quarta-feira, 30 de junho de 2021

Kabbalah Sem Segredos (53)


Um pequeno ponto negro

 

A Kabbalah se refere ao ponto no coração como um “ponto negro”. O ponto no coração, o desejo pela Luz, desperta dentro dos desejos egoístas que o indivíduo não pode satisfazer. Confrontada com a incapacidade de satisfazer o desejo pelo Criador através de meios mundanos, a pessoa chega ao final da evolução da vontade de receber. A pessoa pode se sentir deprimida pela ausência de satisfação, pela incapacidade de satisfazer esse desejo.

 

Ao sentir o ponto no coração, o indivíduo é atraído para a Luz. Quando isso acontece, normalmente a pessoa sente escuridão em seu interior. Isso não se deve ao fato de que a pessoa possa ter piorado. Pelo contrário, deve-se ao fato dela ter se tornado mais correta. Por isso, ela atrai mais Luz e essa nova Luz brilha em lugares novos na alma. Mas, considerando que esses lugares ainda não foram corrigidos, com frequência irradiam um sentimento “escuro”. Quando essa escuridão aparece, é um claro sinal que fizeste progresso e é certo que a próxima coisa a aparecer será a Luz.


terça-feira, 29 de junho de 2021

Kabbalah Sem Segredos (52)

 

O ponto no coração

 

Quando o último grau de evolução do desejo humano, o desejo por espiritualidade, aparece, chama-se um ponto no coração. Quando os desejos por prazeres mundanos (alimento, sexo, família, riqueza, poder e conhecimento) estão satisfeitos, o ponto no coração começa a se desenvolver. É um desejo por algo superior.

 

O ponto em nosso coração é como uma gota de desejo, um anseio supremo pelo Criador. O ponto é sentido como uma Luz. É a sensação da Fonte. A partir desse ponto, começa a evolução espiritual de uma pessoa.


segunda-feira, 28 de junho de 2021

Contos de Chanun Katan (9)

A primeira visita

 

Deus chamou a Alma Primordial e apresentou-lhe um vídeo.

 

Na Terra, macacos brigavam numa savana.

 

(Quinhentos mil anos depois, uma cena semelhante apareceria num filme magnífico, chamado “2001: Uma Odisseia no Espaço”, dirigido por Stanley Kubrick, baseado no romance de mesmo nome, escrito por Arthur C. Clarke).

 

O macaco mais forte, com uma clava na mão, espancava outro macaco até espalhar fragmentos de seu crâneo pela ravina, sob o olhar assustado de uma fêmea cheirosa.

 

“Eu”, disse o Altíssimo, “gostaria de passar as férias de verão na Guarda do Embaú, em Santa Catarina, onde pretendo plantar alguns pés de erva para a alegria dos bichos-grilhos com piolhos no cabelo e tatuagens horríveis pelo corpo que venderão incenso e quinquilharias por lá, mas, se a violência correr solta entre os macacos, eles não conseguirão evoluir. Como sabes, Eu não gosto de violência e de sangue derramado”.

 

“Hineni”, exclamou a Alma Primordial, pronta para o sacrifício.

 

“É trabalho pesado, Adam Kadmon, ensinar àqueles ignorantes o amor ao macaco-próximo”, suspirou o Altíssimo.

 

“Deixa comigo”, disse a Alma Primordial, sempre pronta a atender aos apelos do Altíssimo, e se fragmentou em seiscentos mil pedaços.

 

A primeira centelha a cair na Terra despertou o Ruivo Adão que, no meio da noite, saiu da caverna, olhou para o céu coalhado de estrelas na Mesopotâmia, e se questionou:

 

“Por que acordei com o coração acelerado? Quem sou eu? O que estou fazendo aqui? Qual o propósito da minha vida?”

 

Quase seis mil anos depois, quando os macacos já estavam mais amestrados e tinham trocado a clava por tanques, mísseis, e aviões de guerra, o Altíssimo visitou pela primeira vez o Gan Eden, e pela primeira vez sentiu o cheiro adocicado que baforavam os emaciados membros da tribo Canabis.

sexta-feira, 25 de junho de 2021

Kabbalah Sem Segredos (51)

 

O ápice de dar é receber

 

Mas se o Criador fez o mundo com o fim de brindar Sua abundância aos seres criados, então o que há de mau em querer receber tudo para “si mesmo”? Por que receber para si mesmo é percebido como o mal ou como egoísmo? Por que foi necessário criar um mundo tão imperfeito e uma criação tão corrupta que devessem ser corrigidos?

