domingo, 12 de janeiro de 2020

Introdução ao Livro do Zohar (5)



5. Terceira definição (limitação)



Em cada um dos mundos, há três aspectos:


Dez Sefirot;

As Almas;

O restante da realidade



As Dez Sefirot são constituídas da Pura Luz. A Luz Pura descende em forma de emanações que vão gradualmente diminuindo de intensidade. É desta Luz que são constituídas as Dez Sefirot. Detectamos a Luz à medida que conseguimos nos comunicar com as Dez Sefirot. 



As Almas vestidas pelas Dez Sefirot existem dentro da realidade que as rodeia. Assim, um aspecto encontra-se dentro de outro. Há dois tipos de Almas: Elevadas (Superiores) e Humanas. Mais tarde, entenderemos o que são Almas Elevadas



1)    10 Sefirot; 

2)    Almas Superiores e Humanas;

3)    Ambiente: Anjos, Vestimentas e Palácios



O restante da realidade ao nosso redor é composto por Anjos, Vestimentas e Palácios. Essas são as forças espirituais inferiores que cercam a alma humana. Seus nomes apontam para significados semelhantes no nosso mundo: Anjos são similares a animais; Vestimentas são forças externas ao homem; Palácios são forças mais remotas que envolvem o ser humano. 



Qualquer outro aspecto que venha a ser comentado servirá para entendermos o que as Almas recebem. O Livro do Zohar não profere palavra alguma que não esteja relacionada com as Almas. Estes três aspectos fundamentais servem como nosso ponto de partida:


Não ultrapassar o âmbito da Matéria e da Forma na Matéria;

Não ultrapassar o âmbito dos Mundos de BYA;

Não ultrapassar o âmbito das Almas Humanas.



Se nos detivermos nestes três sistemas e suas limitações, entenderemos corretamente o que o Livro do Zohar pretende nos proporcionar. Assim, receberemos suas mensagens com precisão através de um canal estabelecido com o Livro, canal este que descenderá até nós. Não vamos procurar algo que não está lá, nem algo que não precisamos. Receberemos do Livro o que for necessário para a nossa correção. Cada palavra lá contida fala sobre isso. Por exemplo, se uma pessoa com raciocínio filosófico tentar entender o Zohar de forma abstrata, com certeza irá fracassar. Daí o Zohar parecer "oculto atrás de mil portões fechados".



Se alguém quiser trazer à tona algo sobre a Forma Abstrata e sobre a Essência, sem ter atingido nível espiritual para tanto, não conseguirá. Não daqui, do nível deste mundo, por meio do raciocínio filosófico. Para chegar lá, a pessoa terá que atingir o nível espiritual adequado, apropriado ao Mundo de Atzilut e ao Mundo do Infinito, e começar sua pesquisa lá. No geral, o Livro do Zohar nada tem a ver com estas questões; estuda, exclusivamente, o processo para nossas correções. Uma vez corrigidos e tendo recebido a Realidade Superior, receberemos todo conhecimento sobre Forma Abstrata, Essência, Mundo de Atzilut e Mundo do Infinito, Dez Sefirot, Almas Elevadas, Anjos, Vestimentas e Palácios



O Zohar não pode nos dizer nada sobre as questões citadas acima até que, com sua ajuda, consigamos corrigir Matéria e Forma na Matéria, isto é, os Mundos de BYA, onde nossas Almas existem. 



Apenas depois que o desejo criado estiver corrigido, será possível falar sobre como atingir níveis espirituais mais elevados. Enquanto o desejo continuar sendo egoísta, será impossível captar o que estiver acima do nível em que se está.



Naturalmente, o desejo não vai alcançar os níveis de Forma Abstrata nem de Essência nos Mundos de Atzilut e Mundo do Infinito, pois significaria já ter adquirido a propriedade da Doação. Não conseguirá, também, atingir o recebimento do que existe além das Almas Humanas, especialmente nas Dez Sefirot, na Pura Luz do Criador. 



