quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Introdução ao Livro do Zohar (95)

 

 

57. A partir do que acabamos de mencionar, podemos compreender a escuridão e ignorância que prevalece muito mais na nossa geração que nas antigas. Pois todos aqueles que estudam a Torá negligenciam os Segredos de Torá (isto é, não estudam Cabalá).

 

Portanto, o Rambam nos traz o seguinte exemplo: “Se mil pessoas cegas estão andando à beira da estrada e, entre eles, há uma única pessoa à frente de todos que é capaz de enxergar, então todos os cegos confiam que nenhum deles se perderá. Contudo, se entre eles não há um guia que possa enxergar, eles certamente se perderão”.

 

O mesmo se refere a nós. Imagine que existem pessoas que estudam Cabalá e atraem a Luz do Infinito, guiam a geração posterior à sua e as pessoas os seguem, então, todos terão a certeza de que ninguém mais errará o seu caminho. Mas caso a pessoa prefira estudar os outros aspectos da Torá, que não a Cabalá (aspectos estes que não corrigem a alma), não é de se surpreender que toda a geração erre devido a isso.

 

Consequentemente, as pessoas (do povo Judeu) não cumprem sua missão. Tão profunda é a minha tristeza que sou incapaz de continuar a falar sobre isso.

 

Nos itens 155 e 156 do Introdução ao Estudo das Dez Sefirot, Baal HaSulam explica que sem o estudo da Cabalá, a pessoa não é capaz de alcançar nem o mínimo NaRaNHaY. A Cabalá tem sido negligenciada desde a destruição do Segundo Templo, isto é, por cerca de 2000 anos. Esse grande cabalista inicia a sua Introdução com as seguintes palavras: “Venho sentindo uma grande necessidade de pôr abaixo o muro de ferro que nos separa da Sabedoria da Cabalá. A menos que façamos isso, acabaremos caindo no abismo. Todos os nossos problemas e sofrimentos são causados pela nossa incapacidade de atrair a Luz Superior de correção através da Cabalá”.

 

Então, ele segue explicando o motivo que causou a negligência da Cabalá.

 

58. Na verdade, eu sei o motivo: Isso se deve principalmente ao fato de que, de um modo geral, a fé diminuiu, principalmente a fé nos homens santos, os sábios de todas as gerações. E que os livros de Cabalá e o Zohar estão cheios de parábolas corpóreas.

 

Ou seja, a linguagem dos livros cabalísticos é tão confusa que o homem imagina que a Cabalá trata do nosso mundo e não dos Mundos Superiores. Essa linguagem utiliza as palavras do nosso mundo.

 

Portanto, as pessoas temem falhar ao materializar (criando ídolos) e, assim, perder mais do que ganhariam (ao estudar os livros desse modo).

 

Ou seja, as pessoas pensariam que o mundo é governado não pelo Criador, mas que alguma Força Suprema estaria nos objetos do nosso mundo. O leitor pensaria que todos os livros da Torá falam deste mundo.

 

E é isso o que me impulsionou a escrever uma extensa interpretação dos escritos do ARI e, agora, do Sagrado Zohar (o Comentário HaSulam). Com isso, removi toda essa preocupação (o medo de imaginar o nosso mundo ao invés do Mundo Espiritual), pois revelei a mensagem espiritual que existe por trás de tudo, que é abstrata e desprovida de qualquer semelhança física, acima do tempo e do espaço, como os leitores poderão comprovar, de forma a permitir a todos o estudo da Cabalá e do Zohar e de serem aquecidos pela sua Luz Sagrada.

 

Dei o nome de HaSulam (a Escada) a esse comentário, a fim de mostrar que o propósito dele é o mesmo de qualquer escada: se você tem um sótão cheio de riquezas, então tudo o que você precisa é de uma escada para alcançá-las, e então toda a abundância do mundo estará em suas mãos. Mas a escada não é um objetivo em si e por si mesma pois se você pausar no meio do caminho e não entrar no sótão, o objetivo não terá sido cumprido.

 

O mesmo ocorre com o meu comentário sobre o Zohar, pois ainda não se criou um modo de clarificar essas palavras tão profundas. Mas, apesar disso, construí um caminho e uma entrada para todos: ao utilizá-lo, é possível elevar-se e escrutinizar a fundo o Livro do Zohar (isto é, tudo o que o Zohar revela), pois somente assim o objetivo desse comentário será alcançado.

 

O Comentário sobre o Livro do Zohar foi escrito para elevar o homem ao cume chamado Zohar.

 

No capítulo "Bereshit", aprendemos que o Zohar corresponde ao Partzuf de Arik Anpin, que é Keter do Mundo de Atzilut, o qual inclui todo o Mundo Superior circundante, assim como o Mundo do Infinito. Em relação a nós, AA é o Mundo do Infinito e é chamado de Zohar (ou Zihara Ila'a). A tarefa do Livro do Zohar é elevar-nos até este nível.

 

59. Todos aqueles que compreendem o que está escrito no Livro do Zohar concordam que ele foi escrito pelo consagrado sábio Rabi Shimon Bar Yochai. Só aqueles que se encontram distantes dessa sabedoria duvidam de sua origem e tendem a dizer, acreditando em histórias criadas por seus oponentes, que ele foi escrito pelo Rabi Moshe De Leon (que viveu em uma época diferente).

 

A princípio, isso não é tão importante para nós, mas ele deseja destacar que o Livro do Zohar é muito mais antigo e valioso do que alguns tendem a crer. Por isso, ele deseja deixar clara a questão da autoria do livro.

 

Rabi Moshe de Leon viveu no século XI. Ele foi um grande cabalista e escreveu numerosos livros de Cabalá. Conforme escrevi no prólogo, o Livro do Zohar foi perdido e mais tarde redescoberto por acaso (certamente, não foi por acaso). Dos pedaços do livro, alguns excertos e páginas avulsas foram compilados no que hoje chamamos de O Livro do Zohar.

 

O Rabi Moshe de Leon herdou-o do seu professor que, por sua vez, também havia recebido do seu professor. Inicialmente, o livro foi encontrado por um comerciante, no século VII d.C.. Ele foi utilizado para embalar especiarias no mercado de Jafa.

