quinta-feira, 3 de novembro de 2022

Shamati (37)

 

 

37. Um artigo para Purim

(Ouvi emTav-Shin-Het, 1947-1948)

 

Devemos entender diversas precisões na Meguilá Ester:

 

1. Está escrito (Ester 3:1): “Depois destas coisas, o Rei Ahashverósh engrandeceu Haman ben Hamedáta, o agaguita.” Devemos entender o que é “depois destas coisas”, que significa depois de Mordehai ter salvado o rei. Parece razoável que o rei deveria promover Mordehai. Mas o que diz? Que ele promoveu Haman.

 

2. Quando Ester contou ao rei, “Porque fomos vendidos, eu e o meu povo”, o rei perguntou “Quem é esse e onde está esse?” Isso significa que o rei não sabia nada sobre a questão, apesar de constar explicitamente que o rei disse a Haman: “Essa prata seja tua, como também esse povo para fazeres dele o que melhor for de teu agrado.” Portanto, vemos que o rei sabia, sim, sobre a venda.

 

3. Nossos sábios disseram sobre “Segundo a vontade de cada um”: “Raba disse, ‘fazer de acordo com a vontade de Mordecai e Haman’” (Meguilá 12). É sabido que onde diz apenas “rei” se refere ao Rei do mundo. Assim, como pode ser que o Criador agiria de acordo com a vontade de um perverso?

 

4. Está escrito: “Mordecai sabia tudo o que foi feito.” Isso implica que apenas Mordecai sabia, já que antes disso está escrito: “E a cidade de Shushan ficou perplexa.” Portanto, a cidade inteira de Shushan sabia sobre a questão.

 

5. Está escrito: “Pois algo que foi escrito com o nome do rei e selado com o anel do rei não pode ser revertido.” Assim, como ele deu novas cartas depois, as quais por fim cancelam as primeiras cartas?

 

6. O que significa quando os nossos sábios disseram: “Em Purim, o indivíduo deve se intoxicar até que não possa distinguir o amaldiçoado Haman do abençoado Mordecai”?

 

7. O que significa quando os nossos sábios disseram sobre o verso “E a bebida era como estava prescrito”, o que é “Como estava prescrito”? Rabi Hanan disse, em nome do Rabi Meir, que é “De acordo com a lei da Torá”. O que é a lei da Torá? Comer mais do que beber.

 

Para entender o exposto acima, precisamos primeiro entender a questão de Haman e Mordecai. Nossos sábios disseram sobre o verso “Segundo a vontade de cada um”, que significa Haman e Mordecai. Devemos interpretar que o desejo de Mordecai é chamado “A visão da Torá”, que é comer mais que beber, e o desejo de Haman é o oposto, beber mais do que comer.

 

Perguntamos: “Como pode ser que ele faria uma refeição de acordo com a vontade de um perverso?” A resposta para isso está escrita em seguida: “Não havia quem forçasse.” Significa que a bebida não era obrigatória, e esse é o significado de Não havia quem forçasse. É como os nossos sábios disseram sobre o verso “E Moisés escondeu sua face, pois teve medo de olhar”. Eles disseram que, em troca de “E Moisés escondeu sua face”, ele foi recompensado com “E a imagem do Senhor ele contempla”. Isso significa que precisamente porque ele não precisava daquilo (ou seja, ele podia colocar uma Masach {tela} sobre o desejo) lhe foi permitido receber. Esse é o significado do verso “Concedi força a um valente” (Salmos 89:19). Significa que o Criador concede ajuda a quem é valente e capaz de andar nos caminhos do Criador.

 

Está escrito E a bebida era como estava prescrito. O que é “Como estava prescrito? Porque Não havia quem forçasse. Isso significa que ele não obrigou a bebida, mas uma vez que ele começaram a beber, eles foram levados por ela, ficaram amarrados à bebida, eles precisavam dela, senão não conseguiriam ir adiante.

 

Isso é chamado “obrigar” e é considerado que eles cancelaram o método de Mordecai. Esse também é o significado do que os nossos sábios disseram, que aquela geração foi sentenciada a perecer porque eles desfrutaram da refeição de um perverso.

 

Em outras palavras, se eles tivessem recebido a bebida na forma de “Não havia quem forçasse”, eles não teriam cancelado o desejo de Mordecai, e esse é o método de Israel. Contudo, mais tarde, quando eles tomaram a bebida na forma de “foram forçados”, seguiu-se que eles mesmos sentenciaram a lei da Torá a perecer, a qual é a qualidade de Israel.

