terça-feira, 10 de novembro de 2020

Os cinco Partzufim do Mundo de Adam Kadmon (28)


Depois do mencionado acima, houve mais um Contato de Impacto na tela do Kli de Malchut. Entretanto, dessa vez, o Behina Dalet está ausente. A tela agora possui apenas quatro vasos: Keter, Chochmá, Biná e Tiferet. Portanto, o Partzuf seguinte ao Mundo de Adam Kadmon, que emerge um nível abaixo de Galgalta, no nível de Chochmá, é chamado de AB. Nesse caso, a Ohr Hozer veste as quatro Luzes de NaRaNH enquanto que a quinta parte, a Ohr Yechidá, está ausente.

 

Os Behinot Dalet e Guímel não se encontram na tela do terceiro Partzuf. Assim, ele surge em um nível mais baixo que o Partzuf AB, isto é, no nível de Biná, e as Luzes de Yechidá e Chayá estão ausentes. Ele surge dois níveis abaixo do primeiro Partzuf, e apenas um nível do segundo. Ele é chamado de Biná ou SAG.

 

Então, um Zivug de Haka'a ocorre na Masach de Aviut Aleph, assim, o Rosh e o Guf emergem no nível de Tiferet, com as Luzes de Nefesh e Ruach, enquanto que as Luzes de Neshamá, Chayá e Yechidá estão ausentes. Os Kelim de Dalet, Guímel e Beit não existem, portanto, as Luzes correspondentes a eles também estão ausentes. Esse Partzuf é chamado de Tiferet, ou MA. O quinto e último Partzuf surge no Aviut Shoresh com a Luz de Nefesh. Ele é chamado Malchut ou BON.

 

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Os cinco Partzufim do Mundo de Adam Kadmon (27)

 

 Assim que o primeiro Partzuf do Mundo de Adam Kadmon nasce, depois do TA, Behina Dalet imediatamente deixa de ser um Kli de recepção da Luz Superior, sendo então corrigido pela tela. A Luz Superior desce para ser vestida no Kli de Malchut de acordo com a sua natureza. Entretanto, a tela, posicionada à frente de Malchut, reflete e devolve a Luz à Fonte.

 

Devido ao Contato de Impacto, a Ohr Hozer ascende ao nível de Keter de Ohr Elion. Essa Ohr Hozer torna-se o embrião dos vasos ("Shorshey Kelim") das 10 Sefirot de Rosh do primeiro Partzuf de Adam Kadmon.

 

Depois, ao utilizar o poder das 10 Sefirot de Rosh, Malchut de Rosh amplia-se e propaga-se de cima para baixo junto com a Ohr Hozer criando, assim, dentro de si mesma, 10 novas Sefirot, que são Kelim autênticos e completos. Tudo o que existia em potencial no Rosh finalmente manifesta-se e toma forma no Guf. Com isso, completa-se a criação do Rosh e do Guf do primeiro Partzuf do Mundo de Adam Kadmon.

 

Depois do TA, quando realiza uma restrição na recepção da Luz, Malchut decide receber uma porção da Luz pelo Criador com a ajuda da tela. A primeira recepção formou o primeiro Partzuf do Mundo de Adam Kadmon (Keter ou Galgalta). Ao todo, existem cinco Partzufim no Mundo de Adam Kadmon.

 

A Masach do Kli de Malchut rejeita toda Luz Superior. Com a ajuda de um impacto (Haka'a) no interior da Masach, cuja força equivale aos cinco Behinot, a Luz Refletida (Ohr Hozer) eleva-se ao nível de Keter da Luz Direta (Ohr Yashar) e veste as 10 Sefirot de Rosh do primeiro Partzuf de AK. Então, Malchut expande-se e a Luz espalha-se no seu interior formando as 10 Sefirot de Guf.

 

A parcela do Kli (Guf) preenchida pela Luz é chamada de Toch (parte interna), e a Luz do seu interior é chamada de "Ohr Pnimi" (Luz interna). A parcela do Guf que permanece vazia é chamada de Sof (fim), e a Luz no seu interior é chamada de Ohr Hassadim. Essa parte recusa-se a receber qualquer prazer, pois não possui a tela adequada para tanto, então, se ela receber a Luz, isso a levará à recepção de prazer para si mesma. O limite que separa o Toch do Sof é chamado de Tabur (cintura). A Luz que não entra no Kli é chamada de Ohr Makif (Luz Circundante).