 

O comerciante, que era judeu, evidentemente sabia um pouco de Cabalá, pois descobriu alguns escritos muito importantes no folio de pergaminho que continha as especiarias adquiridas. Ele correu de volta ao mercado e começou a revirar os lixos até finalmente encontrar todas as páginas. Posteriormente, toda a compilação foi passada para um de seus alunos, que seguiu esse exemplo, e, então, os textos chegaram ao Rabi Moshe de Leon, no século XI.

 

O cabalista reescreveu o livro, encadernou-o bem e o guardou. Ele sabia que era muito cedo para publicá-lo, pois as pessoas ainda não estavam preparadas para ele.

 

Sua esposa não sabia de nada disso. Etão, quando o Rabi faleceu, ela vendeu o livro na esperança de conseguir sair das suas dificuldades econômicas. Certamente, ele foi comprado por um bom negociador, pois ele mandou reescrevê-lo e o colocou à venda. O livro foi um sucesso, pois naquela época não existiam  obras semelhantes, exceto o Livro da Criação (Sefer Yetzirá), de autoria de Abraão. Entretanto, o Livro da Criação era muito difícil de ser estudado, já que ele traz apenas alguns vagos indícios. Portanto, o Zohar foi realmente como uma luz radiante, um esplendor, para aquela época.

 

Um grande número de cópias reescritas se espalharam instantaneamente. Embora se soubesse que ele fazia parte do legado do famoso Rabi de Leon, os verdadeiros cabalistas sabiam que, na verdade, ele havia sido escrito pelo Rabi Shimon Bar Yochai, com o auxílio do Rabi Aba, no século II ou III da Era Comum.

 

Por isso, ele diz: Todos aqueles que compreendem o que está escrito no Livro do Zohar concordam que ele foi escrito pelo consagrado sábio Rabi Shimon Bar Yochai. Só aqueles que se encontram distantes dessa sabedoria duvidam de sua origem e tendem a dizer, acreditando em histórias criadas por seus oponentes, que ele foi escrito pelo Rabi Moshe De Leon.

 

Esse livro não poderia ter sido escrito por um homem que viveu 5 ou 6 séculos depois do grande Rabi Shimon pois, como sabemos, as gerações descenderam gradualmente dos níveis mais altos até o nosso, quando começamos do zero. Em geral, não há nenhum cabalista desse nível entre nós. Meu Rabi foi o último deles, a descida terminou nele. E começamos essa ascensão por nós mesmos.

 

terça-feira, 11 de agosto de 2020

Introdução ao Livro do Zohar (94)


56. É preciso que saibas que todos os níveis do NaRaNHaY acima mencionados são as cinco partes das quais consiste toda a Criação. Tudo o que existe na Criação geral também se encontra na sua menor parte. Por exemplo, a pessoa pode receber as cinco partes do NaRaNHaY mesmo nos componentes do nível “mineral” do Mundo de Assiyá, pois elas se organizam da mesma forma que as cinco partes do NaRaNHaY de toda a Criação.

 

Mesmo a Luz do nível ‘mineral” do Mundo de Assiyá é impossível de ser recebida sem contemplar as quatro partes do Aviut do homem.

 

Baal HaSulam quer dizer que, indiferente de quão pequeno seja o nosso Kli (nosso pequeno desejo), se ascendermos ao nível mínimo, ele consistirá de 10 Sefirot: Keter, Chochmá, Biná, ZA e Malchut, e também de quatro partes: Nefesh, Ruach, Neshamá, Chayá e Yechidá, que originam os cinco Mundos.

 

Dessa forma, ele deseja nos mostrar a estrutura de todo o Universo: o Mundo do Infinito, o Mundo de AK, onde a Luz é dividida em Nefesh, Ruach, Neshamá, Chayá e Yechidá, que descendem para os outros Mundos. O mesmo ocorre em cada Mundo - eles possuem Nefesh, Ruach, Neshamá, Chayá e Yechidá.

 

Assim, a Luz descende do Mundo Superior aos Mundos Inferiores atravessando, a cada vez, os Kelim correspondentes. Por exemplo, a Luz de Chayá de Chochmá do Mundo de AK só pode penetrar Chochmá do Mundo de Atzilut, Chochmá do Mundo de Beriá, Chochmá do Mundo de Yetzirá e Chochmá do Mundo de Assiyá. É impossível que isso ocorra de outra maneira, pois o Kli não consegue distinguir nenhuma outra Luz nessa Luz específica, apenas a que corresponde às suas propriedades. Portanto, o Kli de Chochmá seleciona apenas a Luz de Chochmá (Ohr Chayá), o Kli de Malchut seleciona apenas a Luz de Nefesh, e assim por diante.

 

O que isso significa? Se o homem entra no Mundo de Assiyá com seu pequeno Kli, que consiste de cinco partes, ele recebe a Luz de todos os cinco Mundos dentro dessas cinco partes. Ela os atravessa, pois, na verdade, o Mundo de AK é a origem da Luz de Yechidá; o Mundo de Atzilut é a origem da Luz de Chayá; o Mundo de Beriá é a origem da Luz de Neshamá; o Mundo de Yetzirá é a origem da Luz de Ruach; e o Mundo de Assiyá é a origem da Luz de Nefesh.

 

Se eu atinjo o nível mais baixo do Mundo de Assiyá, e atravesso a Machsom, então neste nível tenho as sensações de todos os Mundos, de todo o Universo, pois eu já tenho as 10 Sefirot preenchidas com as Luzes (ainda que muito pequenas) de cada Mundo. Ou seja, por um lado meu pequeno nível me permite receber as Luzes dos outros Mundos e, por outro, meu trabalho deve também incluir todos os Mundos.

 

Mas como é possível incluir todos os Mundos em um nível tão baixo? O parágrafo seguinte explica exatamente isso.

 

Mesmo a Luz do nível “mineral” do Mundo de Assiyá é impossível de ser recebida sem contemplar as quatro partes do Aviut do homem. Dessa forma, todos devem se dedicar à Torá e aos Mandamentos (isto é, utilizar as propriedades de correção e purificação) a fim de adquirir o nível de Ruach. O homem também deve estudar os Segredos de Torá a fim de adquirir o nível de Neshamá e os Sabores dos Mandamentos (isto é, passar a receber a Luz Interna, já que a Luz de Neshamá não pode preencher o Kli sem esse trabalho).

 

Baal HaSulam diz que mesmo para alcançar o nível mineral do Mundo Espiritual é preciso o conhecimento e o recebimento da Luz Superior, portanto, naturalmente, sem o estudo da Cabalá, os Segredos de Torá, a pessoa não consegue ascender nem ao primeiro nível espiritual.