 

Esse é o significado de comer mais do que beber. Beber se refere a revelar Chochmá (Sabedoria), chamada “saber”. Comer, por outro lado, é chamado Ohr de Chassadim (Luz da Misericórdia), a qual é a fé.

 

Esse é o significado de Bigtan e Teresh, os quais procuraram colocar as mãos no rei do mundo. “E a coisa se tornou conhecida para Mordecai… E uma investigação foi feita sobre a questão, e foi descoberto que era verdade.” A questão de procurar não foi de uma vez só, e Mordecai não a obteve facilmente, mas a questão dessa falha lhe foi revelada depois de muito trabalho. Uma vez que se tornou evidente para dele, “Ambos foram enforcados”. Ou seja, após a sensação de mancha nela, eles foram enforcados, eles removeram essas ações e desejos do mundo.

 

Depois dessas coisas”, ou seja, depois de todo o trabalho e esforços feitos por Mordecai a partir do escrutínio que havia feito, o rei queria recompensá-lo por seu empenho em trabalhar apenas em Lishmá (eu Seu nome) e não para si mesmo. Já que existe uma lei de que o inferior não pode receber nada sem uma carência, pois não há Luz sem um Kli (vaso), e um Kli é chamado uma “carência”. Se ele não precisa de nada para si mesmo, como pode receber qualquer coisa?

 

Se o rei tivesse perguntado a Mordecai o que deveria lhe dar pelo seu trabalho já que Mordecai é um justo, cujo trabalho é apenas doar sem qualquer necessidade de ascender em níveis, e que se contenta com pouco, isso seria incompatível enquanto o rei desejava doar a Luz da Sabedoria, a qual se estende a partir da coluna da esquerda, o trabalho de Mordecai vinha apenas da coluna da direita.

 

O que o rei fez? Ele promoveu Haman, ou seja, ele deu importância para a coluna da direita. Esse é o significado de “E colocou o seu assento acima de todos os ministros”. Ademais, o rei deu a ele o controle, o que significa que todos os escravos do rei se ajoelhavam e se curvavam perante Haman, “pois assim havia ordenado o rei”, que ele receberia o controle, e todos o aceitaram.

 

A questão de se ajoelhar é a aceitação do comando, pois eles gostavam do jeito de Haman no trabalho mais do que o jeito de Mordecai. Todos os judeus em Shushan aceitaram o controle de Haman até que se tornou difícil para eles entenderem o ponto de vista de Mordecai. Afinal, todos entendem que o trabalho de caminhar pela coluna da esquerda, chamado saber, é mais fácil que andar nos caminhos do Criador.

 

Está escrito que eles perguntaram: “Por que você está transgredindo contra a ordem do rei?” Ao verem que Mordecai persistia em sua opinião de andar no caminho da fé, eles ficaram perplexos e não sabiam quem estava certo.

 

Eles foram e perguntaram a Haman quem estava certo, como está escrito: “Eles disseram a Haman para ver se as palavras de Mordecai se sustentariam, pois ele havia lhes dito que é um Judeu.” Isso significa que a maneira do Judeu é comer mais do que beber, ou seja, a fé é o rudimento, e essa é a base inteira do Judaísmo.

 

Isso causou uma grande perturbação a Haman. Por que Mordecai não concordaria com a sua visão? Por isso, quando todos viram a maneira de Mordecai, o qual argumentava que apenas ele estava no caminho do Judaísmo, e aqueles que tomam outro caminho são considerados idólatras, como está escrito: “Porém, tudo isso não me satisfaz enquanto vir o judeu Mordecai sentado no portão do palácio real”, pois Mordecai afirma que apenas através dele está o portão para o rei, e não através de Haman.

 

Agora podemos entender porque está escrito “Mordecai sabia”, o que significa que era especificamente Mordecai quem sabia. Mas está escrito “mas a cidade de Shushan ficou perplexa”, o que significa que todos sabiam.

 

Devemos interpretar que a cidade de Shushan ficou perplexa e não sabia quem estava certo, mas Mordecai sabia que, se houvesse o controle de Haman, isso significaria a aniquilação do povo de Israel, a obliteração de Israel inteira do mundo. Pois a maneira do Judaísmo do povo de Israel, cuja base do trabalho é a fé acima da razão, chamada “Misericórdia coberta”, é acompanhar o Criador de olhos fechados e sempre dizer sobre si mesmos “eles têm olhos, mas não veem”, enquanto o controle de Haman sobre a coluna da esquerda é chamado saber, o oposto da fé.

