quinta-feira, 24 de novembro de 2022

Shamati (61)

 

61. Em Seu redor esbraveja a tempestade

(Ouvi em 9 de Nissan, Tav-Shin-Het, 18 de abril de 1948)

 

Nossos sábios dizem sobre o verso “Em Seu redor esbraveja a tempestade” (Salmos 50:3) que o Criador é meticuloso com os justos, na medida de um fio de cabelo. Ele perguntou: Se eles são, em geral, justos, por que merecem uma punição rígida?

 

A questão é que todas as fronteiras das quais falamos nos mundos são da perspectiva dos receptores, ou seja, os inferiores se limitam e se restringem a algum nível, e assim permanecem abaixo, pois Acima eles concordam com tudo o que os inferiores fazem. Portanto, nessa medida a abundância é atraída para baixo. Assim, por meio dos seus pensamentos, palavras e ações, os inferiores fazem a abundância descer dessa maneira.

 

Acontece que se o inferior considerar um ato ou palavra pequenos como se fosse um ato importante, tal como considerar uma pausa momentânea na Dvekut (Adesão) com o Criador como transgredir a mais grave proibição na Torá, então há consenso Acima para a opinião do inferior, e isso é considerado Acima como se ele realmente tivesse quebrado uma séria proibição. Assim, o justo diz que o Criador é meticuloso com ele como um fio de cabelo, e tal como diz o inferior, assim é acordado Acima.

 

Quando o inferior não sente uma mínima proibição como sendo séria, Acima eles também não consideram as coisas triviais que ele transgride como grandes proibições. Assim, tal pessoa é tratada como uma pessoa pequena, no sentido de que suas mitzvot (mandamentos) são considerados pequenos, e suas transgressões são consideradas pequenas também. São consideradas como tendo o mesmo peso e a pessoa é geralmente considerada pequena.

 

Porém, aquele que respeita as coisas triviais e diz que o Criador é meticuloso sobre eles como um fio de cabelo é considerado uma grande pessoa, e tanto suas transgressões como suas mitzvot são grandes.

 

O indivíduo pode sofrer quando comete uma transgressão na mesma medida em que sente prazer quando executa uma mitzva (mandamento). Há uma alegoria sobre isso: Um homem cometeu um crime terrível contra a realeza e foi sentenciado a vinte anos na prisão com trabalho forçado. A prisão era fora do país, em um lugar desolado do mundo. A sentença foi cumprida imediatamente e ele foi enviado ao local desolado no fim do mundo.

 

Lá ele encontrou outras pessoas que foram sentenciadas pelo reino para ficarem lá como ele, mas ele adoeceu com amnésia e esqueceu que tinha uma esposa e filhos, amigos e conhecidos. Ele pensou que o mundo inteiro não era nada além daquele local desolado com as pessoas que lá estavam, pensou que havia nascido lá, e não sabia mais do que isso. Portanto, a sua verdade era de acordo com o sentimento presente e ele não tinha consideração pela realidade de fato, apenas de acordo com o seu conhecimento e sensações.

 

Lá foram-lhe ensinadas as regras e as regulações para que ele não as quebrasse mais uma vez, e se mantivesse longe das transgressões definidas lá, e soubesse como corrigir suas ações a fim de ser tirado de lá. Nos livros do rei, ele aprendeu que o indivíduo que quebra uma regra, por exemplo, é enviado para uma terra punitiva longe de qualquer povoado. Ele ficou impressionado por essa punição rígida e queixou-se sobre essa punição.

 

Contudo, ele nunca pensaria que ele próprio era um desses que quebrou as regras do estado, que ele havia sido rigidamente sentenciado, e que o veredito havia sido cumprido. E porque adoeceu com amnésia, ele nunca sentiu o seu verdadeiro estado.

