Pergunta
O que é a conexão
entre o Rav e seu grupo de discípulos?
Michel Laitman: Um grupo é um termo espiritual que está
sempre ligado a um Rav. Nós todos decidimos que queremos, até certo nível, nos
unir ao Criador. Aquele pequeno desejo de cada um e de todos nós se une para
formar um desejo coletivo, e isto é chamado de “um grupo”. Não importa se um de
nós está impregnado com esta ideia neste exato minuto porque nós constantemente
mudamos interiormente. Se esta decisão foi tomada uma vez, ela existe para
sempre, porque nada é perdido no mundo espiritual. Nós
podemos subir ou cair
com relação à nossa decisão, mas a decisão em si
mesma permanece intacta.
Um grupo é como uma parceria. Você pode cair e não ter nada da situação espiritual anterior, mas o grupo
continuará a existir, e assim também sua parte nele, a despeito de seu estado
presente.
Se alguém deixa espaço para outro, então o grupo existe
em um reino espiritual. Você investiu suas aspirações, sua
força e seu objetivo no grupo, mas como será capaz de receber ajuda do grupo quando
precisar?
Você só receberá ajuda se for capaz de anular seu ego e
se submeter à opinião do grupo em tudo: o objetivo, a ideia,
a maneira de alcançar a ideia, em todos os valores e ordem de importância.
Apenas então você fará sua marca no grupo e se tornará
como ele, como se você o tivesse criado.
Rav Yehuda Aslag escreve sobre isso em seu artigo “Um
discurso para a conclusão do Zohar”. Ele diz: “Com efeito, o entendimento
suficiente de Sua Exaltação, que é suficiente para transformar a doação em recepção, como foi mencionado
acima com respeito à importante personalidade, não é de modo algum difícil, pois
todos conhecem a grandeza do Criador que cria tudo e finaliza tudo sem começo
ou sem fim, cuja sublimidade é infinita”.
Mas a dificuldade está no fato de que o valor da
sublimidade não depende do indivíduo, mas do ambiente. Por exemplo:
mesmo se estivermos cheios de boas qualidades, se nosso ambiente não nos
considera assim, sempre permaneceremos desanimados e não seremos capazes de ter
orgulho de nossas virtudes, embora estejamos bem conscientes da sua validade.
E, ao contrário, se não possuímos qualidades boas e somos apreciados por aqueles ao nosso redor como se tivéssemos
muitas e excelentes qualidades, nós ficaríamos cheios de orgulho, já que a
importância e a glorificação estão inteiramente nas mãos do ambiente.
E quando vemos que nosso ambiente insulta o Seu trabalho e não aprecia Sua grandeza, nós também nos tornamos
incapazes de alcançar a Sua grandeza, e insultamos Sua adoração como fazem os demais.
E uma vez que não temos base para o entendimento de Sua grandeza, é óbvio que nós não seremos capazes de
trabalhar com o propósito de trazer contentamento ao nosso Fazedor, ao invés de
para nós mesmos. Isto porque não temos o combustível para o esforço, e para “você
trabalhou e não encontrou, não acredite”.
Portanto, não temos escolha a não ser trabalhar para nós mesmos, ou não trabalhar de forma alguma, já que
trazer contentamento para nosso Fazedor não servirá como
combustível para nós sob essas condições.
Agora você pode entender as palavras “na multidão de pessoas está a glória do Rei”, já que o valor da glória
vem do ambiente sob duas condições:
1. Apreciação do ambiente.
2. O tamanho do ambiente.
Por isso, “na multidão de pessoas está a glória do Rei”.
E devido à grande dificuldade neste assunto, nossos
sábios nos aconselharam a “fazer para si um Rav e comprar para
si um amigo”. Isto significa que nós devemos escolher por nós
mesmos uma pessoa importante e famosa e fazer dela nosso Rav,
através do que podemos chegar à prática da Torá e Mitzvot com o propósito de trazer
contentamento ao nosso Fazedor.
Aqui, há duas servidões ao nosso Rav:
1. Uma vez que pensamos que nosso Rav é uma personalidade importante, podemos trazer contentamento a ele, baseado
em sua grandeza. Isto porque a doação ainda não foi transformada em recepção, a
qual é um combustível natural que pode produzir mais atos de doação a cada vez.
E depois que nos acostumamos a doar a nosso Rav, podemos transferir esta doação
à prática da Torá e Mitzvot em nome Dela, ou seja, para o Criador, pois o
hábito terá se tornado uma segunda natureza em nós.