 

Esse é o significado dos dados que Haman lançou, já que foi em Yom Kippurim (Dia do Perdão), como está escrito: “um para o Eterno, e outro para Azazel.” O lote para o Eterno significa um discernimento da “direita”, o qual é Chassadim (Misericórdia), chamado “comer”, que é a fé. O lote para Azazel é a coluna da esquerda, a qual é considerada, de fato, “inútil”, e toda a Sitra Achra (outro lado) deriva daqui.

 

Assim, um bloqueio sobre as Luzes se estende a partir da coluna da esquerda, pois apenas a coluna da esquerda congela as Luzes. Esse é o significado de “lançou um pur, ou seja, o dado”, pois ele interpreta o que lançou. Ele diz “pur”, que significa Pi Ohr (uma boca de Luz).

 

Todas as Luzes foram bloqueadas através do lote para Azazel, e percebe-se que ele lançou todas as Luzes para baixo. Haman pensou que “os justos devem preparar e os perversos devem vestir”.

 

Em outras palavras, em relação a todos os esforços e empenho aplicados por Mordecai, junto com todos que o acompanharam, sobre a recompensa que eles mereciam, Haman pensou que ele tomaria essa recompensa. Ou seja, Haman pensou que ele tomaria sob sua própria autoridade as Luzes que aparecem por meio das correções de Mordecai. Tudo isso ocorreu porque ele viu que o rei lhe havia dado poder para atrair a Luz da Sabedoria para baixo.

 

Portanto, quando ele veio ao rei dizendo para “destruir os Judeus”, ou seja, revogar o domínio de Israel, o qual é fé e misericórdia, e revelar o conhecimento no mundo, o rei teria respondido pra ele: “Essa prata seja tua, como também esse povo para fazeres dele o que melhor for de teu agrado”, o que significa aquilo que Haman considera adequado, de acordo com seu domínio, o qual é a esquerda e o saber.

 

Toda a diferença entre as primeiras e as segundas cartas está na palavra Judeus. Na “sinopse escrita” (a cópia se refere ao conteúdo vindo do rei. Depois, a sinopse escrita é interpretada, explicando a intenção da sinopse) foi dito: “Para que se proclamasse a lei em cada província, de forma clara a todos os povos para que se preparassem para esse dia.” Não diz para quem eles deveriam se preparar, mas Haman interpretou a sinopse, como está escrito: “E segundo ordenou Haman, tudo se escreveu.”

 

A palavra Judeus está escrita nas segundas cartas, como consta: A carta que determinada a proclamação do edito em todas as províncias foi enviada a todos os povos, para que os judeus se preparassem para aquele dia, para se vingarem dos seus inimigos.”

 

Assim, quando Haman veio ao rei, o rei lhe disse: “Essa prata que havia sido pré-preparada seja tua”, o que significa que não é preciso fazer mais nada já que “o povo também (seja teu), para fazeres dele o que lhe parece bom.”

 

Em outras palavras, o povo já quer que faça como lhe parece bom, ou seja, o povo quer receber o seu controle. Porém, o rei não lhe disse para revogar o controle de Mordecai e os Judeus. Ao invés disso, havia sido pré-ordenado que agora, nesse momento, haveria uma revelação de Chochmá, a qual é como “alcançou favor perante ele”.

 

A sinopse escrita foi para que se proclamasse a Lei em cada província, de forma clara a todos os povos”. Isso significa que o decreto era para que fosse publicado que a questão da Revelação da Chochmá é para todas as nações.

 

Contudo, o documento não disse que a qualidade de Mordecai e dos Judeus , a fé, deveria ser revogada. Ao invés disso, a intenção era que houvesse uma Revelação de Chochmá, mas que eles ainda escolhessem Chassadim (Misericórdia).

 

Haman disse que, já que é tempo de Revelação de Chochmá, a Revelação de Chochmá é certamente dada para que se use a Chochmá, afinal, quem faz algo que não é para ser usado? Se não for usado, segue-se que a operação foi em vão. Portanto, deve ser a vontade do Criador, e o Criador havia feito a Revelação para que se usasse a Chochmá.

 

O argumento de Mordechai foi que a Revelação ocorreu apenas para mostrar que aquilo que eles tomam para si mesmos, para andar na coluna da direita, a qual é coberta por Chassadim, não é porque não houve escolha, e é por isso que eles tomam esse caminho. Parece coerção, ou seja, que eles não têm outra escolha, pois não há Chochmá revelada no momento. Ao contrário, agora que há Chochmá revelada, há espaço para escolher a partir do seu próprio Livre Arbítrio. Em outras palavras, eles escolhem o caminho de Chassadim mais do que a esquerda, a qual é a Revelação de Chochmá.