 

Os cabalistas tem buscado as respostas a estas perguntas ao longo dos séculos. Eles explicam que o Criador recebe prazer outorgando prazer às pessoas. Se essas pessoas se deleitam com o fato de que ao receberem esse prazer estão dando ao Criador a possibilidade de outorgar esse deleite, assim, tanto o Criador como as pessoas coincidem nas qualidades e nos desejos. Todos estão contentes com o processo de dar. O Criador dá o prazer, enquanto as pessoas criam as condições para recebê-lo. Todo mundo pensa no outro, não em si mesmo, e todo o mundo recebe prazer de igual maneira. Essa é uma situação de benefício mútuo.

 

Contudo, dado que nós, seres humanos, somos egoístas, somos, em nosso estado inicial, incapazes de pensar nos demais, pensamos somente em nós mesmos. Nós, seres humanos, somente somos capazes de dar em situações nas quais detectamos um benefício pessoal, maior que aquele que oferecemos. Nesse sentido, o ser humano encontra-se a grande distância do Criador, e, por isso, não o percebe.

 

Podemos comparar isso com um comerciante em sua loja: o vendedor sorri a todos os seus clientes e procura fazer com que se sintam bem enquanto estão na loja. Tanto os clientes quanto o vendedor sabem que a meta deste na realidade é fazê-los sentirem-se bem para motivá-los a gastar o seu dinheiro. Logo, somente porque o vendedor é agradável não necessariamente pensamos que se trate de uma pessoa de bom coração, mas sim, podemos pensar que o vendedor é um profissional.

 

Noutras palavras, o “preço” que o vendedor “paga” pelo teu dinheiro é um sorriso e um comportamento amável. Não obstante, isto é uma oferta egoísta. Sem a perspectiva de ganhar dinheiro, o vendedor não seria sorridente porque não teria esse incentivo. Esse é o nosso comportamento natural e é por esta razão que os cabalistas dizem que todos nós somos, em princípio, egoístas.

 

A meta de um indivíduo é transcender esse egoísmo e avançar para o Criador emulando as Suas qualidades de doação. Somente então uma pessoa poderá receber prazer tanto de atos altruístas como de atos egoístas a serviço de si mesmo. (Mas não te esqueças que, dado que não estamos separados, mas que somos parte do mundo, o altruísmo é a forma de cuidar do todo que nos inclui. As ações em benefício próprio que não levam isso em consideração retornam contra nós próprios). Se um indivíduo aprende a desfrutar do ato de dar porque isto o faz mais semelhante ao Criador, então esse indivíduo terá alcançado um estado conhecido na Kabbalah como “dar com o fim de dar”. A gratificação da pessoa vem somente de ter a capacidade de fazer algo para o Criador.

 

O desejo por esse nível espiritual está presente em todas as pessoas, embora, na maioria, de modo inconsciente. Quando aparece pela primeira vez, os cabalistas dizem que se sente como que um ponto no coração, o centro de todos os desejos. O que esse ponto significa é algo que devemos descobrir por nós mesmos.

quinta-feira, 24 de junho de 2021

Kabbalah Sem Segredos (50)

 

Sinto-me bem. Ou não?

 

A Kabbalah explica que a vida se baseia num único desejo: sentir-se bem, sem importar se tal sensação provem de obter um emprego melhor, um carro novo, um casamento ou filhos exitosos. Detrás de todos esses desejos encontra-se a busca de satisfação. E tudo o que queres é conseguir essa sensação de prazer.

 

Quando começas a sentir a espiritualidade, tua escala de valores muda. Podes começar a ver que alguns dos teus desejos tornaram-se mais importantes, e outros menos. Começas a sopesar tua vida não somente de acordo com o que vês e conheces deste mundo, coisas que teu corpo físico sente agora mesmo, mas também consideras as tuas vidas passadas e as futuras. Começas a ver o que ajudará e o que não ajudará às gerações futuras. Como resultado, naturalmente modificas a avaliação de teu meio.