 

Esse é o significado de “Em Seu redor esbraveja a tempestade”. O indivíduo deve considerar cada um dos seus movimentos, como se ele próprio já tivesse transgredido os mandamentos do rei, e como se já tivesse sido banido do mundo. Agora, por meio de muitas boas ações, a sua memória começa a funcionar e ele começa a sentir o quão afastado ele se tornou do seu lugar estabelecido no mundo.

 

Com isso, ele começa a se envolver em arrependimento até que seja tirado de lá e trazido de volta ao seu lugar de direito, e esse sentimento vem especificamente pelo trabalho do indivíduo. Ele começa a sentir que cresceu longe da sua origem e da sua raiz até que sera recompensado com a Dvekut com o Criador.

 

quarta-feira, 23 de novembro de 2022

Shamati (60)

 

60. Uma Mitzvá que surge por meio da transgressão

(Ouvi em 1º Tetzave, Tav-Shin-Gimel, 14 de fevereiro de 1943)

 

Uma mitzva (mandamento) que surge por meio da transgressão significa que se o indivíduo toma o trabalho sobre si mesmo a fim de receber uma recompensa isso é dividido em duas coisas:

 

1. A recepção do trabalho, a qual é chamada uma mitzva;

 

2. A intenção: Receber uma recompensa. Isso é chamado de pecado porque a recepção leva o indivíduo da Kedushá (Santidade) para a Sitra Achra (Outro Lado).

 

Toda a base e a razão que deu força ao indivíduo para trabalhar foi a recompensa. Portanto, uma mitzvá “que vem” significa que ele foi levado a executar a mitzvá, essa é a transgressão. É por isso que é chamado “uma mitzvá que vem”, pois quem traz a mitzvá é a transgressão, a qual é somente a recompensa.

 

O conselho para isso é fazer o trabalho na forma de “sem olhar além”, no sentido de que o objetivo inteiro do trabalho seja aumentar a glória no céu no mundo. Isso é chamado trabalhar a fim de levantar a Shechiná (Divindade) do pó.

        

A questão de levantar a Shechiná significa que a Shechiná é chamada “o coletivo das almas”. Ela recebe a abundância do Criador e distribui às almas. O Administrador e o que transfere a abundância às almas é chamado “a unificação do Criador e a Sua Shechiná”, pois nesse momento a abundância se estende aos inferiores. No entanto, quando não há unificação, não há extensão da abundância aos inferiores.

 

Para tornar isso mais claro, porque o Criador quis deleitar as Suas criaturas, portanto, da mesma forma como Ele pensou em distribuir a abundância, Ele também pensou na recepção da abundância. Ou seja, que os inferiores receberiam a abundância. Mas ambos em potencial, no sentido de que depois as almas virão e receberão a abundância na prática.

 

Além disso, o receptor da abundância em potencial é chamado Shechiná, pois o pensamento do Criador é uma realidade completa e Ele não precisa de um ato verdadeiro. Por isso, o inferior (aqui o texto está interrompido)…  

 

  

terça-feira, 22 de novembro de 2022

Shamati (59)

  

59. Sobre a vara e a serpente

(Ouvi em 13 de Adar, Tav-Shin-Het, 23 de fevereiro de 1948)

 

Então Moisés respondeu, dizendo: Mas eles não acreditarão em mim” etc. “E o Eterno disse para ele: ‘Que é isso em tua mão?’ - e disse: “Uma vara”. E Ele disse: ‘Jogue-a ao chão”… E virou uma cobra, e Moisés fugiu de sua face” (Êxodo 4:1-3).

 

Devemos interpretar que não há mais do que dois degraus, ou Kedushá (Santidade) ou Sitra Achra (Outro Lado). Não há estado intermediário, mas a mesma vara se torna uma serpente se jogada ao chão.

 

A fim de entender isso, vamos primeiro trazer as palavras dos nossos sábios, de que Ele havia colocado a Sua Shechiná em árvores e pedras. Árvores e pedras são chamadas coisas de importância inferior, e especificamente desta maneira Ele colocou a Sua Shechiná. Esse é o significado da pergunta “Que é isso em tua mão?”.