 

Isso significa que a revelação de Chochmá foi apenas que eles pudessem revelar a importância de Chassadim, e que é mais importante para eles do que Chochmá. É como disseram nossos sábios: “Até agora coercitivamente, doravante de boa vontade.” E esse é o significado de “Os Judeus observaram e tomaram para eles”. Segue-se que a Revelação de Chochmá veio agora apenas para que eles fossem capazes de receber o caminho do Judeu por vontade própria.

 

E essa foi a controvérsia entre Mordecai e Haman. O argumento de Mordecai foi que o que vemos agora, que o Criador revela a autoridade de Chochmá não para que eles recebam a Chochmá, mas para que reforcem o Chassadim, pois agora serão capazes de mostrar que a sua recepção de Chassadim é voluntária. Ou seja, eles têm espaço para receber Chochmá, pois agora é o momento do controle da esquerda, a qual brilha Chochmá, mas eles ainda escolhem Chassadim. Segue-se que agora eles mostram, ao receber Chassadim, que a direita governa sobre a esquerda.

 

Portanto, a lei Judaica é uma lei importante, e Haman afirmou o oposto, que a presente revelação do Criador sobre a coluna da esquerda, que é Chochmá, é para que se use a Chochmá. Caso contrário, significaria que o Criador fez algo sem necessidade, que Ele fez algo e que não havia ninguém para desfrutar. Assim, não deveríamos considerar o que Mordecai diz, mas todos deveriam lhe escutar e usar a Revelação de Chochmá que apareceu agora.

 

Segue-se que as segundas cartas não revogaram as primeiras. Ao contrário, eles apresentaram uma explicação e uma interpretação sobre a primeira sinopse escrita, de que a questão da publicação para todos os povos, a questão da Revelação de Chochmá que agora brilha, é para os Judeus. Em outras palavras, é para que os Judeus sejam capazes de escolher Chassadim por sua própria vontade, e não porque não há outro caminho a escolher.

 

É por isso que nas segundas cartas está escrito “Para que os judeus se preparassem para aquele dia, para se vingarem dos seus inimigos. Isso significa que o controle que agora a Chochmá tem é a fim de mostrar que eles preferem Chassadim a Chochmá. Isso é chamado “Se vingarem dos seus inimigos”, porque os seus inimigos querem especificamente a Chochmá, enquanto os Judeus rejeitam a Chochmá.

 

Agora podemos entender o que perguntamos sobre a questão do rei: “Quem é ele, e onde ele está, quem ousou fazer isso?” E por que Ele perguntou? Afinal, o próprio rei havia dito a Haman, “Essa prata seja tua, como também esse povo para fazeres dele o que melhor for de teu agrado.

 

(É como dissemos: O significado da questão de revelar Chochmá é com a intenção de que o povo fará como lhe parece bom, o que significa que haveria espaço para escolha. Isso é chamado “também esse povo, para fazeres dele o que melhor for de teu agrado”. No entanto, se não há revelação de Chochmá, não há espaço para escolha, há apenas o caminho de Chassadim, e parece que é porque eles não têm escolha.)

 

Isso quer dizer que tudo isso ocorreu porque o rei deu a ordem de que agora seria o momento de revelar Chochmá. A intenção era que a esquerda servisse a direita. Assim, tornaria-se aparente que a direita é mais importante que a esquerda, e é por isso que eles escolhem Chassadim.

 

Esse é significado de Meguilá Ester (o pergaminho de Ester). Parece haver uma contradição de termos aqui, pois Meguilá (pergaminho) significa que está Galui (revelado) para todos, enquanto Ester significa que há Hastará (ocultação).

 

Agora podemos entender o que nossos sábios disseram: “Em Purim, o indivíduo deve se intoxicar até que não possa distinguir o amaldiçoado Haman do abençoado Mordecai.” A questão de Mordecai e Ester é anterior à construção do Segundo Templo, e a construção do Templo significa a extensão de Chochmá, e Malchut é chamado “O Templo”.

 

Esse é o significado de Mordecai ter enviado Ester ao rei para pedir por seu povo, e ela respondeu “todos os servos do rei”, etc., “qualquer homem ou mulher que, sem ser chamado… não há senão uma sentença: a de morte”, etc., “e eu nestes 30 dias não fui chamada para entrar ao rei”.