 

Se a pessoa acredita que lendo qualquer “literatura” tal como o Talmud e a Halachá, e estudando outras partes da Torá, ela pode corrigir a si mesma e adentrar no Mundo Superior, ela está absolutamente enganada. Isso porque penetrar o Mundo Espiritual requer a correção (ainda que mínima) de todas as cinco partes do seu desejo. Conforme é dito na Introdução do Livro do Zohar, elas só podem ser corrigidas através do estudo da Cabalá. Do contrário, o homem não corrigirá um nível superior ao da Luz de Nefesh.

 

domingo, 9 de agosto de 2020

Introdução ao Livro do Zohar (93)


52. Depois que o homem, por fim, corrige e purifica a parte “vegetal” do seu desejo de receber, ele ascende de forma permanente ao Mundo de Yetzirá, e recebe o nível de Ruach.

 

Agora, a constante está no Mundo de Yetzirá. Isso significa que o homem recebe Neshamá, Chayá e Yechidá dos Mundos Superiores. Elas o preenchem, mas ele não precisa corrigi-las completamente: a correção do nível de Ruach já é suficiente. Isto é, Nefesh e Ruach devem estar corrigidos completamente, enquanto que todos os outros níveis superiores a eles podem permanecer não corrigidos. Portanto, se o homem atinge o nível de Ruach do Mundo de Yetzirá, significa que ele corrigiu permanentemente o seu estado e não mais cairá abaixo dele.

 

Cada nível de cada Mundo deve ser totalmente corrigido. É dessa forma que ocorre a ascensão Espiritual constante.

 

Mas e se o homem cair desses níveis? Quando isso ocorre, isso o ajuda! Sem cair, ele não será capaz de avançar. Ele deve cair desses níveis a fim de adquirir o Aviut adicional. Ao fazê-lo, ele ascende do nível de Ruach do Mundo de Assiyá ao nível de Ruach do Mundo de Yetzirá.

 

O mesmo ocorre aos outros níveis: os desejos adicionais são adquiridos e então o homem cai novamente. Portanto, as quedas são essenciais. A ascensão acarreta a queda; quanto maior a queda, maior a ascensão, mas isso só se refere aos níveis em que o homem ainda não se corrigiu totalmente. Sempre há algum nível (anterior) corrigido sobre o qual o homem ascende ao nível superior. Cada estado consecutivo é mais crítico (tanto para o negativo quanto para o positivo) que o anterior.

 

53. Depois de corrigir a parte “animal” do seu desejo, o homem a recebe e a transforma em desejo de doar, tanto que o Criador Ele Mesmo certifica a permanência dessa condição. Ele alcança a Semelhança com o Mundo de Beriá, ascende e recebe a Luz de Neshamá (do Mundo de Beriá).

 

Ou seja, ele ascende ao Mundo de Beriá, onde o nível de Neshamá está completamente corrigido. Naturalmente, os níveis de Ruach e Nefesh também estão completamente corrigidos no nível do Mundo de Beriá. Com isso, os níveis de Chayá e Yechidá continuam não corrigidos. Isso é necessário para que ele se eleve ao Mundo de Atzilut enquanto corrige o nível de Chayá e, depois, prossegue ao Mundo de AK enquanto corrige o nível de Yechidá.

 

54. Quando o homem tem o mérito de corrigir a parte “humana” do seu desejo, ele se torna semelhante ao Mundo de Atzilut, ascende até ele e recebe a Luz de Chayá. Quando ele merecer ainda mais (isto é, Yechidá), ele receberá a Luz do Infinito e a Ohr Yechidá “se vestirá” na Ohr Chayá. Não há nada mais a ser dito sobre isso.

 

 

55. Com isso, encontramos as respostas às questões feitas previamente: qual o propósito de todos esses Mundos Superiores (para quê serve essa criação específica?)? Agora podemos ver que o homem é incapaz de doar para o Criador sem a ajuda desses Mundos, pois na mesma medida da correção do seu desejo de receber (sua autocorreção) ele receberá as Luzes, os níveis da sua alma, que são chamados de NaRaNHaY.

 

O que significa a frase “todos esses Mundos”? Eles são a regulagem da minha alma. A correção gradual de cada uma das suas partes gera, em mim, a sensação de estar avançando em direção ao Criador, partindo do estado em que nenhum dos meus Kelim está corrigido (o nível mais baixo) e chegando ao estado em que eu corrijo completamente todos os vasos da minha alma.

 

Ao elevar-me, dessa forma, do ponto mais baixo do interior do meu kli até o mais alto, eu atravesso cinco partes chamadas cinco Mundos. Somente a Luz Superior absolutamente amorfa me cerca. Todas as sensações de ocultação e revelação da minha conexão parcial com o Criador são sentidas dentro de mim mesmo, e são determinadas pelo meu componente mais interno que foi corrigido.

 

Depois, veremos que todos os Mundos estão dentro de nós. Como? Sentimos a Luz Geral chamada Ohr HaSovev (a Luz Circundante), que não podemos nem analizar nem sentir internamente. Nós a chamamos de “Criador”. A Luz que nos penetra e preenche na mesma medida da nossa correção é chamada de Ohr Pnimi (Luz Interna). Essa é uma assimilação parcial da mesma Luz Circundante que brilha sobre nós.

 

Ao Fim da Correção, toda essa Luz nos penetrará sem deixar nada de fora. A Luz Simples Infinita estará tanto dentro quanto fora de nós.

 

Em outras palavras: deixamos de ser uma casca fechada com uma dose mínima de Luz por dentro, e alcançamos um estado em que a Luz nos transcende. Nos tornamos absolutamente semelhantes à Luz em nossas propriedades, e deixamos de ser um obstáculo em seu caminho. Isso é o que chamamos de “completa fusão com a Luz”. Apesar do desejo continuar oposto ao Criador, neutralizando-o e corrigindo-o com a ajuda das nossas intenções (de usá-lo pelo Criador), o purificamos de forma que ele deixe de obstruir a Luz.

 

sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Introdução ao Livro do Zohar (92)


50. Entretanto, você precisa saber que todas essas cinco Luzes do NaRaNHaY são meramente o NaRaNHaY da Luz de Nefesh. Elas não têm nada da Luz de Ruach porque o Ruach existe apenas no Mundo de Yetzirá, assim como a Ohr Neshamá encontra-se no Mundo de Beriá; a Ohr Chayá, no Mundo de Atzilut, e a Ohr Yechidá, no Mundo de AK.