O Livro do Zohar foi escrito de forma a influenciar adequadamente e positivamente a quem quiser a energia que dele emana para o propósito de correção. Se o leitor não tiver intenções de corrigir-se, passará pelo Zohar sem noção do poder que ele irradia. 


sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

Introdução ao Livro do Zohar (4)




4.    Segunda definição (Limitação)



Tudo o que houver na Realidade Divina e estiver relacionado com a criação das Almas e suas Formas estará condicionado a três estados:



* O Mundo do Infinito (Ayn Sof)

* O Mundo de Atzilut

* Os três mundos chamados Beriá, Yetzirá e Assiyá



O Mundo do Infinito é absolutamente Divino e refere-se tanto ao estado anterior ao Tzimtzum Aleph quanto ao estado da Gmar Tikun, Correção Final. 



O Mundo de Atzilut é o mundo da nossa correção. Este estado, ele próprio, está sendo corrigido. Ele representa a base, a fonte de nossa vida e de nosso aperfeiçoamento. 



Os Mundos de BYA (Beriá, Yetzirá e Assiyá) são os mundos onde existimos.



Deve-se saber que o Livro do Zohar investiga os Mundos de BYA - Beriá, Yestzirá e Assiyá. Nada mais. Os Mundos do Infinito e de Atzilut são citados apenas para frisar que os Mundos de BYA recebem de lá. Fora as citações, o Livro do Zohar não faz nenhuma referência a eles. Os Mundos do Infinito e de Atzilut, propriamente, não estão relacionados a nós. O que precisamos saber é onde estamos e como estes mundos podem nos ajudar. 



O Livro do Zohar fala sobre a aplicação prática de tudo o que estudamos. Aborda os recebimentos obtidos pelas nossas almas, recebimentos que existem, agem, governam e facilitam a correção do homem. O Zohar não trata do abstrato, de algo vago. Portanto, nossa abordagem ao estudar o Zohar tem que ser prática. Devemos curvar-nos a ele e a sua leitura para que a Luz que emana dele possa indicar com clareza o que precisamos corrigir. A Essência e a Forma Abstrata referem-se ao que está acima de nossa correção. Obteremos este recebimento mais adiante, após a Correção Final. Por isso, o Livro do Zohar não estuda as duas categorias mencionadas, assim como também não se refere aos Mundos do Infinito e de Atzilut, para onde ascenderemos após a Correção Final. Por hora, não é a nossa tarefa. Nossa missão é seguir, passar por 6000 anos (níveis) de correção; logo, o Zohar tem enfoque somente neste processo. Ele descreve a mim e, através de mim, os Mundos do Infinito e de Atzilut, apenas no que diz respeito à Matéria e à Forma. Não se refere a nada que exista sem que esteja relacionado a mim.


quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Introdução ao Livro do Zohar (3)



3. Primeira Definição (Limitação)



Existem quatro categorias de conhecimento. São elas: Matéria; Forma na Matéria; Forma Abstrata e Essência.



Se fizermos uma análise de dentro para fora, veremos que uma categoria veste a outra: a Essência é coberta pela Forma Abstrata que é coberta pela Forma na Matéria, que é vestida pela própria Matéria. Assim se dá com qualquer objeto de nosso mundo. 



Por exemplo: aqui está meu copo, com seu formato de recipiente, de vaso (em hebraico, kli). A matéria com a qual ele é feito é a argila ou areia. Quando falo sobre um copo, sem me referir a formato ou material específicos, refiro-me a esta forma abstrata como Kli. No geral, o que é um copo? Falo sobre algo abstrato, sem conexão com um objeto concreto, particular. Em seguida à matéria, vem a essência, a categoria que traz, para mim, a noção do que é um copo, um Kli.



Estes são os quatro degraus de recebimento espiritual para qualquer definição, objeto, ação ou atributo.