 

Quando começas a te dar conta de que és uma parte da alma única e de que toda a humanidade também forma parte dessa mesma alma, começas a pensar que ajudar à humanidade também serve aos teus interesses (mesmo que de maneira egoísta). Em resumo, a Kabbalah te leva a olhar para o quadro completo.  

 

É irônico, no entanto, que, quanto mais desejas a espiritualidade, mais desejas também os prazeres mundanos. Um cabalista não é uma pessoa sem desejos por alimento, sexo, dinheiro, poder e conhecimento. Ao contrário, é uma pessoa com desejos mundanos mais fortes que os experimentados pela maioria das pessoas, mas também o seu desejo por espiritualidade é maior que a soma de todos os seus desejos materiais. Noutras palavras, o fato de teres uma maior percepção da tua espiritualidade não te exime de continuares um ser humano e de tudo o que isso implica.

 

Este processo de intensificação está desenhado para fazer-te desenvolver um desejo tão forte por espiritualidade que estarás disposto a fazer qualquer coisa para satisfazê-lo, inclusive a renunciar a todos os desejos por qualquer coisa que não seja espiritualidade. E para renunciar a esses desejos deves experimentá-los. Esta é a razão pela qual os cabalistas explicam que quanto mais alto é o teu grau espiritual, maiores serão os teus desejos mundanos também. É assim que os cabalistas progridem: ao experimentar os maiores prazeres mundanos, e depois, ao receber a consciência de que há algo muito maior que todos os prazeres combinados.

 

Segundo a perspectiva da Kabbalah, tu mudas de acordo com teu ascenso ao mundo espiritual e começas a compreender um bem maior mais profundamente. É o mesmo que aconteceu em teu desenvolvimento neste mundo: quando eras criança, querias um carrinho de brinquedo. Quando cresceste, quiseste um carro de verdade.

 

Também na espiritualidade os teus desejos mudam conforme vais crescendo. Os primeiros objetos do teu desejo parecem joguinhos comparados com as coisas reais que agora começas a buscar. Ao final, essa busca te conduz ao bem absoluto, isto é, ao contato direto com o Criador, o que se consegue através da semelhança de forma com Ele, através de ser como Ele é.


terça-feira, 22 de junho de 2021

Kabbalah Sem Segredos (49)

 

O “bom” propósito do “mal”

 

Talvez não nos surpreenda que muitos desses níveis de desejo, apesar de não serem maus em sentido intrínseco, conduzem as pessoas a atos aos quais os cabalistas se referem como “egoísmo", através dos quais as pessoas trabalham para si mesmas em vez de trabalhar na tentativa de serem semelhantes ao Criador. Não há nada de mau nisso, em seu sentido lato. O Criador começou a criação. Para sermos mais exatos, Ele criou o desejo de receber prazer (criação) que nós transformamos em mal ou corrupção ao transformar a vontade de receber em egoísmo.

 

No capítulo anterior falamos sobre o reconhecimento do mal. Dissemos que se consideramos o nosso estado como completamente nocivo, e Seu estado como completamente desejável, cruzaremos a barreira e entraremos no mundo espiritual. A pergunta que permanece aberta é qual é a melhor maneira de reconhecer nossa maldade, fazendo-o de uma forma rápida e inócua. Aqui é que a Kabbalah entra em jogo. A vantagem da Kabbalah é que ela te ensina sobre a natureza humana sem a necessidade de experimentares o mal no nível físico. Esta é a razão pela qual os cabalistas dizem que não precisamos sofrer. Em seu lugar, podemos estudar.

 

Definição: Na Kabbalah, o correto se refere à correção. Ninguém te dirá se o que és ou o que fazes é correto ou incorreto, mas sim se satisfizeste o teu desejo de assemelhar-te ao Criador. Se o fizeste, então fizeste o que é correto. Os cabalistas referem-se à correção como o fato de sincronizarmos a intenção com que abordamos um desejo de “para mim” a “para o Criador”.

 

Neste sentido, os humanos terminam a criação do Criador, o que significa que a corrigem. Dado que nós, humanos, temos a capacidade de sermos como o Criador, Ele nos delega a liderança da criação, uma vez que tenhamos nos corrigido. Assim, o bom propósito do mal se realiza somente se o egoísmo se converte numa força impulsionadora em direção ao Criador, o que sabemos que não é o caso mais comum. Pelo contrário, o mal é mau em si mesmo, e produz o mal, como o demonstram os atos egoístas ao longo da história.

