capaz de almejar a doação. Segue-se que a sombra vem devido à Kedushá, pois o indivíduo quer aderir ao Criador.

 

Em outras palavras, Dvekut (Adesão) é chamado de doação, e ele tem medo de que possa não ser capaz de doar.

 

Acontece que ele está aderido à Kedushá e isso é chamado “uma sombra que vem do lado da Kedushá”.

 

Há também uma sombra que vem devido a um pecado. Isso significa que a Ocultação vem não porque ele não quer receber, mas, ao contrário, vem porque o indivíduo quer receber apenas para receber. É por isso que a Luz sai, pois toda a diferença entre Kedushá e Klipá (casca) é que a Kedushá quer doar e a Klipá quer apenas receber, e não quer doar de forma alguma. Por essa razão, essa sombra é considerada oriunda do lado da Klipá.

 

Não há conselho para se sair desse estado, exceto o que está escrito: “E coseram folhas de figueira e fizeram para si cintos” (Gênesis 3:7). “Cintos” se refere a forças do corpo que se juntaram em uma forma de sombra da Kedushá. Significa que, apesar de agora eles não terem Luz, pois a abundância os deixou devido ao pecado, eles ainda assim superaram isso servindo ao Criador pela mera força, acima da razão. Isso é chamado “pela força”. Esse é o significado do verso: “Então ouviram a voz do Eterno Deus (…), e o homem e sua mulher se esconderam”, ou seja, foram para a sombra. Esse é o significado de E Moisés escondeu sua face”. Adam HaRishon fez o mesmo que Moisés.

 

E o Eterno Deus chamou ao homem e lhe disse: ‘Onde estás?’. E ele respondeu: ‘Ouvi tua voz no jardim e tive medo, por estar nu, e me escondi’” (Gênesis 3:10). Nu significa despido da Luz Superior.

 

Então o Criador perguntou por que razão tu vieste para a sombra, chamada “e me escondi”? É porque estou nu. É por causa de uma sombra da Kedushá ou devido a um pecado? O Criador lhe perguntou: “Por acaso comeste da árvore da qual te ordenei não comer?”, ou seja, devido a um pecado.

 

Mas quando a sombra vem devido a um pecado é chamada “Imagens, produtores de imagens, e feiticeiros”, que é “Deus os fez opostos um ao outro”. Assim como há forças na Kedushá para fazer mudanças e para mostrar sinais e presságios, também há forças na Sitra Achra. É por isso que os justos não usam essas forças, pois são “opostos um ao outro”, de maneira a não dar força à Sitra Achra ao agir à sua maneira.

 

Apenas em ocasiões excepcionais o Criador não dá à Sitra Achra a mesma força que há na Kedushá. É como Elias no Monte Carmel dizendo “Responda-me”, para que eles não dissessem que é bruxaria, ou seja, que há a força para ocultar a Luz Superior.

 

Portanto, cintos provenientes do lado das folhas de figueira, que vêm do pecado da Árvore do Conhecimento, essas folhas, a sombra que vem devido ao pecado, já que a causa não vem do lado da Kedushá, quando eles escolhem fazer sombra por si mesmos, mas escolhem a sombra porque não têm outra escolha, isso pode funcionar apenas para sair do estado de descenso. Mas, depois, o trabalho precisa começar outra vez.

 

Shamati (137)

    137. Zelofeade estava coletando madeira (Ouvi em Tav - Shin - Zayin , 1946-1947)   Zelofeade estava coletando madeira. O Zohar i...