Acontece o mesmo com as Dez Sefirot. O estudante deve saber que o Livro do Zohar não trata, em nível algum, sobre a Essência das Sefirot, nem de suas formas abstratas. E mais: sendo a forma a portadora da matéria, o livro discute tanto a forma das Sefirot quanto a matéria nelas contida. 



Se pegarmos Essência, Forma Abstrata, Forma na Matéria e Matéria na ordem em que descendem a este mundo , nossos recebimentos começam na Matéria e sobem. Baal HaSulam diz que o Zohar trata, apenas, dos dois primeiros níveis de recebimento: Matéria e Forma da Matéria. Então, chegamos à Primeira Limitação relacionada ao estudo do Zohar



1.    Essência

2.    Forma Abstrata 

3.    Forma na Matéria                     

4.    Matéria 



(O Zohar trata apenas da Matéria e da Forma na Matéria).


quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Suor no Rosto (6)




6



Às vezes, diante do espelho, ao ajeitar a barba, conformado já com os dentes amarelos, com as pequenas manchas escuras que começam a surgir-me no rosto e nas mãos, indago ao outro, que me fita na superfície fria do mercúrio, como fui capaz de evitar as minas, os alçapões e as armadilhas que me esperavam. A genética e a história, acomodadas em seu determinismo cego, queriam que eu fosse um provinciano irrealizado e ressentido, vendedor de agrotóxicos, apontador de jogo do bicho, bancário ou fotógrafo de batizados e casamentos nos grotões às margens do rio Uruguai, mas eu me recusei a cumprir os augúrios das forças biológicas e sociais. Mais adiante, contarei como fugi do labirinto, sem oráculo e sem fios mágicos, depois de ouvir a notícia da morte de Erico Veríssimo, no meu velho rádio Continental.



No princípio, quando decidi escrever as minhas memórias, uns 10 anos atrás, eu contava o episódio de EQM como se fosse um sonho. Eu tinha uma carreira de homem público (tinha sido Coordenador do Livro e Literatura de Porto Alegre, depois Secretário Municipal de Cultura, depois Sub-Secretário Estadual de Cultura), eu tinha uma carreira de professor e escritor, e senti temor e vergonha de declarar que minha alma (consciência) tinha saído do corpo e encontrado um amigo falecido dezenas de anos antes da minha própria morte. Diante da minha condição de ficcionista eu sabia que não seria levado a sério. Era melhor dizer que tinha sido um sonho. Assim, transformei o episódio no tema de um romance, Dia de matar porco, que foi publicado, mas que não gerou mais do que indiferença. E o que faço agora vai gerar dores de cabeça aos teóricos de literatura, no futuro, quando eles cruzarem as duas histórias. Qual é a verdadeira? O roman à clef ou as memórias romanceadas? Aqui, são evidentes os procedimentos romanescos, e lá, são palpáveis as técnicas de autenticação do discurso. Um velho aristotélico como eu não deixaria de investir muito na verossimilhança. Ou seja, trataria de fazer um bom mythos com o material (ou experiência pessoal) mais estapafúrdio que tivesse. Sempre ensinei aos pretendentes a escritores: O importante não é o que se conta, mas o como se conta. A maior mentira precisa parecer verdade, precisa convencer o leitor. Como disse Santo Agostinho, na anedota que tantas vezes contei em aula, "pensei que fosse mais verossímel que vacas voassem do que noviços mentissem". Por isso, aos poucos, com a malícia de velho contador de histórias, irei saciando a curiosidade do meu leitor, tecendo a minha trama, compondo a minha história pessoal, e deixando, de propósito, algumas pontas do novelo soltas, para serem arrematadas mais para o final. Escrever um livro de memórias que não possa ser lido como um bom romance me parece um duplo fracasso. Se eu não for capaz de fazer o que ensinei, falharei nos dois sentidos, como professor e como escritor.


terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Introdução ao Livro do Zohar (2)