 

Uma “mão” significa alcançar (attainment), a partir das palavras “se uma mão alcança”. Uma “vara” significa que todas as obtenções estão construídas no discernimento de importância inferior, o qual é a fé acima da razão.

 

A fé é considerada como tendo importância inferior, e como humildade. O indivíduo aprecia as coisas que se vestem dentro da razão. Contudo, se a mente do indivíduo não alcança isso, mas resiste, então ele deve dizer que a fé é de importância superior a sua mente. Segue-se que nesse momento ele rebaixa sua mente e diz que a fé é mais importante que sua mente, que aquilo que ele compreende através da razão resiste ao caminho do Criador. Isso é assim por que todos os conceitos que contradizem o caminho do Criador não têm nenhum valor.

 

Ao contrário: “Que eles têm olhos, mas não veem, têm ouvidos, mas não ouvem”. Significa que a pessoa precisa anular tudo o que ouve e vê e isso é chamado “ir acima da razão”. E, assim, isso tudo parece algo inferior e pequeno.

 

No entanto, em relação ao Criador a fé não é considerada algo pequeno, pois quem não tem nenhuma outra escolha a não ser tomar o caminho da fé considera a fé como algo pequeno. Contudo, o Criador poderia ter colocado a Sua Shechiná em algo que não fosse árvores e pedras, mas Ele escolheu esse caminho, chamado de fé, especificamente. Ele deve tê-lo escolhido porque é melhor e mais bem-sucedido. Podemos ver que para Ele a fé não é considerada como sendo de importância inferior. Ao contrário, esse caminho especificamente tem muitos méritos, mas aparece como insignificante aos olhos das criaturas.

 

Se a vara é jogada ao chão e o indivíduo quer trabalhar com um discernimento mais elevado, ou seja, dentro da razão, degradando o discernimento acima da razão, e esse trabalho lhe parece baixo, então a Torá e o seu trabalho imediatamente se trasformam numa serpente. Esse é o significado da serpente primordial, e esse é o significado de “Quem for orgulho, o Criador lhe diz, ‘ele e eu não podemos viver na mesma morada’”.

 

A razão disso, como já dissemos, é que Ele colocou a Sua Shechiná em árvores e pedras. Portanto, se o indivíduo joga o discernimento da vara ao chão, e se eleva para trabalhar com um atributo mais elevado, isso já é uma serpente. Não há meio termo. Ou é uma serpente ou é Kedushá, pois toda a Torá e o trabalho que o indivíduo teve a partir do discernimento da vara entrou agora para o discernimento da serpente.

 

É sabido que a Sitra Achra não tem luzes. Portanto, também na corporalidade o desejo de receber tem apenas deficiências, mas não a satisfação do preenchimento. E o vaso de recepção permanece para sempre em déficit, sem preenchimento, porque aquele que tem cem quer duzentos e assim sucessivamente. E, dessa forma, o indivíduo morre sem ter sequer a metade do que desejava.

 

Isso vem de raízes superiores. A raiz da Klipá (casca) é o vaso de recepção, e isso não tem correção alguma durante os seis mil anos, que é o tempo estipulado para a correção da humanidade. Sobre os vasos de recepção se realiza o tzimtzum (restrição) e desse modo esses vasos ficam sem Luz e Abundância.

 

É por isso que eles seduzem o indivíduo a atrair a Luz para o seu nível. E as luzes que o indivíduo recebe por estar aderido à Kedushá, já que a abundância brilha na Kedushá, quando os vasos seduzem a pessoa a atrair abundância ao seu estado presente, são recebidos pelos vasos de recepçõa. Assim, esses vasos têm domínio sobre a pessoa, ou seja, eles lhe dão satisfação no estado em que está para que não se mova dali.

 

Portanto, o indivíduo não pode avançar por meio desse domínio, pois ele não tem necessidade de um nível mais alto. E já que não tem necessidade, ele não pode se mover desse lugar, nem mesmo fazer um pequeno movimento.