2. A equivalência de forma com o Criador não nos faz bem algum se não é eterna, ou seja, até que “Ele que conhece
todos os mistérios irá testemunhar que ele não voltará à insensatez”. Mas, dado
que nosso Rav está neste mundo e sem os limites do tempo, a equivalência de
forma ajuda mesmo quando ela é temporária e mesmo que mais tarde nós retornemos
à insensatez. Portanto, toda vez que equalizamos nossa forma com nosso Rav, nós
temporariamente nos unimos a ele. Assim, nós recebemos seu conhecimento e seus pensamentos, dependendo do entendimento dele, como nós mostramos na parábola sobre o órgão que foi cortado do corpo e então
colocado de volta.
Assim, o discípulo pode usar o entendimento da grandeza do Criador, que é do Rav, o qual transforma doação em
recepção e produz combustível suficiente para grande devoção.
Então o discípulo também será capaz de praticar Torá e Mitzvot em Seu nome com
seu coração e alma, o que é o remédio para o entendimento da eterna adesão com
o Criador.
Agora você pode entender o que nossos sábios disseram: “A prática da Torá é preferível ao estudo da Torá”. Como
está escrito, “Elisha, o filho de Shaphat, está aqui, o qual derramou água nas
mãos de Elijah”.
Ele não diz “aprendeu”, mas “derramou”. Isto parece um tanto absurdo, pois como podem simples atos serem maiores
do que o estudo da sabedoria e do conhecimento?
No entanto, o texto acima deixa claro que servir o Rav em
carne e osso com grande devoção para trazer a ele contentamento nos traz adesão
com nosso Rav, ou seja, equivalência de forma. E assim nós recebemos a
sabedoria e os pensamentos de nosso professor, “boca a boca”, que é a adesão de
um espírito com outro.
Desta forma, nós alcançamos nossa própria grandeza em
grau suficiente para transformar doação em recepção, que se
torna o combustível suficiente para a devoção completa, até que nós alcancemos adesão com o Criador.
Porque estudar a Torá com nosso Rav deve ser para nós mesmos, e isto não induz à adesão e é considerado “boca a
ouvido”. E o serviço ao Rav induz no discípulo os pensamentos do Rav, enquanto
que o estudo é apenas as palavras do Rav. O serviço é melhor que o estudo, assim
como o pensamento do Rav é maior que suas palavras, e “boca a boca” supera “boca
a ouvido”.
Mas tudo isso é verdadeiro se o serviço tem o propósito
de trazer contentamento para o Rav. Se, no entanto, o
serviço é para si mesmo, tal serviço não pode nos levar à adesão com nosso Rav,
e então estudar com nosso Rav é mais importante do que servi-lo.
Mas assim como falamos sobre o entendimento de Sua Grandeza (que o ambiente que não O considera grandioso
nos enfraquece e nos impede de alcançar Sua Grandeza), isto
certamente também é verdade com relação a nosso professor: o ambiente que não
considera o Rav grandioso impede que o discípulo alcance a grandeza de seu Rav,
como deveria.
Por isso nossos sábios disseram: “Faz para si um Rav e compra para si um amigo”. Isto significa que nós devemos
fazer para nós mesmos um novo ambiente que nos ajude a alcançar a grandeza de
nosso Rav, através do amor dos amigos que valorizam nosso Rav.
Isto porque as palavras dos amigos que louvam o Rav dão a
cada um deles a sensação de sua grandeza. Assim, doar ao Rav
se torna recepção e um combustível que é suficiente para nos levar a estudar a Torá
e Mitzvot em nome Dela.
E está escrito a respeito disso que a Torá é obtida em 48 virtudes, e no serviço e na necessidade de nossos amigos.
Pois, além de servir ao Rav, nós também precisamos da necessidade dos nossos amigos,
ou seja, da influência deles para trabalhar em nós mesmos a fim de alcançar a
grandeza do nosso Rav, já que o entendimento da grandeza depende exclusivamente
do ambiente e uma pessoa sozinha não pode de maneira alguma ter qualquer
influência nele, como explicamos acima.
Assim, há duas condições para o entendimento da grandeza:
1. Que nós sempre escutemos e aceitemos a apreciação do ambiente quando eles louvam o Criador.
2. Que o ambiente consistirá de muitas pessoas, como está escrito: “Na multidão de pessoas está a glória do Rei”.
Para que a primeira condição seja aceita, cada discípulo
deve sentir que ele é o menos poderoso entre todos os amigos.
Então, o discípulo será capaz de ser influenciado pela apreciação de todos pela
grandeza, pois o grande não pode receber do pequeno, muito menos ser
impressionado por suas palavras. Apenas o pequeno se impressiona com a
apreciação do grande.
Para que a segunda condição seja aceita, todo discípulo
deve avaliar a virtude de cada amigo e apreciar aquela pessoa
como se ela fosse a maior da geração. Então o ambiente terá o impacto que um grande
ambiente deve ter, pois a qualidade é mais importante que a quantidade.