 

Cada Partzuf vê a Luz que está diante de si apenas com a ajuda da Luz Refletida. Se o poder da Luz Refletida iguala-se ao poder da tela em todos os cinco Behinot, ele pode ver a Luz de Keter. Ele divide essa Luz em cinco partes e preenche o Toch com elas, deixando o Sof vazio. Uma Luz de qualquer intensidade pode brilhar no Rosh do Partzuf, mas Malchut do Pe de Rosh vê apenas o que a Ohr Hozer lhe permitir ver. Nossos sentidos baseiam-se no mesmo princípio. Torne-os mais sensitivos e eles verão objetos microscópicos, sentirão os micróbios etc. Em outras palavras, tudo depende não do que nos rodeia de fato, mas daquilo que somos capazes de detectar, do grau de perceptibilidade dos nossos sensores.

 

Cada Partzuf subsequente possui uma tela de menor qualidade e quantidade de desejos (Behinot) que o Partzuf anterior, portanto, sua Ohr Hozer é menor e ele vê a Luz de um nível mais baixo. É como uma pessoa cuja visão enfraqueceu e só consegue de ver as coisas a uma curta distância.

 

Se a tela tiver a força de Behina Guímel, ela pode ver a Luz do nível de Chochmá, em relação ao Partzuf anterior. Em relação a si mesma, ela recebe as mesmas cinco partes da Luz de NaRaNHaY, mas do nível geral de Chochmá, não de Keter. Vejamos um exemplo do nosso mundo: uma pessoa alta pode ser "uma cabeça" mais alta que outra, ou seja, a última será, portanto, uma cabeça mais baixa.

 

Estudamos os Mundos descendentes. Quando o Universo surgiu, o Partzuf de Adam HaRishon (o Primeiro Homem) foi criado. Então, esse Partzuf dividiu-se em 600.000 fragmentos chamados "almas". Cada um desses fragmentos deve receber a sua parte da Luz Superior. Quando uma alma, isto é, um fragmento do Partzuf de Adam HaRishon, alcança certo nível no Mundo Espiritual, ele recebe um pouco da sua cota de Luz. Embora ainda não tenha recebido toda a Luz destinada a ele, a alma percebe esse estado como a perfeição absoluta. Então, um pouco mais de egoísmo lhe é dado (para a alma) e, novamente, ela passa a desejar mais. Ao corrigir essa porção de egoísmo, ela recebe uma nova porção de Luz nos vasos recém corrigidos e somente então ela percebe que existe uma perfeição ainda maior a ser recebida.

 

Se ao homem falta esse desejo interior, necessidade ou ponto no coração, ele é incapaz de compreender como uma pessoa pode interessar-se pela espiritualidade. A propósito: cartomancia, amuletos, medicina alternativa e bênçãos nada têm a ver com espiritualidade. A Cabalá interpreta o espiritual como o desejo pelo Criador, pelas Suas propriedades. De fato, sempre acabamos descobrindo que aquelas coisas que pareciam sobrenaturais para nós são, na verdade, o trabalho de golpistas de certo talento que utilizam as forças do nosso mundo, da psicologia e poderes inerentes do corpo humano, desconhecidos para a maioria das pessoas.

 

quinta-feira, 5 de novembro de 2020

Os cinco Partzufim do Mundo de Adam Kadmon (26)

 

Compreendemos claramente a noção da Masach (tela), posicionada sobre o Kli de Malchut (Behina Dalet) depois do TA, e também dos cinco tipos de Zivugey de Haka'a que ocorrem nesta tela a fim de criar cinco níveis de 10 Sefirot, um abaixo do outro.

 

Agora aprenderemos sobre os cinco Partzufim do Mundo de Adam Kadmon (AK), que precedem os quatro Mundos de ABYA.

 

Sabemos que a Ohr Hozer que se eleva como resultado do Zivug de Haka'a veste as 10 Sefirot da Luz Superior. Isso é suficiente apenas para criar as "raízes" dos futuros Kelim, definidos como as 10 Sefirot de Rosh.

 

Malchut expande-se de cima para baixo de acordo com a altura do nível das 10 Sefirot de Rosh. O resultado é a criação dos Kelim chamados "Guf" (corpo) do Partzuf (ver ponto 14). Portanto, sempre há dois tipos de 10 Sefirot no Partzuf: as de Rosh e as de Guf.

