terça-feira, 13 de outubro de 2020

Três conceitos essenciais da Kabbalah (14)

 

 


A fim de salvar a Criação de tal isolamento do Criador, ocorreu o Tzimtzum Aleph (TA, a Primeira Restrição) que separa Behina Dalet dos objetos espirituais. Isso se deu de tal forma que o "desejo de receber" tornou-se um espaço sem Luz. Depois do Tzimtzum Aleph, todos os objetos espirituais passam a ter uma tela no seu vaso-Malchut a fim de evitar o recebimento da Luz no interior de Behina Dalet.

 

No momento em que a Luz Superior tenta penetrar a Criação, a tela rejeita-a. Esse processo é chamado de Impacto (Haka'a) entre a Luz Superior e a tela. Devido a esse impacto, a Luz Refletida eleva-se e veste as 10 Sefirot da Luz Superior. A Luz Refletida, vestida na Luz Superior, torna-se um vaso ao invés de se tornar o Behina Dalet.

 

Depois disso, Malchut expande-se de acordo com a altura da Luz Refletida e propaga-se para baixo permitindo, assim, que a Luz a penetre. É dito que a Luz Superior veste-se na Luz Refletida. Isso é chamado de "Rosh" (cabeça) e "Guf" (corpo) de cada nível. O Contato de Impacto da Luz Superior com a tela causa a elevação da Luz Refletida. A Luz Refletida veste-se sobre as 10 Sefirot da Luz Superior formando, com isso, as 10 Sefirot do Rosh.

 

As 10 Sefirot do Rosh ainda não são os vasos verdadeiros: elas apenas atuam como raízes. É somente depois que Malchut, a Luz Refletida, propaga-se para baixo que a Luz Refletida retorna ao interior dos vasos para a recepção da Luz Superior. Então as Luzes vestem-se nos vasos, chamados de "corpos" desse nível específico. Os vasos verdadeiros e completos são chamados de "corpos".

 

A Criação foi formada sendo absolutamente egoísta. Além disso, de acordo com essa propriedade, ela encontra-se tão distante do Criador quanto possível. A fim de ajudar a Criação a sair desse estado, o Criador incutiu em Malchut o desejo de realizar o TA, isto é, separar Behina Dalet de todo Behinot puro, deixando-o totalmente vazio em um espaço sem preenchimento.

 

No seu caminho em direção à Criação, a Luz Superior (Ohr Elyon) colide com a tela, que está à frente do desejo de receber prazer do Behina Dalet e a qual rejeita completamente a Luz. Esse fenômeno é definido como uma interação pelo impacto entre a Luz Superior e a tela, chamado de "Haka'a" (impacto). A Luz Refletida, dividida em 10 partes (Sefirot) pela tela, veste-se na Luz Superior dividindo-a, por sua vez, em 10 Sefirot. A combinação das 10 Sefirot da Luz Refletida e as 10 Sefirot da Luz Superior forma o Rosh (cabeça) do Partzuf (objeto espiritual).

 

Dessa forma, a Luz Refletida, ou seja, o desejo de devolver ao Criador todo o prazer que a pessoa recebe Dele, torna-se a condição para o recebimento desse prazer, isto é, o vaso de recepção (Kli de Kabbalah) ao invés de Behina Dalet. Behina Dalet é incapaz de receber prazer sem a tela devido aos seus desejos egoístas. Vemos que a tela pode mudar sua intenção de egoísta para altruísta, transformá-lo no "desejo de receber" pelo prazer do Criador. Só depois que a Criação constrói essa intenção, a Luz Superior pode expandir-se no interior do vaso e vesti-lo nos Kelim-desejo formados pela Luz Refletida.

 

sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Três conceitos essenciais da Kabbalah (13)

 

 Assim como todos os objetos materiais estão separados uns dos outros pela sua distância no espaço físico, os objetos espirituais também estão separados uns dos outros devido à diferença nas suas propriedades interiores. Algo semelhante pode ser visto em nosso mundo. Por exemplo: dois homens têm opiniões semelhantes, eles simpatizam um com o outro e nenhuma distância pode influenciar na empatia que existe entre eles. Entretanto, quando suas opiniões divergem, eles se odeiam e nenhuma proximidade física poderá uni-los.

 

Portanto, a semelhança de opiniões aproxima as pessoas, enquanto que as diferenças as separam. Se a natureza de uma pessoa for absolutamente oposta à natureza de outra, então, elas estão tão distantes entre si quanto o leste é do oeste. O mesmo ocorre nos Mundos Espirituais: distanciar-se, reaproximar-se, unificar-se - todos esses processos ocorrem apenas de acordo com as diferenças ou semelhanças entre as propriedades internas dos objetos espirituais. A diferença de propriedades os separa enquanto que a semelhança os aproxima.