 

Isso quer dizer que é proibido atrair a qualidade de GAR de Chochmá para baixo, e o indivíduo que estende GAR (as quais são três Sefirot, cada uma contendo dez, as quais são trinta) é sentenciado à morte, porque a esquerda causa separação da vida das vidas.

 

Exceto aquele para quem o rei estender o cetro de ouro poderá viver.” Ouro significa Chochmá e GAR, pois apenas por meio do despertar do superior o indivíduo pode permanecer vivo, ou seja, em Dvekut (adesão), chamada vida, mas isso não pode ocorrer pelo despertar do inferior.

 

Apesar de Ester ser Malchut, que precisa de Chochmá, isso se dá apenas pelo despertar do superior. Contudo, se ela atrai Chochmá, ela perde a sua própria qualidade completamente. Sobre isso, Mordecai respondeu a ela: “(se) então de outra parte se levantarão para os Judeus socorro e livramento”, ou seja, pela completa revogação da coluna da esquerda, e os Judeus terão apenas a coluna da direita, a qual é Chassadim, então “tu e a casa de teu pai perecereis”.

 

No estado de “Pai fundou a filha”, ela deve ter Chochmá consigo. Mas deve ser mais comer que beber. No entanto, se os Judeus não tiverem aconselhamento, eles irão revogar a linha da esquerda e, portanto, toda a sua qualidade será cancelada. É sobre isso que ela disse “se perecer, perecerei”.

 

Em outras palavras, se eu for, estou perdida, porque posso chegar à separação, como quando o inferior desperta e induz à separação da Vida das Vidas. E se eu não for “então de outra parte se levantarão para os Judeus socorro e livramento, ou seja, de outra forma. Eles revogariam completamente a coluna da esquerda, como Mordecai lhe havia dito. É por isso que ela tomou o caminho de Mordecai ao convidar Haman para um banquete, assim ela atraiu a coluna da esquerda, assim como Mordecai lhe havia dito.

 

Mais tarde, ela incluiu a esquerda na direita e, portanto, pôde haver revelação de Luzes abaixo, e ela também pôde permanecer em um estado de Dvekut. Esse é o significado de Meguilá Ester: Apesar de haver revelação da Luz de Chochmá, ela ainda usa a Ocultação que há ali (porque Ester é Hester [“ocultação”, o mesmo que Hastará]). Na questão de “ele não saber”, está explicado no Estudo das Dez Sefirot (Parte 15, Ohr Pnimi, Item 217) que, apesar de as Luzes de Chochmá iluminarem, é impossível receber sem a Luz da Chassadim, pois isso induz à separação. No entanto, um milagre ocorreu: Por meio do jejum e do pranto, eles atraíram a Luz de Chassadim e, então, puderam receber a Luz de Chochmá.

 

Contudo, não há tal coisa antes do Fim da Correção (Gmar Tikun). Esse discernimento vem do discernimento do fim da correção, no tempo em que já será corrigido, como está escrito no Zohar: “SAM está destinado a ser um anjo sagrado”. Segue-se que, então, não haverá diferença entre Haman e Mordecai, pois Haman também estará corrigido. Esse é o significado de “Em Purim, o indivíduo deve se intoxicar até que não possa distinguir o amaldiçoado Haman do abençoado Mordecai.”

 

Também deve ser adicionado, em relação às palavras de que foram enforcados, que isso é uma indicação de enforcamento na árvore, ou seja, que eles entendiam que esse pecado é o mesmo pecado da Árvore do Conhecimento, pois lá, também, a “mancha” estava em GAR.

 

Sobre estar “Sentado no portão do palácio real”, pode ser adicionado que isso sugere que ele estava sentado, e não em pé, pois sentar é chamado de VAK e ficar em pé é chamado de GAR.

 

quarta-feira, 2 de novembro de 2022

Shamati (36)

 

 

36. O que são os três corpos no homem?

(Ouvi em 24 de Adar, Tav-Shin-Dalet, 19 de Março de 1944, Jerusalém)

 

O homem é composto de três corpos:

 

1. O corpo interno, que é uma vestimenta para a alma da Kedushá (Santidade);

 

2. A Klipá (casca) de Noga;

 

3. A pele da serpente.

        

A fim de salvar um corpo dos outros dois, para que eles não interfiram com a Kedushá, e para que o indivíduo seja capaz de usar apenas o corpo interno, o conselho para isso é que há um remédio:  pensar apenas sobre as coisas que dizem respeito ao corpo interno.