 

O Criador incrementa a pressão sobre nós para que tomemos o comando sobre nós mesmos. Esta é a razão pela qual o mundo parece fazer-se cada vez mais hostil: o Criador o faz dessa maneira para que tu e eu comecemos a corrigir o mundo e a nós mesmos. Se Ele não o tivesse feito desse jeito, nós nos sentaríamos embaixo de uma árvore, ou ao sol, na praia, para nos bronzear. Apesar de que isso possa parecer muito bom para ti, não te aproxima muito de converter-te em um ser semelhante ao Criador, razão pela qual Ele nos criou, antes de mais nada.

 

A meta do Criador é que os humanos corrijam a Sua criação. Se te lembrares disso constantemente, todos os teus cálculos deixarão de ser passivos e se converterão em vasos, ou intenções, com as quais serás capaz de conectar-te com o Criador e o experimentar. Todo atributo maligno ou negativo em ti se transformará num meio para um fim.

 

Na Kabbalah não existe outra maneira de se fazer contato com o Criador, mas somente através dos nossos atributos negativos, através do mal. O reconhecimento do mal é o princípio da revelação do bem.

 

Esta explicação da meta do Criador deixa aberta uma nova pergunta: Se Ele deseja brindar-nos prazer, como dizem os cabalistas, o que há de mau num bom bronzeado, se nós o desfrutamos? Bem, de acordo com os cabalistas, não há nada de mau nisso se isso é realmente o que desejas. No entanto, se uma pergunta perfura o fundo da tua mente (enquanto descansas na praia) e já não podes desfrutar mais do teu banho de sol, então necessitas de algo mais, e talvez esse algo seja a Kabbalah. Como o expressa o cabalista Yehuda Ashlag: a Kabbalah é para aqueles que se perguntam (inclusive no nível inconsciente): “Qual é o sentido da minha vida?”

 

sexta-feira, 18 de junho de 2021

Kabbalah Sem Segredos (48)

 

Nosso desejo por mais, mais, mais

 

A lista das conquistas da humanidade é paralela à lista de seus desejos. O desejo dos peregrinos pela libertação da perseguição religiosa, por exemplo, levou-os a emigrar ao que se converteu em Massachusetts. O desejo de soberania dos colonos deu passagem à Guerra de Independência nos Estados Unidos.

 

Como os desejos em geral se desenvolvem dos menores aos maiores, dos simples aos complexos, uma civilização avança. Na medida em que crescem os desejos coletivos, a civilização progride.

 

A Kabbalah divide o complexo total dos desejos humanos em cinco níveis.

 

1.    Satisfação dos desejos naturais básicos, como alimento, refúgio e sexo;

2.    Luta por riqueza;

3.    Ânsia de poder e de reconhecimento;

4.    Sede de conhecimento;

5.    Desejo pelo Criador e pela espiritualidade.

 

Contudo, uma vez que o desejo imediato é satisfeito, retorna o que podemos descrever como uma sensação de vazio, que conduz, como já sabes, ao mesmo. Isso se repete até que a pessoa se pergunte se existe algo mais. Quando uma pessoa chega ao ponto em que o desejo pelos coisas dos primeiros quatro níveis se esgota, essa pessoa, em geral, termina com um forte desejo de alcançar o quinto nível da Kabbalah: a espiritualidade.

 

No caminho: Talvez tu já tenhas ouvido falar da Hierarquia das necessidades, de Abraham Maslow, uma hierarquia que ajuda a explicar as motivações humanas. Ele explicou que no princípio temos necessidades fisiológicas básicas de alimento, proteção e etc. Quando essas necessidades são satisfeitas, elas dão passagem à necessidade de segurança e proteção; depois, vem a necessidade de amor e de um sentido de pertencimento; e adiante, à necessidade de status e, por fim, no mais alto da hierarquia, à necessidade de autorrealização e transcendência. Essa hierarquia é bastante semelhante à progressão dos desejos nas Kabbalah e demonstra a universalidade desses conceitos.

 

Shamati (137)

    137. Zelofeade estava coletando madeira (Ouvi em Tav - Shin - Zayin , 1946-1947)   Zelofeade estava coletando madeira. O Zohar i...