 

Em cada Partzuf, dois tipos de 10 Sefirot devem ser determinados: Rosh e Guf. Aqueles que não sabem hebraico têm mais facilidade de estudar Cabalá, pois não compreendem os termos cabalísticos literalmente, tais como: Peh (boca), Rosh (cabeça), Guf (corpo), Tabur (cintura) etc. Eles podem compreendê-los de maneira abstrata e, assim, não imaginam a materialização desses termos.

 

Esses alunos percebem facilmente todos os termos acima mencionados como forças, desejos, intenções e não partes do corpo. Não há corpos no Mundo Espiritual, apenas o desejo de receber prazer, a intenção em benefício do quê, ou de quem, a pessoa é capaz de receber esse prazer, e o prazer em si. 

 

O local onde a Masach reflexiva reside é chamado de Peh. Primeiro, a Masach rejeita toda Ohr Yashar que vem a ela, como quem diz não desejar receber nada para si. Então, um cálculo é realizado no Rosh para determinar o quanto pode ser enfim recebido, não em benefício próprio mas pelo Criador. Depois, a Ohr Hozer veste as 10 Sefirot da Luz Superior (Ohr Elion) de baixo para cima. Apenas o suficiente para tomar uma decisão clara: as raízes do vaso (Shorshey Kelim). As 10 Sefirot da Luz Refletida que vestem as 10 Sefirot da Luz Direta formam, juntas, as 10 Sefirot do Rosh do Partzuf.

 

Para completar a formação dos Kelim e receber verdadeiramente a Luz, as 10 Sefirot da Ohr Yashar vestem-se nas 10 Sefirot da Ohr Hozer. Elas "passam" pela Masach e expandem-se de cima para baixo, ampliando com isso a décima Sefirot do Rosh (Malchut de Rosh) para as suas próprias 10 Sefirot (de Keter a Chochmá), formando os Kelim de Guf.

 

Antes de Malchut ser capaz de receber pelo Criador, ela foi comprimida, restringida até o tamanho de um ponto. Mesmo assim, ao receber a tela, ela adquire uma nova intenção de receber pelo Criador e então "expande-se" de um pequeno ponto até as 10 Sefirot, recebendo a Luz no Guf.

 

quarta-feira, 4 de novembro de 2020

Shamati (21)

 

 

21. Quando o indivíduo se sente num estado de ascensão

(Ouvi em 23 de Cheshvan, Tav-Shin-Hey, 9 de novembro de 1944)

 

 

Quando o indivíduo se sente em um estado de ascensão, sente-se elevado, quando sente que não tem nenhum desejo a não ser pela espiritualidade, então é bom que mergulhe nos segredos da Torá a fim de internalizá-los. Se o indivíduo vê que, apesar de se esforçar para entender algo, ainda não sabe nada, mesmo assim vale a pena mergulhar nos segredos da Torá, ainda que veja cem vezes uma única coisa.

 

O indivíduo não deve se desesperar, não deve dizer que é inútil porque não entende nada. Por duas razões:

 

1)) Quando o indivíduo mergulha em algo e anseia por entende-lo, esse anseio é chamado uma “oração”. Isso é porque uma oração é uma falta, ou seja, ele deseja o que lhe falta, deseja que o Criador satisfaça o seu desejo.

 

O alcance da oração é medido pelo desejo, já que o desejo é maior do que aquilo que ele mais precisa. De acordo com a medida da necessidade também é a medida do anseio.

 

Há uma regra de que naquilo que o indivíduo coloca mais esforço, o empenho aumenta a falta, e ele quer receber o preenchimento por essa deficiência. Além disso, um desejo é chamado de “uma oração”, é considerado “o trabalho do coração”, já que “o Misericordioso quer os corações”.

 

Só então o indivíduo pode oferecer uma oração verdadeira. Porque, quando ele mergulha nas palavras da Torá, o coração deve estar livre de outros desejos e dar à mente a força para poder pensar e escrutinizar. Se não há nenhum desejo no coração, a mente não consegue fazer o escrutínio, como disseram nossos sábios: “Sempre há aprendizado onde há desejo do coração.”

 

Para que a oração do indivíduo seja aceita, deve ser uma oração completa. Por isso, quando faz um escrutínio de forma completa, o indivíduo extrai dele uma oração completa, e então sua oração pode ser aceita, porque o Criador ouve uma oração. Mas há uma condição: a oração deve ser completa e não pode ter outras coisas misturadas no meio dela.