 

Nesse estado, a pessoa é incapaz de discernir se está avançando na Kedushá ou ao contrário. E isso acontece porque a Sitra Achra lhe dá poder para trabalhar com mais força já que agora ele está dentro do âmbito da razão e isso lhe permite trabalhar num estado que não considera inferior. E assim o indivíduo permanece sob a autoridade da Sitra Achra.

 

Para que uma pessoa não permaneça sob a autoridade da Sitra Achra, o Criador criou uma correção segundo a qual se alguém deixa o discernimento da vara cai imediatamente no discernimento da serpente. A pessoa cai imediatamente num estado de fracasso e não tem poder nem força para evoluir, a menos que opte outra vez pelo discernimento da fé, chamado humildade.

 

Segue-se que os fracassos em si levam o indivíduo a tomar sobre si, mais uma vez, o discernimento da vara, o qual é o discernimento da fé acima da razão. Esse é o significado do que Moisés disse: “Mas se eles não acreditarem em mim e nem ouvirem a minha voz?” Significa que as pessoas não desejam assumer o caminho do trabalho da fé acima da razão.

 

Nesse estado, o Criador lhe disse: “O que é isso em tua mão?” “Uma vara”. “Atire-a ao chão”, e então, prontamente, “ela se transformou numa serpente”. Significa que não há estado intermediário entre a vara e a serpente. É melhor saber se o indivíduo está em Kedushá ou em Sitra Achra.

 

Acontece que, em qualquer caso, a pessoa não tem nenhuma opção senão assumir o discernimento da fé acima da razão, chamado “uma vara”. Essa vara deve estar na mão; a vara não deve ser jogada. Esse é o significado do verso “a vara de Aarão… floresceu” (Números 17:23).

 

Significa que todos os frutos que a pessoa conseguiu no serviço ao Criador foi baseado especificamente na vara de Aarão. Isso significa que Ele queria nos enviar um sinal para sabermos se estamos andando no caminho da verdade ou não. Ele nos deu como um sinal para se saber apenas a base do trabalho, ou seja, sobre qual base o indivíduo está trabalhando. Se a base de um indivíduo é a vara, ela é Kedushá, e se a base é dentro da razão, esse não é o caminho para atingir a Kedushá.

 

Contudo, no trabalho em si, ou seja, na Torá e na oração, não há distinção entre aquele que serve a Ele e aquele que não serve a Ele. Isso é assim porque ali está ao contrário: Se a base está dentro da razão, ou seja, baseada em saber e receber, o corpo fornece combustível para o trabalho, e o indivíduo pode rezar e estudar de forma mais persistente e com entusiasmo, já que tem como base a razão.

 

Porém, quando o indivíduo toma o caminho da Kedushá, cuja base é a doação e a fé, ele precisa de muita preparação para que a Kedushá venha a brilhar para ele. Sem preparação, o corpo não fornece ao indivíduo a força para trabalhar, e ele deve sempre se esforçar extensivamente, pois a raiz do homem é a recepção e dentro da razão.

 

Portanto, se o seu trabalho está baseado nas coisas terrenas, ele pode ficar sempre bem. Mas se a base do trabalho está no discernimento da doação e acima da razão, ele precisa de esforços eternos para que não caia na sua raiz de recepção e dentro da razão.

 

O indivíduo não deve se distrair nem por um minuto, ou ele cairá na rua raiz mundana, chamada “pó”, como está escrito: “Pois tu és pó e ao pó hás de retornar” (Gênesis 3:19). E isso foi após o pecado da Árvore do Conhecimento. 

 

O indivíduo verifica se está avançando na Kedushá ou ao contrário, já que outro deus é estéril e não produz fruto. O Zohar nos dá esse sinal, de que especificamente na base da fé, chamada “uma vara”, são transmitidas ao indivíduo a fecundidade e a multiplicação na Torá. Esse é o significado de a vara de Aarão…floresceu: O florescimento e o crescimento vêm especificamente por meio da vara.