        

 

Isso significa que o pensamento do indivíduo deve se manter sempre na autoridade singular, ou seja, “Não há ninguém além Dele”. Ou seja, Ele faz e fará todas as ações, e não há criação no mundo capaz de separar o indivíduo da Kedushá.

 

E porque ele não pensa naqueles dois corpos, eles morrem, pois não têm nutrição e nada os sustenta, já que os nossos pensamentos sobre eles são a sua provisão. Esse é o significado do verso (Gênesis 3:19): “No suor do teu rosto comerás o teu pão.” Antes do pecado da Árvore do Conhecimento, a vitalidade não dependia do pão. Ou seja, não havia necessidade de atrair luz e vitalidade, mas havia iluminação.

 

Porém, depois do pecado, quando Adam HaRishon se uniu ao corpo da serpente, a vida se tornou ligada ao pão, no sentido de que o alimento deve ser sempre atraído de novo. E se eles não têm o sustento, eles morrem. Isso se tornou uma grande correção a fim de salvar-se daqueles dois corpos.

 

Portanto, o indivíduo deve tentar, com toda a sua força, não ter pensamentos sobre esses corpos, e talvez seja isso que nossos sábios disseram: “Pensamentos de transgressão são mais difíceis que uma transgressão”, pois os pensamentos são o seu alimento. Em outras palavras, eles recebem vitalidade dos pensamentos que o indivíduo dedica a eles.

 

Dessa forma, o indivíduo deve pensar apenas sobre o corpo interno, pois ele é uma vestimenta para a alma da Kedushá. Ou seja, ele deve ter pensamentos além da própria pele. Além da própria pele é chamado de “fora do próprio corpo”, o que significa fora do benefício próprio, apenas pensamentos em benefício de outros. Isso é chamado “fora da própria pele”.

 

Isso é assim porque além da própria pele não há controle para as Klipot (plural de Klipá), pois as Klipot controlam apenas aquilo que está dentro da pele do indivíduo, ou seja, aquilo que pertence ao seu corpo, e não fora do seu corpo, chamado de “fora da própria pele”. Isso significa que elas possuem qualquer coisa que está vestida no corpo, e não podem segurar nada que não esteja vestido no corpo.

 

Quando o indivíduo persiste com pensamentos além da própria pele, ele será recompensado com o que está escrito (Jó 19:26): “E quando já estiver destruída minha pele e já não existir minha carne, contemplarei a Deus.” Essa é a Shechiná, ela fica além da pele do indivíduo. “Destruída” significa que foi corrigida para ser um pilar “depois da minha pele”. Nesse momento, quando “já não existir minha carne”, o indivíduo é premiado com “contemplarei a Deus”.

 

Isso significa que a Kedushá vem e veste o interior do corpo especificamente quando o indivíduo concorda em trabalhar fora da própria pele, ou seja, sem nenhuma vestimenta. Os perversos, no entanto, aqueles que querem trabalhar precisamente quando há vestimenta no corpo, chamado “dentro da pele”, eles morrerão sem sabedoria. Isso é porque, então, eles não têm vestimenta e não são premiados com nada. No entanto, são especificamente os justos que são recompensados com a vestimenta no corpo.

terça-feira, 1 de novembro de 2022

Shamati (35)

 

 

35. Sobre a Vitalidade da Kedushá

(Ouvi em Tav-Shin-Hey, 1944-1945, Jerusalém)

 

O verso diz: “Eis o mar, amplo em sua vastidão imensa, habitado por um sem número de criaturas de todos os tamanhos” (Salmos, 104:25).

 

Devemos interpretar:

 

1.    “Eis o mar” significa o mar da Sitra Achra (Outro Lado).

2.     “Amplo em sua vastidão imensa” significa que ele se manifesta e grita “Doe! Doe!”, referindo-se aos grandes vasos de recepção.

3.    “Sem número” significa que há Luzes Superiores aqui, nas quais o indivíduo pisa e as esmaga com o pé.

 

É assim porque há uma regra que “de cima, eles doam doando, e pegar, eles não pegam” (assim como tudo que é doado de cima não é recebido de volta, mas fica abaixo). Assim, se o indivíduo atrai algo de cima de então o mancha, isso permanece abaixo, mas não com a pessoa. Ao invés disso, cai para o mar da Sitra Achra.

 

Em outras palavras, se o indivíduo atrai alguma iluminação e não consegue sustentá-la de forma permanente porque seus Kelim (vasos) ainda não estão limpos adequadamente para a luz - ou seja, de forma que ele receba a luz em vasos doação, como a luz que vem do Doador -, a iluminação deve se afastar dele.