 

B) A segunda razão é que, nesse momento, como o indivíduo está separado em alguma medida da corporeidade e está mais perto da qualidade da doação, é um tempo melhor para se conectar com a internalidade da Torá, a qual é revelada àqueles que tem equivalência de forma com o Criador. Isso é porque a Torá, o Criador e Israel são um. Contudo, quando o indivíduo está num estado de auto-recepção, ele pertence à externalidade e não à internalidade.

                                     

(Tradução de Poliana Pasa)

 

terça-feira, 3 de novembro de 2020

Cinco níveis de Masach (25)

 

Até que a formação de todos os cinco Kelim do Partzuf esteja completa, suas cinco Luzes não estão em seus lugares devidos e, além disso, estão agrupadas em uma ordem inversa. Na ausência do Kli de Malchut, a Luz de Yechidá não está presente no Partzuf. Na ausência de dois vasos, Malchut e Tiferet, as Luzes de Yechidá e Chayá não estão presentes. Por um lado, surgem os vasos puros, de Keter a Malchut, e, por outro, as Luzes mais fracas (começando por Nefesh) são as primeiras a entrar neles.

 

Uma vez que a recepção da Luz ocorre nos vasos mais puros, cada nova Luz deve passar pelo Kli de Keter. À medida que a nova Luz entra no Kli de Keter, a Luz que estava ali desce ao Kli de Chochmá. Quando há uma tela para o Kli de Chochmá, a Ohr Ruach entra no Kli de Keter e a Ohr Nefesh desce a Chochmá.

 

À medida que a tela aumenta em força, os seguintes vasos são formados: Biná, Tiferet e Malchut, então as Luzes de Neshamá, Chayá e Yechidá podem, uma por vez, passar por Keter e preencher os vasos. Todas as Luzes ficam em seus devidos lugares: Nefesh em Malchut, Ruach em Tiferet, Neshamá em Biná, Chayá em Chochmá e Yechidá em Keter.

 

Tenha em mente a regra da relação inversa entre as Luzes e os Vasos e você sempre será capaz de distinguir se são as Luzes ou os vasos que estão sendo referidos em determinado contexto, sem confundir-se. Aprendemos sobre os cinco Behinot (níveis) da tela e como os níveis do Kli emergem um sob o outro em correspondência a eles.

 

Cada nova Luz é bilhões de vezes mais intensa que a anterior. Dessa forma, cada nível subsequente é percebido como um mundo totalmente diferente. Em nosso mundo, onde não temos, de fato, nenhuma tela, não somos capazes de ver a Luz que está diante de nós. A pessoa pode vê-la apenas com a ajuda da Luz Refletida (Ohr Hozer) e apenas na medida em que Malchut a reflete.

 

Entretanto, ao estudar Cabalá, estimulamos a Ohr Makif até que ela crie em nós o Kli primário de Keter, no qual imediatamente recebemos a Ohr Nefesh. Esse estado significa o nosso nascimento espiritual, a travessia da barreira (Machsom) entre o nosso mundo e o Espiritual. Isso quer dizer que estamos no nível mais baixo do Mundo de Assiyá.

 

Ao prosseguir o trabalho de correção, adquirimos a tela seguinte, de Aviut Aleph, e recebemos a Luz de Ruach. Depois, adquirimos as telas para os Kelim Beit, Guímel e Dalet e, correspondentemente, recebemos as Luzes de Neshamá, Chayá e Yechidá. A esta altura, todas as Luzes estão nos seus lugares corretos.

 

De que forma construímos uma tela? Se eu pudesse saber e sentir minhas propriedades egoístas hoje, eu fugiria das correções! Não há nada que meu egoísmo odeie mais do que a tela. Mesmo assim, eu não posso escapar do Espiritual porque ignoro meu próprio egoísmo ou não compreendo minhas propriedades. Esse estado inicial "inconsciente" é criado deliberadamente para que a pessoa não se ressinta com a Espiritualidade, mas sim, que a aspire por curiosidade e desejo de melhorar seu futuro.

 

Portanto, o princípio consiste em cruzar a barreira apesar da nossa própria natureza. Isso ocorre inconscientemente: o homem não sabe para onde está indo e nem o que pode acontecer. Depois de cruzar a Maschom, o homem começa a ver que, até aquele momento, esteve em um estado de sonho.