 

De fato, o trabalho dos níveis mineral, vegetal, animal, humano e geral da nossa correção se refere apenas ao desejo Mineral.

 

Entretanto, tudo o que existe na Criação geral também está presente em cada parte sua, não importando quão pequena ela seja. Assim, o Mundo de Assiyá possui cinco Luzes de NaRaNHaY, que se referem à Luz de Nefesh. De forma semelhante, o Mundo de Yetzirá possui cinco Luzes de NaRaNHaY, que se referem à Luz de Ruach. Do mesmo modo, o Mundo de Beriá possui cinco Luzes de NaRaNHaY, que são apenas uma parte da Luz de Neshamá, e assim por diante.

 

51. É preciso saber que o desejo de ser espiritualmente elevado e purificado só é aceito pelo Criador quando ele é constante e se existe a certeza de que o homem não recairá em tolice. O Criador Ele Mesmo certifica-Se que o homem nunca mais retorne ao seu estado anterior. 

 

Como podemos nos unificar com Ele se não temos pontos de contato? Como podemos chegar minimamente perto Dele, quanto mais penetrá-Lo, se Ele é absolutamente oposto às nossas propriedades naturais?

 

Baal HaSulam escreve em seu artigo que não podemos estabelecer qualquer contato com o Mundo Superior. Entretanto, a todos neste mundo é conferido um protótipo do mundo espiritual na forma de um grupo e um professor. Ainda que não estejamos imersos em desejos constantes de doação, só por desejar recebê-los, nós, da forma como estamos, treinamos a nós mesmos e, assim, podemos gradualmente desenvolver a atitude correta em relação ao Reino Espiritual. Não somos capazes de estabelecer um contato com o Mundo Espiritual a menos que possamos estabelecer, de forma correta, um contato com o Partzuf Superior, ou seja, com um grupo e um professor.

 

Se o homem tem o desejo constante pelo Espiritual, ele pode elevar-se mais alto. Não existe um estado em que o homem sempre avance e nunca caia. De qualquer forma, o que é uma queda? Uma queda não significa que a pessoa caiu do seu nível espiritual, mas sim, que alcançou um desejo adicional sem tê-lo neutralizado com a correção necessária, permanecendo no mesmo nível de desejo.

 

Suponha que eu esteja no nível espiritual “zero” e receba um novo desejo adicional, mas ainda não tenha conseguido equilibrá-lo com a propriedade de doação. Nesse caso, eu ainda retenho o nível do meu desejo anterior, mas de modo algum retorno ao egoísmo passado.

 

Os desejos de doação são sempre constantes em direção. Eles só podem crescer, mas nunca diminuir. Isso ocorre porque a pessoa que ascende espiritualmente está sob a constante influência da Luz. A Luz descende do Mundo do Infinito passando por todos os outros Mundos, nutrindo constantemente a pessoa sem nunca deixá-la cair.

 

O homem nunca é seu próprio mestre, pois apenas a Luz pode mantê-lo em um determinado nível, como um ímã segurando uma peça de metal sem deixá-la cair.

 

Na Introdução ao “Estudo das Dez Sefirot”, é dito que o Criador assegura a retidão do homem. Como alguém pode saber se é justo ou não? Só é possível sabê-lo se o Criador Se revela à pessoa e não permite que ela escorregue. Naturalmente, se o Criador Se oculta e exclui o homem da Sua Luz, ele imediatamente cai do seu nível. Estamos constantemente “suspensos no ar”. Entre o nosso mundo e o Mundo do Infinito, sempre dependemos da intensidade da Luz, que descende de Cima e nos mantém neste ou naquele nível.

 

Entretanto, à medida que o homem entra no Reino Espiritual, ele sempre recebe um nível mínimo a partir do qual começa a ascender. Ao corrigir-se completamente em determinado nível, esse nível passa a ser o patamar mínimo abaixo do qual o homem nunca mais cairá e continuará avançando. Na mesma medida da Semelhança de Forma do homem com o Criador, o Criador lhe garante constantemente que ele não mais cairá do nível alcançado.

 

Descobrimos que, como foi dito, se a pessoa corrige o nível mineral do seu desejo de receber, ela tem o mérito de receber o Partzuf de Nefesh. Ele se eleva e se ”veste” na Sefirá de Malchut do Mundo de Assiyá e, logo, ela merece a Correção Final do nível mineral. Ou seja, a pessoa não retornará mais ao seu passado (abaixo da Machsom, abaixo do Mundo de Assiyá), e será capaz de elevar-se ao Mundo Espiritual de Assiyá, pois ela está purificada e absolutamente equivalente às propriedades desse Mundo. De acordo com essa regra, a transição desse mundo ao Mundo de Assiyá somente é possível se o homem adquire constantemente uma mínima propriedade espiritual.

 

Entretanto, os outros níveis do Mundo de Assiyá são Ruach, Neshamá, Chayá e Yechidá. Para obter suas Luzes, é preciso corrigir os níveis vegetal, animal e humano do desejo de receber. A correção pode não ser final “até que o Criador Ele Mesmo certifique-se que a pessoa não mais recairá em tolice” (ou seja, seu estado anterior).

 

Se atravesso esse mundo e alcanço o Mundo de Assiyá, eu continuo a me desenvolver, isto é, a construir um Partzuf que consiste de 613 Mandamentos. Por ser impossível diferenciar entre os Mandamentos Positivos e os Mandamentos Negativos no Mundo de Assiyá, eu os separo em Nefesh, Ruach, Neshamá, Chayá e Yechidá.

 

Baal HaSulam diz que o homem deve estar constantemente no Mundo de Assiyá em suas sensações, enquanto que sua presença em outros níveis pode não ser permanente. Na verdade, ele será incapaz de fazê-lo. Isso somente é possível no Mundo de Assiyá de Assiyá, pois o Mundo de Assiyá caracteriza-se apenas por esse nível.

 

Depois disso, quando eu ascendo ao nível do Mundo de Yetzirá, é importante que eu torne os níveis de Assiyá e Yetzirá do Mundo de Yetzirá permanentes. Os níveis de Neshamá, Chayá e Yechidá podem ainda ser temporários, e assim sucessivamente.