 

Nesse momento, a iluminação cai nas mãos da Sitra Achra. Isso continua a ocorrer diversas vezes, ou seja, o indivíduo atrai a Luz e então ela se afasta dele.

 

Dessa forma, as Iluminações aumentam o mar da Sitra Achra até que o copo esteja cheio. Isso significa que, após revelar a medida máxima do esforço que o indivíduo é capaz de revelar, a Sitra Achra lhe devolve tudo o que ela levou para sua própria autoridade. Esse é o significado de “ele engoliu riquezas e deve vomitá-las novamente”. Segue-se que tudo o que a Sitra Achra recebeu para sua própria autoridade foi apenas como um depósito. Ou seja, foi apenas enquanto ela teve controle sobre o homem. E esse controle serve para que o indivíduo possa fazer um escrutínio sobre os seus vasos de recepção e levá-los à Kedushá (santidade).

 

Em outras palavras, se a Sitra Achra não tivesse controle sobre o indivíduo, ele se conformaria com pouco. Então, todos os seus vasos de recepção permaneceriam separados, e ele nunca seria capaz de reunir todos os Kelim que pertencem à raiz da sua alma, levá-los à Kedushá e atrair a Luz que pertence a ele.

 

Assim, cada vez que o indivíduo atrai algo e tem um descenso é uma correção, ele deve começar mais uma vez, fazer novos escrutínios. E o que ele tinha do passado caiu para a Sitra Achra, para que ela o mantenha sob sua autoridade como um depósito. Depois, o indivíduo recebe dela tudo o que recebeu dele durante todo o tempo.

 

Ainda assim, também devemos saber que se o indivíduo pudesse sustentar qualquer Iluminação, mesmo uma pequena, mas que fosse permanente, ele já seria considerado como inteiro. Ou seja, o indivíduo seria capaz de avançar com a sua Iluminação. Dessa forma, se ele perde a Iluminação, deve se arrepender disso.

 

É como uma pessoa que plantou uma semente no chão para que uma grande árvore crescesse, mas tirou a semente da terra logo em seguida. Portanto, qual é o benefício do trabalho de colocar a semente na terra?

 

Mais do que isso, podemos dizer que ele não só tirou a semente do chão e a estragou; podemos dizer que ele desenterrou uma árvore com frutos maduros e os estragou. É o mesmo aqui: Se ele não tivesse perdido sua pequena Iluminação, uma grande luz teria crescido dela. Segue-se que ele não necessariamente perdeu o poder de uma pequena Iluminação, mas é como se ele, de fato, tivesse perdido uma grande Luz.

 

Devemos saber que é uma regra o fato de que o indivíduo não pode viver sem vitalidade e prazer, pois isso deriva da raiz da Criação - é Seu desejo fazer o bem às Suas criaturas. Por isso, nenhuma criatura pode existir sem vitalidade e prazer. Portanto, toda criatura deve sair e procurar um lugar do qual pode receber deleite e prazer.

 

Mas o prazer é recebido em três vezes: no passado, no presente e no futuro. Contudo, a principal recepção do prazer é no presente. Embora vejamos que o indivíduo também recebe prazer do passado e do futuro, é porque o passado e o futuro brilham no presente.

 

Portanto, se o indivíduo não encontra uma sensação de prazer no presente, ele recebe vitalidade do passado, e pode contar aos outros como foi feliz em tempos passados. O indivíduo pode receber a vitalidade disso no presente, ou pode imaginar para si mesmo um futuro em que espera ser feliz. Mas medir a sensação de prazer do passado e do futuro depende da extensão em que brilham para ele no presente. Devemos saber que isso se aplica tanto aos prazeres materiais quanto aos prazeres espirituais.

 

Como vemos, quando um indivíduo trabalha, mesmo na corporalidade, a ordem é que durante o trabalho ele seja infeliz, pois está se esforçando. E ele é capaz de continuar o trabalho apenas porque o futuro brilha para ele, pois ele vai receber um pagamento pelo seu trabalho. Isso brilha no presente, e é por isso que ele pode continuar o trabalho.

 

No entanto, se ele é incapaz de visualizar a recompensa que vai receber no futuro, ele deve tomar prazer do futuro, e não da recompensa que vai receber pelo seu trabalho no futuro. Em outras palavras, ele não vai gozar da recompensa, mas não vai sentir o sofrimento do esforço. Isso é o que ele aproveita agora, no presente, o que ele vai ter no futuro.