 

Dois processos precedem a travessia da Maschom. O primeiro é a compreensão do próprio mal, em que o homem começa a compreender o quanto o seu egoísmo é prejudicial para si mesmo. O segundo consiste na percepção de que a Espiritualidade é muito atrativa e não há nada mais valioso, grandioso ou eterno do que isso.

 

Esses dois pontos opostos (a compreensão do mal e a atração do espiritual) aparecem juntos na pessoa comum a fim de criar um nível zero. À medida que ela avança espiritualmente, eles começam a afastar-se um do outro. Ao mesmo tempo em que a espiritualidade eleva-se aos olhos da pessoa, o seu egoísmo é percebido como nocivo.

 

Essa diferença entre eles, a estima pelo Espiritual e a crítica ao egoísmo feita pela própria pessoa, aumenta tão extraordinariamente que desperta, nela, um grito interno, um pedido pela solução desse problema. Se esse clamor alcança a intensidade necessária, a tela lhe é dada de cima.

 

O estudo do egoísmo, sua correção e seu uso apropriado compõem toda jornada do homem, desde o estado inicial até o fim definitivo (a Gmar Tikkun). Nos Mundos Espirituais, o homem continua a estudar o seu egoísmo a cada nível. Quanto mais alto nos elevamos, mais egoísmo nos é dado, para que, ao trabalhar com ele, sejamos capazes de transformá-lo em altruísmo.

 

Tudo o que dissemos é dito sob a perspectiva da criação. Não podemos dizer nada sobre o Criador, já que não sabemos realmente quem Ele é. Do ponto de vista pessoal, eu apenas sei como Ele é percebido nas minhas sensações. Só os filósofos têm tempo de especular sobre algo que nunca poderá ser alcançado. Por isso, essa ciência deturpou-se totalmente. 

 

A Cabalá opera apenas com aquilo que os cabalistas sentiram e precisamente atraíram para si mesmos e, então, relataram a nós em uma linguagem cabalística específica. Cada um pode reproduzir este processo internamente, como se realizasse uma experiência científica rigorosa. O instrumento para essa experiência é a tela que o homem deve criar no ponto central do seu próprio egoísmo. Esse "eu" desenvolve-se com a ajuda do método chamado Cabalá.

 

Há dois tipos de tela. A primeira é posicionada à frente do Kli, no Peh do Partzuf, isto é, em Malchut de Rosh. Ela reflete toda a Luz, como se estivesse de guarda até a implementação do TA. A segunda tela recebe a Luz e trabalha com o Aviut posicionado em Malchut de Guf. Ela absorve todo o egoísmo que puder ser transformado na recepção pelo Criador. 

 

De um modo geral, a tela sempre está em Malchut, o ponto mais baixo do Partzuf. A reflexão e a recepção são suas duas ações. A primeira forma o Rosh enquanto que a segunda forma o Guf do Partzuf. Para mais detalhes, veja a Parte 3 ("Histaklut Pnimit"), capítulo 14, página 5 do "Estudo das Dez Sefirot" (não existe tradução para o português, ainda).

 

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Cinco níveis de Masach (24)


O fato é que há a relação inversa entre as Luzes e os vasos. Primeiro, surgem os maiores vasos e eles começam a crescer no Partzuf, de Keter para Chochmá e assim por diante até Malchut.

 

Dessa forma, nomeamos os vasos de acordo com a ordem do seu crescimento: Keter, Chochmá, Biná, Tiferet e Malchut (KaHaB-TuM), de cima para baixo. As Luzes penetram o Partzuf em uma ordem inversa, começando pelas mais baixas: primeiro Nefesh (seu lugar é no interior de Malchut), depois Ruach (a Luz de Zeir Anpin), e assim por diante até Yechidá. 

 

Assim, nomeamos as Luzes na seguinte ordem: Nefesh, Ruach, Neshamá, Chayá e Yechidá (NaRaNHaY), de baixo para cima, conforme a ordem da sua entrada no Partzuf. Quando o Partzuf possui apenas um vaso (que pode ser apenas o de Keter), a primeira Luz a entrar não é Yechidá, que deveria estar no seu interior, mas Nefesh, a Luz mais baixa.

 

Quando dois vasos superiores surgem no Partzuf, Keter e Chochmá, então a Luz de Ruach também entra neles. A Luz de Nefesh deixa o vaso de Keter e desce ao vaso de Chochmá, enquanto que a Luz de Ruach ocupa o vaso de Keter. Quando o terceiro vaso surge no Partzuf, a Luz de Nefesh deixa o vaso de Chochmá e desce ao vaso de Biná, enquanto que a Luz de Ruach desce ao vaso de Chochmá e a Luz de Neshamá, por sua vez, entra no vaso de Keter.