2. Desde o início, o estudante deve estar ciente que cada conceito discutido no Livro do Zohar, seja em forma de lendas, seja em forma de contos, tem relação com as Dez Sefirot:  KaHaB (Keter, Hochma, Biná), HaGaT (Hessed, Guevurá, Tiféret) NHYM (Netzach, Hod, Yessod, Malchut) e suas derivações. Tanto quanto as linguagens, compostas de 22 letras, e suas várias permutações, são inteiramente adequadas para acessar a essência de qualquer aprendizagem, os conceitos e permutações das Dez Sefirot são, também, suficientes para explorar e trazer à luz toda a Sabedoria contida no Universo Espiritual.



A partir do estudo das quatro fases de evolução da Luz Direta (zero, um, dois, três e quatro), veremos que são chamadas, respectivamente, de "a ponta da letra Yud", e letras "Yud", "Hey", "Vav" e "Hey". Elas formam HaVaYaH, o impronunciável nome do Criador. 



O que HaVaYaH, o nome do Criador, significa? Esses símbolos contêm informações sobre todo o Universo. Todo o restante acaba sendo interpretações destes símbolos. Se nós os descrevemos como Sefirot, eles terão como correspondentes Keter, Hochmá, Biná, Zeir Anpim (ZA) e Malchut. Mais adiante, dividiremos a Sefirá ZA em seis Sefirot: Hessed, Guevurá, Tiféret, Netzach, Hod e Yessod. Assim, tudo o que temos são as Dez Sefirot.  Keter, a atitude da criação, seguida pelas Sefirot-derivativas, sendo a última, Malchut, a Criação. De acordo com o Zohar, o impulso da Criação, vindo do Criador, desce de Keter a Malchut, enquanto que o impulso da Criação em direção ao Criador ascende de Malchut a Keter, na direção contrária. Tudo o que está incluído nas Dez Sefirot é chamado de Alma ou Partzuf. E é com isso que trabalhamos. 



Não sabemos nada alem disso. Percebemos apenas o que acontece dentro de nós, e a isso chamamos de nossa existência, nossa vida. Baal HaSulam afirma que as combinações das Sefirot, seus diferentes aspectos e as sub-sefirot, usadas parcialmente, são suficientes para descrever todos os estados possíveis, ações e atributos de tudo o que existe entre o Criador e a Criação. 



Na nossa realidade, existem três definições.



De fato, não são três definições, mas limitações, às quais é preciso entender corretamente. Ao nos inclinarmos sobre o Livro do Zohar, passando por estas três limitações, entenderemos o que significam e conseguiremos avançar para níveis mais profundos.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Suor no Rosto (5)



5



Dou-me conta também que a minha paixão pela língua espanhola vem desse tempo, quando o rádio de meu avô transmitia os programas da Rádio El Mondo. Estávamos, então, mais próximos da Argentina que do Brasil. A sonoridade do portenho encanta-me, como a uma cantiga de ninar. Na década de 80, convivendo nos EUA com latino-americanos, me causavam espanto as tantas diferenças fonéticas e a aspereza do falar de outras regiões do continente. Eu não atinava com as causas profundas, as razões telúricas desse meu estranhamento. Tem razão Fernando Pessoa ao afirmar que a pátria é a língua. Pátria que construímos nesses primeiros anos de nossas vidas. Jorge Luis Borges já estava em mim muito antes que eu o conhecesse a sua literatura.



A palavra pátria, por estas razões que só a linguagem conhece, me traz à lembrança uma data especial, de terror e pânico, que vivemos na velha casa da tapera: 29 de agosto de 1961.



Naquele dia, depois de passar semanas ao redor do rádio, tentando, em meio à estática, ouvir os discursos de Leonel Brizola, meu avô não teve dúvidas: ordenou a retirada de todos os filhos e netos da casa da tapera para esconder-nos no mato.