 

Portanto, assim como o indivíduo levanta da cama todos os dias e se lava para purificar o corpo da sujeira do corpo, ele também deveria se lavar da sujeira da Klipá, para verificar por si mesmo se a sua qualidade de vara está em completude.

 

Essa deve ser uma verificação perpétua, e se o indivíduo se distrai dela, ele cai imediatamente na autoridade da Sitra Achra, chamada “receber para si mesmo”. Ele imediatamente se torna escravo dela, pois sabe-se que a Luz faz o Kli. Portanto, por mais que o indivíduo trabalhe a fim de receber, nessa medida ele precisa apenas de um desejo de receber para si mesmo e se distancia das questões relacionadas à doação.

 

Agora podemos entender as palavras dos nossos sábios: “Seja muito, muito humilde.” O que é essa preocupação exagerada que diz “muito, muito”? É porque o indivíduo se torna carente de pessoas ao ter sido homenageado uma vez. Primeiro, ele recebe a honra não porque queria aproveitá-la, mas por outras razões, como a glória da Torá etc. Ele tem certeza desse escrutínio, já que ele sabe a respeito de si mesmo que não tem desejo por nenhum tipo de honra.

 

Segue-se que é razoável pensar que lhe é permitido receber a honra. Porém, ainda é proibido receber, pois a Luz faz o Kli. Portanto, depois de ter recebido a honra, ele se torna carente da honra, ele já está em seu domínio, e é difícil se libertar da honra.

 

Através disso, o indivíduo adquire a sua própria realidade, e agora é difícil se anular perante o Criador, pois por meio da honra ele se tornou uma entidade separada, e a fim de obter a Dvekut (Adesão) o indivíduo deve anular completamente a sua realidade, por isso o “muito, muito”. “Muito” quer dizer que é proibido receber honra para si mesmo, e o outro “muito” quer dizer que mesmo quando a intenção não é para si mesmo ainda assim é proibido receber.

 

segunda-feira, 21 de novembro de 2022

Shamati (58)

  

58. A alegria é um “reflexo” das boas ações

(Ouvi em Sukot, Inter 4)

 

A alegria é um “reflexo” das boas ações. Se as ações são de Kedushá (Santidade), então a alegria aparece. Porém, devemos saber que há também um discernimento de uma Klipá (casca). A fim de saber se é Kedushá, o escrutínio deve ser feito através da razão. Em Kedushá, há uma razão, e na Sitra Achra (Outro Lado) não há razão nenhuma, pois um outro deus é estéril e não dá frutos. Assim, quando a alegria vem para uma pessoa, ela deve mergulhar nas palavras da Torá a fim de descobrir o pensamento da Torá.

 

Também devemos saber que a alegria é discernida como iluminação superior que aparece por meio de MAN, que são boas ações. O Criador sentencia o indivíduo onde ele está. Em outras palavras, se o indivíduo toma para si o fardo do Reino dos Céus para a eternidade, há uma iluminação superior imediata sobre isso, a qual também é considerada eternidade.

 

Mesmo que o indivíduo veja que, evidentemente, ele logo vai cair do seu nível, Ele ainda o sentencia onde ele está. Isso significa que se uma pessoa decidiu, agora, tomar sobre si o fardo do Reino dos Céus para a eternidade, isso é considerado completude.

 

No entanto, se ele toma sobre si o fardo do Reino dos Céus e não quer que esse estado permaneça nela para sempre, essa coisa e essa ação não são consideradas completude e, naturalmente, a Luz Superior não pode vir e repousar nele. Isso é porque a Luz é completa e eterna, e não vai mudar. Com uma pessoa, no entanto, mesmo se ela quiser, o estado em que está não será para sempre.