 

Quando o quarto vaso, Tiferet, surge no Partzuf, a Luz de Chayá entra nele, a Luz de Nefesh deixa o vaso de Biná e desce ao vaso de Tiferet. Enquanto que a Luz de Ruach desce ao vaso de Biná, a Luz de Neshamá penetra o vaso de Chochmá e a Luz de Chayá entra no vaso de Keter.

 

Quando o quinto vaso, Malchut, surge no Partzuf, a Luz de Yechidá entra nele. Agora, todas as Luzes estão nos seus lugares, uma vez que a Luz de Nefesh deixa o vaso de Tiferet e desce ao vaso de Malchut. E enquanto a Luz de Ruach desce ao vaso de Tiferet, a Luz de Neshamá entra no vaso de Biná, a Luz de Chayá entra no vaso de Chochmá e a Luz de Yechidá entra no vaso de Keter.

 

Quando o Partzuf, consistindo das cinco partes do "desejo de receber" (os Kelim de Keter, Chochmá, Biná, Tiferet e Malchut), estiver preenchido de Luz, Nefesh estará em Malchut, Ruach em Tiferet, Neshamá em Biná, Chayá em Chochmá e Yechidá em Keter. É assim que um Partzuf completo se apresenta.

 

No entanto, a Formação, isto é, a correção dos Kelim, a aquisição da tela, ocorre do desejo menos egoísta (Keter) até o mais egoísta (Malchut), de baixo para cima. O preenchimento dos Kelim pelas Luzes começa pela Luz mais fraca (Nefesh) e vai até o prazer mais intenso (Yechidá).

 

Gradualmente, todas as Luzes passam, primeiro, por Keter, uma depois da outra. O preenchimento do Partzuf sempre ocorre na seguinte ordem: Keter - Chochmá - Biná - Tiferet - Malchut. E as Luzes entram na seguinte ordem: Nefesh - Ruach - Neshamá - Chayá - Yechidá. A regra diz: o Kli começa a crescer partindo da Sefirá mais elevada, enquanto que as Luzes entram pela mais baixa. É como dois cilindros encaixando-se um no outro.

 

Conforme a ordem com que entram no Partzuf, de Nefesh a Yechidá, abrevia-se as Luzes como NaRaNHaY, da menor à maior, enquanto que abrevia-se os Kelim de acordo com sua ordem descendente: KaHaB-TuM.

 

Podemos observar que o mesmo ocorre em nossa vida: se desejarmos resistir a algum prazer enquanto estivermos, de alguma forma, conectados a ele, sempre começaremos pelo prazer menor e, pouco a pouco, passaremos para prazeres maiores e mais intensos, até termos certeza de que somos capazes de receber até os prazeres maiores sem benefício próprio.

 

Quando dizemos que um novo Kli surgiu, isso significa que há uma tela para o prazer correspondente, a força de resistência a esse prazer, a intenção de receber pelo Criador. Como consequência, o Partzuf é preenchido pela Luz equivalente à força contrária.

 

A tela surge como resultado de estudos concentrados e trabalho em um grupo, com a intenção adequada. Quando um cabalista adquire a tela para o menor desejo, ele trabalha apenas com ela. O restante dos desejos são simplesmente postos de lado e restringidos. Devido aos seus esforços, a tela intensifica-se, isto é, surge uma força adicional de resistência a desejos maiores, e ele passa a trabalhar com dois desejos e a receber duas Luzes.

 

Isso continua até que exista uma tela para todos os cinco desejos, quando então as Luzes podem ser recebidas pelo Criador. Cada vez que a pessoa é capaz de trabalhar com novos desejos, os anteriores aproximam-se mais da perfeição, pois, junto com a Luz que havia neles, penetra-os uma Luz ainda mais poderosa, trazendo consigo um prazer maior. 

 

Quando uma pessoa estuda, de forma constante, em um grupo, com pessoas de mentalidade semelhante, ouve as explicações do Professor e, depois, é capaz de concentrar-se nos mesmos assuntos espirituais enquanto experimentar os diversos estados e circunstâncias do nosso mundo, então, na próxima vez que ela for estudar, sentirá mais que antes. Ela receberá uma Luz mais elevada, pois agora trabalha com Kelim mais puros e não pensa em prazeres animais. Isso é o que significa a relação inversa entre as Orot e os Kelim (as Luzes e os Vasos).