 

O "desejo de receber" é o elemento principal da Criação: ele é o vaso necessário para a realização do Propósito contido no Pensamento da Criação. Esse é o desejo que separa a Criação do Criador. O Criador consiste apenas no "desejo de doar": Ele não possui qualquer traço do "desejo de receber". É impossível imaginar um contraste maior que este: entre o Criador e a Criação, entre o "desejo de doar" e o "desejo de receber".

 

O local Espiritual significa que as propriedades da pessoa estão em um dos 125 níveis da Escada Espiritual. Com isso, entende-se que a noção de "local" significa qualidade, propriedade, medida de correção. Mesmo em nosso mundo, a proximidade espacial não faz com que duas personalidades diferentes fiquem mais próximas: apenas a semelhança nas suas propriedades, pensamentos e desejos pode atravessar o abismo existente entre elas. Por outro lado, a diferença de propriedades, pensamentos e desejos afastam esses objetos.

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

Três conceitos essenciais da Kabbalah (12)

 

É preciso que a pessoa compreenda que a essência de cada vaso e de toda a Criação é apenas o "desejo de receber". Nada que esteja fora do âmbito desse desejo possui qualquer relação com a Criação, pois se refere ao Criador. Mas, então, por que consideramos o "desejo de receber" como sendo algo grosseiro, repugnante e que necessita de correção? Somos instruídos a "purificá-lo" com a ajuda da Torá e dos Mandamentos, do contrário, não seremos capazes de alcançar o verdadeiro propósito da Criação.

 

O desejo de receber prazer foi formado pelo Criador e, portanto, não está sujeito à mudança. O homem pode apenas escolher o quanto de um desejo ele é capaz de utilizar agora e "para o benefício de quem". Se cada um dos seus desejos for utilizado apenas para o seu próprio benefício, então, isso corresponde ao egoísmo ou "impureza espiritual".  Se o homem tem a intenção de utilizar os seus desejos para receber prazer ao mesmo tempo em que satisfaz o Criador, então, ele deve escolher apenas aqueles desejos com os quais realmente possa fazer isso.

 

Portanto, ao desejar agir de forma altruísta, o homem deve, primeiro, discernir que tipos de desejos podem ser utilizados para receber prazer a fim de que este retorne ao Criador. Somente então ele poderá começar a preenchê-los com prazer. Todos os desejos do homem são desejos de Malchut. Eles são divididos em 125 partes chamadas "níveis". Ao utilizar desejos egoístas cada vez maiores (pelo Criador), o homem gradualmente ascende espiritualmente. O uso de todos os 125 desejos individuais de Malchut é chamado de "a correção completa do egoísmo".

 

Por vezes, é mais conveniente dividir os desejos de Malchut em 620 partes do que em 125. Essas partes do desejo, ou melhor, seu uso pelo Criador, são chamados de "Mandamentos", ações pelo Seu prazer. Ao realizar essas 620 ações, Mandamentos, o homem ascende ao mesmo 125º nível.

 

terça-feira, 6 de outubro de 2020

Três conceitos essenciais da Kabbalah (11

  

 

Agora podemos compreender a diferença entre o Espiritual e o Material. Se o "desejo de receber" alcançou o seu desenvolvimento final, ou seja, alcançou o estado de Behina Dalet, ele é chamado de "material" e pertence ao nosso mundo (Olam Hazeh). Se o "desejo de receber" ainda não alcançou o seu desenvolvimento final, então, esse desejo é considerado espiritual e corresponde aos quatro Mundos de ABYA, que estão acima do nível do nosso mundo.

 

Você deve compreender que todos os ascensos e descensos nos Mundos Superiores não são, de forma alguma, um movimento que ocorre em um espaço imaginário, mas apenas a mudança na magnitude do "desejo de receber". O objeto mais distante de Behina Dalet está no ponto mais alto. Quanto mais próximo um objeto está de Behina Dalet, mais baixo é o seu nível.

 

Aqui, o nome "Olam Hazeh" refere-se ao Mundo de Assiyá.

 

Em Behina Dalet, o "desejo de receber" está completamente formado. Este é o desejo de apenas receber sem dar nada em troca. De modo algum os ascensos e descensos no Mundo Espiritual referem-se a uma noção espacial, eles falam apenas sobre a diminuição ou o aumento de semelhança das propriedades interiores do homem em relação às do Criador.