 

Cada vez que eu alcanço determinado nível, eu preciso corrigi-lo dentro de mim. Todos os outros níveis que complementam meu Partzuf podem ser temporários. Assim como um especialista em metalurgia, por exemplo, deve conhecer profundamente o seu campo de atuação, enquanto o seu conhecimento em outros campos somente se mostra necessário se tal conhecimento puder ajudá-lo a ser mais eficiente na sua profissão. O mesmo se aplica aos desejos. Se eu trabalho nos meus desejos de nível vegetal, todos os outros níveis me auxiliam a distingui-los em si mesmos e a trabalhá-los. 

 

É dito que “até que o Criador Ele Mesmo certifique-Se da impossibilidade do homem retornar ao seu estado anterior”.

 

Como o Criador Se certifica disso? Ele brilha sobre nós com determinada Luz e, de acordo com a intensidade dessa Luz, Ele nos mantém em certo Nível Espiritual. Se Ele brilhar mais, nos elevamos; se Ele brilhar menos, caímos. Em outras palavras, apenas a intensidade da Luz determina nosso Nível Espiritual, pois nosso desejo é constante e imutável. Apenas o poder da Luz funciona como um contrapeso ao nosso desejo, ela nos eleva ou nos empurra para baixo.

 

Se o poder da Luz atinge certa distância ou nível do Criador, digamos, nível dois, então saberei com certeza que não cairei mais baixo que isso. Essa força constante da Luz do Criador garante que eu permaneça nesse nível.

 

Se o homem corrige o nível mineral do seu desejo de receber, e merece transformar o ponto de seu coração no Partzuf de Nefesh, então ele ascende e se “veste” na Sefirá de Malchut do Mundo de Assyiá.

 

Está claro que o homem não retornará ao seu estado anterior. Ele ascende ao Mundo de Assiyá e alcança a constante de seu nível, pois a correção daquele nível foi completada. Entretanto, os níveis remanescentes do Mundo de Assiyá, Ruach, Neshamá, Chayá e Yechidá ainda não estão completamente corrigidos.

 

Portanto, para entrar no Mundo de Assiyá, o homem deve corrigir completamente o seu nível mineral para evitar qualquer deterioração. Por quê? Porque todo o Mundo de Assiyá corresponde ao nível mineral. Todos os níveis restantes, vegetal, animal, humano, e Divino, podem ainda ser temporários.

 

De forma semelhante, para avançar ao nível de Yetzirá, eu preciso tornar meu Ruach constante, pois todo o nível de Yetzirá corresponde ao Ruach (o nível vegetal).

 

Assim, o nível correspondente ao Mundo no qual me encontro, e que constitui sua propriedade característica, deve estar completamente corrigido em mim, enquanto que todos os outros podem ter degraus de correção variados. Logo, se Yetzirá é Ruach, então Ruach de Ruach de todo o Mundo de Yetzirá deve ser constante, e assim por diante. Baal HaSulam explica esse assunto claramente, e não é difícil compreender.

 

Entretanto, os níveis remanescentes do Mundo de Assiyá - Ruach, Neshamá, Chayá e Yechidá - não precisam, necessariamente, estar completamente corrigidos para receber a Luz e corrigir os níveis vegetal, animal e humano do seu desejo de receber.

 

Ocorre que o Mundo todo de Assiyá, em cada uma de suas cinco Sefirot (Keter, Chochma, Biná, ZA e Malchut), é nada mais nada menos que a própria Malchut, que corrigiu sua atitude no nível mineral (Assiyá é Malchut, Yetzirá é ZA, e o mesmo se aplica a Keter, Chochmá, Biná, ZA e Malchut do Mundo de Yetzirá). As cinco Sefirot são justamente as cinco partes de Malchut (o nível mineral do desejo de receber).

 

Por exemplo, a Sefirá de Tiferet do Mundo de Assiyá recebe a Luz do Mundo de Yetzirá, que é Tiferet, e a Luz de Ruach. A Sefirá de Biná do Mundo de Assiyá recebe a Luz do Mundo de Beriá, que é Neshamá. A Sefirá de Chochmá do Mundo de Assiyá recebe a Luz do Mundo de Atzilut, que é Chayá.

 

O que Baal HaSulam está tentando nos dizer? Se pensarmos no Mundo de Assiyá, apenas Nefesh é o seu próprio nível, ainda que ela receba Ruach de Tiferet. Então, ela recebe Neshamá de Malchut do Mundo de Beriá, Chochma do Mundo de Atzilut, e Keter de Malchut do Mundo de AK.

 

Consequentemente, se tudo isso constitui Malchut, ela recebe cada Luz (exceto a sua própria) do Mundo correspondente àquela Luz. Assim, já que ZA, aqui, refere-se à Malchut, ele recebe a Luz de ZA de Malchut do Mundo de Yetzirá, que representa o ZA geral. Biná, que se refere à Malchut, recebe a Luz de Malchut do Mundo de Beriá, pois Beriá é Biná.

 

Ou seja, cada parte recebe a Luz da sua parte correspondente no Mundo Superior.

 

A Sefirá de Tiferet do Mundo de Assiyá recebe a Luz do Mundo de Yetzirá, que representa Tiferet, e a Luz de Ruach. A Sefirá de Biná do Mundo de Assiyá recebe a Luz do Mundo de Beriá, que é Neshamá. A Sefirá de Chochmá do Mundo de Assiyá recebe a Luz do Mundo de Atzilut, que é Chayá. Consequentemente, apesar do fato de o homem não ter corrigido os outros níveis além do seu nível mineral (o último), e se as outras três partes do seu desejo de receber estiverem parcialmente corrigidas, ele já pode receber as Luzes de Ruach, Neshamá, Chayá e Yechidá de Tiferet, Biná e Chochmá do Mundo de Assiyá. Essa recepção, contudo, é temporária, pois assim que qualquer uma dessas três partes do seu desejo despertar o homem instantaneamente perderá essas Luzes.

 

Baal HaSulam quer dizer que se o homem se corrige completamente no nível mineral e apenas parcialmente em todos os outros, então, ele está no Mundo de Assiyá. Observe que, mesmo que suas partes não corrigidas caiam, ele ainda mantém seu nível constante. Isso lhe permite manter o nível acima da Machsom. Dessa forma, ocorre que a pessoa que cruzou a Machsom nunca mais cairá abaixo dela.