 

A terra de Israel difere de todos os outros lugares pelo seu grande nível de egoísmo. É o local mais difícil para o trabalho espiritual. Entretanto, ao mesmo tempo, é único e o mais favorável. Essa região tem um potencial espiritual especial. Baal HaSulam escreveu que Jerusalém é o local da destruição do Templo. Ali, encontra-se a força mais potente, mas também as forças impuras mais poderosas, as Klipot.

 

O Kli de Keter, Aviut de Shoresh, foi criado para os prazeres maiores ou menores? Foi criado para os maiores, Ohr Yechidá, a última a penetrar Keter, quando então a Masach é forte o suficiente para opor-se ao desejo mais intenso de Malchut. Em outras palavras, ao trabalhar com os desejos mais baixos criando neles a intenção de receber prazer pelo Criador, o cabalista recebe o prazer mais intenso, a Ohr Yechidá, que entra no Kli mais puro, Keter.

 

Se, ao preencher esses desejos mais rudimentares, a pessoa for capaz de pensar no Criador e no Propósito da Criação, então, enquanto estiver estudando e aprendendo os textos cabalísticos, e orando, ela certamente estabelecerá um melhor contato com o Criador.

 

Existem cinco desejos de receber prazer no Kli. Seu "tamanho" ou "volume" depende apenas da tela. O nível de desejo ao qual a pessoa é capaz de resistir determina a Luz que entrará no Kli, isto é, o nível do Kli. Primeiro, a pessoa trabalha com o Kli de Aviut Shoresh e, gradualmente, cria a tela para o Aviut Aleph. Quando este processo terminar, ela será capaz de receber a mesma tela para o Aviut Aleph e trabalhar com ele. Depois, pouco a pouco, ela cria a tela para o Aviut Beit, Guímel e Dalet. O Kli com o Aviut Shoresh inicial deve possuir os rudimentos da tela para todos os cinco Behinot a fim de construir uma tela para todos esses tipos de Aviut.

 

O Kli se constrói gradualmente, do desejo mais ínfimo até o maior. Isso ocorre com o propósito de evitar a recepção egoísta de prazer. Os desejos são medidos conforme a intensidade com que se sente o prazer. É assim que a humanidade passa dos pequenos desejos aos maiores.

 

Ao começar a trabalhar com o desejo menor (Keter), o homem transforma-o em um desejo altruísta com o auxílio da tela. Então, ele recebe a Luz de Nefesh sentindo um grande prazer, pois o Criador está parcialmente revelado nela, ou seja, o Kli assemelha-se ao Criador na mesma medida da sua correção. 

 

A Ohr Nefesh é o prazer de estar unido com o Criador na menor parte, a quinta, na qual a pessoa é capaz de sentir a eternidade, a sabedoria, o conhecimento absoluto, o maravilhoso prazer e a perfeição. Tal estado do Kli significa transcender as barreiras do nosso mundo, da nossa natureza. Até então, o Kli é incapaz de ver além deste estado. Ainda assim, na medida em que vai se desenvolvendo, ele passa a sentir cada vez mais estados perfeitos, recebendo prazeres cada vez maiores.

 

O recebimento da Ohr Nefesh pelo homem significa que ele recebeu todas as cinco partes desta Luz: Nefesh de Nefesh, Ruach de Nefesh, Neshamá de Nefesh, Chayá de Nefesh e Yechidá de Nefesh. Qualquer Kli, qualquer recebimento, também contém cinco partes, assim como recebemos informações nesse mundo, através dos nossos cinco sentidos: visão, audição, olfato, paladar e tato. Todas essas cinco Luzes devem manifestar-se no Kli de Keter, no qual a Luz de Nefesh entra em primeiro lugar. O mesmo ocorre com as outras Luzes. 

 

Todo o aparato externo religioso apenas alude a ações espirituais. Os grandes cabalistas de cada geração introduziram certas regras à vida das massas religiosas a fim de as vincular à Torá e, com isso, educá-las. Por exemplo: temos a tradição de vestir dois mantos, que simbolizam os dois tipos de "Levushim" (vestimentas) que vestem a alma no Mundo de Atzilut. Todos esses rituais religiosos têm um significado cabalístico. 