 

Se compararmos isso ao nosso mundo, então, o ascenso pode ser imaginado como uma explosão de alegria e bom humor, enquanto que o descenso seria um humor sombrio. Entretanto, estamos falando sobre semelhança de propriedades, em que o humor apenas acompanha a realização da ascensão espiritual. Na Cabalá, todas as ações referem-se aos sentimentos interiores do homem.

 

Depende do próprio homem decidir qual das suas propriedades ele deve utilizar. O que realmente importa é com quanto egoísmo o homem trabalha nesse momento e "para quem", isto é, pelo Criador (que caracterizaria um ascenso) ou para si mesmo (que corresponderia a uma queda). É importante a forma com que ele utiliza o seu egoísmo e em qual direção.

 

domingo, 4 de outubro de 2020

Três conceitos essenciais da Kabbalah (10i)


A noção de "tela" retém a diferença entre o material e o espiritual. Receber prazer sem a tela equivale a qualquer prazer egoísta comum em nosso mundo. A questão é preferir os prazeres espirituais em detrimento dos materiais e, ao desenvolver a tela, receber o prazer eterno que é destinado a nós de acordo com o Pensamento da Criação.

 

Entretanto, a tela só pode surgir com a influência da Luz do Criador sobre o desejo egoísta do Kli. No momento em que o Criador Se revela ao homem, suas dúvidas sobre a quem se destina seus esforços desaparece no mesmo instante. Portanto, todo o nosso trabalho resume-se a uma única coisa: sentir o Criador.

 

Para superar qualquer nível de ocultação, o homem deve adquirir as propriedades daquele nível. Ao fazê-lo, ele "neutraliza" a restrição e atrai sobre si a influência do nível oculto de forma que a ocultação se transforme em revelação e recepção.

 

Por exemplo, vamos imaginar uma pessoa cujas propriedades pertençam, todas, ao nosso mundo. Suas propriedades são tão brutas que ela se encontra sob a influência da ocultação de todos os cinco mundos. Se suas propriedades se tornam semelhantes àquelas do Mundo de Assiyá, devido à correção, então, esse mundo deixa de ocultar-lhe a Luz do Criador, o que significa que essa pessoa ascendeu espiritualmente ao nível de Assiyá.

 

Uma pessoa cujas propriedades e sensações já são de Assiyá sente a ocultação do Criador no nível do Mundo de Yetzirá. Ao corrigir suas propriedades de acordo com aquelas do Mundo de Yetzirá, ela neutraliza a ocultação da Luz do Criador nesse nível e passa a senti-Lo no nível de Yetzirá. Ocorre que os Mundos são as telas que ocultam o Criador de nós. Entretanto, quando o homem coloca uma tela, semelhante a esses níveis, sobre o seu egoísmo, ela revela a porção da Luz do Criador que essa tela, esse Mundo, estava ocultando.

 

Aquele que se encontra em determinado nível espiritual sentirá a ocultação deste nível e do nível logo acima, mas não daqueles abaixo. Portanto, se o homem está no nível da Sefirá de Chessed do Partzuf ZA do Mundo de Beriá, então, desse nível para baixo, todos os Mundos, todos os Partzufim e todas as Sefirot já fazem parte dele no seu estado corrigido. Esses níveis pelos quais ele passou, são níveis de revelação para ele: ele absorveu seu egoísmo, corrigiu-o com a ajuda da tela e, assim, revelou o Criador nesse nível.

 

Entretanto, o Criador ainda está oculto dele em todos os níveis mais elevados. No total, existem 125 níveis entre o nosso mundo e o Criador: cinco Mundos contendo cinco Partzufim, e cada Partzuf contendo cinco Sefirot.

 

O mais importante é dar o primeiro passo para dentro do Mundo Espiritual, pois, depois disso, tudo se torna muito mais simples. Todos os níveis assemelham-se entre si, a única diferença entre eles reside na qualidade, não na forma. O Mundo de Adam Kadmon consiste de cinco Partzufim: Keter (Galgalta), Chochmá (AB), Biná (SAG ou Abba ve Ima, ou AVI, sua abreviatura), ZA (às vezes chamado de Kadosh Baruch Hu ou Israel) e Malchut (Shekiná, Leah, Rachel).

 

Em cada nível espiritual, o homem muda o seu nome, por assim dizer: conforme o lugar em que se encontra no momento, ele é chamado de Faraó, Moshe (Moisés) ou Israel. Todos esses nomes pertencem ao Criador, aos níveis de recepção do Criador pelo homem. Via de regra, os livros cabalísticos são escritos por cabalistas que já atravessaram todos esses níveis de correção.