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Introdução ao Livro do Zohar (91)

 

49. Quando uma pessoa tem o mérito de receber a grande Luz chamada Neshamá e todos os 613 órgãos desse Partzuf estiverem, cada um, brilhando nele com sua Luz completa, ou seja, cada qual como um Partzuf individual, ela encontra uma oportunidade de observar cada Mandamento com a intenção verdadeira.

 

A Luz específica de cada Mandamento brilha sobre cada órgão (desejo) do Partzuf de Neshamá (Baal HaSulam fala sobre o Partzuf anterior de Neshamá, do nível animal). O poder dessas Luzes corrige a parte “humana” do seu desejo de receber e o transforma em desejo de doar (a Luz do nível de Neshamá eleva-se da mesma forma, e o homem corrige o nível de Chayá). Nesse instante, um ponto da Ohr Chayá é inserido nele.

 

Quando o Partzuf está completo, ele eleva-se e veste-se na Sefirá de Chochmá. Esse Kli é excepcionalmente transparente (isso diz respeito ao Kli de Chayá à medida que se eleva à Atzilut) e, portanto, transfere uma enorme Luz do Mundo do Infinito para o homem. Essa Luz é chamada de Ohr Chayá. Todas as partes (previamente adquiridas) do Mundo de Assiyá, isto é, o mineral, vegetal e animal que pertencem à Sefirá de Chochmá, auxiliam a pessoa a receber a Luz Completa da Sefirá de Chochmá.

 

Isso é chamado de “Homem Espiritual”. Sua essência está direcionada à correção da parte “humana” do corpo do homem. O significado dessa Luz no Mundo Espiritual corresponde ao significado do nível humano dentre os quatro níveis do Mundo Material (mineral, vegetal, animal e humano). A grandeza dessa Luz excede a da Luz dos níveis mineral, vegetal e animal do Mundo Espiritual. É possível comparar essa diferença à diferença existente entre a humanidade e os tipos de existência mineral, vegetal e animal do Mundo Material. A Luz do Infinito “vestida” nesse Partzuf é chamada de Ohr Yechidá.

 

Yechidá já é Keter, Infinito, mas o Infinito relativo àquela pessoa em particular, àquele Partzuf particular, e não à toda Luz da Torá do Mundo do Infinito. Além disso, essa Luz (que chamaremos de Infinito Individual), a Luz de Yechidá, é semelhante ao Criador em suas “ações” e é individualmente Infinita.

 

Aqui, os 248 e 365 Mandamentos são criados, os desejos corrigidos, a partir dos quais entramos no Mundo de Yechidá. Baal HaSulam e o Zohar não falam do Mundo de Yechidá, o Mundo de AK, nesses livros, há apenas um indício do Mundo de Atzilut. Isso ocorre porque devemos nos submeter sobretudo à correção dos níveis básicos do desejo: mineral, vegetal e animal, e então elevar esses desejos dos Mundos de Assiyá, Yetzirá e Beriá para o Mundo de Atzilut. Como dissemos antes, esses Mundos abaixo da Parsá enfraquecem a Luz e contém em si os vasos ainda não corrigidos. Ao corrigi-los e elevá-los ao Mundo de Atzilut, completamos nossa missão.

 

Falamos apenas sobre os Mundos de Assiyá e os cinco níveis que uma pessoa atravessa nele: Nefesh, Ruach, Neshamá, Chayá e Yechidá do Mundo de Assiyá. Depois disso, vem o Mundo de Beriá. Todos os níveis aqui mostrados apenas descrevem os cinco níveis do Mundo de Assiyá.

 

Portanto, qual é a diferença entre os níveis ascendentes de Assiyá, Yetzirá, Beriá, Atzilut, AK do Mundo de Assyiá e a ascensão dos mesmos Mundos, ou níveis, Partzufim, do Mundo de Beriá?

 


terça-feira, 4 de agosto de 2020

Introdução ao Livro do Zohar (90)

 

48. Entretanto, quando uma pessoa recebe os Segredos de Torá e os sabores dos Mandamentos, ela corrige o nível animal do seu desejo de receber. Ao fazer isso, ela expande e constrói o ponto de Neshamá que se veste nos 248 e 365 órgãos do seu corpo.

 

Já estudamos como o homem avança nos Mundos de Assiyá e Yetzirá. No Mundo de Yetzirá, ele já tem uma atitude diferente em relação aos seus deveres e responsabilidades. Ao contrário do Mundo de Assiyá, onde o homem não tem consciência de em que estava trabalhando, em Yetzirá, ele já distingue entre os desejos de doação e recepção, e age de acordo com isso. O nível seguinte de correção, o Mundo de Beriá, é onde o homem estuda os segredos de Torá e os sabores dos Mandamentos. Em Beriá, ele começa a tratar seus desejos (instilados em nós pelo Criador) e a Luz, o poder que ele recebe de Cima, de uma maneira muito diferente.

 

Qual sua atitude em relação a eles? Como é a sensação de estar entre algo que o Criador criou em si e o poder que Ele envia, agora, para ele? O homem recebe os Kelim e a Luz, e deve posicionar-se corretamente entre essas duas fontes de desejo e prazer. No nível de Beriá, ele continua avançando enquanto recebe os Segredos de Torá e os sabores dos Mandamentos.

 

A Torá é a Luz mais geral que nos influencia. Qual o significado de “os Segredos da Luz Geral” e “os Sabores dos Mandamentos”? O homem já alcança um nível em que sente a Luz de Chochmá (Sabedoria) da qual recebe os segredos, isto é, como a Luz criou a Criação, como ela a corrige, adapta-a a si mesma e a absorve. Os Segredos de Torá são os processos interiores que ocorrem nos nossos desejos sob a influência da Luz.

 

Ao receber os processos mais profundos do Universo, o homem corrige o nível animal do seu desejo (ao compreender as ações do Criador, ele se torna semelhante a Ele nos níveis mais profundos do seu desejo) e amplia o ponto de Neshamá, que se desenvolve em 248 e 365 órgãos.

 

Naturalmente, essa parte também consiste de 248 órgãos e 365 subpartes, ainda que em um nível diferente. Se o Mundo de Assiyá é um movimento geral inanimado, desprovido da intenção pelo Criador, o Mundo de Yetzirá ainda é uma intenção geral indefinida, e o Mundo de Beriá é um avanço pelo Caminho da Torá e dos Mandamentos. O Mundo de Beriá pode ser descrito como a Luz e o Kli. Este é um nível Espiritual muito elevado dos Segredos de Torá e dos sabores dos Mandamentos.