 

A principal Lei Espiritual é a equivalência dos atributos do homem, seus desejos, com os do Criador. A Luz do Criador é homogênea por natureza. Um determinado Kli, a depender dos seus parâmetros internos, distingue, na Luz homogênea, diversos "sabores", isto é, diferentes tipos de prazer: a Ohr Yashar, a Ohr Hozer, a Ohr Elion, a Ohr Pnimi, a Ohr Makif  etc. Todas elas são a mesma Luz, tudo depende de como o Kli a percebe. Antes de entrar no Kli, a Luz é chamada de Luz Superior Simples (Ohr Elion Mufshat), já que nela não se podem distinguir diferentes propriedades. 

 

É como no exemplo de Baal HaSulam a respeito do Maná Celestial, que não tem gosto, mas que, mesmo assim, cada um sente o gosto que corresponde a suas propriedades. Quando a Luz Superior Simples brilha na cabeça do Partzuf ela é chamada de "Ohr Yashar" (Luz Direta). A Luz refletida pela tela (Ohr Hozer) envolve a Ohr Yashar e quando ambas entram no Kli, essa Luz recebe outro nome: Ohr Pnimi (Luz Interna), ou Ta'amim (sabores).

 

Uma vez que o Partzuf recebe apenas uma certa porção da Luz que vem a ele, o restante da Luz fica fora do Kli. Essa parcela de Luz é chamada de "Ohr Makif" (Luz Circundante). O Partzuf irá recebê-la gradualmente, em pequenas porções. O estado em que toda a Luz Circundante poderá entrar no Partzuf é chamado de Gmar Tikun (Correção Final).

 

A Luz que sai do Kli é chamada de "Nekudot" (pontos), pois Malchut é chamada de ponto, um ponto negro, devido a suas propriedades egoístas, incapazes de receber a Luz depois do TA. Depois de preencher o Partzuf com a Luz Interna, a Luz Circundante pressiona a tela do Tabur para que o Kli possa receber a Luz que ficou de fora. Entretanto, o Partzuf não tem a Masach adequada para esta Luz. Dessa forma, se ele a receber (sendo que ainda lhe falta a intenção pelo Criador), tal recepção será egoísta. 

 

Uma vez que a restrição de receber a Luz é uma consequência do desejo egoísta de Malchut (o ponto negro), a Luz que deixa Malchut é chamada de "Nekudot". Quando a Luz Interna deixa o Partzuf, e brilha sobre ele de longe, ela provoca uma sensação especial, uma impressão dentro do Kli chamada lembranças (Reshimot). Essas lembranças constituem a informação vital sem a qual o Partzuf não sabe para onde seguir.

 

 

domingo, 1 de novembro de 2020

Cinco níveis de Masach (23)

 

Precisamos compreender por que, na ausência do vaso de Malchut, a Luz de Keter desaparece, e por que a Luz de Chochmá desaparece quando o vaso de Tiferet também está ausente. À primeira vista, tudo isso deveria ser ao contrário: se o Aviut de Behina Dalet não existe na tela, então a Luz de Malchut (Nefesh) deveria desaparecer. Da mesma forma, se os dois vasos de Behina Guímel e Behina Dalet estão ausentes, então as Luzes de Tiferet e Malchut que deveriam desaparecer. 

 

A princípio, se não existe força de resistência para o maior desejo (Malchut), então é a Luz de Malchut que deveria desaparecer, ou seja, a Luz que preenche esse desejo. Sendo assim, nesse caso, por que afirmamos que é a maior Luz (Keter) que desaparece? Não é esta Luz que preenche Behina Keter?

 

Isso pode ser explicado pela relação inversa entre a Luz e o vaso, ou seja: Primeiro, o desejo menor (Keter) é preenchido pela Luz menor, Malchut (Nefesh), até então dissociada do Kli, formado e assumindo seu lugar temporariamente. Entretanto, à medida que o desejo cresce gradualmente, ou à medida que adquire a tela para mais desejos, Luzes maiores preenchem o Kli de Keter. Enquanto isso, Chochmá, Biná, Tiferet e Malchut são preenchidas pelas diversas Luzes até que Malchut seja, por fim, preenchida pelas Luzes de Nefesh e Keter (com a Luz de Yechidá).

 

Shamati (137)

    137. Zelofeade estava coletando madeira (Ouvi em Tav - Shin - Zayin , 1946-1947)   Zelofeade estava coletando madeira. O Zohar i...