 

Esses níveis não são níveis de correção, mas de recebimento individual e contato pessoal com o Criador. Eles não são estudados e pertencem aos assim chamados "Segredos de Torá" (Sodot Torah) transmitidos como dons àquele que se corrigiu completamente. Diferente desses, os níveis de correção pertencem aos “Sabores de Torá” (Ta'amey Torah), que devem ser estudados para serem recebidos.

 

A transmissão do conhecimento cabalístico é a transmissão de Luz. A transferência de propriedades de um nível espiritual mais alto ao mais baixo é chamada de "descenso" ou "influência" e, de um nível mais baixo a um mais alto chama-se "pedido", "oração", MAN. A conexão existe apenas entre dois Partzufim adjacentes, um acima do outro. Não há comunicação possível entre dois níveis descontínuos. Cada nível superior é chamado de Criador em relação ao mais baixo: sua relação com o nível mais baixo pode ser comparada à proporção do Universo em relação a um grão de areia.

 

terça-feira, 22 de setembro de 2020

Três conceitos essenciais da Kabbalah (10h)

 

Malchut, ao expulsar toda a Luz em TA, decide recebê-la com a ajuda de uma “tela”. A Luz Direta chega até ela e a pressiona, desejando entrar. Malchut recusa-se a receber a Luz, lembrando-se da vergonha ardente que sentiu quando a Luz a preenchia. A recusa em receber a Luz implica em refleti-la com a ajuda da tela. Essa Luz é chamada de "Ohr Hozer" (Luz Refletida). A própria reflexão é chamada de "Haka'a" (um impacto) da Luz sobre a tela.

 

A reflexão do prazer (Luz) ocorre no interior do homem com a ajuda da intenção de receber esse prazer apenas pelo Criador. Ele calcula o quanto pode receber para agradar ao Criador. Ele veste, por assim dizer, o prazer que deseja receber na intenção de doar ao Criador, isto é, receber, sentir prazer pelo Criador.

 

A ação de vestir a Luz Direta na Luz Refletida permite à Malchut, após o TA, expandir e receber uma porção da Luz. Isso significa que, nesse ponto, ela torna-se semelhante ao Criador ao unificar-se com Ele. O Propósito da Criação é preencher por completo Malchut com a Luz do Criador. Dessa forma, toda recepção da Luz será equivalente à doação e será a plena unificação de toda a criação com o Criador.

 

Ao direcionar o prazer que recebe à essa intenção (a Luz Refletida), Malchut anuncia que deseja sentir esse prazer apenas porque, ao fazê-lo, leva contentamento ao Criador. Nesse caso, a recepção é igual à doação, uma vez que o significado dessa ação é determinado pela intenção do Kli e não pela direção mecânica da ação, para dentro ou para fora. O prazer sentido nesse caso será duplo: o de receber a Luz e o de doá-la ao Criador.

 

Rabi Ashlag ilustra essa situação maravilhosamente com o exemplo da relação entre um convidado e seu anfitrião: ao receber prazer do anfitrião, o convidado modifica-o e o transforma em doação. Ele visita o anfitrião, que sabe exatamente o que ele mais gosta. O convidado senta-se na frente do anfitrião e este dispõe para ele todos os seus pratos preferidos na quantidade exata do seu apetite.

 

Se o convidado não tivesse visto o doador, o anfitrião, teria se lançado sobre todas as iguarias sem qualquer constrangimento e sem deixar sobrar nada, já que essas iguarias são exatamente o que ele deseja. Entretanto, o anfitrião, sentado em sua frente, o constrange, e assim o convidado recusa-se a comer. O anfitrião insiste explicando o quanto Ele deseja agradar o convidado, dar-lhe satisfação.

 

Por fim, ao tentar incentivar o convidado a comer, o anfitrião diz que a recusa do convidado Lhe causa sofrimento. Somente percebendo que ao degustar da refeição ele dará prazer ao anfitrião, tornando-se então um doador ao invés de um receptor, ou seja, tornando-se igual ao anfitrião em suas intenções e propriedades, por fim ele aceita comer.

 

Se ocorrer a situação em que o anfitrião deseja satisfazer o convidado dispondo diversas iguarias à sua frente e o convidado, em troca, come-as com a intenção de dar prazer ao anfitrião, assim satisfazendo-se, essa condição é chamada de interação por impacto (Zivug de Haka'a). Entretanto, isso só pode ocorrer depois de o convidado ter rejeitado por completo o prazer.

 

O convidado só aceita a refeição quando tem certeza de que ele agrada o anfitrião ao recebê-la, como se fizesse um favor a ele. Ele recebe apenas na medida da sua capacidade de não pensar no seu próprio prazer, mas sim no prazer do anfitrião, em outras palavras, do Criador.