 

 

domingo, 20 de novembro de 2022

Shamati (57)

 

57. O trará como oferenda queimada à Sua vontade

(Ouvi em 1º de Yitro, Tav-Shin-Dalet, 5 de fevereiro de 1944)

 

 Sobre o versículo “O trará como oferedenda queimada à Sua vontade” nossos sábios disseram: “Por quê? Ele é forçado, até que diga ‘Eu quero’”. Devemos também entender o que é a nossa oração: “Que haja um desejo”, já que o desejo da vaca de alimentar o seu terneiro é maior do que o desejo dele de se alimentar. Portanto, por que necessitamos orar para “Que haja um desejo Acima”?

 

É sabido que para se extrair a Abundância de Cima antes se deve experimentar um despertar de baixo. Devemos entender por que precisamos de um despertar de baixo. Por causa disso, rezamos para que haja um desejo Acima. Isso significa que devemos evocar um desejo de Cima para que seja executado abaixo.

 

Não é suficiente que tenhamos um desejo. Precisa haver, também, boa vontade da parte do Doador. Apesar de Acima haver um desejo geral de fazer o bem às Suas criações, Ele ainda espera pelo nosso desejo de despertar o desejo Dele.

 

Em outras palavras, se não somos capazes de evocar o desejo Dele é um sinal de que o desejo por parte do receptor ainda está incompleto. Portanto, precisamente ao rezar para que haja uma vontade Acima, o nosso desejo se transforma num desejo genuine que possa ser um Kli (vaso) digno de receber a Abundância.

 

Ao mesmo tempo, devemos dizer que tudo o que fazemos, tanto ruim quanto bom, tudo é atraído de Cima (o que é o significado de “Providência Particular”), que o Criador faz tudo. Ainda assim, ao mesmo tempo, devemos nos arrepender das más ações, apesar de que também elas são atraídas de Cima.

 

A mente exige que não nos lamentemos, mas que justifiquemos o julgamento e que merecemos os nossos maus atos. Não obstante, é ao contrário: devemos lamentar por não termos tido permissão para realizar boas ações, o que certamente é o resultado de uma punição no sentido de que somos indignos de servir ao Rei.

 

Se tudo é guiado de Cima, como podemos dizer que somos indignos, já que não há nenhum ato abaixo? Por isso nos são enviados maus pensamentos e desejos que nos distanciam do Trabalho do Criador, pois somos indignos de servir a Ele. Por essa razão, há uma oração para isso, pois esse é um lugar de correção para se tornar digno e capaz de receber o Trabalho do Rei.

 

Agora podemos ver porque há uma oração para determinado problema. Esse problema deve ter vindo como uma punição, e punições devem ser correções, pois há uma regra de que a punição é uma correção. Então, por que rezamos ao Criador para cancelar nossas correções?

 

Nossos sábios se referem ao versículo “Então, teu irmão deverá ser desonrado diante dos teus olhos”  (Deuteronômio 25:3), já que o atingido é o teu irmão. Devemos saber que a oração corrige a pessoa ainda mais que a punição. Portanto, quando a oração aparece ao invés da punição, a aflição é levantada e a oração é colocada no seu lugar a fim de corrigir o corpo.

 

Esse é o significado do que os nossos sábios disseram: “Recompensado, pela Torá; não recompensado, pelo sofrimento”. Devemos saber que o Caminho da Torá é  um trajeto de mais sucesso e rende mais benefícios do que o Caminho do Sofrimento. Isso porque os Kelim (vasos) que serão dignos de receber a Luz Superior são maiores e podem conceder a Dvekut (adesão) com Ele. Esse é o signifcado de “Ele é forçado até que diga ‘Eu quero’”. Significa que o Criador diz: “Eu quero as ações dos inferiores.”

 

O significado da oração é o que os nossos sábios disseram: “O Criador ansiou pela oração dos justos”, pois, por meio da oração, os Kelim se tornam dignos para que depois o Criador possa lhes doar Abundância, já que há um Kli digno de receber a Abundância.

 

Shamati (137)

    137. Zelofeade estava coletando madeira (Ouvi em Tav - Shin - Zayin , 1946-1947)   Zelofeade estava coletando madeira. O Zohar i...