 

Cada parte mineral, vegetal e animal do Mundo de Assiyá da Sefirá de Biná ajuda o Partzuf de Neshamá da pessoa a receber a Luz completa da Sefirá de Biná. A isso também chamamos de “animal puro”, pois ela é destinada à correção do nível animal do corpo do homem. A natureza da sua luminescência é a mesma que a do nível animal do Mundo Material, descrita anteriormente: ela confere ao indivíduo uma sensação de vida em cada um dos 613 órgãos do Partzuf. Assim, eles se sentem independentes do Partzuf ao ponto em que os 613 órgãos se tornam os 613 Partzufim, e cada um deles contém sua Luz individual específica.

 

O homem está isolado dos outros no nosso mundo. Diferente das plantas, que se voltam na direção do sol, ele pode movimentar-se de forma independente. Ao contrário das plantas e dos animais que nascem e morrem depois de um determinado período (é menos evidente nos animais que nas plantas, embora eles reproduzam-se em períodos específicos do ano), o homem é totalmente livre nesses movimentos, na sensação do passado e do futuro, em seu contato com o mundo etc. A alma que alcança o nível de Neshamá é independente de uma maneira muito semelhante.

 

Quando esse Partzuf de Neshamá, completamente individual, surge, a superioridade da sua Luz sobre a Luz de Ruach do Mundo Espiritual é equivalente à diferença entre os níveis animal, vegetal e mineral da natureza do Mundo Material. Além disso, um ponto da Luz de Chayá está inserido no Partzuf de Neshamá. Depois, o homem continua a desenvolver o nível de Chayá.

 


segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Introdução ao Livro do Zohar (89)

 

47. No Partzuf de Nefesh, o qual o homem recebe ao observar a Torá e os Mandamentos sem intenção, um ponto da Luz de Ruach já está vestido nele.  

 

O Partzuf de Nefesh é o menor de todos. Nós já começamos a adquiri-lo. Obtemos a Luz de NaRaNHaY de Nefesh tanto no Mundo de AK quanto aqui, no nosso mundo. Isso pode ser feito ao observar a Torá e os Mandamentos sem intenção, isto é, ao cumprir todo o tipo de ações que podem nos corrigir. Baal HaSulam descreve-as no seu artigo “Livre Arbítrio”.

 

O que significa uma “ação”? “Ação” significa trabalhar com o livro durante seus estudos em grupo. Isso o direciona diretamente ao Criador, capacita-o a expandir o seu desejo por Ele. Se você acumula todos os seus poderes, todos os seus desejos combinados com os desejos dos seus amigos, enquanto aspira atingir os estados descritos no livro, você se agarra ao AHP do Partzuf Espiritual Superior (o professor) junto com os outros, para que ele os eleve e atraia a Ohr Makif.

 

Para isso, você não precisa ter intenções específicas pelo Criador, pois elas ainda não podem surgir em você. Elas surgirão devido à influência da Luz Superior, mas podemos atrair a Luz enquanto ainda temos intenções egoístas. Nesse caso, a Luz que brilha sobre nós se chama não Ohr Pnimi (já que ela não pode penetrar em nós) mas sim Ohr Makif, mas ela nos purificará da mesma maneira.

 

Dessa forma, adquirimos nosso primeiro Partzuf NaRaNHaY de Nefesh. Assim que o completamos, seu ponto mais alto será a raiz do Partzuf seguinte, de Ruach. Então começaremos a construir Nefesh, Ruach, Neshamá, Chayá e Yechidá do Partzuf de Ruach. Uma vez terminado, o início do Partzuf seguinte será no nível de Yechidá: Nefesh, Ruach, Neshamá, Chayá e Yechidá do Partzuf Neshamá. Quando terminamos este, começaremos a trabalhar em Nefesh, Ruach, Neshamá, Chayá e Yechidá do Partzuf de Chayá e etc.

 

Essa “Escada” tem sua origem na descida dos Mundos. Durante esse processo, o Mundo Superior gerou o mundo seguinte abaixo dele e, portanto, o ponto mais baixo de um Partzuf está conectado ao ponto mais alto do Partzuf abaixo dele. O homem pode dizer que passa de um nível para o outro quando alcança o ponto mais alto de um determinado Partzuf. Automaticamente, uma aspiração pelo nível seguinte desperta nesse Partzuf e surgem as condições do Kli do próximo nível. Assim, o homem continua a ascender.

 

Ainda assim, o trabalho que fazemos para avançar, isto é, as telas, a profundidade do autoconhecimento, o recebimento do Mundo que nos cerca, e o contato com o Criador é totalmente diferente a cada vez. É como um bebê recém nascido que ainda é incapaz de ouvir, de ver ou compreender qualquer coisa. Ele se desenvolve pouco a pouco e então começa a participar das ações do mundo: primeiro, através de jogos e brincadeiras, depois, através do contato com jogos de equipe e, por fim, através da interação com os adultos.

 

Um avanço individual ao longo dos níveis ocorre devido a uma múltipla influência do ambiente e do desenvolvimento de sentidos alternativos, poderes e ferramentas. Isso é o que ocorre no Mundo Espiritual, portanto, observamos o mesmo também em nosso mundo. Quais são as nuances do nosso trabalho nesses níveis? Parece que estou cercado pelo mesmo mundo, e minha essência interior permanece a mesma. Eu apenas interajo comigo mesmo, e com o mundo ao meu redor, com níveis de profundidade diferentes a fim de me comparar com o Criador. A cada vez, eu penetro mais profundamente no meu mundo interior e naquele ao meu redor, para que eles comecem a formar um único Kli. Todos os níveis da natureza, o mineral, vegetal, animal e humano, fundem-se com o Criador. Aqui, Baal HaSulam explica como e em quais níveis isso ocorre.

 

Tudo o que podemos fazer chama-se “Mandamentos”, ou “Atrair a Luz Superior” (a Ohr Makif) conhecida como “Torá” (da palavra hebraica “Ohrah”, “Ohr”) . A Torá é a Luz Superior mais geral e abrangente. Entretanto, a Luz que nos atinge em nosso estado através dos Mundos, a Ohr Makif, é também chamada de Torá. Essa Luz invisível é destinada a toda humanidade no seu estado final e mais exaltado. Recebemos a Ohr Makif que nos afeta mesmo quando ainda não temos a intenção com o propósito de doar. Se o homem fizer tudo o que estiver ao seu alcance, ele purifica e corrige esse nível mineral.