 

O futuro brilha para ele no presente, no sentido de que logo o trabalho estará terminado, ou seja, o tempo que deve trabalhar, e então ele vai receber descanso. Portanto, o prazer do descanso que vai por fim receber ainda brilha para ele. Em outras palavras, o seu lucro será que ele não é afligido pelo que sente do trabalho agora, e isso lhe dá força para conseguir trabalhar agora.

 

Se o indivíduo é incapaz de visualizar que logo vai estar livre dos tormentos que sofre agora, ele vai chegar ao desespero e à tristeza num nível em que esse estado pode levá-lo a tirar a própria vida.

        

É por isso que os nossos sábios disseram: “Aquele que tira a própria vida não tem parte no Mundo Vindouro”, pois ele nega a Providência, que o Criador guia o mundo na forma do bem e de fazer o bem. Ao invés disso, o indivíduo deve acreditar que esses estados chegam a ele porque Acima eles querem que isso o leve à correção, ou seja, que ele colete Reshimot (lembranças) desses estados para que seja capaz de entender a conduta do mundo de forma mais intensa e com mais força.

 

Esses estados são chamados Achoraim (posterior, de costas). Quando o indivíduo supera esses estados, ele é recompensado com a qualidade de Panim (anterior, de frente), o que significa que a Luz vai brilhar dentro desses Achoraim.

 

Há uma regra de que o indivíduo não pode viver se não tem um lugar do qual receber deleite e prazer. Portanto, quando ele não é capaz de receber do presente, ele ainda deve receber vitalidade do passado e do futuro. Em outras palavras, o corpo busca vitalidade para si mesmo de todas as formas à sua disposição.

 

Então, se o indivíduo não concorda em receber vitalidade das coisas corpóreas, o corpo não tem escolha senão concordar em receber vitalidade das coisas espirituais, porque não tem outra escolha.

 

Assim, ele precisa concordar em receber deleite e prazer dos vasos de doação, pois é impossível viver sem vitalidade. Segue-se que quando o indivíduo está acostumado a observar a Torá e as Mitzvot (mandamentos) em Lo Lishmá (não em Seu nome), quando recebe prazer pelo seu trabalho, ele consegue visualizar para si mesmo que vai receber alguma recompensa mais tarde, e já pode trabalhar no cálculo de que vai receber deleite e prazer depois.

 

Contudo, se ele não trabalha a fim de receber recompensa, mas quer trabalhar sem qualquer recompensa, como ele pode visualizar para si mesmo alguma coisa da qual receber sustento? Afinal, ele não pode criar nenhuma imagem, pois não tem nada sobre o qual fazê-lo.

 

Assim, em Lo Lishmá, não há necessidade de conceder vitalidade de Cima ao indivíduo, pois ele tem vitalidade a partir da visualização do futuro, e apenas a necessidade é concedida de Cima, não a luxúria. Portanto, se o indivíduo quer trabalhar apenas para o Criador e não tem nenhum desejo de tomar vitalidade para outras coisas, não há outro caminho a não ser receber vitalidade de Cima, pois ele demanda apenas a vitalidade necessária para sobreviver. Então, ele recebe vitalidade da estrutura da Shechiná (Divindade).

 

É como os nossos sábios disseram: “Qualquer um que tenha pena do público é recompensado com a visão do conforto do público.” O público é chamado de “A Shechiná”, pois “público” significa um coletivo, ou seja, a Assembleia de Israel, pois Malchut é a coleção de todas as almas.

 

Já que a pessoa não quer qualquer recompensa para si mesma, mas quer trabalhar em nome do Criador - o que é chamado de “levantar a Shechiná do pó” -, então ela não vai ser tão degradada. Pois para aquele que não quer trabalhar em nome do Criador, e vê apenas o que vai produzir benefício para si mesmo, há combustível para o trabalho. E no que tange ao benefício do Criador, quando o indivíduo não vê qual recompensa vai receber em troca, o corpo contesta esse trabalho, pois sente um gosto de pó nesse trabalho.

 

E há a pessoa que quer trabalhar em nome do Criador, mas o corpo resiste. E ela pede ao Criador que lhe dê força para, apesar disso, ser capaz de trabalhar para levantar a Shechiná do pó. Dessa forma, ela é premiada com a Panim (Face) do Criador, Ele aparece e a ocultação se afasta da pessoa.

 

Shamati (137)

    137. Zelofeade estava coletando madeira (Ouvi em Tav - Shin - Zayin , 1946-1947)   Zelofeade estava coletando madeira. O Zohar i...