Em seu delírio, ele imaginava, assim, proteger-nos dos bombardeios que sofreria o líder entrincheirado no Palácio Piratini, a quinhentos quilômetros de distância. Eu devia ter contado essa história ao Osvaldo França Júnior, o escritor mineiro que se recusou a levantar vôo da base aérea de Canoas, em 1961, o que evitou que a Legalidade se transformasse numa carnificina. Não contei, e agora não mais posso contar (ele morreu num acidente estúpido, no interior de Minas Gerais, de regresso de uma palestra numa escola), porque eu próprio havia esquecido essa exótica passagem de minha infância, ou porque não a julguei importante, história que hoje mais me parece saída de um romance de Gabriel Garcia Marquez do que de meu próprio passado. Neste instante, ao recuperá-la, concluo que todos os escritores têm histórias familiares fantásticas, mas nem todos são capazes de transformá-las em narrativas convincentes. Com a história familiar que me foi dada eu só não seria escritor se não quisesse.



Lindolfo Lenhardt, pela fisionomia, estatura, magreza e comportamento, poderia ter sido retratado também por Miguel de Cervantes, ou pintado por Gustave Dorée. Faltou-lhe um Sancho Pança, é verdade, mas seus devaneios fizeram a alegria e a tristeza da família de minha mãe por muitos anos.



Aos 95 anos, meu avô ainda dava muito trabalho à tia Traudi, com quem viveu até morrer, em Três de Maio, porque queria casar-se com uma vizinha, cinqüenta anos mais jovem, e viúva também.



“Não repara, teu avô é meio tico-tico, gosta de ciscar em quintal alheio”, ouço Vilma murmurar.



Fecho os olhos outra vez e sou inundado não só pelo cheiro da despensa, o agridoce aroma da colônia, mas também pelo significado da magnífica passagem de Em busca do tempo perdido, em que Marcel Proust nos diz: “Quando mais nada subsistisse de um passado remoto, após a morte das criaturas e a destruição das coisas – sozinhos, mais frágeis, porém mais vivos, mais imateriais, mais persistentes, mais fiéis – o odor e o sabor permanecem ainda por muito tempo, como almas, lembrando, aguardando, esperando, sobre as ruínas de tudo o mais, e suportando, sem ceder, em sua gotícula impalpável, o edifício imenso da recordação”.


domingo, 5 de janeiro de 2020

Introdução ao Livro do Zohar (1)




INTRODUÇÃO AO LIVRO DO ZOHAR

VOLUME DOIS

O SEGREDO ESPIRITUAL DA CABALÁ

(Textos originais: Rav Yehuda Ashlag. Comentários: Michael Laitman. Tradução de Maria Carolina Ribeiro até o Ponto 17; a partir do ponto 18, tradução de Tati Frantz; Copidescagem e revisão de Charles Kiefer)



Por muitos séculos, a sabedoria da Cabalá esteve inacessível a qualquer um que não lesse em hebraico. Agora, pela primeira vez na historia do mundo ocidental, leitores de outros idiomas comprometidos com a Cabalá têm a oportunidade de aprender essa Sabedoria através do maior cabalista do século XX, Baal Ha Sulam. Neste texto, os estudantes encontrarão uma apresentação sistemática e qualificada da Cabalá, diferente de todos os outros textos disponíveis. Este texto vem com comentários de Michael Laitman, um cientista e cabalista que recebeu a Tradição da Cabalá a partir da linhagem que inclui Ari, Baal Há Sulam e seu filho Rabash, professor do Laitman.

Introdução ao Livro do Zohar será, certamente, uma companhia constante do leitor em sua exploração dos Mundos Superiores por muitos e muitos anos. Aproveite.



PREFÁCIO AO LIVRO DO ZOHAR

(Baal Ha Sulam)

 1. A profundidade da sabedoria e da ciência contida no Livro do Zohar está oculta atrás de mil portões fechados.

Comentário de Michael Laitman: Por que "oculta atrás de mil portões fechados?" De fato, não há nada oculto, ninguém esconde nada; tudo existe dentro do sistema das leis naturais da criação. Diferentemente deste nosso mundo, no espaço espiritual não há uma chave que abra portas. O mundo espiritual é completamente aberto; uma pessoa apenas avança de um nível espiritual para outro e deixa um reino para entrar em outro ao modificar seus próprios atributos. 