 

Quando a pessoa se esforça para cumprir a Torá e os Mandamentos com a intenção adequada, ela purifica a parte vegetal do desejo de receber, e se eleva ao nível seguinte. Nessa medida, ela constrói o ponto de Ruach no Partzuf. Realizar os 248 Mandamentos Positivos com a intenção correta resulta na formação dos 248 Órgãos Espirituais desse ponto. E o cumprimento dos 365 Mandamentos Negativos gera outros 365 Órgãos Espirituais.

 

Ainda que o ponto de Ruach origine-se no Partzuf anterior, ele já se refere ao Partzuf seguinte.

 

No nível vegetal, o homem já começa a diferenciar entre o bem e o mal, benefício e malefício. Tudo o que for útil ao desenvolvimento do desejo e intenção altruístas é atraído e absorvido, enquanto que o oposto é repelido. Até aqui, ele não possui a habilidade de movimentar-se de forma independente, e lhe falta a sensação de passado e futuro. Ele ainda vive, junto com outros como ele, nos mesmos estados, movendo-se sob a influência da Luz. Ele ainda não consegue trabalhar de forma independente e, assim como uma flor, ele murcha à noite e retorna à vida pela manhã.

 

Apesar disso, ele já compreende o que precisa para o seu crescimento. Assim, ele separa os 248 Mandamentos-Desejos com os quais deseja trabalhar e os corrige a partir dos 365 desejos com os quais ele não tem o direito de trabalhar. Já nesse nível, seu Partzuf está dividido em GE e AHP, 248 e 365, ao todo 613 desejos. No estado de Nefesh, ele ainda é incapaz de sentir ou distinguir esses desejos, quanto mais analisá-los. Isso acontecerá em um estágio posterior.

 

Quando a formação de todos os 613 órgãos do Partzuf está completa, ele se eleva e se veste na Sefirá de Tiferet do Mundo de Assiyá, que direciona a Luz mais importante, chamada Ruach, do Mundo do Infinito. A Luz de Ruach é destinada à correção das partes vegetal e animal que pertencem ao nível da Sefirá de Tiferet. Todas essas partes auxiliam o Partzuf de Ruach de uma pessoa a receber a Luz completa da Sefirá de Tiferet, como ocorreu antes com a Luz de Nefesh. Portanto, ele é chamado de “vegetação espiritual”.

 

O que Baal HaSulam deseja transmitir aqui? Tudo o que foi corrigido no Partzuf anterior, agora, começa a ajudar o Partzuf seguinte no nível em que ele trabalha. Por um lado, cada Partzuf constitui um pré-requisito para dominar o seguinte e, por outro, dominar o Partzuf subsequente ajuda na efetivação do anterior.

 

Suponha que eu tenha adquirido determinadas habilidades alguns anos atrás. Hoje, me familiarizo com algumas ideias ou teorias. Eu passo a utilizar as habilidades adquiridas no passado como um meio de implementar os conceitos de hoje. Hoje, eu compreendo melhor o que adquiri previamente e passo a analisar o passado relacionando-o ao presente.

 

Ao elevar-me ao nível do Partzuf de Ruach, eu não deixo de construir meu Partzuf de Nefesh. Pelo contrário: com o desenvolvimento de Ruach, eu continuo a descobrir e utilizar o Partzuf de Nefesh. Nada desaparece ou cai no esquecimento do passado. A cada nível, eu me reconheço de acordo com a minha posição atual, seja no nível de Nefesh, Ruach, ou Chayá, eu percebo todos os Partzufim anteriores que construí.

 

Consequentemente, eu recebo uma quantidade maior de Luz e de Kelim, que compõem o meu Mundo do Infinito. Ele é composto de uma tal variedade de meus pensamentos e habilidades que absolutamente tudo está lá. Todas as oportunidades estão vinculadas à conceitos, forças e intenções, de forma a preparar a completa realização, começando pelo primeiro nível e terminando no último.

 

A natureza dessa luminescência do nível vegetal do mundo material é tal que mudanças nos movimentos são perceptíveis em cada parte individual. A Luz Espiritual do nível vegetal é capaz de brilhar de maneira diferenciada sobre cada um dos 613 órgãos.

 

A Luz Ascendente de Ruach separa cada um dos 613 desejos particulares de dentro do meu desejo interior comum. Eu já os diferencio, percebo a característica de cada desejo e compreendo se posso adaptá-lo ao Criador ou não. Vejo se é necessário modificar ou deixar algum desejo de lado para estabelecer um contato com o Criador. A Luz revela a minha alma e, portanto, ela é chamada de Ruach, Ruchaniut - a Luz Espiritual. É com esse Ruach, Espiritualidade, que começa meu desenvolvimento individual e o contato com o Criador.

 

 A Luz Espiritual do nível vegetal é capaz de brilhar de maneira diferenciada sobre cada um dos 613 órgãos do Partzuf de Ruach. Cada órgão expressa sua potencialidade específica nesse ato. Quando o Partzuf de Ruach nasce, ele recebe o ponto de um nível superior que é o ponto do Partzuf de Neshamá.

 

O mesmo princípio se aplica aos Mundos de AK, Atzilut, Beriá, Yetzirá e Assiyá. Cada Mundo encontra-se no nível do seu próprio GE, e o seu AHP no nível do Mundo abaixo dele. Suas extremidades se sobrepõem, como uma antena telescópica, ao passo que nenhum deles existe por si mesmo. Ocorre que nenhum Partzuf possui qualquer parte livre ou independente. Em todos eles vemos que toda sua parte superior, GE, veste-se no Partzuf superior, enquanto que sua parte inferior, AHP, insere-se no Partzuf inferior. Em outras palavras: todos os nossos pensamentos e desejos estão conectados seja com o nível superior ou com o inferior. Portanto, o desenvolvimento só é possível graças a essa conexão. É impossível elevar-se acima do seu próprio nível, a menos que eu me conecte com o Nível Superior e receba um desejo, MAN, do nível inferior.

 

Cada um de nós funciona como um elo em uma corrente, e só conseguimos avançar se nos conectarmos ao Partzuf Superior e impulsionarmos todos os outros para cima. É impossível avançar sozinho, sem estar conectado com o grupo.

 

 


Shamati (137)

    137. Zelofeade estava coletando madeira (Ouvi em Tav - Shin - Zayin , 1946-1947)   Zelofeade estava coletando madeira. O Zohar i...