 

Assim, por que precisamos de todos os prazeres do nosso mundo se eles têm origem no sofrimento? Assim que um desejo é satisfeito, o prazer é "extinguido" e desaparece.

 

O prazer só é sentido quando há um ardente "desejo de receber" esse prazer. Através da correção dos nossos desejos, acrescentando a eles a intenção "pelo prazer do Criador", podemos desfrutar infinitamente, sem sentir "fome" antes de receber prazer. Podemos receber um enorme prazer ao levar contentamento ao Criador através do constante aumento, em nós mesmos, da sensação da Sua Grandeza.

 

Uma vez que o Criador é eterno e infinito, nós, ao sentirmos Sua Grandeza, criamos em nós mesmos o Kli eterno e infinito - a fome por Ele. Assim, podemos sentir prazer eterna e infinitamente. No Mundo Espiritual, qualquer recepção de prazer gera um desejo ainda maior de "receber" esse prazer, e isso continua eternamente.

 

A satisfação torna-se equivalente à doação: o homem doa, vê o quanto o Criador sente prazer, e adquire um desejo ainda maior de "doar". Entretanto, o prazer em doar deve também ser altruísta, isto é, com o propósito de doar e não com o propósito de receber prazer por isso. Do contrário, será uma doação para auto-satisfação, assim como quando doamos enquanto buscamos nossos próprios objetivos.

 

A Cabalá ensina ao homem como receber prazer da Luz com a intenção pelo Criador. Se o homem puder restringir todos os prazeres deste mundo, ele será capaz de sentir, instantaneamente, o Mundo Espiritual. Então, o homem cai sob a influência das forças espiritualmente impuras. Pouco a pouco, elas lhe proporcionam um egoísmo espiritual adicional. Então o homem constrói uma nova tela sobre esse egoísmo com a ajuda das forças puras e, assim, pode receber uma nova porção de Luz, que corresponde à medida do egoísmo corrigido por ele. Dessa forma, o homem sempre tem o livre arbítrio.

 

 

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

Três conceitos essenciais na Kabbalah (10g)

 

Chamamos de "Humano" o estado espiritual em que a pessoa já atravessou a barreira (Machsom) que separa esse mundo do mundo espiritual, o Mundo de Assiyá, ou seja, aquele que já adquiriu o Kli espiritual chamado "alma".

 

A experiência acumulada pela alma em cada uma de suas encarnações neste mundo permanece com ela e passa de geração em geração, mudando apenas de corpo psicológico, da mesma forma como trocamos de roupa. Todo o sofrimento corporal físico também é registrado na alma e, em um dado momento, ele traz ao homem o desejo de alcançar a espiritualidade.

 

A Torá diz que os corações daqueles que governam o mundo estão nas mãos do Criador. Isso se refere a todos os políticos, chefes de estado, ditadores - todos aqueles de quem a humanidade depende. Todos eles são nada mais que marionetes nas mãos do Criador, através das quais Ele controla tudo.

 

Existe apenas uma única lei no reino espiritual: a lei da equivalência de forma das propriedades espirituais. Se as propriedades de duas pessoas são iguais, semelhantes, então elas estão próximas espiritualmente. Se as pessoas divergem em seus pensamentos e pontos de vista, elas sentem-se separadas e distantes umas das outras, mesmo que estejam fisicamente próximas.

 

A proximidade espiritual, ou sua distância, depende da semelhança nas propriedades dos objetos. Se os objetos coincidem totalmente em suas propriedades, desejos, eles fundem-se. Se dois desejos são contrários um ao outro, é dito que estão distantes um do outro. Quanto mais semelhantes forem esses dois desejos, mais próximos eles estão do Mundo Espiritual.

 

Se apenas um dos diversos desejos dos objetos coincide, esses dois objetos interagem apenas em um ponto. Se não existe nem mesmo um único desejo em nós que seja semelhante aos desejos do Criador, significa que estamos absolutamente distantes Dele e não temos meios com os quais senti-Lo. Se surgir em mim ao menos um desejo que seja semelhante ao Criador, então, nesse desejo serei capaz de senti-Lo.

 

A tarefa do ser humano é tornar, pouco a pouco, todos os seus desejos semelhantes aos do Criador. Então o homem se tornará um único objeto Espiritual com Ele, sem haver distinção entre eles. O homem alcançará tudo o que o Criador possui: eternidade, onisciência e perfeição. Esse é o maior objetivo da correção dos desejos naturais do homem.

 

Shamati (137)

    137. Zelofeade estava coletando madeira (Ouvi em Tav - Shin - Zayin , 1946-1947)   Zelofeade estava coletando madeira. O Zohar i...