Em nosso mundo, um objeto pode mover-se por deslocamento mecânico, ao passo que no mundo espiritual é preciso que se faça um movimento interior para ir de um lugar a outro. Isto é o que se entende por "portão fechado"; enquanto o indivíduo limitar-se a um lugar, o seguinte manter-se-á oculto, "fechado" para ele.

O que pode ser feito para que se abram as portas? Mudar em si algo que traga harmonia, que entre em conformidade com o espaço onde se anseia entrar. E, então, entrar. Muito simples.

Tudo existe dentro do homem. Ao acessar interiormente suas capacidades, qualquer um pode, facilmente, mover-se no espaço espiritual, partir do presente, chegar ao infinito perfeito e fundir-se com o Criador.

Toda sabedoria de como se avançar no mundo espiritual encontra-se no método cabalístico. Então, vejamos. É dito que "a profundidade da sabedoria está oculta atrás de mil portões fechados". Não está oculta atrás de nenhum portão externo, físico. Todas as portas e todas as chaves estão dentro de nós. Realizar ações espirituais de correção pessoal e abrir as portas com nossas próprias chaves é o nosso método. É este o propósito do estudo do Livro do Zohar e da sabedoria da Cabalá como um todo. 

A linguagem humana, por ser pobre e limitada, não nos serve nem como uma ferramenta adequada nem como um meio de expressão suficiente para desvelar todos os significados contidos em cada sentença do Zohar. 

Comentário de Michael Laitman: Até mesmo a mais curta frase do Zohar, que pode parecer muito clara numa primeira leitura, para ser corretamente interpretada dependerá do nosso nível, do nosso recebimento no momento da leitura. Desenvolvendo gradualmente nosso potencial espiritual, adaptando-nos a diferentes leis e atributos espirituais, começaremos a descobrir grande profundidade em cada frase e sentença do livro do Zohar, diferente do que conseguimos captar num primeiro momento do estudo. Uma percepção mais profunda depende, apenas, do nível de recebimento.

Minhas explicações são apenas degraus de uma escada.

Comentário de Michael Laitman: A estrutura dos comentários (feitos para o Livro do Zohar) se assemelha a uma escada. O que não significa que o primeiro volume do livro seja destinado aos iniciantes e o último aos estudantes mais avançados. Cada palavra, cada sentença inclui diferentes níveis espirituais de entendimento, em todos os fatos e estados ali descritos.

O texto é composto de maneira que o leitor desvele gradualmente os significados e consiga, aos poucos, ver todo o quadro. O estudante deve, apenas, procurar descobrir alguma mensagem espiritual contida no texto. Algo que todas as pessoas podem vir a entender num primeiro estágio. Mas, este começo, este sintonizar-se, já é suficiente para que o livro comece a afetá-lo. 

Eu pretendia ajudar os estudantes a atingirem o máximo de recebimentos, a atingir as alturas, de onde eles poderiam ver e investigar o que o Zohar expõe por si só. Por esta razão, neste prefácio, acho necessário preparar o estudante interessado no livro do Zohar, fornecendo a ele definições corretas, demonstrando como estudar o livro para aprender com ele. 

Comentário de Michael Laitman: Em outras palavras, o objetivo de se estudar o Zohar é alcançar os Mundos Superiores, sentir e controlar os espaços, começar a viver não apenas dentro dos limites desta nossa realidade, mas dentro de um plano maior, eterno e perfeito.


Shamati (137)

    137. Zelofeade estava coletando madeira (Ouvi em Tav - Shin - Zayin , 1946-1947)   Zelofeade estava coletando madeira. O Zohar i...